Poetas & Maçons – Antero de Quental
Foram muitos os poetas maçons ou os maçons poetas. Cito alguns:
- Marquesa de Alorna
- Bocage
- Filinto Elísio
- Almeida Garrett
- Camilo Castelo Branco
- Feliciano de Castilho
- Antero de Quental
- Jaime Cortesão
- Teixeira de Pascoais
- Camilo Pessanha
- Vitorino Nemésio
- José Gomes Ferreira
Para muitos será surpreendente esta lista a que há que acrescentar Fernando Pessoa que não deixando qualquer evidência sobre a sua eventual iniciação e participação nalguma Loja Maçónica concreta, era um maçon de convicção e vasta cultura maçónica como o atestam os muitos textos e poemas onde essa cultura circula, nomeadamente a famosa carta a Salazar em que fortemente contesta a proibição da Ordem Maçónica.
Sabemos que é muito diverso o grau de empenhamento no trabalho maçónico destes poetas. Alguns dedicaram-lhe de alma e coração parte importante das suas vidas. Outros não terão passado da Iniciação ou pouco mais.
Vou trazer para aqui alguns poemas, tentando entender o que é que pode haver de comum entre a condição do poeta e a do maçon.
ANTERO DE QUENTAL (1842 – 1891)
MAIS LUZ !

Amem a noite os magros crapulosos,
E os que sonham com virgens impossíveis,
E os que se inclinam, mudos e impassíveis,
À borda dos abismos silenciosos…
Tu, lua, com teus raios vaporosos,
Cobre-os, tapa-os e torna-os insensíveis,
Tanto aos vícios cruéis e inextinguíveis,
Como aos longos cuidados dolorosos!
Eu amarei a santa madrugada,
E o meio-dia, em vida refervendo,
E a tarde rumorosa e repousada.
Viva e trabalhe em plena luz: depois,
Seja-me dado ainda ver, morrendo,
O claro sol, amigo dos heróis!
Publicado por José Fanha no Blog Queridas Bibliotecas em 13 de janeiro de 2014

