Os verdadeiros segredos da Maçonaria

Imagino que não seria um choque para si se eu dissesse que uma percentagem significativa da população profana acredita que nós governamos, ou a certa altura, governámos o mundo. Foi sugerido por aqueles sem filiação maçónica que mantivemos e mantemos um vasto conhecimento secreto necessário para dirigir e governar a cega população da nação.

Por mais que me doa dizer-lhe, não estou sentado na minha propriedade palaciana, vendo o meu leal escriba registar estas anotações. Nós não dominamos o mundo. Francamente, eu nem domino em minha casa; é o meu recém-nascido que o faz. Isto, no entanto, não significa que não haja segredos poderosos mantidos entre os Irmãos na Maçonaria.

Num artigo anterior, escrevi sobre as intenções por detrás do nosso segredo. Discuti a minha crença de que, em parte, mantemos segredos para ensinar lições codificadas num formato específico. Também reconheci que alguns segredos são mantidos quanto aos modos de reconhecimento, para que possamos conhecer um Maçom quando nos deparamos com um. Mas, além disto, ainda sinto que existem segredos cada vez mais críticos que mantemos, que nos tornam quem somos, não apenas como Maçons, mas como Irmãos.

Eu pergunto, quais são os segredos da Maçonaria?

Recentemente, numa discussão on-line entre Irmãos, tive a oportunidade de exibir o novo autocolante com o Esquadro e o Compasso, que tenho no meu jipe. Comentei como era reconfortante poder mostrar aos Irmãos, uma foto de toda a traseira do jipe sem ter de desfocar a minha placa de matrícula. Da mesma forma, sei que poderia mostrar uma foto da minha recém-nascida sem a submeter a lascívia.

Neste mundo cada vez mais profano, a confiança que se mantém entre os Irmãos nunca foi tão crítica – tão valiosa. Esta confiança é o salário real que recebemos pelos nossos trabalhos.

Os meus Irmãos conhecem e continuarão a conhecer as minhas maiores forças e as minhas maiores fraquezas, porque me sinto capaz de ser aberto e honesto com eles. Não tenho gosto por maus-tratos. Eu nunca poderia ser tão genuíno com um grupo de indivíduos que poderia monetizar ou utilizar essas falhas para os seus propósitos. Somos obrigados a dar e receber conselhos sábios. Ainda assim, sem a capacidade de nos apresentarmos como somos, facilitada pelo sigilo entre nós, nunca teríamos a oportunidade de o fazer.

Um último exemplo: conheço um Irmão cujo chefe é membro da Loja. Imagine a turbulência que isso poderia impor se você não dependesse do sigilo; se você tivesse que temer a revelação! Se o meu chefe pede para aderir à Loja, e eu sei que ele é doentio, sinto-me seguro ao apresentar uma recomendação desfavorável. Sei também que posso falar sobre os meus defeitos entre meus Irmãos sem ter de os ouvir repetidos ao tomar café, no escritório, na manhã seguinte. Onde mais nesta Terra nos poderíamos comportar de forma semelhante?

Este sigilo gera confiança e entendimento. Você conhece-me melhor para meu conforto. Sei que, se posso confiar a si as minhas inseguranças, posso confiar a si os meus pertences. Fora do Templo da Lodge, você pode encontrar o meu laptop, a minha carteira e as chaves do meu carro. Eu não os deixaria sem vigilância em qualquer outro lugar.

Tudo isto é para ilustrar um facto bastante directo: os maiores segredos que mantemos não são os que ocultamos do mundo; são os que mantemos, uns sobre os outros.

Matthew Taheri

Tradução de António Jorge

Fonte

  • Midnight Freemasons

Artigos relacionados

Partilhe este Artigo:

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *