O Envelhecimento (em Portugal, mas não só…)

”Outrora a velhice era a dignidade; hoje ela é um peso”

François René de Chateaubriand,
1768-1848, escritor

Portugal tem 20% da sua população com idade superior a 64 anos, assim como tem uma das mais baixas taxas de natalidade por 1000 habitantes. E não é uma questão de infertilidade!

O nosso país está a definhar, lentamente. As elites políticas assobiam para o lado. A fiscalidade abate-se sobre a Família, porquanto o dinheiro arrecadado é espalhado a remendar a má administração nos últimos decénios.

Meus Irmãos, o envelhecimento é tão importante como a infância e a adolescência.

Estes dois extremos da pirâmide etária, tão descurados, quebrarão inexoravelmente a razão de ser de Portugal.

Com a extinção do mundo rural, a litoralização do Território e as vagas da emigração (não compensadas pela imigração), a modernidade e o modelo de desenvolvimento praticado leva a que uma faixa da população – os idosos – não tem o ancestral respeito e a protecção dos filhos que agora vivem nos centros urbanos, em apartamentos /gaiolas.

Estes (marido e mulher) saem ao alvorecer para o trabalho, depositando os filhos no infantário (quando há) e na escola. Regressam ao anoitecer após 8 horas de labor e tempo perdido nos transportes.

O idoso, como eu, com saúde q.b., viúvo, tem a possibilidade de viver e usufruir esta fase da Vida com autonomia e alegria, porque soube aproveitar os estudos proporcionados por Pais emigrantes (Congo Belga) oriundos da rude pobreza da Beira Baixa interior.

Este idoso também emigrou (Macau), teve sempre o amparo da sua mulher, podendo assim proporcionar formação escolar e educação aos seus dois filhos, ora autónomos.

Se, por necessidade (saúde, finanças) tivesse que se abrigar em casa deles, tal não era possível: um dos filho (solteiro) trabalha e reside em Londres; a filha vive com o marido e 2 filhos (menino e menina) num apartamento que não tem área suficiente (1 quarto) para poder lá viver. Para onde iria?

Um dia. Certamente terei de sair de minha casa (T1) num 3.° andar sem elevador. Quem me pode dar cuidados elementares se tal necessitar?

Não é o Estado, certamente. Isso é lastimável e inqualificável. Não para mim, que possuo reforma e património. E os outros idosos, com Pensão de Velhice miserável, isolados no deserto interior do Território.

Mesmo que o idoso aufira 600,00€ / 700,00€ de pensão, que qualidade de vida terá? Provavelmente um Lar de Idosos onde não tem o seu mundo, vivendo em quarto colectivo, longe dos filhos e netos.

Na verdade, Portugal não é um país para Velhos. A nossa Sociedade está em crise de Valores e de Princípios. O actual modelo de produção de bens e serviços destrói muitos dos fundamentos da instituição milenar: a Família.

Na verdade a culpa é dos outros e o passado era maravilhoso! Não – a culpa não é dos outros. E não – o passado foi tudo menos maravilhoso.

Cabe a mim, a Vós, meus Irmãos reflectir e agir, porquanto o Envelhecimento é um processo existente na Natureza e ocorre em todos os seres vivos.

O Envelhecimento não é uma maldição. A extinção de qualquer ser vivo, a morte decorre da imutabilidade do ciclo da perpétua Renovação da Natureza.

O que resta? Cada um de nós deverá procurar a resposta com muita antecedência, não se iludindo com o mito da Juventude eterna e nunca recusar que neste mundo a morte e os impostos são uma inevitabilidade.

José Salavisa M∴ M
R∴ L∴ Myosotis nº 124 – G∴ L∴ L∴ P∴ / G∴ L∴ R∴ P∴

Artigos relacionados

Partilhe este Artigo:

Um Comentário em “O Envelhecimento (em Portugal, mas não só…)

  • Avatar

    É complicado mas tem solução…

    Reply

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *