O que é que a ciência nos pode ensinar sobre o racismo?

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Como estamos agora em um estado de agitação civil em alguns lugares e protestos pacíficos em muitos outros, parece que o racismo está na vanguarda da mente de todos. De facto, esta é uma questão muito real que está atrasada para resolução. Nós, como sociedade, precisamos de superar o racismo institucional e a indiferença generalizada às lutas muito reais enfrentadas pela comunidade negra na América.

A Masonic Philosophical Society é uma organização que valoriza não apenas a diversidade étnica, mas também abordar problemas com sabedoria e objectividade. Particularmente útil no exame de qualquer problema é saber do que podemos estar relativamente certos. A ciência é a fonte de maior certeza sobre qualquer assunto. No caso das questões trazidas à tona pela recente morte de George Floyd, o que é que a ciência nos pode dizer sobre o enviesamento racial?

A ciência do enviesamento racial

Grande parte da retórica sobre o racismo é que ele é aprendido, e que precisamos apenas desaprendê-lo. No entanto, se isso fosse totalmente verdade, como teria surgido em primeiro lugar? Embora certamente pareça verdade que o racismo é transmitido culturalmente de geração em geração, na verdade pode haver mais, de acordo com a ciência. Actualmente, a maior parte do racismo não é aberta ou mesmo necessariamente consciente, mas implícita e inconsciente, pelo menos na maioria das pessoas. Então, como é que este racismo inconsciente funciona?

Os psicólogos e os neurocientistas estudam cientificamente o preconceito racial há algum tempo, com muitas descobertas interessantes. Muito disto resume-se ao que muitos de nós já sabemos: todos nós carregamos preconceitos raciais implícitos, com os quais não nos identificamos conscientemente; contudo, de forma inconsciente, no entanto, tendemos a tratar as pessoas de maneira diferente com base na raça percebida dessa pessoa. Mas porquê?

As teorias de alguns especialistas são de que os nossos cérebros tendem a encontrar padrões e a categorizar automaticamente novas experiências ou informações de acordo com esses padrões, mesmo quando não é racional fazê-lo. Esta generalização torna-se uma profecia auto-realizável ou um ciclo de feedback, pois as pessoas de cor são tratadas de maneira diferente e por causa disso, vivem em maior pobreza, resultando em maiores taxas de criminalidade, e a generalização permanece. Este é um ciclo de que é muito difícil de escapar, a menos que façamos esforços conscientes para o alterar.

Portanto, com base nesta análise, podemos dizer que existe simultaneamente um componente cultural e neurológico. Sim, nós o herdamos da cultura, mas a razão pela qual ela se continua a perpetuar é por causa de tendências cognitivas relacionadas com o funcionamento dos nossos cérebros e, talvez, por que o fenómeno surgiu em primeiro lugar.

Empatia e raça

A minha experiência como homem branco com a maioria dos amigos e familiares brancos, levou-me a acreditar que a maioria dos brancos não odeia abertamente os negros, embora certamente tenhamos alguns dos preconceitos implícitos descritos acima, que esperamos fazer esforços para anular. Eu diria que o maior problema da nossa época não é apenas o racismo implícito, mas a relativa indiferença às lutas enfrentadas pela comunidade afro-americana entre muitas pessoas que se parecem comigo.

De certa forma, poder-se-ia dizer que este é realmente o maior problema que enfrentamos, porque é o que impede que sejam tomadas medidas para impedir que uma pequena minoria verdadeiramente odiosa faça o que faz para perseguir pessoas inocentes simplesmente por terem a pele negra, especialmente nas nossas forças policiais. Se mais pessoas estivessem seriamente preocupadas com isto, as coisas mudariam, o que, tenhamos esperança, é o que estamos vendo nos eventos actuais.

É aqui que outras pesquisas sobre raça e empatia se tornam muito interessantes. Essencialmente, o que foi observado foi que os ratos eram muito menos propensos a ajudar outros ratos que pareciam diferentes deles do que os que eram do seu “próprio tipo”. No entanto, os pesquisadores posteriormente adicionaram uma variável, na qual criaram os diferentes tipos de ratos juntos desde o nascimento, e o resultado foi que os ratos criados juntos tiveram a mesma probabilidade de se ajudarem uns aos outros.

A conclusão a tirar? Somos cautelosos com aqueles que são diferentes de nós, principalmente quando não estamos acostumados a eles. Em certo sentido, uma certa confiança deve ser construída no nosso cérebro, poder-se-ia dizer, passando um tempo com aqueles que parecem muito diferentes de nós; caso contrário, nós considerá-los-emos com maior cautela e medo potencial, especialmente quando os preconceitos culturais já nos predispõem a fazê-lo.

À procura de soluções

As boas notícias são que as partes do cérebro que estão primariamente envolvidas neste tipo de reacção são as partes mais básicas e instintivas, como a amígdala, o “centro do medo”. Esta área é activada automaticamente quando em alguns estudos, nos são mostradas fotos de pessoas que parecem muito diferentes de nós. A nossa capacidade de raciocínio mais elevada está localizada noutros lugares, como os lobos frontais, e tem a capacidade de substituir estes processos animalescos e automáticos, por meio de tomada de decisão de nível superior e esforço consciente, como muitas pessoas obviamente fizeram para se tornar menos racistas.

Compreender os factores biológicos subjacentes que contribuem para o racismo implícito e a falta de empatia pelas lutas negras pode ajudar-nos não apenas a superar este problema em nós mesmos, mas também a entender por que ele está lá em primeiro lugar. Em vez de julgar as pessoas por serem “más” ou “sem consciência” por se preocuparem menos com questões raciais do que deveriam, podemos entender que um déficit de empatia para com as pessoas que são consideradas diferentes de nós é um enviesamento natural que devemos fazer um esforço para superar.

A Maçonaria e a verdadeira igualdade

Neste caso, é de se admirar que muitas pessoas não se tenham esforçado para realizar esse trabalho interno, especialmente quando pouco na sua cultura o exigia deles? Todos devemos superar as tendências naturais, por exemplo, quando resistimos a coisas como ganância, luxúria, gula ou preguiça.

Realmente, isto é simplesmente um aspecto de ser uma pessoa moral e honesta. Poderíamos simplesmente acrescentar preconceito racial e indiferença a esta lista de tendências naturais problemáticas, e considerá-lo algo que devemos fazer um esforço consciente para superar, principalmente porque vidas estão em risco. Também podemos fazer um esforço consciente para diversificar os nossos grupos de amigos, a fim de estarmos menos inclinados a viver numa bolha apenas daqueles que se parecem connosco.

A Maçonaria e a promoção da Igualdade

Como Co-Maçons, é-nos pedido para superar as nossas paixões corporais e tendências prejudiciais, e para funcionar de acordo com um propósito mais elevado de aspiração ao conhecimento e à melhoria da humanidade. Podemos e devemos considerar superar os nossos preconceitos raciais como parte importante desse processo.

Estamos bem cientes da infeliz realidade histórica do passado e do presente da Maçonaria convencional (em alguns lugares), quando se trata de segregação ou exclusão racial. Embora sejamos uma instituição totalmente separada, gostaríamos de deixar claro a todos que a raça não é um factor que consideramos remotamente, quando se trata de aceitar novos Maçons nas nossas fileiras. Pessoas de todas as etnias, opiniões políticas, sexos e religiões são bem-vindas nos nossos templos.

Jonathan Dinsmore

Tradução de António Jorge

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One thought on “O que é que a ciência nos pode ensinar sobre o racismo?

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    Muito bom o texto, entretanto mesmo dentro da Maçonaria onde se prega a Igualdade e a Fraternidade, se vê o racismo! Uma prova muito clara do que digo é a Prince Hall nos Estados Unidos! No meu parco intendimento considero isto uma prova cabal de segregação racial. Aliás é lastimável que um povo que conseguiu atingir tanto progresso financeiro tenha um comportamento inverso aos cidadães afro descendentes e latino americanos que lá vivem! Não é lá também que temos a KKK? E é sabido que dentro deste grupo, existem Maçons! Mas esperamos que num futuro próximo, as névoas sejam dissipadas e que consigamos extirpar de nós a aversão ao que nos é diferente! Tenho dito!

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