Como se representa Deus na Maçonaria?

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A tentativa de personificar Deus ou tentar consubstanciá-lo em sentimentos e acções é uma experiência comum a todas as sociedades humanas.

Esta prática de cunho pedagógico é exercida há milhares de anos, sempre com a intenção de facilitar a compreensão dos valores divinos, por meio de elementos alegóricos enraizados naquela cultura que pretende prestar o culto.

Um dos deuses mais cultuados do hinduísmo é Ganesha: O deus que remove obstáculos. A sua representação material é um ser com a cabeça de elefante.

No Egipto Antigo, Anúbis era um deus com cabeça de chacal e corpo de homem, responsável pelo reino dos mortos antes do assassinato de Osíris.

Tengu, no Japão é um pássaro monstruoso, que, no passado, carregava o estigma de ser inimigo dos budistas por corromper os Monges. Actualmente, é venerado como protector das florestas e montanhas sagradas.

Fenómenos da natureza, elementos do Universo e sentimentos são os mais usados para personificar e caracterizar entidades divinas.

Devido à herança judaico-cristã da nossa civilização, Deus está mais relacionado com as acções e sentimentos elevados do que, propriamente, com a sua forma material.

O próprio Livro da Lei ensina que não há como materializar Deus; “Deus é espírito, e é necessário que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade“. (João 4:24)

Nesta linha de pensamento cristão, o Apostolo João é muito perspicaz: “Esta é a mensagem que dele ouvimos e vos transmitimos: Deus é luz; nele não há treva alguma”. (João 1:5) e “Quem não ama, não conhece a Deus, porque Deus é amor”. (João 4:8)

Não sendo a Maçonaria uma religião, não há cultos a divindades. Mas, sacraliza-se o que é humanamente justo, perfeito, de elevada moral, ético e que promova o enlevo do homem e a felicidade da humanidade.

Qual seria, então, o maior atributo humano com o qual poderíamos personificar Deus?

– DEUS É TRABALHO!

A história da humanidade começa com o trabalho de transformar o caos em ordem. A criação do mundo e de tudo mais é fruto de um trabalho de seis dias. O equilíbrio e a harmonia do Universo resultam das forças de cada astro e de cada ser empenhados na sua função e posição.

Jamais devemos perder de vista que “Maçom” é apenas um título. A nossa real condição deve ser de Obreiros (trabalhadores) sob os influxos da Maçonaria.

Malho, alavanca e cinzel são usados por pedreiros (free masons). Se fossemos carpinteiros (free carpenters) usaríamos o machado como instrumento da correcta aplicação de força e poder, a serra representaria a paciência e a inteligência para suplantar os problemas e a plaina seria usada para retirar as aspereza advindas da ignorância e preconceitos.

Esta substituição imaginária de elementos simbólicos deve ser feita permanentemente por todos nós. Cada Irmão deve estar atento “as ferramentas” que o rodeiam na sua vida, para com elas trabalhar em prol da sociedade.

Provavelmente, o irmão já teve contacto com a expressão de São Bento de Núrcia:

ORA ET LABORA” (rezar e trabalhar).

Para o Maçom, a expressão é: “LABORARE EST ORARE” (até o trabalho, se feito com a intenção correcta, é, em si, uma oração)

CONCLAMO por este artigo, a que todos os Irmãos assumam a sua condição de Construtores Sociais. Não há necessidade de grandes projectos, ideias revolucionárias, acções incisivas ou manifestações calorosas.

Se é Aprendiz, dedique-se à aprendizagem. Se for Companheiro, partilhe o que aprendeu. Se você alcançou a Mestria, procure ensinar.

MAS, ANTES DE QUALQUER COISA, seja um bom filho, um bom marido, um bom pai, um bom empregado, um bom patrão e, principalmente, UM BOM SER VIVO!

Sérgio Quirino

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One thought on “Como se representa Deus na Maçonaria?

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    Não há oração sem trabalho, orar e agir, a ação é uma oração com seu resultado, trabalho, trabalhar de forma ética é correta é orar!!

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