O homem e a renovação maçónica

Um eterno aprendiz, nunca cessará o seu processo de aprendizagem

A vida é uma escola continuada que temos ao nosso dispor desde o dia em que nascemos e até que exalemos o último suspiro estaremos sempre numa contínua aprendizagem. Este processo passa talvez sem ser percebido pela maioria dos indivíduos que apenas transitam pela vida e não abstraem nenhuma lição útil para dar mais brilho aos seus espíritos. Entretanto, ainda que não cheguemos a frequentar escolas regulares temos ao nosso dispor os costumes, as tradições, as normas de conduta transmitidas pelos mais velhos, as experiências e os conceitos de ética e moral que nos são disponibilizados.

Alguns indivíduos têm a chance de frequentar escolas, cursos profissionalizantes, universidades e expandir esses conhecimentos para além da maioria das pessoas, como pós-graduações, mestrados, doutorados e muito o que há ao seu dispor para os colocar acima da média no campo do conhecimento. Tudo isto serve para aprimorar os espíritos que servirão para ficar em melhor comunhão consigo mesmo e com o universo que os rodeia, aí incluídos o resto da humanidade. De nada adianta tanta aprendizagem se ele não tiver como propósito o engrandecimento do indivíduo provido de alma que se relaciona com os seus iguais.

E há uma possibilidade disposta para os homens de bem que amam a liberdade e se habilitam a conviver em harmonia com os seus irmãos a ajudar o Grande Arquitecto Do Universo na árdua tarefa de edificar um mundo melhor e mais justo. A maçonaria universal possibilita a quem nela ingressa a união desses dois elos edificantes: o aprendiz e a aprendizagem, com a observância estrita de que o homem é um eterno aprendiz e que nunca cessará o seu processo de escolaridade. Na maçonaria o lema de aprender sempre precisa ser compreendido como a busca incessante pela verdade e pela evolução do espírito.

Esta é uma escola que se apresenta como uma faculdade da vida e que induz os seus integrantes a estarem em constante contacto com as lições que servem para renovar o homem em todos os seus quesitos, como moral, espiritual, familiar, profissional e humano. Um Maçon é um diligente e dedicado aprendiz, que cultua a virtude e combate os vícios que o desviam do rumo da perfeição. Nas nossas lojas buscamos aprender com os nossos irmãos a melhoria dos nossos edifícios interiores através da prática desses princípios: o exercício do amor, da tolerância, da humildade e da harmonia que deve reinar nas relações de todos os homens.

Cada Maçon é um aprendiz que tem ao seu lado um mestre pronto a ajudá-lo a rever a lição e aprimorar o ensinamento que lhe foi ministrado. Para que o aprendiz consiga abstrair em toda a sua essência o ensinamento a ele ministrado é preciso despir-se de capas e indumentárias que impedem essa evolução, por isto dizemos que um bom aprendiz consegue vencer as suas paixões e superar as suas vontades para crescer. Somente com espírito aberto e sem vontades que nos prendem aos vícios e máculas trazidos pelas más experiências conseguimos elevar as nossas mentes à boa aprendizagem e à evolução que buscamos. Para ingressar nas nossas fileiras o indivíduo precisa acreditar na existência de um princípio criador a quem chamamos de Deus, o Grande Arquitecto Do Universo. Isto engrandece o homem porque o coloca na senda da supremacia do amor, da concórdia, da paz e da rectidão de carácter.

Assim, é imprescindível que cada irmão admitido na maçonaria seja um homem plenamente renovado na sua forma de encarar o mundo e se relacionar com os demais indivíduos que convivam ao seu redor. Se não nos tornamos melhores quando ingressamos na nossa sublime ordem de nada adiantou o legado de lições que os nossos mestres nos transmitiram e terá sido em vão todo o tempo que dedicamos às nossas reflexões e todo o esforço que empreendemos na busca da verdade e da evolução dos nossos espíritos. Se não conseguimos desbastar a pedra bruta que há em nós e não nos tornamos pedra polida ou cúbica o erro terá sido nosso por não sermos férteis em virtude e não nos despimos das nossas vontades e as imperfeições das nossas almas terão vencido.

O escritor francês Saint-Exupéry legou-nos ensinamentos primorosos sobre o sentido da renovação que cada indivíduo precisa ter em consonância para crescer e evoluir. Renovar significa ser melhor a cada dia, abandonando os vícios da sociedade contemporânea como imediatismo, egoísmo, intolerância, concorrência desleal e hipocrisia. Todos temos a oportunidade de nos reinventarmos a cada dia. Somente quem tem vontade e disciplina consegue se renovar com a aprendizagem que a vida nos possibilita.

Adolfo Ribeiro Valadares

Um Comentário em “O homem e a renovação maçónica

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    Uma peça de arquitetura de excelente conteúdo filosófico.

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