A prática do Perdão

“Melhor do que ter Irmãos, é Ser Irmão”

Nós, homens terrenos, ainda sentimos dificuldades em perdoar. E a dificuldade é maior ainda quando se trata de perdoar um adversário, um inimigo. Mas a lei divina é clara:

“se perdoardes aos homens as faltas que cometerem contra vós, também vosso Pai celestial vos perdoará os pecados; mas, se não perdoardes aos homens quando vos tenha ofendido, vosso Pai celestial também não vos perdoará os pecados”- “não vos digo que perdoeis até sete vezes, mas até setenta vezes sete vezes” – “aprendestes que foi dito “amareis o vosso próximo e odiareis os vossos inimigos”; eu, porém, vos digo: “amai os vossos inimigos; fazei o bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos perseguem e caluniam, a fim de serdes filhos do vosso Pai que está nos céus e que faz se levantar o Sol para os bons e para os maus e que chova sobre os justos e sobre os injustos”.

“Se, portanto, quando fordes depor a vossa oferenda no altar, vos lembrardes de que o vosso irmão tem qualquer coisa contra vós, deixai a vossa dádiva junto ao altar e ide, antes, reconciliar-vos com o vosso irmão; depois, então, voltai a oferecê-la”.

“Como é que vedes um argueiro no olho do vosso irmão, quando não vedes uma trave no vosso olho?

Ou como é que dizeis ao vosso irmão: Deixai-me tirar um argueiro do teu olho, vós que tendes no vosso uma trave? Hipócritas, tirai primeiro a trave do vosso olho e depois, então, vede como podereis tirar o argueiro do olho do vosso irmão”.

A Doutrina Espírita ensina-nos que amar os inimigos não significa que não se pode estabelecer diferença alguma entre eles e os amigos. Se este preceito parece de difícil prática, impossível mesmo, é apenas por falsamente se entender que ele manda se dê o mesmo lugar no coração, ao amigo e ao inimigo.

Uma vez que a pobreza da linguagem humana obriga a que nos sirvamos do mesmo termo para exprimir matizes diversos de um sentimento – diz Allan Kardec – à razão cabe estabelecer as diferenças, conforme aos casos.

Amar os inimigos não é, portanto, ter-lhes uma afeição que não está na natureza, visto que o contacto de um inimigo nos faz bater o coração de modo muito diverso do seu bater, ao contacto de um amigo.

Amar os inimigos é não lhes guardar ódio, nem rancor, nem desejos de vingança; é perdoar-lhes, sem pensamento oculto e sem condições, o mal que nos causem; é não opor nenhum obstáculo à reconciliação com eles; é desejar-lhes o bem e não o mal; é experimentar júbilo, em vez de pesar, com o bem que lhes advenha; é socorrê-los, quando se apresentar uma ocasião; é abster-se, quer por palavras, quer por actos, de tudo o que os possa prejudicar: é, finalmente, retribuir-lhes sempre o mal com o bem, sem a intenção de os humilhar. Quem assim procede, preenche as condições do mandamento “amai os vossos inimigos”.

Os que amam, perdoam. Só os que não amam, não perdoam.

Os fortes perdoam; só os fracos não perdoam.

Os sábios perdoam; só os ignorantes não perdoam.

Perdoar é prova de superioridade espiritual; não perdoar, prova de inferioridade.

Não há paz, sem perdão. Quanto mais ódio e sentimento de vingança, mais distante a paz no coração. Por isso, quem perdoa é mais beneficiado do que quem é perdoado.

Jorge Souza

Um Comentário em “A prática do Perdão

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    Gostei demais!!! Temas muito bem tratados. Excelente.

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