A sova indulgente e jocosa em Johann Tetzel

Johann Tetzel (1465 – 1519)

Não fazendo apologia, em absoluto, à violência, ou justificando-se o injustificável em cometer justiça com as próprias mãos, ou mesmo de lançar ataques ou elegios gratuitos a esta ou aquela religião, de acordo com Martinho Lutero, depois de Johann Tetzel, comissário de indulgências para toda a Alemanha, ter recebido uma quantidade substancial de dinheiro em Leipzig, um nobre anónimo, certa vez, perguntou a Tetzel se era possível receber uma carta de indulgência não somente para os pecados já cometidos, mas para um pecado futuro ainda não ocorrido, um pecado cometido “a posteriori”, – talvez até por ira ou indignação, ou por se achar injustiçado pelo excepcional expediente das indulgências, e Johann Tetzel, rapidamente, respondeu-lhe que sim!, insistindo, no entanto, que tal pagamento tinha de ser feito de uma só vez. Este nobre fez-lhe o régio pagamento, recebendo, logo a seguir, a carta de indulgência selada de Tetzel.

Quando Tetzel deixou Leipzig, foi atacado pelo nobre “pecador” adimplente, que lhe comprara a famigerada carta de indulgência, ao longo do caminho pelo qual viajava Tetzel, o também grande inquisidor do Papa Leão X, dando-lhe uma grande surra, uma grande e indulgente sova, e mandando-o de volta, de mãos vazias para Leipzig, com o comentário de que era exactamente este o pecado futuro que ele tinha em mente praticar.

O Duque George da Alemanha, no início, ficou bastante furioso por este incidente, mas quando ouviu toda a história, deixou-o ir sem castigar o nobre e começando a entender tamanho desatino religioso e tributário que havia. Um verdadeiro absurdo, mas que ocorria verdadeiramente, à luz das orientações católicas “indulgentes” da época.

Lenda ou não, esta talvez tivesse sido a melhor e mais “sagrada e indulgente sova”, a mais bem aplicada lição (legal e antecipadamente perdoada por carta oficial da Igreja), no maior cobrador de indulgências de toda a história do catolicismo na Alemanha.

Entretanto, o que é certo e seguro mesmo é que, graças principalmente a este tema sobre “cobrança de metais às indulgências”, foi que o monge agostiniano Martinho Lutero publicou sua famosa obra “95 Teses”, em 1517, declarando-se radicalmente contra o instituto das indulgências e disparando uma Reforma Protestante à ICAR (Igreja Católica, Apostólica Romana).

Mas…, quem foi Johann Tetzel?

“Johann Tetzel nasceu em Pirna, Saxónia, e estudou teologia e filosofia na Universidade de Leipzig. Entrou na ordem Dominicana, em 1489, alcançou algum sucesso como pregador, e foi em 1502, comissionado por Giovanni, cardeal de Médici, (que seria mais tarde, o Papa Leão X), para pregar a indulgência cristã, o que ele fez ao longo da sua vida. Em 1509, exerceu a função de inquisidor da Polónia e, em 1517, o Papa Leão X fê-lo comissário de indulgências para toda a Alemanha.

Tetzel morreu em Leipzig, em 1519. No momento da sua morte, Tetzel tinha caído em descrédito e estava afastado do público. Quando Lutero ouviu que Tetzel estava muito doente e esperava pela morte, Lutero escreveu para o confortar, e disse-lhe: “Tetzel, não se perturbe, pois a questão não começou por sua responsabilidade, mas a criança tinha um pai diferente.”

Tetzel tornou-se conhecido pela frase que lhe foi atribuída: “Tão logo uma moeda na caixa cai, a alma do purgatório sai”.

Alexandre Fortes (M∴ I∴) – A.R.L.S. Cícero Veloso n° 4543 – GOB-PI

Referências

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