A Maçonaria e a Guerra dos Tronos (Parte II)

House of Lannister
House of Lannister

Que fantasia estaria completa sem dragões? Um Dragão para aqueles de vós que passaram a vida debaixo de uma rocha, é um monstro mítico como um réptil gigante ou uma enorme serpente. Na tradição europeia, o dragão normalmente exala fogo e tende a simbolizar o caos ou o mal, enquanto no leste da Ásia é geralmente um símbolo benéfico da fertilidade, associado à água e aos céus. Nos livros e na série, Um dragão vermelho de três cabeças sobre um fundo preto compõe o símbolo da Casa Targaryen, e a personagem, Daenerys Targaryen, tem 3 dragões chamados: Drogon, nome baseado em Khal Drogo, o falecido Marido de Daenerys; Rhaegal, em homenagem ao seu irmão mais velho, Rhaegar; e Viserion, em homenagem ao seu outro irmão, Viserys.

Embora nem uma serpente, nem uma cobra desempenhem qualquer papel nos ensinamentos da Maçonaria regular, isso não impediu o Irmão Rev. George Oliver de declarar em “Historical Landmarks of Freemasonry and other evidences of Freemasonry”, que a Serpente é

“… um símbolo significante na Maçonaria: a vara de Moisés transformou-se em uma serpente,“ O emblema serpentino da Maçonaria … é um brilhante símbolo de Esperança, pois o prometido Libertador abrirá os portões do Céu para os seus seguidores tocando-os na cabeça, e eles entrarão triunfalmente, sobre o seu corpo prostrado”.

Mackey escreve na sua Encyclopedia of Freemasonry and its Kindred Sciences (1914):

“Na Maçonaria, nos Templários e nos Graus Filosóficos – como o Cavaleiro da Serpente de Bronze, onde a serpente é combinada com a cruz – é evidentemente um símbolo de Cristo e, portanto, o simbolismo desses Graus está intimamente ligado ao dos Rosa-Cruz”.

O dragão tem ligações estreitas com a Maçonaria America. Retirado de “History of the Green Dragon Tavern“:

“A Green Dragon Tavern era uma casa pública usada como taberna e ponto de encontro localizado na Union Street, no North End de Boston. Em 1764, sob a organização do Dr. Joseph Warren, Paul Revere e outros que se opunham aos mais “orientados para o poder instituído” – a Loja St. John’s. A taverna foi comprada pela Loja St. Andrew’s para ser usada como o seu ponto de encontro. Naturalmente, os maçons mantinham a Green Dragon Tavern a funcionar como uma taverna e um bar. Os maçons usavam o primeiro andar para as suas salas de reunião. A cave era usada por vários grupos secretos e ficou conhecida pelos historiadores como a “Sede da Revolução”. Os Filhos da Liberdade, o Comité de Correspondência de Boston e o Caucus de Boston, encontravam-se. O Boston Tea Party terá sido planeado lá e Paul Revere foi enviado da Taverna para Lexington na sua famosa viagem. Em Janeiro de 1788, uma reunião dos Mecânicos e Artesãos de Boston aprovou uma série de resoluções pedindo a importância de adoptar a Constituição Federal pendente na época anterior a uma convenção de delegados de todo o estado de Massachusetts”.

A tradição maçónica diz-nos que o avental de pele de cordeiro que nos é apresentado no nosso Grau de Aprendiz é “… mais antigo que o Tosão de Ouro ou a Águia romana, e mais honroso que a Estrela e a Jarreteira”. Na Mitologia Grega, o Tosão de Ouro era guardado por um dragão com dentes que se poderiam transformar em  guerreiros quando plantados no solo. Albert Mackey, na sua Encyclopedia of Freemasonry and its Kindred Sciences (1914), diz do Tosão que “… evidentemente não é para a expedição argonáutica em busca do tosão de ouro, nem para o dilúvio… mas para certas condecorações de honra com o qual o avental é comparado”, sugerindo que a “… Ordem do Tosão de Ouro era da mais alta reputação como uma Ordem de Cavalaria. Foi estabelecida na Flandres, em 1429, pelo duque de Borgonha, que seleccionou o tosão para o seu distintivo porque a lã era a produção básica do país. Ela já foi considerada… uma das mais ilustres Ordens da Europa”, tornando-se a “mais alta condecoração que pode ser conferida a alguém por um soberano da Grã-Bretanha. Mas os maçons também podem ter sido influenciados na sua selecção de uma referência ao Tosão de Ouro, pelo facto de que na Idade Média era um dos símbolos mais importantes dos filósofos herméticos”.

O brasão da Casa Lannister tem um leão dourado num campo carmesim. O Irmão Frank C. Higgins foi o fundador da Magian Society em setembro de 1913 para o estudo do Simbolismo Maçónico. Embora a referência directa ao Leão deva ser entendida por qualquer um que tenha passado pelo Terceiro Grau, o Irmão Higgins diz isto sobre o Leão no seu livro “The Beginning of Masonry” na página 114:

As várias alusões ao “rei dos animais ”que encontramos no nosso ritual maçónico são geralmente aceites como exclusivamente bíblicas. Isto não é, no entanto, assim. O grande significado do Leão em todos os tipos de associações simbólicas data do primeiro começo do sistema zodiacal de medir os céus e cronometrar os grandes ciclos astronómicos, que indicavam o sinal de um Leão, o mais feroz e mais temível dos animais, do Solstício de Verão, o momento do mais ardente vigor solar do ano. Da forma como os astrólogos costumam expressar estas coisas, o signo do Leão é a “Casa do Sol”, e os termos tornaram-se praticamente sinónimos. É interessante para os maçons que carregam o “Leão da tribo de Judá” como um dos símbolos da sua bandeira do Arco Real e nos selos de muitas Grandes Lojas para saber que a data maçónica actual é alcançada adicionando o número de anos a.C. (aproximadamente, o número verdadeiro sendo 399,5) em que o Solstício de Verão entrou no signo do Leão até ao ano a.D. em que nos encontramos”.

Na página 115, continua:

O nome hebraico do Leão relaciona-se especialmente com esta mudança periódica; pois é ARIH ou 1 + 200 + 10 + 5, igual a 216, os dígitos de 2160, que somados, formam 9 ou 3 vezes 3. O Deus de Israel era o centro matemático do universo, o ponto dentro do círculo da eclíptica, que deveria ser o seu bordo externo, e seu simbolismo residia nas “quatro bestas”, que ainda constituem os braços da fraternidade, o Leão, a Águia, o Touro e o Homem, mencionados no primeiro capítulo de Ezequiel. Estes são os segundo, quinto, oitavo e décimo primeiro signos, somando os seus números 26, o do “Grande e Sagrado Nome” JHVH (Jeová)”.

Mais abaixo, nas páginas 115 e 116, escreve:

“O nome do rei Salomão, cujo trono era acedido através de uma avenida de 12 leões, era composto das letras S-L-M-N, que como 60-30-10-50 representavam o cubo do leão 2160. Todas estas coisas são partes de um quebra-cabeça enorme, que tendia a mostrar que não importava em que direcção o homem fosse ou sob qual aspecto o homem estudava o universo, o Grande Arquitecto, Jeová, estava sempre no centro de a toda situação. Portanto, o “Leão de Judá” não é nem mais nem menos do que o “Leão de JHVH”, pois basta trocar um dos H’s, que é um 5, para DA ou 4 + 1 para ver que a palavra é a mesma. . No grande drama do ano cósmico do qual temos conversado, o princípio frutífero da natureza, morto pelas vicissitudes do Inverno, deve ser elevado para restaurar o vigor e a vitalidade, o que não é alcançado até que o jovem sol da Primavera tenha alcançado o signo do Solstício de Verão.

Desce 1835 a.D., Áries, o cordeiro era o signo do equinócio vernal; enquanto Câncer, o caranguejo, era o do solstício de Verão. Os egípcios fizeram muito deste simbolismo, porque a ascensão do Nilo e a consequente fertilidade das suas terras ocorreram no último período. Agora, no círculo da eclíptica, o equinócio da Primavera e o solstício de Verão estão separados por apenas 90 graus. Os egípcios avaliavam a velocidade do sol a um grau por dia; embora tenham perdido cinco dias e seis horas, o qual era ultrapassado no final do ano. Apenas duas semanas após o solstício de Verão, a maravilhosa estrela de Sirius, ou Anúbis como os egípcios a chamavam, primeiro levantava-se com o sol e ao mesmo tempo as comportas do Nilo eram abertas. Adicionando 14 dias a 90 dá 104. Qualquer um que se dê ao trabalho de examinar um mapa dos céus verá que o sinal do Caranguejo está logo abaixo da pata estendida de Leão, enquanto o número 104 é quatro vezes 26, um das mais sagradas das antigas fórmulas cabalísticas. Expresso em Jod’s, Há’s e V’s, o nome do poder que dá nova vida à natureza é JHVH HIH HVVH VI = “Jeová, quem ostenta, quem é a arte e quem será”.”

O brasão da Casa Stark é um lobo gigante cinza sobre um fundo branco, sobre um escudo verde. Sei que muitos de vós ficarão surpresos ao descobrir que o lobo tem algum simbolismo maçónico. De acordo com o Short Talk Bulletin da MSANA de Fevereiro de 1935, “Os antigos Quadros de Traçar Ingleses para o grau de Aprendiz, mostra o Lewis, que era uma ferramenta peculiar de pedreiros operativos. O instrumento é feito de um par de cunhas em cauda de andorinha, providas de um gancho ou anel. Inserido num buraco numa pedra grande, puxando o gancho ou o anel espalha-se e bloqueia as cunhas com segurança na pedra, de modo que pode ser levantado pela torre ou outra força de elevação, sem colocar uma corda ou corrente sobre ele. Quanto maior a tracção, quanto mais pesada a pedra, mais segura o Lewis fica bloqueado no buraco. A partir disto, o Lewis facilmente se tornou um símbolo de força, e é assim denominado em certos rituais antigos ingleses”. Continua, afirmando:“O filho de um Maçom inglês é denominado Lewis, por uma razão que é apresentada na Browne’s “Master Key”, que pretende ser um relato integral de uma parte da palestra original Prestoniana. Pode-se ler:

  • “Que nome damos ao filho de um Maçom?
  • Um Lewis.
  • O que é que isso denota?
  • Força.
  • Como é descrito um Lewis numa Loja Maçónica?
  • Como um grampo (braçadeira) de metal, pelo qual, quando fixados numa pedra, pesos grandes e pesados são elevados a uma certa altura, e fixados na sua base especial, sem a qual os Maçons Operativos não poderiam trabalhar tão convenientemente.
  • Qual é o dever de um Lewis, o Filho de um Maçom, para com os seus pais idosos?
  • Suportar o pesado fardo no calor do dia e ajudá-los em tempos de necessidade, os quais, por causa da sua grande idade, devem ser dispensados, a fim de tornar o final dos seus dias feliz e confortável.
  • Qual o seu privilégio por fazer isso?
  • Ser feito Maçom antes de qualquer outra pessoa, por mais digna que seja, por nascimento, posto ou riquezas, a menos que ele, por complacência, renuncie a esse privilégio “.

Em França, o filho de um Maçom é denominado de Louveteau (a filha – Louvetine), que pode ter sido derivado de “louffton”, uma palavra ocasionalmente usada no lugar de Lewis no século dezassete; a palavra francesa para o instrumento operativo é “Louve”. Aqui, um curioso percurso verbal convida o aluno; Louveteau também significa um jovem lobo. Nos Mistérios Egípcios, o candidato, usando uma máscara ou cobertura simulando a cabeça de um lobo, era frequentemente chamado de “lobo”. Aparentemente, a razão para o mascaramento de um candidato como lobo é encontrada na ténue conexão entre o sol, que espalha o bandos de estrelas do céu, e o lobo, que espalha os rebanhos de ovelhas e gado. O sol era o símbolo central de muitas religiões antigas misteriosas. Da mesma forma, o grego “Lukos” é simultaneamente o sol e o lobo”.

No próximo artigo, discutiremos alguns dos simbolismos maçónicos relacionados a alguns dos personagens da Guerra dos Tronos.

Darin A. LahnersMidnight Freemason Contributor

Tradução de António Jorge

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