Os dois coveiros da Maçonaria – Parte I

Nota: este artigo está escrito numa linguagem acutilante

Meus prezados Irmãos!

Meus amados irmãos Aprendizes e Companheiros!

Mais de uma década de rica experiência na Maçonaria, de convívio com pessoas que pensam e agem das mais diversas maneiras; de observação, pesquisa, investigação e busca incessante da verdade, permitiu-me identificar inúmeros tipos de maçons, dois dos quais são altamente deletérios à saúde da nossa sublime instituição, fonte dos seus principais problemas: o místico supersticioso e o vaidoso arrogante. Conhecer um pouco da personalidade destes dois impostores, existentes no nosso meio em razoável número, bem como as desordens psicológicas que definem o comportamento anormal e antimaçónico de ambos, é uma boa maneira de se proteger deles, em especial em situações em que não é fácil ou possível evitá-los.

Estou certo de que o presente trabalho será de grande valia para os irmãos mais novos, sobretudo para aqueles que ingressaram na nossa instituição com a mente cheia de pensamentos honestos e ideais elevados. Servirão também para fazer corar de vergonha aqueles que se enquadram na nossa análise, persuadidos de que estão a salvo dos olhares atentos de irmãos mais esclarecidos.

Parte I – O místico supersticioso

(O paraíso do idiota é o mundo de ilusões por ele criado)

Antes de iniciarmos a análise deste tipo de Maçom, seria interessante passarmos os olhos por alguns princípios fundamentais da Maçonaria que ele contraria ou ignora, total ou parcialmente:

  1. A Maçonaria não impõe limites á livre INVESTIGAÇÃO DA VERDADE e exige de todos a maior TOLERÂNCIA;
  2. A Maçonaria é acessível a homens de todas as CLASSES, CRENÇAS RELIGIOSAS E OPINIÕES POLÍTICAS, exceptuando-se aquelas que privem o homem da liberdade de consciência, restrinjam os direitos e a dignidade da pessoa humana, ou que exijam submissão incondicional aos seus chefes, ou, ainda, PRIVEM O HOMEM DA LIBERDADE DE MANIFESTAÇÃO DO PENSAMENTO;
  3. O objectivo da Maçonaria é COMBATER A IGNORÂNCIA em todas as suas modalidades;
  4. E o FANATISMO e as paixões que acarretam o OBSCURANTISMO [1]

I – Intolerância e mediocridade

Violador contumaz dos regulamentos acima, e de dezenas de outros que disciplinam as nossas relações, incluindo os Landmarks, o Maçom supersticioso é inimigo da verdade e amante da mentira. A facilidade com que se entrega aos encantos de certas imposturas – algumas fabricadas por bárbaros e alucinados que viveram na Idade do Bronze–, chega, em alguns casos, a ser revoltante. Preguiçoso mental por excelência – característica notória de todo indivíduo supersticioso –, ele nunca se dá ao trabalho de investigar o que lhe apregoam ou as falsidades que instila deliberadamente na própria cabeça, permanentemente cheia de minhocas e voltada (Publicado em freemason.pt) para o mundo das coisas extravagantes. Ele absorve dogmas, fábulas e teorias mirabolantes sem jamais submetê-las ao crivo da razão. Quanto mais fantástico e absurdo é o mito que lhe apregoam, mais fácil e avidamente ele o devora. Para ele as coisas irreais valem mais do que as reais; as invisíveis, mais do que as visíveis. Runas, mantras, chacras, cristais, sefirotes, bruxedos, pentagramas e amuletos valem mais do que pontes, pomares, diques, vacinas, adubos, medicamentos, escolas, asilos, Filosofia, Matemática, Medicina etc. A Ciência não é objecto das suas preocupações, a Filosofia aborrece-o e da realidade ele foge como a barata das cerdas de uma vassoura. São coisas incompatíveis com o seu cérebro indolente e obscuro, porque a Ciência requer investigação, a Filosofia exige estudo e reflexão e a realidade não combina com a covardia. No seu tosco entendimento, estes assuntos maçantes devem ser deixados a cargo dos desprezíveis materialistas, indivíduos afastados de deus.

O Maçom supersticioso não vê com bons olhos o progresso da Ciência e raro é o que têm respeito pelos irmãos que só aceitam o que ela ensina e a experiência confirma. Nestes costuma lançar a pecha de ateus, ímpios, descrentes e outros termos rebaixados, cujas etimologias muitas vezes nem conhece. Autênticas e dignas de louvor são para ele apenas a confissão religiosa que professa, as quimeras que fermentam no seu cérebro, e as divindades nas quais crê. Tudo o mais ele rechaça como coisa vil e falsa.

Quais são os ídolos do Maçom supersticioso? Os irmãos Francisco Miranda, George Washington, Simon Bolívar, San Martin e Gonçalves Ledo, que sacudiram o jugo do colonialismo e libertaram o continente americano dos seus opressores europeus? Não, são os impostores Cagliostro e Saint-Germain, dois assíduos frequentadores de cadeias que perambulavam pela Europa no séc. XVIII, aplicando golpes por onde passavam! Por estes nutre um amor todo especial, ainda que nas suas respectivas folhas de serviço não conste o registo de um único acto comprovado praticado em prol da humanidade.

Em quem se espelha este tipo de Maçom? Nos irmãos Tomas Jefferson, Tomas Paine e Lafayette, que fundaram a nação mais poderosa e próspera do planeta, os Estados Unidos da América? Talvez ele nem saiba quem foram esses três gigantes! A sua preferência é por gente ignota, paspalha e sem biografia, tais como Martinez de Pasqually e o Barão de Tschouldy, dois impostores que inundaram a coreografia maçónica de graus fraudulentos!

Quais são os “líderes espirituais” do nosso Maçom? Algum filósofo que contribuiu para içar a humanidade das trevas da ignorância, abrindo-lhe as alamedas do progresso, tais como os irmãos Montesquieu e Voltaire? Não, são os visionários Emmanuel Swedemborg e Luís Claude de Saint-Martin, que nos seus livros descreveram os mistérios da criação com a mesma autoridade que algumas doses de aguardente confere a um bêbado, que diz o que lhe vem à cabeça quando fica fora de si!

Às palavras de quem, dá o nosso personagem crédito? Às que se encontram nas páginas monumentais deixadas pelos cientistas maçons Alexander von Humboldt e Samuel Hahnemann? Não, interessam-se mais pelas depravações saídas da pena de libertinos como Charles Leadbeater e Aleister Crowley, dois notórios maníacos!

Quais são os poetas preferidos do Maçom em exame? Os imortais e insignes irmãos Pushkin, Lessing e Goethe? Não, conhece-os apenas pelo nome, quando os conhece! Em compensação, tem na ponta da língua cada parágrafo escrito pelos impostores e visionários Eliphas Levi, Papus, Madame Blavastky e Anne Besant, que poluíram a Maçonaria com as suas teorias absurdas!

Quais são as preferências musicais deste nosso irmão sonhador? Alguma sinfonia composta pelos irmãos Haydn, Liszt ou Mozart? Não, prefere ouvir ruídos electrónicos conhecidos no mercado como música New Age, ou, opcionalmente, compassos repetitivos e distorcidos produzidos pela cítara de algum faquir esquelético!

Que livros figuram na estante do Maçom supersticioso? Algum escrito pelos luminares maçons Franklin, D´Alembert e Knigge? Não, prefere orná-la com engendros sensacionalistas e inúteis do tipo Conceito Rosa-Cruz do Cosmos (Max Heindel), O Casamento Alquímico de Christian Rozencreutz (autor desconhecido), A Força Oculta (Helena P. Blavatsky), Dogma e Ritual da Alta Magia (Eliphas Levi), Eram os (Publicado em freemason.pt) Deuses Astronautas (Erich von Daniken), O Despertar dos Mágicos (Jacques Bergier e Louis Pauwels) e outros lixos congéneres que usa para adubar diariamente o jardim do mundo de ilusões em que vive!

O que é comum encontrarmos na cabeceira da cama onde se deita o nosso Maçom, quando ele nos convida para conhecer a sua residência? Algum livro útil que fortaleça as funções do cérebro? Alguma obra que aperfeiçoe e aguce o raciocínio? Algum material útil à sociedade e ao progresso do país? Não, mais fácil é acharmos amuletos de toda a natureza ou, como eu mesmo já tive oportunidade de presenciar, copos contendo pedaços de cristais imersos em água, cuja função é, segundo ele, atrair “vibrações positivas” e as “forças cósmicas do Universo” [2].

Inconsciente da sua própria pequenez, incapaz de enxergar um palmo na frente dos olhos embotados pelo véu da ignorância, ao discorrer sobre os enigmas da criação o Maçom supersticioso acaba revelando-se uma criança atrevida, quando não um perfeito idiota. Ele fala da criação dos mundos com uma fluência tal que torna difícil conter o riso. Da maneira como descreve o Grande Arquitecto Universo, chega a passar a impressão de ser o próprio, ou pelo menos de alguém com quem diariamente toma um trago no bar da esquina. No íntimo, ele não crê nem aplica os pontos das doutrinas quiméricas que apregoa, sobretudo aqueles que versam sobre a prestação de ajuda aos pobres. Raro é o que não se omite nesse particular. Ele costuma deixar a máscara cair quando um irmão necessitado solicita a sua ajuda ou uma criança pobre aparece-lhe na frente mendigando algo para comer ou para se vestir.

II – Lixeiros e Mercadores de Ilusões

O Maçom supersticioso age como lixeiro na Maçonaria, só que de maneira inversa ao do valoroso funcionário do serviço público de limpeza, que cuida do asseio das nossas ruas. Traz para dentro da sua Loja toda a porcaria que consegue catar no esterco místico da sociedade, para fortalecer as suas arengas, conquistar sequazes, e gente com quem partilhar as suas fantasias excêntricas. Se a Loja dispõe de uma biblioteca, ele logo a transforma em depósito de lixo, numa réplica quase idêntica à que possui em casa, entulhando-a com títulos iguais ou semelhantes aos citados lá atrás.

Por fanatismo, inocência, ou mesmo princípio de loucura, o nosso personagem age assim porque julga ser uma criatura especial, um verdadeiro “iniciado”, um iluminado com missão divina na Terra, quando na verdade não passa de um desequilibrado emocional, de um visionário movido por “delírios de poder”, de um infeliz que nutre certo desprezo pela vida na Terra. O seu comportamento proselitista, contrário ao regulamento que proíbe toda e qualquer discussão de carácter político ou religioso em Loja, compromete o maior tesouro que a Maçonaria “ainda” possui, único no planeta, que é o de poder reunir, sob um mesmo tecto, irmãos de todas as nacionalidades, etnias e religiões.

Ao lado deste irmão não poderia faltar, é claro, o omnipresente mercador de ilusões, o Maçom falsário que vive com ele em permanente estado de simbiose, que lucra com a sua credulidade. Este embusteiro começa a sua carreira na Maçonaria construindo pacientemente uma auréola mística em torno de si, deixando transparecer aos desavisados ser um homem sábio e virtuoso, de ser o “conhecedor da verdadeira Maçonaria”. A sua única intenção é mais tarde colocar à venda no mercado as porcarias que vai escrever com a sua pena fraudulenta, a partir de concepções quiméricas geradas nos antros obscuros do seu cérebro ou de material sensacionalista publicado dentro e fora do país. Mais do que lixeiro, o mercador de ilusões actua na Maçonaria da mesma forma que o proxeneta na zona do baixo meretrício. Não há nada que fique a salvo das suas prostituições: a nossa filosofia maçónica de vida, os nossos símbolos, as nossas reuniões, as nossas alegorias, as nossas comemorações, os nossos banquetes e, lamentavelmente, os nossos irmãos Aprendizes e Companheiros. Estes são as suas maiores vítimas, pois enquanto não (Publicado em freemason.pt) adquirem resistência intelectual e conhecimentos maçónicos suficientes para rechaçarem as suas imposturas (alguns não adquirem nunca!), eles as assumem como verdades sublimes e, o que é pior, passam a apregoá-las por toda a parte como tais, inclusive no mundo profano, expondo a nossa instituição ao ridículo. Em tudo este defraudador põe o seu dedo ruinoso para corromper e mistificar, jamais se lembrando, porém, de usá-lo para ressaltar o real, simples, mas magnânimo propósito das nossas alegorias, QUE É O DE FAZER COM QUE O MAÇOM (pedreiro por definição) JAMAIS SE ESQUEÇA DO SEU PAPEL DE CONSTRUTOR SOCIAL. Com o tempo, palavra dele vai adquirindo ares de autoridade e os erros que dissemina nas calamidades que escreve passam a triunfar sobre a verdade.

III – Comportamento e actuação como Mestre Maçom

Como Mestre este tipo de Maçom desencoraja a livre e sadia investigação dos factos, de modo a fazer com que os Aprendizes e Companheiros assumam como verdadeiras as suas ridículas superstições. Por ser um zero intelectual, costuma tratá-los como crianças, apregoando-lhes pseudociências, anedotas místicas pueris, e bobagens de fácil assimilação. Só recebem o seu aplauso os trabalhos que estiverem floreados com as quimeras com as quais está de acordo. Ao mesmo tempo opõe-se aos Mestres que se esforçam para lhes ministrar ensinamentos maçónicos úteis. Ele demonstra a sua estupidez quando é questionado a respeito das doutrinas que tenta propagar em Loja. Quando não as ignora por completo, como é de praxe, conhece-as muito superficialmente, limitando-se apenas a repetir chavões já gastos soprados no seu ouvido por outros visionários tão ou mais ingénuos do que ele. Com frequência, e às vezes sem se dar conta do desrespeito com que o faz, o Maçom supersticioso costuma inserir os seus irmãos no âmbito das suas fantasias místicas particulares, negando esse mesmo direito aos outros quando está no seu poder fazê-lo. Como orador, ou mesmo quando pede a palavra nas reuniões, é quase sempre para arengar uma impostura que absorveu sem exame ou uma frase feita colhida em algum dos “livros” que enumeramos há pouco. Como Venerável, recorre com frequência ao expediente arbitrário da censura para defender da destruição uma fábula qualquer que cultiva no cérebro, ou mesmo para silenciar um irmão que tente incinerá-la com a tocha da razão. Por fim, o Maçom supersticioso tem carinho especial pelas “verdades reveladas” que, a rigor, nada mais são do que anedotas destituídas de sentido impressas em papel pintado, transmitidas em sonho por criaturas do além a um número selecto e reduzido de bárbaros que supostamente viveram nos pródromos da civilização. Este amor é de certa forma compreensível porque, primeiro, essas “verdades” são brechas que facilitam o enxerto de imposturas (de fabricação própria ou de terceiros) nas nossas alegorias e manuais de instrução; segundo porque os rituais de alguns “altos graus”, que ele assume como maçónicos, acham-se repletos delas, de forma velada ou explícita, o que pode encorajar o seu “instinto reformador” a torná-los ainda mais fraudulentos do que já são, se estiver no seu poder fazê-lo, tal como muitas vezes ocorreu no passado; terceiro porque elas permitem-no transformar a Maçonaria – pelo menos na sua imaginação –, numa espécie de local de culto particular, em apêndice de alguma religião que o frustra ou frustrou. Quando se compara os rituais modernos com os originais – ou mesmo os actuais em circulação–, nota-se de imediato a enorme quantidade de invencionices grosseiras que foram sendo introduzidas ao longo dos anos por impostores como Cagliostro, Saint-Martin, Fessler, Willermoz e outros, de modo a adequá-los às suas personalidades excêntricas. Não é demais sublinhar aqui que essas “verdades reveladas”, que se esfarelam facilmente quando recebem o bafejo de um raciocínio bem aplicado, durante séculos foram empregadas para atrasar a marcha da Ciência, cobrir o planeta de místicos e monges inúteis; escravizar a humanidade; derramar rios de sangue e lágrimas; encher o mundo de órfãos e viúvas, inventar instrumentos de tortura e dor; destruir civilizações inteiras, acender as chamas da perseguição; encarcerar cientistas, investigadores, poetas e filósofos honestos (muitos maçons); promover guerras; atiçar levantes sangrentos; semear o ódio e fazer milhares de vítimas por toda parte.

IV – Prejuízos à Maçonaria

Esta fé que nos ordena crer cegamente no que nos dizem, que não permite o emprego da razão, é a fé do ignorante; ou do estúpido que se converte em fácil instrumento dos demais. O homem que não estuda o que não compreende, que aceita sem exame o que lhe dizem, degenera a sua condição, igualando-se ao bruto.

(Ritual do Grau 18º – Cavaleiro Rosa Cruz – Rito Escocês Antigo e Aceito)

A fé no desconhecido é património da ignorância.

(Ritual do Grau 19º – Grande Pontífice – Rito Escocês Antigo e Aceito)

O Maçom supersticioso difere do obscurantista religioso apenas na arte da dissimulação e no que diz respeito aos seus objectos de culto. Ambos são inimigos da liberdade de expressão e amigos da censura e da arbitrariedade: o primeiro no íntimo e o segundo de forma manifesta. No resto, são iguais em quase tudo.

Julgando-se acima da lei, o nosso personagem não compreende que para que a “Fraternidade dos Maçons Livres e Aceitos” continue merecendo assim ser denominada e funcionando, é mister que os seus membros guardem para si as suas fantasias e crenças particulares, bem como respeitem outras formas de fé e maneiras de pensar, tal como mandam os nossos regulamentos. Teimoso, intolerante e insolente, ele chega às vezes ao extremo de agir como um velho decrépito, não importando a sua idade e o ridículo que o seu comportamento (Publicado em freemason.pt) suscita. Em qualquer esfera da vida, ante um facto novo e incontestável, uma descoberta científica que lança por terra uma quimera que fermenta no seu cérebro, ele passa a odiar o facto e, sobretudo quem o descobriu. Na Maçonaria, procede de modo idêntico: mesmo estando demonstrada a incompatibilidade das suas concepções com a realidade, com a história e filosofia maçónicas, continua a defendê-las com unhas e dentes, caso creia nelas. De maneira alguma se curva às evidências e aos factos, que falam mais alto do que qualquer opinião.

Os Landmarks 19, 20 e 21, que estabelecem, respectivamente, a obrigatoriedade do Maçom crer num “princípio criador”, crer numa vida futura, e crer nas verdades reveladas por algum “Livro da Lei”, parecem ser os únicos regulamentos que o nosso Maçom costuma obedecer, ou melhor, supõe-se que o faça, pois não há como saber no quê ele realmente crê na intimidade, sobretudo se for um hipócrita. E hipocrisia é o que não falta no meio religioso [3]. Além do mais, como são bastante vagos nesses três pontos, esses Landmarks obsoletos – que por estarem em frontal contradição com a liberdade de pensamento há muito tempo já deveriam ter sido suprimidos–, podem ser interpretados de inúmeras maneiras e, por isso mesmo, serem empregados para impor o arbítrio a um irmão que professa uma crença incomum (ou nenhuma), censurar concepções a respeito da vida além-túmulo diferentes das que estão na moda, criticar o que alguns entendem como “revelação” e, ainda, anatematizar grupos religiosos minoritários que manifestem as suas crenças particulares, ainda que de maneira honesta. Tente o leitor afirmar, por exemplo, que crê num deus diferente do judaico-cristão e observe o semblante de desaprovação do Maçom em exame! Melhor ainda, diga com ar de seriedade que crê nos deuses indianos (Brahma, Ganesha, Xiva etc.) e veja o como o seu rosto se retorce! Teste a tolerância que ele diz praticar rejeitando a Bíblia como “Livro da Lei” e exigindo a sua substituição pelo Alcorão! Questione os dogmas e os sofismas que ele apregoa em Loja dirigindo-lhe uma pergunta bem simples: com que autoridade afirma isso? Peça pelas credenciais dos impostores cujas doutrinas abraçou e observe o seu tartamudear!

Com raras excepções e em inúmeros particulares, todo Maçom supersticioso é um ser nocivo à Maçonaria, não importando que seja um cidadão de boa índole e honesto. A sua mentalidade irracional, a sua intolerância, a sua mediocridade, o seu desprezo pela Filosofia, os seus incontroláveis impulsos proselitistas, terminam por afugentar irmãos sóbrios e esclarecidos, causando um prejuízo incalculável à nossa instituição. Por serem incapazes de conviver em harmonia com a diversidade, estes maçons buscam a companhia somente daqueles que crêem nos mesmos devaneios místicos; que padecem dos mesmos preconceitos e desordens psicológicas. Com o tempo passam a constituir grupelhos de gente hipócrita e insuportável, excluindo das suas relações irmãos que cultivam valores com os quais não estão habituados, sobretudo aqueles que utilizam a Razão como guia e a Filosofia como farol nos caminhos da vida. Depois, fundam Lojas não para trabalharem em prol da sociedade, da nação, da família, e de si mesmos, mas para se entupirem de crendices e falsidades, prostituírem os objectivos da nossa Veneranda Instituição, e se imbecilizarem mutuamente.

(Ir para a Parte II)

Ricardo Vidal

Fonte

Notas

[1] Ritual do Simbolismo do Aprendiz Maçom do Rito Escocês Antigo e Aceito, págs.1-2. (Grande Loja Maçónica do Estado de São Paulo-GLESP).

[2] E também fêmeas de insectos e mosquitos transmissores de pragas e doenças contagiosas.

[3] É mais fácil fazermos passar um camelo pelo buraco de uma agulha do que encontrarmos um crente que já se deu o trabalho de estudar o livro sagrado do credo que abraçou (ou que lhe foi imposto), usado geralmente como enfeite em prateleiras.

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