DeMolay CEH – 2 – A Ordem dos Templários

Partilhe este Artigo:

templarios 45tyuihjg

Aspectos Gerais

Com o objectivo de proteger as rotas de peregrinação, os Cavaleiros Templários construíram, em menos de 200 anos, um império económico sem igual na Idade Média. Os anos de glória e a queda violenta e injusta desta ordem de monges guerreiros deram vazão ao surgimento de várias lendas e histórias sobre esses cavaleiros, que foram a vanguarda da espiritualidade cristã da época.

A ordem dos monges guerreiros, que se tornou uma das mais poderosas e controversas organizações na história da Europa medieval, era conhecida com uma variedade de nomes: Pobres Soldados de Cristo e do Templo de Salomão, Milícia de Cristo ou, mais comumente, Cavaleiro Templários. Em 200 anos, a partir de seu objectivo de proteger as rotas de peregrinação, eles construíram um império económico que pode ser considerado a primeira multinacional europeia. Devendo obediência apenas ao papa, os Templários desenvolveram arrojadas técnicas de construção, trouxeram tecnologias dos muçulmanos e se tornaram mais ricos do que vários reinos, emprestando dinheiro para príncipes, bispos e reis. Famosos por sua bravura nas batalhas travadas nas Cruzadas, foram destruídos em menos de uma década por um rei que, não por acaso, era altamente endividado com a Ordem. Para o historiador Ricardo da Costa, professor da Universidade Federal do Espírito Santo, os templários podem ser considerados os fundamentalistas da época.

“Eles estavam na vanguarda da espiritualidade cristã. Ser um padre e ao mesmo tempo combater o infiel era considerado o máximo para a época”

Não havia nada mais heróico que o galopar do cavalo de um Templário, em meio ao som dos estandartes desfraldando, trombetas bradando e o fragor das armas, onde o campo de batalha transformava-se em um poço de honras e riquíssimos sequestros, porém isso esfriou com a sanção da igreja, onde surgiu as poesias Cavalheirescas, regras de cortesia, conduta e moral, elaborando-se assim um rigoroso ritual, com significados simbólicos, nos quais, desde criança, o futuro cavaleiro já se submetia.

Os cavaleiros eram nobres, mas nem todo nobre era cavaleiro, pois era necessária uma cerimónia especial, para a qual o cavaleiro se preparava dos sete aos doze anos, onde aprendia a cavalgar e manejar a lança e a espada (era denominado pajem), depois era promovido à escudeiro e vivia ao lado do seu senhor, acompanhando-o nas batalhas e usufruindo de suas vitórias e derrotas.

O escudeiro poderia receber as esporas de cavaleiro, pelo seu comportamento em batalha ou por uma festa realizada na corte.

Na noite anterior da cerimónia, o “iniciado” passava a noite (esta noite era chamada de “VIGÍLIA D”ARMAS”) orando em pé ou de joelhos e ouvindo os sermões de cavaleiros lembrando-o das suas futuras obrigações, ao alvorecer, tomava um banho como libertação simbólica de seus pecados e vestia uma túnica branca (símbolo da pureza) e uma camisa vermelha (como sangue que os outros cavaleiros já derramaram) e um gibão ou calças negras (lembrando que a morte estava sempre por perto).

Só então era conduzido à igreja, onde o mais velho cavaleiro lhe entregava a espada e o sacerdote perguntava: “por que motivos queres tornar-se cavaleiro? Para ficar rico? Vai-te não és digno”. O jovem ajoelhado jurava sobre a espada, que se manteria fiel a Deus, seus princípios, sua dama ou seu padrinho, o padrinho lhe entregava seu paramento (esporas de ouro, cota de malha, lança, etc.), e lhe dava uma bofetada no rosto ou uma pancada com a base larga da espada nos ombros e dizia as “palavras da consagração”: Em nome de Deus, de São Miguel e de São Jorge, sagro-te cavaleiro.

Porém poucos cavaleiros foram fiéis a ideologia não escrita da cavalaria: generosidade, fidelidade, defesa dos fracos contra o abuso dos poderosos. Não ferir o cavalo de um inimigo, não atacar muitos contra um, não se gabar das façanhas em batalha e servir a mulher amada, eram as bases do cavalheirismo. E muitas vezes o cavaleiro se apaixonava por uma mulher que jamais viu e só tinha ouvido falar, cortava o cabelo em sinal de dedicação, e acorria ao castelo da nobre dama, na esperança de vencer um torneio e receber um olhar ou um sorriso de sua musa.

Também existia a FRATERNIDADE D”ARMAS, onde dois cavaleiros faziam um pacto que só seria desfeito com a morte, onde eles ou trocavam suas armas ou executavam um ritual de fidelidade: a partir deste momento, vestiam se igual, combatiam juntos e corriam os mesmos riscos, ajudando-se mutuamente.

É nisso que se embasa o ritual da ordem DeMolay, onde os princípios da cavalaria estão mais fortes do que nunca, os antigos estandartes podem ser vistos em qualquer encontro que tenha mais de um capítulo, o respeito e a veneração à mulher é o mesmo, o respeito e a cortesia são, sem sombra de dúvida, o cartão de visita de um DeMolay.

Para muitos uma reunião DeMolay nada mais é do que uma versão do século XX das histórias da “Távola Redonda” do rei Arthur, a própria cerimónia de posse do Mestre Conselheiro Nacional é inspirada na coroação dos Reis da Bretanha.

No Grau Iniciático, o jovem, já na sua Iniciação, percorre a marcha dos cavaleiros cruzados, rumo a Terra Santa, buscando as mesmas virtudes básicas para sua coroação, na Terra Santa de Jerusalém (oriente do capítulo), no Grau Iniciático, é feita a aceitação do Neófito à “Fraternidade D”Armas”, passando a possuir os segredos que unem o DeMolay a todos outros irmãos no mundo inteiro.

Os Monges Guerreiros

Quando as notícias de sucesso por parte dos cruzados chegavam à Europa havia uma grande exaltação. Dos locais mais remotos do continente, peregrinos punham-se em marcha rumo à Terra Santo esperando ver a cidade onde tantos episódios da vida de Jesus Cristo se tinham desenrolado. Mas estas peregrinações começavam a criar consideráveis problemas para os governadores de Outremer — o nome Francês para “terras do ultramar ou além-mar”.

Um reino Cristão tinha sido rapidamente estabelecido para delinear os territórios conquistados durante a primeira Cruzada. Mas não trouxe a paz para a região. Os Cristãos continuavam cercados por estados Islâmicos hostis. Os Turcos e os Muçulmanos que perderam muitas das suas terras para os Cristãos, não estavam dispostos a simplesmente desistir.

Em cinquenta anos os Turcos Sarracenos tinham feito severas investidas no Novo Reino. Havia ataques contínuos e assaltos às habitações Cristãs. Os descontraídos Peregrinos viajando por terra desde a costa até Jerusalém eram particularmente alvos fáceis. Num único incidente em 1119, por exemplo, um grupo de peregrinos fora cercado por bandidos Sarracenos e foram mortos cerca de 300. E em 1120, guerras entre Sarracenos podiam ser observadas na parte exterior das muralhas de Jerusalém.

Mas nesse tempo, muitos dos cruzados originais tinham regressado com as suas riquezas saqueadas para a Europa. Agora que a missão do Papa para recapturar a Cidade Santa estava completada, o seu trabalho estava feito. Na Europa, as suas famílias esperavam-nos para os receber como heróis conquistadores. Isto fez com que muito poucos soldados hábeis ficassem para defender os novos residentes e seus visitantes peregrinos.

O palco estava traçado para a emergência de Monges Guerreiros.

Duas novas Ordens militares tinham aparecido com a Igreja, centradas em Jerusalém. Uma das quais os Hospitaleiros — Cavaleiros de S. João — cujo objectivo pacífico original se inclinou para os doentes e feridos em Outremer. As ambulâncias actuais de S. João descendem directamente da Ordem dos Cavaleiros Hospitalares.

O objectivo consideravelmente mais perigoso de proteger os peregrinos dos ataques Sarracenos era levada a cabo por Hugues de Payen, um nobre Francês que chegou acuando da primeira cruzada. Em 1119, de Payen oferecia os seus humildes serviços ao primeiro rei de Jerusalém Baldwin I. Ele, juntamente com mais oito colegas cavaleiros, devotaram-se a policiar as rotas usadas pelos peregrinos.

Em face disto, o cenário tornava-se absurdo. Que chances teriam nove homens contra um ataque Sarraceno? Mas eventualmente os nove fizeram um trabalho extraordinário. De facto, Baldwin estava tão impressionado com os seus esforços que lhes ofereceu a mesquita de Al-Aqsa. E esta mesquita tinha sido construída num local que antes fora ocupado pelo próprio Templo Sagrado de Salomão. Consequentemente, foi esse o nome que Hugues de Payen deu à nova Ordem:

A Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão – Cavaleiros Templários

Eram “pobres” cavaleiros porque eles eram também monges. Tinham feito os votos usuais de pobreza, castidade e obediência para com os seus superiores. Eram frequentemente ilustrados em pares cavalgando um único cavalo. Ou eram realmente pobres, ou simplesmente representava a sua nobre pobreza, o desconhecimento do significado é total.

A noção heróica de nove destemidos monges guerreiros valentemente defendendo os peregrinos em viagem contra as investidas Muçulmanas não deixou de apreender a imaginação das pessoas nesse tempo. Hoje, o conceito de homem de Deus manejando espadas sangrentas no campo de batalha é inconcebível. Mas nesse tempo, uma selvagem campanha dos cruzados para capturar a Terra Santa era perfeitamente aceitável.

A terrível carnificina infringida os Muçulmanos durante a própria cruzada, tinha ela própria sido abençoada pelo Papa em nome de Deus.

Alguns começaram a imaginar os Templários com uma reverência romântica e ofereciam-se como novos recrutas. A Ordem cresceu; lentamente no início, depois mais célere. Eram treinados como guerreiros, e tornavam-se grandes cavaleiros de guerra. As suas actividades também variavam. Do papel principal de proteger os peregrinos, gradualmente se tornaram vistos como defensores militares da Terra Santa.

O fundador da Ordem e seu primeiro Grande Mestre, Hughes de Payen, era evidentemente um homem de uma habilidade impressionante. Desde o seu humilde início, os Cavaleiros Templários sobre a sua orientação tornaram-se numa organização disciplinada de profissionais de elevada destreza, com uma eficiente estrutura de comando. Enquanto a Ordem era pequena, todos os cavaleiros obedeciam a um único Mestre. Posteriormente, outros passos foram dados na criação de uma hierarquia, com papéis mais específicos.

O Grande Mestre era responsável por toda a Ordem. Abaixo deste, diversos Mestres eram eleitos para cada uma das províncias onde os Templários permaneciam. Para cada Cavaleiro no terreno, havia ao lado deste dois ou três “sargentos”. Estes eram homens que ainda não tinham um compromisso definitivamente firmado com os Templários. Poderiam ser guerreiros — “sargentos-de-armas” — ou podiam servir de uma maneira mais pacífica em certas Casas ou Conventos dos Templários.

Mantendo o compromisso de pobreza, os cavaleiros usavam roupa simples, que contrastava com o ornamento dos cavaleiros nesse tempo. Usavam uma cobertura lisa de cor branca — posteriormente adornada com a famosa cruz vermelha — que significava a sua pureza e dedicação. Em campanha, os templários nos seus cavalos de guerra usavam armaduras de malha metálica. Os seus sargentos usavam armadura mais leve e podiam combater em terra se necessário fosse.

Na sua primeira formação os Cavaleiros Templários não criavam grande excitação. Havia a tendência nesse tempo para novas Ordens aparecerem e desaparecerem, de acordo com as necessidades do momento. De regresso a casa, os Cavaleiros Templários recebiam o apoio do mais poderoso professor de moral da Europa desse tempo. Esse homem era Bernard de Clairvaux. E o apoio e evangelização de Bernard, levou a que se constituíssem como uma ordem com a bênção do Papa em 1129. Tendo começado a serem vistos na Europa como novos heróis em consequência dessa medida.

E então a lenda dos Cavaleiros Templários começa…

A Ordem Prospera

Em meados do século XII, o controle cristão na Terra Santa encontrava-se fragilizado, em 1147, o rei Alemão Conrad III e Luis VII da França, apelavam a uma segunda Cruzada para fortalecer o reino cristão no Oriente. O Papa Eugenius III deu a esta campanha a sua bênção e Bernard de Clairvaux clamava apoios com os seus sermões.

Na altura da segunda Cruzada, os Templários da Europa estavam em situação de enviar várias centenas de Cavaleiros para Outremer. A experiência adquirida ao proteger peregrinos ser-lhe-ia de capital importância para proteger a massiva armada Europeia na sua movimentação através da Terra Santa. Os Templários, ganharam a confiança dos líderes reais das cruzadas, com o apoio financeiro e militar. E combatem ferozmente durante a campanha.

Mas esta segunda Cruzada tornar-se-ia um desastre. Os Franceses e Alemães sofreram graves perdas nas suas batalhas com os Turcos. Em fins de Janeiro de 1148, os cruzados estavam severamente enfraquecidos e praticamente sem cavalos. Luis VII já tinha o que chegasse. Este regressou a casa, assumindo a grande responsabilidade pela campanha dos Templários.

Se bem que, para lá dos desastres que ocorreram durante a segunda Cruzada, os Europeus sobreviveram intactos, e era claro que os Templários estavam ali para ficar. Estes, eram ricos em propriedades, e ganharam grande parte de território pela conquista. Nos terrenos desertos do Oriente Médio estabeleceram uma cadeia de fortificações. Por volta de 1180 os Cavaleiros do Templo tinham uma rede de castelos para se defenderem contra invasões e agir como depósitos de mercadorias e pontos de passagem. Estes castelos eram construídos de maneira pessoal, e eram os mais fortes do mundo. Novos recrutas chegavam da Europa para orientar essas fortificações.

Eram também a armada mais disciplinada e organizada daquele tempo e não tinham dificuldade em recrutar novos homens de calibre superior para a Ordem. Por volta de 1180, havia cerca de 600 cavaleiros no Oriente, juntamente com 2000 “sargentos” e talvez 5000 cavalos de guerra. E cada combate travado, por menor que fosse, aumentava-lhes a experiência.

Os Cavaleiros eram guerreiros dedicados, conduzidos pela mais severa disciplina monástica. Não tinham qualquer medo de morrer. E para simbolizar a sua dedicação para morrer como mártires em defesa da Terra Santa, a sua original vestimenta branca era adornada pela então famosa cruz vermelha.

Mas a maré da guerra estava mudando. Nos anos de 1170, o grande líder Sarraceno Saladino conseguiu unir os sectores rivais do Islão numa só força. À volta do reino cristão de Jerusalém, Saladino governava as terras do Egipto para Sul e efectivamente conduzia também a Síria na parte Norte. Os anos de tolerância entre os cristãos e muçulmanos no Médio Oriente tinham chegado ao fim. Agora era a guerra aberta. E era uma guerra que Saladino estava progressivamente ganhando. A ajuda do Ocidente mostrava-se muito vagarosa na sua chegada. Os habitantes de Outremer estavam por conta própria.

Os próprios muçulmanos desenvolveram a sua própria seita de monges guerreiros. Os Assassinos eram o equivalente muçulmano dos Templários ou os Hospitaleiros. Mas, os Assassinos eram ainda mais fanáticos. Assim como tomando lugar em todas as operações militares, eram especialistas treinados para atingirem pessoas singulares. A palavra “Assassin” é a forma inglesa de Hashishyun, que quer dizer “comedores de hashish”. Era relatado que o seu primeiro líder, conhecido como “O Velho das Montanhas” tinha por hábito usar drogas para escolher objectivos e descrevia visões do paraíso, antes de enviar os seus homens em missões sinistras.

Os Assassinos eram fanaticamente leais ao seu Mestre. O sobrinho de Ricardo Coração de Leão, Henrique de Champagne, visitou uma vez uma fortaleza Assassina na Síria na tentativa de negociar um tratado de paz com os muçulmanos. Para impressionar o visitante com a absoluta obediência dos seus homens, este ordenou a vários Assassinos um por um a atirarem-se para a morte das muralhas do castelo. Conta-se que Henrique ficou visivelmente perturbado com esta cena suicida que tinha presenciado.

Estas fortificações Assassinas estavam implantadas através das montanhas do actual Líbano e Síria e constituíam uma constante ameaça para as fronteiras Nordeste do reino cristão. Mas os Assassinos também não eram amigos de sectores rivais islâmicos, os quais eram atacados pelo menos tantas vezes quantas os Cristãos.

Em 1173, o rei Amalric I de Jerusalém recebeu uma mensagem do próprio Velho das Montanhas, propondo-lhe a paz. Amalric entendeu que tal proposta não só deixava mais seguras as fronteiras, como também abria fissuras no próprio Islão cada vez mais espalhado. Aceitou fazer a paz com os Assassinos.

Os Templários tinham por esse tempo assumido papeis adicionais. A sua honestidade e integridade eram, contudo, inquestionáveis. E eram os melhores guerreiros no reino. Ambas qualidades ideais para transportarem dinheiro dentro do reino. Eram, de facto, o “carro blindado” medieval. Eram também os colectores de impostos perfeitos. Ninguém se atrevia a enfrentar um Cavaleiro do Templo.

Amalric, no seu tratado com os Assassinos, apressadamente disse aos Templários para pararem de receber impostos no território dos Assassinos. Mas os Templários não gostavam que ninguém fizesse promessas em seu nome — mesmo sendo o rei. Abdullah, o agente Assassino, foi emboscado no caminho quando regressava das negociações com Amalric. Foi morto por um Templário com um só olho de nome Walter de Mesnil. Amalric estava furioso. O seu bem traçado plano de paz com os Assassinos tinha sido sabotado.

Este incidente serve para ilustrar o elemento de desconfiança que começou a partir daí a tingir a impecável reputação dos Templários. Eles podiam agir independentemente do rei. Isto, argumentavam alguns, era típico da arrogância dos Templários, juntando-lhes vagas acusações de subornos. Eram altamente suspeitos do que exactamente os Templários tinham debaixo da sua manta de secretismo.

Mas ultimamente Amalric e outros oponentes dos Templários tinham de engolir a sua ira e tolerar os Cavaleiros. Eram sem dúvida alguma a força de combate suprema em Outremer. Sem a sua experiência de combate — a sua bravura, plano táctico e disciplina de guerra — o reino nunca poderia sobreviver. Sem os Templários e as outras Ordens militares, a ocupação Cristã do Oriente Médio teria rapidamente sucumbido.

A Terra Santa Perdeu-se

Como uma máquina da guerra, a Ordem tinha-se tornado tão temida pelo inimigo que Saladino, o qual raramente era misericordioso com os prisioneiros de guerra, fazia questão de executar todo o Templário ou Hospitaleiro que lhes viesse ter às mãos. Tinha vindo a respeitar as insígnias do estandarte de batalha dos Templários — uma cruz vermelha de oito pontos num fundo branco. E teve boa razão para assim o fazer. Em 1177, por exemplo, numa força de 300 cavaleiros, conduzida pelo rei de Jerusalém, Baldwin IV, derrotou um exército maciço de 26.000 turcos, curdos, árabes, sudaneses e marmelukes.

Este período da rápida expansão para os cavaleiros chega ao fim com a batalha de Hattin em 1187. Tendo-se a batalha dado perto do mar de Galileia em Israel moderno, esta foi uma das batalhas mais dramáticas de toda a história mundial. O exército de Saladino de 60 000 homens saiu vitorioso do encontro com 25.000 cristãos. Durante os dois dias da batalha, Saladino usou o terreno e o clima brilhantemente em seu favor. Atacou as forças cristãs em deserto aberto, no calor flamejante, em terreno sem água. Ajustou o ataque ao favor do vento de modo que a fumaça densa adicionada à sua miséria e servido como a tampa para suas tropas. As flechas choveram severamente para debaixo dos Europeus prostrados. 230 cavaleiros morreram na batalha, ou foram executados imediatamente após. Estas execuções eram uma medida do respeito de Saladino para com os cavaleiros. Indubitavelmente trariam ricas recompensas ou mesmo preços elevados nos mercados de escravos por onde passassem as suas vidas.

Ao fim de um ano, Acre e Jerusalém tinham caído. Saladino apagou todos os traços do Templários demolindo todos os seus edifícios. Logo o único posto cristão principal era o porto de Tyre. Embora a terceira Cruzada (1189-92), que trouxe Ricardo Coração de Leão à Terra Santa, conseguisse recapturar Acre, os cristãos nunca conseguiram reconquistar Jerusalém. O cervo saiu simplesmente do reino de Outremer. Acre transformou-se na nova capital, e os Templários moveram de lá os seus quartéis.

Mas quando Saladino morreu em 1193, as seitas islâmicas rivais recomeçaram as suas querelas. Os cristãos lutavam para reconquistar território, e suas fortunas desvaneceram-se. Havia algumas vitórias, mas havia também algumas derrotas terríveis. Muitos Templários caíram na batalha de la Forbie (perto de Ghaza, em Israel moderno) em 1244, que somente 33 cavaleiros foram deixados em todo Outremer. O fim estava perto.

Em meados de 1250, uma nova dinastia se tinha erguido no Egipto. Os Mamelukes, ex-escravos de combate dos Sarracenos, levantaram-se sob o comando do Sultão Baybars, um homem cuja barbaridade e sangue-frio era equivalente aquele dos primeiros cruzados. Fortificação após fortificação, cidade após cidade, caíram para os egípcios. Os habitantes fugiram, e todo o Templário que sobrevivesse às batalhas era decapitado. Em 1270, os Templários deixaram de ser uma presença significativa na Terra Santa. E em 1291, após a queda dramática de Acre, os últimos Europeus deixaram o Oriente Médio.

Os restantes Templários escaparam com seus tesouros e relíquias religiosas para Chipre, onde colocaram o seu quartel General em Limassol. Aí, tentaram se reagrupar, antes de confrontar o inimigo uma vez mais em Outremer. A maré da opinião popular na Europa, entretanto, começou a inverter-se contra eles inexoravelmente.

De Guerreiros a Banqueiros

No espaço de uma dúzia de anos desde a fundação da ordem, tinha sido dado aos Templários lotes expressivos da terra europeia. Rapidamente tiveram de estabelecer uma estrutura administrativa para lidar com todas essas benesses. Conforme, cada região de Europa foi dividida em províncias, cada uma com o seu próprio mestre, e cada província foi dividida em “baillies”. O trabalho das casas Europeias dos Templários devia fornecer o dinheiro e os bens para a guerra no Leste. Um terço da renda — em dinheiro — era pago por estas casas da Europa para suportar o esforço da guerra.

No fim do século XIII, havia várias centenas de casas dos Templários na Europa. A vasta maioria estavam situadas no que é agora a França moderna, mas havia também fortes implantações em Portugal e na Espanha Ocidental, e uma certa emergência na Inglaterra e

Itália. Tanto como 9.000 terras arrendadas de Templários desde a costa atlântica à Polónia Oriental, e da Escandinávia à Sicília.

Num curto espaço de tempo, os Templários encontravam-se num papel inesperado. Tornaram-se nos primeiros Banqueiros Internacionais do Mundo.

A moeda nesses dias era ouro ou prata e valia simplesmente o seu próprio peso, quer fossem dinars árabes ou solidi italianos. Vamos supor que você planejou uma viagem de Inglaterra a Itália. Você ficaria relutante em transportar dinheiro em moeda consigo. Isso seria demasiado arriscado. Mas com a sua rede de casas e dos castelos, os Templários poderiam dar-lhe uma nota (a nota de banco original) como prova que você tinha depositado uma determinada quantidade em dinheiro num dos seus centros na Inglaterra. E apresentando essa mesma nota numa casa de Templários em Itália, ser-lhe-ia devolvida essa mesma quantidade de dinheiro.

Inicialmente os Templários estavam menos “aptos” com as transacções financeiras dentro da Europa do que da Europa com a Terra Santa. Colectavam impostos em Outremer e asseguravam que tais impostos alcançavam com segurança os seus destinos. No século XII, emprestaram dinheiro aos cruzados assim como aos reis. Agiam também como agentes para pagamentos de compensações e transferência mais segura dos fundos para a guerra na Terra Santa.

Pelo décimo terceiro século, os Templários possuíam uma frota no mediterrâneo. Originalmente, isso era para o transporte dos peregrinos de Marselha ou da Rochelle para a Terra Santa, mas transportavam também bens para venda ou revenda no Oriente Médio. E na viagem de retorno podiam trazer escravos ou outras especiarias orientais exóticas para a Europa.

O movimento do dinheiro e facilidades de crédito deve ter crescido juntamente com este transporte de peregrinos. Eram precisamente esses peregrinos que necessitavam o seu dinheiro protegido, e que tiravam partido de facilidades de crédito na própria Terra Santa. Ficavam muito mais felizes usando os Templários para estas operações do que algumas das casas de operação bancária rivais que surgiram rapidamente na competição. Os Templários podiam oferecer um melhor serviço em todo o local. Podiam protegê-lo assim como ao seu dinheiro. E seus votos da pobreza fizeram-nos totalmente dignos de confiança.

Reis e nobres de toda a Europa tiraram rapidamente vantagem da garantia dos Templários pela segurança e honestidade. O Rei Henrique II de Inglaterra depositou muitos dos seus artigos de valor nos Templários de Londres, fundados em 1185. Em 1204-5 o rei João deixou mesmo as jóias da coroa nos seus cofres, assim como o seu sucessor Henrique III em 1261 durante a revolta dos Barões. Forneceram empréstimos — para os quais eram tirados dividendos — às casas reais. Em Inglaterra, as próprias jóias da coroa foram usadas colateralmente para garantir um particularmente grande empréstimo ao rei Henrique.

Eram também os banqueiros do Papa na Terra Santa, e os impostos colectados em seu interesse. Na Espanha, a Ordem teve um monopólio virtual no dinheiro emprestando. Na França, os Templários eram os banqueiros da família real durante mais de um século, e na Inglaterra jogavam um papel similar durante os reinos de João e de Henrique III. Porque Inglaterra era uma fonte particularmente rentável dos Templários, não é nenhum exagero dizer-se que colocaram as “pedras nas fundações” de Londres para se transformar no principal mercado financeiro internacional que é hoje.

Em muitas partes da Europa foram concedidas isenções de taxas locais e nacionais, dos pedágios, das demandas arbitrárias pelo barão ou pelo rei local. É impossível calcular-se a riqueza dos Templários. Mas considere-se o facto que em meados do século XII a renda das suas propriedades inglesas somente, eram avaliadas em £5 200 — o que equivaleria hoje a cerca de £8-12 milhões. E lembre-se, isto apenas na Inglaterra. A vasta maioria das suas propriedades estavam situadas na França e outras partes do continente.

A sua participação na política era uma extensão natural do seu envolvimento nos casos financeiros das casas nobres e reais da Europa. Tendo em conta que os Templários vinham tendencialmente dos extractos superiores da sociedade, tinham uma rede “já feita” dos amigos e dos parentes em lugares de evidência. Há muitos exemplos dos papéis de influência que jogaram em eventos da política. Quando o rei João morreu em 1216, o seu filho Henrique tinha nove anos. Assim, por diversos anos a Inglaterra foi governada por um comité. Este comité incluiu o mestre do Templo, e era encabeçado por um seu grande amigo. Em 1259, o parlamento inglês usou o Templo de Londres como seu lugar de reunião. E mais cedo, em 1164, o mestre dos Templários da Inglaterra, Richard de Hastings, tinha tentado usar a sua influência para reconciliar Henrique II com o seu “turbulento” padre, Becket de Thomas.

Histórias similares podem ser relatadas em outros locais da Europa. Em Aragão (parte da Espanha moderna), quando o rei James I ainda criança recebeu o trono em 1213, os nobres Aragoneses escolheram o Mestre Templário local para tomar conta da criança no Templo de Monzón. Este se tornou o seu conselheiro durante todo o seu reinado.

Assim como providenciando serviços financeiros e políticos na Europa, os membros da Ordem estavam também disponíveis para as cruzadas. Tendo a Guerra Santa no oriente sido perdida, jogavam um papel principal nas guerras internas contra os Mouros na Espanha.

Mas o papel dos Templários no Ocidente era bastante diferente daquele exercido no Oriente. No Ocidente eram agricultores, agentes de viagens e financeiros. No Oriente eram guerreiros temidos.

Guardas das Sagradas Relíquias

Além das propriedades, enormes reservas de dinheiro, os Templários eram também ricos em relíquias.

As relíquias eram os restos das pessoas ou coisas que tinham sido caracterizadas nas histórias do Novo Testamento. Uma relíquia popular era naquele tempo um pedaço de madeira da cruz verdadeira — a cruz em que Jesus foi crucificado. Outra, era a cabeça de S. João Batista, que foi decapitado após ter sido enfeitiçado pela sedutora dança de Salomé. Os povos na idade média tinham uma adoração desesperada por relíquias, que veneravam com admiração. Mas como seria de esperar, havia uma abundância de fraudes. Diversas cabeças de João Batista estavam em circulação. E havia bastante lascas da madeira da verdadeira cruz que davam para fazer uma enormidade de crucifixos!

Os Templários tinham na sua posse a coroa dos espinhos, tirada da cabeça de Cristo. Tiveram também o corpo da mártir Santa Eufémia de Chalcedon (julgava-se ter poderes de cura divinos). Tiveram uma cruz feita de um banho usado supostamente por Jesus, uma cruz de bronze feita da bacia que Jesus usava para lavar os pés dos seus discípulos na última ceia, e uma colecção apreciável de outras relíquias. O escritor popular Ian Wilson, no seu livro best­seller The Turin Shroud, levantou a questão que eles compraram também o lençol em que Cristo foi envolvido no seu túmulo na Terra Santa.

Mas a relíquia mais estimada era o próprio Santo Graal — o cálice que Jesus usou na última ceia. Era comentado que tinha sido descoberto enterrado no velho templo de Salomão em Jerusalém. No princípio do século XIII o poeta alemão Wolfram von Eschenbach visitou Outremer especialmente para aprofundar o estudo da Ordem. É verdade, admitiu ele. “Os Templários possuíam certamente o Santo Graal”. Este foi mais tarde corroborado por Trevrizent, que declarou: “é sabido que muitos formidáveis guerreiros repousam em Munsalvaesche com o Santo Graal”.

A verdade remanescerá provavelmente sempre em mistério uma vez que todos os casos de Templários foram conduzidos em segredo. Todo o membro da Ordem que revelasse os procedimentos das reuniões dos Templários era punido com a expulsão. Eram proibidos de fazer cópias das estátuas dos Templários e das regras da Ordem, para não caírem nas mãos erradas. Era esta não mais do que uma aplicação do princípio de que nas épocas de guerra, “Conversas descuidadas custam vidas?” Ou guardavam algum segredo mais sinistro? Muitos de seus contemporâneos acreditaram no último.

O Julgamento dos Templários

Era sexta-feira, 13 de Outubro de 1307. Um dia fatal para os Templários, e lembrado supersticiosamente ainda nos nossos dias como a azarenta “sexta-feira 13”. Ao fim da tarde, agentes do rei Filipe IV atacaram. Num assalto fulminante, acusaram e prenderam Templários por toda a França. A data tinha sido escolhida pela coincidência da visita à França de vários líderes Templários, incluindo o próprio Grande Mestre Jacques de Molay. Mas quando os agentes entraram no Templo em Paris, sede dos Templários, descobriram que todos os documentos e, mais importante ainda para Filipe, o tesouro tinha sido removido. Os agentes também tentaram capturar a frota Templária, a maior da Europa, que estava atracada em La Rochelle. Mas uma vez mais se frustrou a intenção — a frota tinha já partido. Até hoje a vasta riqueza dos Templários nunca foi encontrada. Nem tão pouco foi descoberto para que porto a frota seguiu — ou onde atracou. Mas os Templários não tentaram esconder-se, e na manhã seguinte, vários milhares tinham sido feitos prisioneiros.

Juridicamente falando, essas prisões eram ilegais. Os Templários respondiam unicamente ao Papa. Mas o actual Papa, Clemente V, devolveu essa condição para Filipe. O rei Francês que transferiu o assento papal de Roma para Avignon na França, pediu que isso lhe fosse cedido. Filipe esteve também por trás da morte suspeita do precedente Papa, deixando assim o trono papal livre para Clemente.

Inevitavelmente, o Papa toma o partido de Filipe. E com apoio papal, ataques similares foram feitos aos Templários através da Europa. Iriam ser todos levados a julgamento. Aqueles que acatavam as acusações levadas contra eles eram abandonados com uma mísera pensão, deixados na miséria ou ainda como pedintes. Qualquer um que recusasse era encarcerado para toda a vida. Mais de 120 foram queimados na fogueira. Após as torturas, confissões e execuções, Clemente V aboliu oficialmente a Ordem dos Cavaleiros Templários a 22 de Março de 1312.

O Grande Mestre patriarca, Jacques de Molay, foi um dos que confessou. Mas a 14 de Março de 1314, enquanto ele era exibido no exterior da catedral de Notre-Dame em Paris para ouvir a sua sentença de prisão perpétua, De Moley discursou uma dramática declaração:

“Penso verdadeiramente” — proferiu ele, “Que neste solene momento eu deva proferir toda a verdade. Ante o céu e a terra, e com todos vocês aqui como minha testemunha, eu admito que sou culpado da mais grotesca das iniquidades. Mas essa iniquidade foi eu ter mentido ao ter admitido as grotescas acusações emitidas contra a Ordem. Declaro que a Ordem está inocente. A sua pureza e santidade estão acima de qualquer suspeita. Eu admiti de facto que a Ordem era culpada. Mas unicamente assim agi para evitar contra mim as terríveis torturas — A vida foi-me oferecida, mas pelo preço da infâmia. Por este preço, a vida não vale a pena ser vivida.”

Como publicamente retratou a sua confissão, Jacques de Molay, o último de 22 Grandes Mestres da Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e Templo de Salomão, foi queimado vivo antes de um insulto popular em Paris. E enquanto expirava, amaldiçoou o rei Francês e o Papa. Disse que no prazo de um ano seriam chamados a prestar contas pela perseguição aos Templários. Apenas um mês depois, o Papa Clemente V faleceu, aparentemente de causas naturais. A 29 de Novembro do mesmo ano, Filipe IV morreu também num acidente a cavalo enquanto caçava. Teriam assim os Templários poderes ocultos? Teria realmente efeito a praga de Molay?

Mas porque terá tudo isso acontecido? Que fizeram os Templários? Nos julgamentos, eles eram acusados de heresia — de participar em práticas obscenas, cuspindo na imagem de Cristo e adorando ídolos (especialmente uma cabeça chamada Baphomet). Eram acusados de bruxaria. Foram ainda acusados de homossexualidade.

Para tentar compreender as razões pela qual os Templários caíram em desgraça, precisamos de retroceder no tempo. Já mencionamos acusações de arrogância e avareza espalhadas pela sua história. Foram fundados com uma nobre causa — defender a Terra Santa. Mas a Terra Santa já tinha sido tomada. Eles tinham falhado, para além de todas as despesas e perda de vidas — e o povo ressentia isso mesmo. Argumentavam que os Templários se encontravam demasiado ocupados tratando dos seus próprios negócios, ou combatendo Ordens rivais, para que pudessem manter uma defesa segura na Terra Santa. Talvez eles tenham até colaborado com o inimigo. Mas este ressentimento era dirigido não só ao Templários, mas também aos Hospitaleiros e aos Cavaleiros Teutónicos, os quais eram igualmente “culpados” pela perda de Outremer.

Então que haveria de tão terrível acerca dos Templário, para estimular as hostilidades do rei Filipe IV? E isto para além do facto de este ter já fortes relações com a Ordem. Jacques de Molay era padrinho do seu filho. E quando Filipe se viu confrontado com uma sublevação popular em 1291 em Paris, o rei escolheu o Templo como refúgio. Eram também os banqueiros reais.

Em primeiro lugar, havia a resistência própria a mudanças. Através da sua história houve chamadas para a unificação com os Hospitaleiros. Os Templários objectaram sempre. Mas recentemente o influente escritor Ramon Hull renovou a chamada para a unificação. Este tinha em mente um rei guerreiro cavalgando à frente das ordens unificadas expulsando os Muçulmanos para fora de Espanha e da Terra Santa. Isto era música para os ouvidos do Rei. Via-se a si próprio tal qual esse rei guerreiro. Sugeriu mesmo ao Papa que os reis Franceses deveriam ser os Mestres desta Ordem unificada, com acesso livre aos ganhos extras de todas as Ordens! Portanto não restam dúvidas pela constante resistência dos Templários à unificação.

Em 1305 Filipe candidatou-se inclusivamente, a juntar-se à Ordem. Mas os Templários breve perceberam que um homem com a sua enorme ambição nunca estaria satisfeito enquanto não tivesse disposto de tudo. Rejeitaram a sua candidatura, sem qualquer explicação.

Eles tinham recusado o rei! Como governante de um maior e mais poderoso reino que os seus predecessores, Filipe considerava-se a si próprio quase divino. Como se atreviam eles a recusá-lo!

Para uma satisfatória explicação, contudo, deveremos ter em conta uma razão muito simples: ganância. Filipe encontrava-se quase falido. tinha herdado dívidas enormes do seu pai e das guerras contra a Inglaterra e Flandres. Um dos conselheiros mais próximos do rei, William de Nogaret, sugeriu a que a solução mais simples para solucionar a crise financeira de Filipe era confiscar o máximo que pudesse da fortuna dos Templários. O desonesto William tinha já sido excomungado em 1304 por ter feito parte na tentativa de rapto do Papa Bonifácio VIII. A esta altura, estava meramente cumprindo ordens do rei Filipe. O Rei vinha olhando para ele próprio como o chicote contra a heresia e o purificador do reino. Em 1306, tinha expulsado os Judeus da França, remetendo-lhes vagas acusações de sacrilégio e bruxaria. Se William pudesse fornecer provas que também os Templários eram heréticos e bruxos — e que a sua fé cristã estava em perigo de ser poluída — então poderia legitimamente avançar. Não eram os Templários, então, notoriamente secretos? Havia muitas considerações a cerca do seu “grande segredo”. O que era? Para eles que amealharam tantas riquezas ao longo de dois séculos, supostamente devia ser algo de muito poderoso — talvez mesmo oculto.

William apoiava um rancoroso renegado Templário de nome Esquin de Florian de Béziers, que tinha sido expulso da Ordem. Esquim já se tinha aproximado do rei de Aragão, oferecendo-lhe a venda do “grande segredo” dos Templários. Ao mesmo tempo tinha-os acusado de blasfémia e todo o tipo de práticas escandalosas. William tinha forjado tudo isso. Com a ajuda de Esquin, arranjava maneira de colocar espiões nas Casas Templárias. A plataforma estava montada para as grandes detenções. E, como William esperava, para o melhoramento das finanças do rei.

Mas o plano correu mal. Depois de terem terminado todos os seus julgamentos, o Papa entregou todas as propriedades e bens aos Templários que estes poderiam reaver não do rei Francês, mas sim dos Hospitaleiros!

Os Grãos Mestres da Ordem dos Templários

Hugh de Payens 1118-1136

Everard des Barres 1146-1149

Andre de MonthBard 1153-1156

Philip de Milly 1169-1171

Arnold de Toroga 1179-1184

Robert de Sable 1191-1193

Philip de Plessiez 1201-1208

Pedro de Montaigu 1219-1230

Richard de Bures 1245-1247

Reynald de Vichiers 1250-1256

William de Beaujeu 1273-1291

Robert de Craon 1136-1146

Bernard de Tremelai 1149-1153

Bertrand de Blanquefort 1156-1169

Odo de St Amand 1161-1179

Gerard de Ridfort 1185-1189

Gilbert Erail 1193-1200

Armand de Perigord (?)- 1244

William de Sonnac 1247-1250

Thomas Bernard 1256-1273

Tibald de Gaidin 1291-1293

Jacques DeMolay 1293-1314

Jacques DeMolay, o último Grão-Mestre Templário

jacques de molay
Jacques de Molay

Jacques DeMolay (Vitrey, 1243/1244 ou 1249/1250 – Paris, 18 de Março de 1314) nasceu no Condado da Borgonha e pertencia a uma família da pequena nobreza franca. Em 1265 foi recebido na Ordem do Templo, na pequena cidade de Beaune por Hubert de Pérraud que detinha o cargo na ordem de visitador da França.

Foi o 23° Grão-mestre dos cavaleiros templários e oficialmente o seu último, quando foi queimado vivo na Ille de la Cité, pequena ilha localizada no meio do Rio Sena, em Paris. Pouco ou nada se sabe da sua juventude, só começando a ter maior evidência depois do seu ingresso na ordem e no capítulo de emergência em Chipre, efectuado devido à morte de Guillaume de Beaujeu, caído heroicamente na defesa de Acre, para eleger um sucessor.

Jacques DeMolay assume o mestrado da ordem em 1295, não se sabendo, no entanto, a data exacta da sua eleição. Será eleito em detrimento de outra figura de peso dentro da ordem, Hugues de Pérraud, sobrinho do visitador do templo em França, Hubert de Pérraud.

No início do seu mestrado é conhecido pela sua acção a favor de uma nova cruzada, desenvolvendo uma campanha diplomática na França, Catalunha, Inglaterra e na Itália junto ao papado. Esta campanha visou não só resolver problemas internos que a ordem tinha, como também problemas locais, sendo resolvidas diversas disputas entre a ordem e bispos e também no sentido de pressionar as coroas e a Igreja a uma nova cruzada.

Organiza a partir da ilha de Chipre ataques contra as costas egípcias e síria para enfraquecer os mamelucos, providencia apoio logístico e armado à Pequena Arménia, chega a intentar uma aliança com o Canato da Pérsia sem resultados visíveis. Outro assunto que será discutido durante o seu mestrado na ordem será o da fusão entre as duas maiores ordens militares, a do Templo e a do Hospital numa só. A Ordem do Templo com a perda de Acre começava a ser questionada quanto à razão da sua existência, as suas funções de proteger os peregrinos e de defender a Terra Santa tinham cessado quando retiraram para a ilha de Chipre.

Jacques DeMolay em Maio de 1307 em Poitiers, junto do papa Clemente V conseguira apresentar uma defesa contra esta fusão e ela não se realizara.

Na sexta-feira de 13 de Outubro de 1307, os templários no reino da França são presos em massa por ordem de Filipe, o Belo. O grão-mestre Jacques de Molay é capturado em Paris. Imediatamente após a prisão, Guillaume de Nogaret proclama publicamente nos jardins do palácio real em Paris as acusações contra a ordem.

Esta manobra régia impedira o inquérito pontifício pedido pelo próprio grão-mestre, o qual interno à Igreja, discreto e desenvolvido com base no direito canónico, emendaria a ordem das suas faltas promovendo a sua reforma interna.

A prisão, as torturas, as confissões do grão-mestre, criam um conflito diplomático com a Santa Sé, sendo o papa o único com autoridade para efectuar esta acção. Depois de uma guerra diplomática face ao processo instaurado contra a ordem entre Filipe, o Belo e Clemente V, chegam a um impasse, pois estando o grão-mestre e o Preceptor da Normandia, Geoffroy de Charnay sob custódia dos agentes do rei, estão, no entanto, protegidos pela imunidade sancionada pelo papa e absolvidos não podendo ser considerados heréticos.

Em 1314 o rei pressiona para uma decisão relativa à sorte dos prisioneiros. Já num estado terminal da sua doença, com violentas hemorragias internas que o impedem de sair do leito, Clemente V ordena que uma comissão de bispos trate da questão. As suas ordens seriam a salvação dos prisioneiros ficando estes num regime de prisão perpétua sob custódia apostólica e assegurando ao rei que a temida recuperação da ordem não será efectuada. Perante a comissão Jacques de Molay e Geoffroy de Charnay proclamam a inocência de toda a ordem face às acusações dirigidas a ela, a comissão pára o processo e decide consultar a vontade do papa neste assunto.

Ao ver que o processo estava ficando fora do seu controle e estando a absolvição da ordem ainda pendente, Filipe, o Belo decide um golpe de mão para que a questão templária fosse terminada, ordena o rapto de Jacques de Molay e de Geoffroy de Charnay, então sob a custódia da comissão de bispos, e ordena que sejam queimados na fogueira na Ille de la Cité pouco depois das vésperas em 18 de Março de 1314.

Com isso Jacques DeMolay passou a ser conhecido como um símbolo de lealdade e companheirismo. Ele preferiu morrer a entregar seus companheiros.

A Ordem dos Templários continua viva…?

O destino da Ordem dos Templários será sempre uma questão de discussão. O que sobreviveu foi a lenda dos Templários. Na literatura e, mais recentemente, nas películas são retratados como os guerreiros heróicos dos cristãos que lutam de encontro às forças desconhecidas e do mal.

Outros trabalhos sérios da história perpetuaram também esta lenda dos Templários. Como vimos no anterior capítulo, Jacques de Molay amaldiçoou o rei Francês e o Papa antes de ser queimado na fogueira. Uma vez que a sua praga estava de encontro a figuras ditatoriais da autoridade, ressuscitou na altura da Revolução Francesa. Quando os súbditos praguejavam em relação aos donos de propriedades aristocráticos, dispunham o rei Louis XVI à morte. Isto foi visto por muitos como o preenchimento final da praga dos Molays. Louis foi o último rei a governar a França desde então.

Algures na Europa, onde muitos Templários escaparam da supressão, a ordem ajustou as suas posições. Os Templários Portugueses mudaram simplesmente o seu nome — como um negócio moderno muda o nome a fim de evitar débitos precedentes. Tornaram-se nos

Cavaleiros de Cristo, posteriormente famosos pelas suas explorações na África e nas Índias ocidentais. O famoso rei D. Henrique, o Navegador, era um grande mestre da Ordem, e exploradores como Vasco da Gama eram membros. O sogro de Cristóvão Colombo era um Grande Mestre, e Columbo navegou através do Atlântico com a familiar cruz dos Templários brasonada nas suas velas. A Ordem de Cristo sobreviveu até 1830.

Igualmente na Alemanha, Espanha e outras partes da Europa onde a purga aos Templários não foi tão bem-sucedida, há abundantes indícios que estes se juntaram a outras Ordens — os Hospitaleiros ou os Cavaleiros Teutónicos na Alemanha, ou a Ordens militares locais na Espanha.

Mais misterioso foi o destino dos Templários ingleses, escoceses e irlandeses. Um levantamento pode ser feito — e foi feito certamente, por Michael Baigent e Richard Leigh, no The Temple and the Lodge, para quem um expressivo número deles fugiu para o norte, mais precisamente para a Escócia. O rei escocês, Robert the Bruce, era especialmente benevolente para com os Templários e nunca dissolveu os Templários Escoceses. Encontrava- se também desesperadamente necessitado de cavaleiros hábeis para as suas campanhas contra a Inglaterra.

Mas se a Escócia foi o destino final destes cavaleiros, juntamente com a sua frota e possivelmente o seu tesouro, o que aconteceu com eles? Sem dúvida, muitos deles com o passar dos anos pura e simplesmente esqueceram os seus passados de cavaleiros. Outros, entretanto, podem ter ajudado a fundar a Maçonaria. A organização semi-secreta, que permeia a sociedade em todos os níveis hoje, reconhece explicitamente uma linhagem directa dos Cavaleiros Templários. A Escócia era um dos lugares principais onde um tipo particular da Maçonaria — Templária nos seus mitos e rituais; mística em toda a sua orientação primeiramente despertou e floresceu.

A Maçonaria só foi fundada formalmente em meados do século XVII. Mas no final do século XVII o visconde de Dundee era ainda o Grande Mestre dos Templários na Escócia. Além disso, no final do século XVI, havia ainda 500 registros de propriedades pertencentes aos Templários. Parece assim que os Templários e os Hospitaleiros se fundiram na Escócia. E também sabemos ao certo que os Hospitaleiros sobreviveram, porque estão entre nós ainda hoje como os Cavaleiros de Malta e da Brigada da Ambulâncias de S. João. Além dos Maçónicos, existe uma outra organização misteriosa que deve ser mencionada: o Prieuré de Sion. Este cabal Francês é investigado no best-seller explosivo: The Holy Blood and the Holy Grail.

O autor reivindica que esta organização, que existe indubitavelmente, tem uma história longa, inclusive, antes do estabelecimento do Templários. Julga-se que foi este Prieuré de Sion que fundou originalmente os Templários, com o intuito de restaurar uma linhagem antiga dos reis franceses conhecidos como a dinastia de Merovingian. E a esta dinastia é dito ter uma linhagem fantástica. Os seus membros seriam descendentes directos do próprio Jesus Cristo!

O livro, publicado em 1982, oferece novas evidências para tornar este cenário plausível. Esta evidência foi descoberta em documentos originais antigos descobertos na França, numa biblioteca onde as autoridades tentaram arduamente impedir que fossem encontrados. Isto altera toda a nossa compreensão e conhecimento da vida de Cristo como se encontra descrito no Novo Testamento.

Jesus, pode não ter morrido na cruz. Poderá ter sobrevivido, ter casado com Maria Madalena e esta lhe ter dado filhos. E das crianças de Jesus, os reis de Merovingian — e através delas um número de outras famílias reais europeias — serão descendentes.

Não menos impressionante era uma reivindicação de que os anteriores líderes da ordem de Sion incluíam os famosos cientistas britânicos Robert Boyle e Sir Isaac Newton, os escritores franceses Victor Hugo e Jean Cocteau, o artista italiano Leonardo da Vinci, e um número de outros distintos Europeus.

Qualquer sobrevivência anterior dos Templários aos dias de hoje não seria tão directa quanto a sobrevivência do Hospitaleiros. Mas é ainda possível que haja hoje em dia pessoas que estejam na posse das tradições e dos segredos dos Templários. Não circulam com armadura de cavaleiro. Não registram qualquer diferença em relação aos cidadãos anónimos. Podem ser maçons. Ou podem pertencer a alguma casta mais esotérica, encontrando-se talvez uma vez por mês para praticarem qualquer ritual mágico. Talvez estejam à espera de uma época em que a cristandade necessite uma vez mais ser defendida de uma ameaça exterior.

O que é feito do seu tesouro? Será que existe algures ou foi meramente usado? Existe de facto um verdadeiro tesouro — dinheiro ou valores — ou é meramente um tesouro metafórico? Um “grande segredo” de qualquer espécie?

Talvez, caso fosse um tesouro verdadeiro, tenha sido enterrado ou perdido, esperando por uma descoberta acidental de um detector de metais. Ou ainda encontra-se depositado num cofre de um Banco Suíço qualquer anónimo, esperando ser posto em uso nos tempos vindouros.

Estas são questões que têm intrigado os historiadores, investigadores e afins há quase 900 anos. Estes são os equívocos para os quais são necessárias respostas. A verdade a cerca dos lendários Cavaleiros do Templo irá provavelmente continuar a ser um dos maiores mistérios de todos os tempos.

Partilhe este Artigo:

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *