Da diversidade dos ritos à universalidade da essência do trabalho maçónico

A génese dos grandes Sistemas Maçónicos desenvolveu-se, fundamentalmente, no decurso do século XVIII, podendo-se considerar que a mesma se processou em três etapas distintas. Assim:

  • Entre o princípio do século e, os anos 40, estabilizaram-se as grandes linhas da Maçonaria Simbólica, estruturando-se a mesma em três graus;
  • De 1740 a 1760, sensivelmente, assistiu-se, sobretudo em França, ao desenvolvimento do Escocismo, consistindo o mesmo no advento de uma profusão de graus complementares ao de Mestre;
  • Entre 1760 e o fim do século surgiram várias tentativas de ordenação lógica e, de estruturação desses altos graus em sistemas coerentes, bem como de regulamentação da sua prática através da criação de órgãos responsáveis pela sua jurisdição iniciática, e administrativa. Destes esforços resultou o nascimento dos Grandes Ritos Continentais que ainda hoje praticamos, tais como o Regime Escocês Rectificado, o Rito Francês e, finalmente, o REAA. Estes sistemas, embora partindo do mesmo substrato maçónico, organizam os seus graus de acordo com ideias distintas.

Todo este processo, de racionalização, e de sistematização da prática maçónica, gerou, inicialmente, uma enorme diversidade de percursos, dos quais apenas subsistiram os (Publicado em freemason.pt) que resultaram mais coerentes em si próprios, simbólica e filosoficamente. A perenidade dos Ritos foi, também, condicionada pelo carácter mais ou menos intemporal das ideias, que sustentaram o seu aparecimento, e pela sua maior abrangência. Não surpreende, pois, o desaparecimento de todos aqueles que foram englobados por outros, ou que se encontravam mais ancorados a correntes de pensamento, que resultaram sem sentido, em épocas posteriores.

Quem, hoje em dia, ainda se recorda da Ordem dos Arquitectos Africanos, do Rito Escocês Filosófico, do Rito dos Iluminados de Avignon, do Rito dos Filaletos, do Rito Primitivo de Narbonne, da Ordem da Estrela Flamejante, do Rito dos Fieis Escoceses de Toulouse, do Rito de Swedenborg, e de tantos outros sistemas que, no aqui e agora, só têm existência na História do Cerimonial Maçónico ?

Foi, pois, deste insustentável caos, resultante do florescimento desordenado da “Rosa Maçónica”, e do desabrochar dos seus botões mais diversos, que surgiu a necessidade imperiosa de uniformização. Esta situação foi amplamente retratada, em época ainda próxima, pelo Irmão Jean-Marie Ragon, no seu livro “Ortodoxia Maçónica”, no qual refere “O número de Maçonarias ultrapassa sessenta. Concebe-se que estas produções só têm de maçónica a forma: todas diferentes, e correntemente com graus pertencentes a outros sistemas. Esta massa de Ritos é apenas devida à fabricação especulativa de altos graus, donde resultam tantos cismas como ritos”.

Foi, precisamente, pela iniciativa de Irmãos dotados de um enorme sentido Maçónico, e que pretenderam “construir pontes”, em prol do benefício comum, que neste imenso turbilhão de graus, e de sistemas, surgiram, já no último quarto do século XVIII, as tentativas mais consistentes, de reunião do que estava muitíssimo disperso.

O primeiro Grande Rito Continental a ser fixado foi o Regime Escocês Rectificado. Este processo teve origem no “Convent das Gálias”, ocorrido em 1778, em Lyon, no qual o Irmão Jean-Baptiste Willermoz apresentou uma revisão tanto dos Rituais da Estrita Observância Templária, do Barão Von Hund, como dos Rituais da Ordem dos Eleitos Coen, de Martinez de Pasqually, fundindo-os, e integrando-os na Tradição Maçónica Francesa da época.

Deste processo de “Rectificação”, que se concluiu no “Convent de Whilhelmsbad”, em 1782, resultou um sistema Maçónico no qual os três Graus Simbólicos universais, de Aprendiz, Companheiro, e Mestre (Loja Azul), são coroados por um quarto, denominado de Mestre Escocês de Santo André (Loja Verde). A esta sequência de graus, segue-se uma Ordem Interior de Cavalaria, com dois níveis, denominados de Escudeiro Noviço, e de Cavaleiro Benfeitor da Cidade Santa. O sistema é coroado por uma classe sacerdotal, de pertença secreta, na qual o percurso também compreende dois escalões: o de Professo, e o de Grande Professo.

A génese do Rito Francês deriva de um processo de racionalização, e de tentativa de uniformização, da prática ritual das Lojas, desenvolvido no âmbito do Grande Oriente de França, entre 1781 e 1787, e no qual teve um papel de charneira o Irmão Alexandre-Louis Roëttiers de Montaleau, que viria a ser Grande Venerável desta Obediência, então ainda emergente.

A fixação do Rito culminou com a publicação, em 1801, do “Régulateur du Maçon”, no qual se encontram compilados os Rituais dos seus três Graus Simbólicos, e do “Régulateur des Chevaliers Maçons”, documento-síntese dos Rituais dos Graus de Entrada nas quatro Ordens (Publicado em freemason.pt) Superiores, que completavam o percurso iniciático neste sistema. A estas sobrepunha-se uma Quinta Ordem, de carácter académico, e enciclopédico, destinada a estudar “todos os graus físicos e metafísicos e todos os sistemas, particularmente aqueles adoptados pelas associações maçónicas em vigor”.

A arquitectura da sua Maçonaria Azul sustenta-se numa tradição maçónica praticamente uniforme, nos seus aspectos essenciais, que se foi consolidando, em França, deste 1725, e que teve por base o Ritual da Grande Loja dos Modernos. Este foi exportado de Inglaterra por emigrantes Britânicos, exilados por motivos políticos, e enriquecido em função dos paradigmas religiosos, sociológicos, e culturais locais.

A sua Maçonaria Vermelha, ou Capitular, todavia, tem uma origem puramente francesa. A mesma assenta integralmente nos Altos Graus gerados pelo Escocismo, integrando-os de uma forma concisa, que não deixa de lado o estudo académico da enorme diversidade deste património.

O Rito Escocês Antigo e Aceito resultou do último destes processos de estruturação, decorrendo o mesmo numa primeira fase em Santo Domingo, entre 1763 e 1767, por iniciativa de Etienne Morin e, de Henry Andrew Francken, que compilaram e ordenaram um conjunto de 25 altos graus, praticados à época em França, dando origem a um sistema denominado de Ordem do Real Segredo, ou de Rito da Perfeição.

A este Rito, em 25 graus, foram acrescentados, em Charleston, nos Estados Unidos da América, mais 8 graus, por Maçons Americanos e Franceses, de modo a que o sistema resultante perfizesse o numero simbólico de 33 graus.

Assim, em 1801, foi constituído o primeiro Supremo Conselho do Mundo, sendo no ano seguinte difundida a “Circular aos Dois Hemisférios”, por iniciativa de John Mitchell e de Frederik Dalcho, respectivamente Soberano Grande Comendador e, Lugar Tenente desta Potência.

Este documento apresentou o novo Rito como sendo constituído apenas por altos graus, deixando às Grandes Lojas a jurisdição sobre os graus simbólicos, situação esta que ainda hoje persiste, no universo Anglo-Saxónico.

No entanto, este mesmo Supremo Conselho, em Fevereiro de 1802, tinha já empossado o Irmão de Grasse-Tilly com uma patente que o reconhecia como Grande Inspector-geral (decorado com o 33º Grau) e, lhe conferia poderes de constituir, estabelecer e, inspeccionar todas as Lojas, Capítulos, Conselhos e, Consistórios da “ordem real e militar da antiga e moderna Franco-Maçonaria sobre os dois Hemisférios, em conformidade com as Grandes Constituições”.

Depois de uma série de vicissitudes, que envolveram uma partida para Santo Domingo, a captura pelos ingleses, o aprisionamento na Jamaica e, a libertação seguida de uma breve segunda passagem por Charleston, o Irmão de Grasse-Tilly regressou a Paris, donde era originalmente proveniente, em 1804. Paralelamente, outros emigrados, que traziam na bagagem o sistema em 25 graus da Ordem do Real Segredo, também regressaram à capital francesa.

Foi no decurso de um processo de resistência à tentativa de unificação da Maçonaria Francesa pós-revolucionária, pelo Grande Oriente de França, que estes Irmãos, em conjunto com outros descontentes, despoletaram o aparecimento da efémera Grande Loja Geral Escocesa, na qual foram gerados os rituais dos Graus Simbólicos do Rito, configurando-se, assim, um sistema em 33 Graus.

Estes Rituais de Loja Azul, que foram publicados no “Guide des Maçons Écossais”, em 1821 (estima-se), têm como fontes principais os Rituais Ingleses da Grande Loja dos Antigos (divulgados pela exposição “Three Distinct Knocks”, de 1760), os Rituais do Rito Francês (“Régulateur du Maçon”), e algumas tradições das Lojas-Mãe Escocesas, de Marselha, Avignon, e de Paris, tais como a disposição dos Pilares, a cor vermelha, e a aclamação Houzzé.

Os grandes sistemas maçónicos concluíram, assim, a sua fixação entre o final do século XVIII, e os primeiros anos do século XIX. Os séculos seguintes não nos trouxeram um Grau 34, um ainda maior Professo, ou uma Sexta Ordem. Os seus Rituais têm, contudo, vindo a ser revistos desde então, fruto das correntes de pensamento predominantes, entre os Irmão que utilizaram estas ferramentas, em épocas subsequentes.

A “Rosa Maçónica” não deixou, todavia, de florescer, e o século XX trouxe-nos novos sistemas, que embora muito minoritários, asseguram o trabalho de um número ainda significativo de Maçons.

Tal é o caso do Rito Antigo e Primitivo de Memphis-Misraim, que resultou da fusão dos denominados “Ritos Egípcios” de Memphis, e de Misraim. Estes sistemas, que tinham surgido na primeira metade do século XIX, como variantes do REAA, ganharam uma identidade própria, após a 2ª Guerra Mundial, pelo trabalho de reformulação dos seus Rituais, desenvolvido pelo Irmão Robert Ambelain.

Também, é esta a situação do Rito Operativo de Salomão, do Rito Brasileiro, ou do muito recente Rito Português, que vieram, ultimamente, trazer novos botões de rosa, a esta já vasta roseira.

No mundo Anglo-Saxónico, a filosofia de estruturação do trabalho é muito diferente. Dado que, nesta concepção, nada se sobrepõe ao Grau de Mestre, os Rituais dos Graus Simbólicos constituem “workings”, que estruturam o “craft”, sendo todos os restantes graus entendidos apenas como formas paralelas, denominadas de “side degrees”. Não temos, pois, aqui o conceito de Rito, enquanto sistema de trabalho estruturado piramidalmente, como sucede na Maçonaria Continental.

Face a toda esta diversidade, de percursos, e de formas de prática, construídas a partir de ideias tão distintas, afigura-se-me lógico questionarmo-nos no que concerne à Universalidade da essência do Trabalho Maçónico.

Para isso, procurarei fazer uma pequena reflexão sobre a base filosófica, e os objectivos dos três grandes Ritos (RER, Rito Francês, e REAA), focalizada no âmbito da perspectiva do nosso sentido de prática Maçónica (Maçonaria Adogmática, subordinada ao princípio da plena Liberdade de Consciência). Uma análise (Publicado em freemason.pt) de âmbito mais alargado, em minha opinião, não faz sentido, uma vez que os mesmos Ritos assumem formas, e objectivos muito diferentes, em Obediências com perspectiva Teísta, ou em Obediências assentes em princípios de Laicidade.

O RER, ancorado numa espiritualidade cristã, tende a fixar as regras comportamentais a observar pelos seus adeptos, tanto na sociedade, como na sua relação com a Transcendência. As virtudes veiculadas são as do cristianismo, sendo a beneficência entendida como o primeiro principio da alteridade.

Num contexto esotérico, tingido pela teosofia martinezista, o Rito assenta na ideia de que o Homem, degradado pela queda da Génese, conserva em si mesmo os meios para a sua redenção. É pela via do símbolo, que os Maçons do RER demandam o estado espiritual original, tendo por fim o Amor e a Beneficência, no sentido cristão destes conceitos, e com uma forte conotação cavaleiresca.

Em Obediências Adogmáticas, o cristianismo do RER não é entendido de uma forma Teísta, não se encontrando o Rito restrito a católicos ou protestantes, como sucede em Obediências, ou Grão- Priorados, da área da dita Regularidade. A prática assenta, sim, na aceitação dos valores humanistas do cristianismo, que se encontram plasmados no Evangelho de João, e no reconhecimento de Jesus Cristo, como exemplo do Iniciado perfeito.

O Rito Francês, por sua vez, estruturou-se no século das Luzes, profundamente influenciado pelos valores que emergiam à época, de Enciclopedismo, Humanismo, desenvolvimento da responsabilização de cada individuo na sociedade, racionalismo, livre pensamento e, de ideal de liberdade.

Passados dois séculos, marcados por profundas evoluções politicas, sociais, e culturais, que despoletaram a emergência do pensamento Republicano, e dos ideais de Laicidade, o Rito apresenta-se, actualmente, numa base filosófica substancialmente diferente da inicial, assente na Modernidade, e na necessidade de adaptação ao Aqui e Agora, não deixando, contudo, de se revestir de um carácter Tradicional, que lhe é conferido por um suporte simbólico estruturante, que tem permanecido mais ou menos fixo, desde o final do século XVIII.

É este binómio genético, de Tradição e de Modernidade, que suscita, na actualidade, o desafio último deste percurso iniciático, no qual, segundo escreveu o Irmão Philippe Guglielmi, “Do vazio intimo, no momento da Iniciação quando morre o antigo homem, ao vazio social, página em branco de uma sociedade mais justa cujas regras se encontram por escrever, o Franco-Maçon que trabalha no Rito Francês constrói a sua emancipação, tijolo após tijolo”.

O fim último do REAA, como se encontra definido nas Grandes Constituições de 1786, é “a união, a felicidade, o progresso, e o bem estar da família humana, em geral, e de cada homem individualmente”. A demanda iniciática escocesa propõe, assim, uma progressão, lenta e estruturada, para o Conhecimento. Esta desenvolve-se em 33 graus, que constituem etapas de aprofundamento, com o intuito de criar no Ser uma realização de plenitude.

Esta progressão passa por um desenvolvimento harmonioso, e uma ética alargada, bem para além de uma simples moral. Ela não é, de todo, dogmática, competindo a cada um de procurar a sua própria via espiritual, em plena liberdade.

O REAA é um dos maiores conservatórios, no que concerne a mitos e símbolos da Arte Real. Deste sincretismo, construído com base em diversas filosofias, e correntes espirituais, resultou uma ferramenta que conjuga metafisica e racionalidade, tradição e inovação. É pois, a partir da (Publicado em freemason.pt) reinterpretação pessoal deste vastíssimo património simbólico, que o Maçon Escocês é encorajado a tomar o seu destino nas suas mãos, através de uma sucessão de transgressões e de roturas. Estas vão-se apresentando, escalonadas num sistema piramidal, no qual se progride ascensionalmente, segundo o tríptico Compreender – Amar – Agir.

Resulta, pois, evidente, da comparação destes três Ritos, que os mesmos se apresentam com identidades marcadamente diferenciadas, fazendo apelo, de forma distinta, aos mundos racional, intuitivo, e emocional.

Existem, todavia, eixos comuns, nestes três sistemas, ou tratam-se, apenas, de vias alternativas, que poderão, em alguns aspectos, assumir-se como complementares ?

Analisando os seus aspectos principais, podemos facilmente concluir que:

  • Todos têm por objectivo um pensamento desprovido de dogmas, e de preconceitos, bem como um despertar da consciência para deveres de carácter universal;
  • Todos procuram, através de uma base de autoconstrução, uma melhoria da Humanidade, seja apenas pelo exemplo, pela beneficência, ou mesmo apelando à acção directa na “Polis”, através de um exercício de cidadania empenhado, e mais esclarecido;
  • Finalmente, todos têm um sentido Humanista, e enquadram a Fraternidade como Pedra Angular da Construção Maçónica.

Em sentido lato, podemos, assim, concluir que a verdadeira essência do Trabalho Maçónico é Universal, centrando-se no triplo objectivo de Libertar, Construir, e de ligar pela Fraternidade.

Neste sentido, podemos entender a diversidade dos Ritos como sendo a simples expressão da riqueza da Tradição Maçónica, verificando-se aquilo que, desde que fui Iniciado, sempre ouvi dizer aos Irmãos mais antigos: “É mais o que nos une, do que o que nos separa”. E a Unidade deve ser sempre um dos nossos objectivos maiores, sobretudo num momento como o actual, em que a Ordem volta a ser confrontada com correntes de anti maçonismo primário, alimentadas por populismos obscurantistas.

As guerras de Alecrim, e de Manjerona, geradas por diferenças de Ritos, de Jurisdições, de Obediências, ou até de sentidos de prática, têm sido uma constante, na História da Maçonaria, desde o famoso cisma entre os Antigos e os Modernos, que começou em 1751, e só se resolveu mais de sessenta anos depois. Normalmente, nestes processos, ninguém ganha e todos perdem, a começar pela Ordem.

Não existem Ritos Maçónicos melhores ou piores, há e haverá sempre melhores, e piores Maçons, sendo os melhores, em minha opinião, aqueles que procuram reunir o que está disperso, e que não entendem a Fraternidade como sendo uma via de sentido único. Só com bons Mestres Maçons, a Maçonaria pode, realmente, ser o que deve ser, um espaço iluminado, onde reina a Paz, a Harmonia, a Tolerância, e o Amor Fraterno, e no qual a diversidade constitui um permanente exercício de alteridade.

Termino, assim, partilhando convosco esta breve reflexão, do Irmão Pierre Mollier, publicada na revista “Franc-Maçonnerie”, a qual subscrevo, integralmente:

“Mas, assim como do homem de um só livro, deve-se recear do Maçon de um só Rito. Os Ritos não cessaram de se influenciar, por um subtil processo, que alternou importações, e afirmação de uma identidade específica. É difícil compreender bem um Rito sem o enquadrar no contexto da história geral das cerimónias maçónicas. Se é legítimo ter-se preferências, partir à descoberta dos outros Ritos é o desvio obrigatório para melhor compreender o seu.”

Joaquim G. Santos

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