O segredo nas Ordens Iniciáticas

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Os detractores das Ordens Iniciáticas costumam apontar o secretismo das suas práticas como indício de que tais práticas seriam necessariamente condenáveis.

A mente humana funciona por duas principais vias: a via da razão e a via da emoção. É a via da emoção a que produz as mais intensas marcas no consciente e no inconsciente das pessoas. Essas marcas afectam significativamente o estado mental do indivíduo – ora positivamente, ora negativamente.

No que concerne ao sistema nervoso central, por conta da neuro plasticidade, frequentemente acontecem alterações funcionais e produzem-se marcas estruturais no cérebro do iniciando. Por outras palavras, ocorrem modificações na forma com que  os neurónios se desenvolvem e se organizam fisicamente, bem como na forma como eles actuam. Como exemplo, certos factores de stress tendem a afectar o organismo do indivíduo produzindo transtornos de ansiedade e depressão que fazem o indivíduo sofrer e levam-no a comportar-se inadequadamente – o que aumenta ainda mais o seu sofrimento gerando-se destrutivos círculos viciosos com todos os males cumulativos que esses fenómenos acarretam.

Até aqui, neste trabalho, foram abordados alguns aspectos negativos dos estados emocionais. Entretanto, emoções há que produzem impactos benéficos naqueles que as experimentam. É este o caso daqueles indivíduos que passam por cerimónias praticadas em Ordens Iniciáticas em que determinados factores emocionais transformadores costumam ser produzidos, e vão actuar no sentido de transformar “bons indivíduos em indivíduos melhores” em beneficio de si mesmos e em benefício daqueles que o cercam no contexto em que eles existem.

Tais impactos emocionais ocorrem efectivamente quando a pessoa que está sendo iniciada experiencia em si o processo iniciático e percebe com total surpresa o que se está a passar. Isto só pode ocorrer quando ela não tem conhecimento prévio do que virá a acontecer. Daí o motivo de se preservar o segredo nos procedimentos das Ordens Iniciáticas.

Claro que este método pressupõe plena confiança do iniciando no processo a que vai ser submetido, bem como nas pessoas que irão levar esse método a efeito.

Luiz de Lucca Silva – Psicólogo / Engenheiro

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