Solidariedade

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Encontro-me perante vós para apresentar um trabalho sobre um dos nossos valores enquanto maçons, a Solidariedade.

Tal como definida no dicionário, a solidariedade deriva da sufixação da palavra solidário e tem vários significados como:

  • “sentimento que impele o indivíduo a prestar auxílio moral ou material a outrem”,
  • ou “responsabilidade mútua entre os membros de uma comunidade, classe, empresa”,

Ainda no dicionário, na definição da palavra base de solidariedade, a palavra solidário, pode ler-se:

  • que no direito é entendida como a obrigação de todas as partes perante uma situação
  • que apoia ou está de acordo com outrem por interesses, ou ideias comuns
  • que depende um do outro

Como definido, a solidariedade tem como principal característica a de necessitar de mais que uma entidade (pessoa, ou objecto) para que possa existir. É, no meu entender, a força que une e dirige os esforços dos solidários na direcção do seu objectivo.

É esta necessidade de mais que um participante que é, também no meu entender, a grande diferença entre solidariedade e caridade. Sendo que caridade, em traços muito gerais e apenas realçando aquilo que a diferencia da solidariedade, a satisfação de uma ou mais necessidades de outrem, por um indivíduo, mas sem que este espere um retorno do que fez, por parte do destinatário das suas acções. solidariedade e caridade e outro ponto importante da sua existência. Na caridade, quem oferece tem um papel primordial ou de alguma superioridade, porque é quem realiza a acção e não tem a mesma carência que quem recebe, mas na solidariedade a importância de todos os actores, ou partes, é igual, dado que se algum deixar de participar, deixa de existir a solidariedade e cada um se torna independente ou divergente. O equilíbrio de importância de cada um advém também do facto de que nenhum ainda atingiu o seu objectivo ou satisfez totalmente a necessidade pela qual se tornou solidário.

Permitam-me que vos ilustre o que acabei de dizer, com uma frase de que gosto especialmente, da qual desconheço o autor e que ouvi do nosso I:. António V., “Para que uma amizade se mantenha é bom que vá e venha” e também com a definição, na religião católica em relação ao casamento como sendo o sacramento pelo qual duas pessoas se transformam numa só.

No primeiro exemplo realça-se o aspecto de igualdade entre os intervenientes e a necessidade que todos participem na acção para atingir o objectivo.

O segundo realça o espírito de comunhão de objectivos e de vontade de os atingir e da indivisibilidade dos solidários.

É de notar que, as organizações de caracter socio-caritativo mais actuais têm vindo a incluir no seu modo de praticar a caridade estes princípios da solidariedade, para promover a integração de quem apoiam nas sociedades onde pertencem.

Se considerarmos a definição utilizada na física em que dois corpos se dizem solidários quando a distância entre quaisquer dois pontos não varia com a aplicação de forças exteriores então, e considerando que um esquadro pode ser observado como duas réguas, que solidariamente formam um ângulo recto entre si a solidariedade trás às réguas isoladas a dimensão de justiça e de correcção ou rectidão do caminho determinado pelas réguas. que a solidariedade é o que permite a duas peças independentes se unirem em um ponto e assim formarem o compasso. O compasso ilustra de forma especialmente marcante o poder da solidariedade e as condições para que exista, pois, nos compassos habitualmente construídos é possível afastar ou aproximar as suas “pernas”, mas unicamente quando estas estão fixas entre si, portanto solidárias, é que é possível utilizar o compasso como ferramenta fundamental do geómetra e desenhar o círculo, medir os ângulos ou definir qualquer uma das figuras geométricas regulares, como o triângulo, o quadrado, ou o pentágono (figuras de especial significado para o maçon e em particular para o C∴ M∴ uma vez que a Geometria é uma das ciências a que este deve dedicar-se nos seus estudos).

A Solidariedade, apesar de, como já descrito, ser um resultado da união entre duas entidades, não deixa contudo de permitir que estas mantenham a sua identidade ou forma. Assim como dentro de um objecto existem átomos que se movem, também nas relações entre pessoas estas não perdem a sua liberdade e mantêm a sua capacidade individual, potenciando pela comunhão de interesses com outros a sua capacidade de atingir objectivos comuns.

Pensemos na romã e na corda de nós, dois símbolos da solidariedade maçónica e onde a união e a individualidade de cada um estão perfeitamente representadas. A romã, só é romã quando todos os seus bagos estão juntos e íntegros. Cada bago representa um maçon livre e unido aos seus irmãos através dos valores e ideais. Na corda, cada nó representa também um maçon, unido a todos os outros, em que a abertura da corda no ocidente representa o dinamismo da maçonaria, a capacidade de evolução e do aperfeiçoamento do Homem e da humanidade.

Como saber se uma ligação é forte o suficiente? Como definir se uma ligação é forte para se chamar sólida?

Não sei!!!

Certamente que cada caso é um caso, mas permitam- me que vos deixe a forma como os engenheiros mecânicos consideram que uma ligação entre duas peças é “boa”. Uma ligação é boa quando a sua força/ integridade é pelo menos tão robusta como cada uma das peças individualmente. Ou seja, não é pela ligação que a união vai “partir”.

Agora que penso que defini e ilustrei suficientemente a Solidariedade e o que envolve, tentarei particularizar alguns pormenores no universo maçónico.

Uma das nossas obrigações ou objectivos, enquanto maçons é o de promover, através dos nossos actos, uma sociedade mais justa, equilibrada, melhor.

No mundo em que estamos inseridos isso significa o dever de apoiar os que necessitam. Praticar a caridade com estes é um dever com o qual todos devemos estar solidários. Faço aqui um pequeno parêntesis para referir um ponto que me parece muitas vezes mal interpretado. Praticar a caridade não se esgota na oferta de dinheiro, ou outros bens como roupa e comida, muito pelo contrário, tem na minha opinião, o seu verdadeiro sentido quando damos aquilo que de mais nenhuma forma poderemos recuperar, o nosso tempo. Quando despendemos o nosso tempo a perceber as necessidades, a utilizar as nossas capacidades e conhecimento em prol da satisfação das necessidades de outro.

Na nossa ordem em especial, a nossa obrigação solidária para com os nossos irmãos implica a disponibilidade e o voluntarismo de cada um para contribuir, honesta e humildemente para o desenvolvimento e aperfeiçoamento do próximo.

Próximo é aquele que está ao nosso lado nos objectivos maçónicos.

Primeiro o que está na cadeira ao lado, o que está na loja, o que está na loja vizinha, o que é nosso irmão, qualquer um (porque o verdadeiro maçon, antes de o ser já o era)…

Sendo o desígnio da nossa ordem melhorar cada indivíduo e assim melhorar a comunidade, num efeito de bola de neve ou contágio, então estamos obrigados pelo juramento maçónico a ser solidários, a prestar auxílio, apoio, a ajudar, como já referi, os que nos estão próximos com a certeza que tal acção será propagada e assim atingiremos o nosso fim.

Não esqueçamos que não somos seres isolados e que o nosso próprio percurso depende das ligações que estabelecemos, dos apoios e influências que recebemos dos que nos são próximos e que connosco comungam de ideais e valores, mas também da forma como lidamos com os que têm ideias distintas.

Concluo com a convicção que a Solidariedade é apenas uma ferramenta, uma “cola”, uma “solda” que nos junta na persecução de objectivos, não sendo uma coisa boa ou má, nem nos fazendo melhores ou piores. São os objectivos e valores que partilhamos e em torno dos quais nos solidarizamos que nos definirão como bons ou maus.

A. J.

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