O Painel do Grau de Aprendiz

Quadro de Loja do Grau de Aprendiz, traçado com Giz

O PAINEL DO GRAU DE APRENDIZ é composto por duas Colunas, uma Porta, à qual conduzem três Degraus, sendo estes seguidos de um Adro em Mosaico. Compõem-na, também, três Janelas, uma Pedra Bruta e uma Pedra Cúbica pontiaguda. Também estão ali retratados o Sol, a Lua, o Esquadro, o Compasso, a Perpendicular, o Nível, o Malhete, o Cinzel e a Prancha de traçar. Uma corda com sete nós emoldura este Painel.

Passemos então ao significado de cada um dos símbolos que o decoram.

AS DUAS COLUNAS, que significam a Beleza e a Força, ficam respectivamente à direita e à esquerda da entrada do Templo, sendo a coluna do Aprendiz a da Força.

Relacionadas à construção do Templo de Salomão, diante do qual Hiram Abiff as construiu, simbolizam os limites do mundo profano. Não se pode conceber a J∴ sem a coluna B∴, assim como não se concebe o calor sem o frio; a luz sem as trevas; o som sem o silêncio.

As duas colunas são encimadas por três Romãs entreabertas.

A Romã pode ter diversos significados, tais como a caridade, que contém tantas virtudes, assim como este fruto possui tantos grãos; a humildade, ao esconder sob a sua casca grãos tão suculentos; e, ainda, como representante da fecundidade, da geração e da riqueza.

OS TRÊS DEGRAUS caracterizam a passagem do Aprendiz do mundo profano para o plano iniciático. Estes degraus representam, sucessivamente, os planos físico, o astral e o mental, que correspondem à divisão do ser humano em corpo, alma e espírito.

Ao chegar ao terceiro degrau, o Iniciado depara com uma porta fechada, que se abre sozinha diante dele, caso ele seja digno de entrar.

Os três degraus do Templo Maçónico, no grau de Aprendiz, mostram os esforços que este deve fazer para se libertar do plano físico, primeiro e, depois, do plano astral, que ele deve ultrapassar e, enfim, a sua ascensão aos planos superiores.

A PORTA do Templo, que se abre num muro encimado por um frontão triangular e sobre o qual se vê um compasso com as pontas voltadas para cima, situa-se entre as Duas Colunas.

Simbolicamente, a Porta do Templo deve ser muito baixa para que o Profano, ao ingressar no Templo tenha de curvar-se, não em sinal de humildade, mas para assinalar a dificuldade da passagem do mundo profano para o plano iniciático.

O PISO MOSAICO caracteriza a variedade do solo terrestre, formado de pedras brancas e pretas unidas por um mesmo cimento. Simboliza a união de todos os Maçons do Globo, apesar da diferença das cores, dos climas e das opiniões políticas e religiosas. Pode-se dizer que o Piso Mosaico continua, no Templo, o binário das duas Colunas, podendo-se concluir que o Maçon, assim como o profano, está sujeito aos rigores da lei dos contrastes.

Trevas e Luzes estão ligadas no Piso Mosaico. Elas estão juntas, se considerarmos as fileiras de lajes. Entretanto, os traços virtuais que as separam formam um caminho rectilíneo, tendo o branco e o preto ora à direita, ora à esquerda. Estas linhas são o caminho do Maçon que deve elevar-se acima da moral comum.

Estas linhas não aparecem aos olhos dos profanos. Eles nada mais enxergam do que lajes brancas e pretas, passando alternativamente do branco para o negro e do negro para o branco.

O Iniciado, ao contrário, segue a via estreita e passa entre o preto e branco, que não constituem obstáculos à sua caminhada. A estreiteza do caminho mostra, por si só, que não pode ser este o caminho do profano.

As TRÊS JANELAS que figuram no Painel do Aprendiz representam as Três Portas do Templo de Salomão e estão assim situadas: a primeira no Oriente, a segunda no Meio-Dia e a terceira no Ocidente.

Nota-se, portanto, que nenhuma Janela se abre para o Norte.

Os Maçons sempre construíram os Templos com a entrada para o Ocidente, de modo que as janelas seguem a marcha do Sol. E como o Sol não passa pelo Norte, não existe janela ali.

A Janela do Oriente traz a doçura da aurora, a sua renovação de actividade; a do Meio-Dia, a força e o calor; a do Ocidente dá uma luz que, à medida que se torna mais fraca, convida ao repouso.

O COMPASSO que se abre para cima implica num estudo racional, não da terra ou dos factos objectivamente contestáveis, mas do Céu, implicando, portanto, numa investigação rigorosa e precisa dos princípios abstractos.

Quando o compasso se encontra na posição normal, isto é, com as pontas voltadas para baixo, representa o brilho que emana da razão para apreciar os factos, para medir a relação existente entre o eu e o não-eu, entre o subjectivo e o objectivo, entre o abstracto e o concreto.

Como está representado no Painel do Aprendiz, demonstra a acção cósmica universal do Maçon e o seu brilho depois de uma acção suficiente sobre ele próprio.

A PEDRA BRUTA simboliza as imperfeições do espírito e do coração que o Maçon se deve esforçar por corrigir.

Pode-se também dizer que a Pedra Bruta representa a Liberdade, eis que o profano, na sua cerimónia de iniciação, pede a Luz, e a Loja, justa e perfeita, proporciona-lhe essa Luz, libertando-o iniciaticamente da servidão e de tudo o que a Sociedade lhe proporcionou de artificial e de mau, reencontrando tudo o que ela lhe tirou de espontâneo e de bom. O neófito, então, simbolizará a sua liberdade por uma Pedra Bruta, com a qual ele se identificará e desbastará com os instrumentos que lhe serão fornecidos, tornando-a perfeita e imprimindo-lhe um carácter de personalidade que será seu e único.

A PEDRA CÚBICA PONTIAGUDA é um cubo com uma pirâmide superposta, cujo simbolismo se acrescenta ao primeiro.

Esta Pedra, embora figure no Painel do Aprendiz, está ligada ao Grau de Companheiro.

O SOL e a LUA são vistos ao alto do Painel do Aprendiz.

O Sol, activo, fica à direita, ao lado da Coluna J.:, e a Lua, passiva, à esquerda, ao lado da Coluna B∴

Os trabalhos em Loja são iniciados, simbolicamente, ao Meio-Dia, quando o Sol está no Zénite e encerrados à Meia-Noite, quando ele está no Nadir, momento em que se supõe que a Lua esteja no seu pleno esplendor.

O ESQUADRO simboliza a Equidade, a Justiça, a Rectidão de conduta e o exacto cumprimento do dever. Num sentido, representa a acção do homem sobre a matéria. Noutro, simboliza a acção do homem sobre si mesmo.

A PERPENDICULAR é o fio de prumo que em Maçonaria é representado fixado no centro de um arco de abóbada, significando que o Maçon deve ser recto nos seus julgamentos. É o emblema da busca da verdade, do aprumo, do equilíbrio.

O NÍVEL maçonicamente simbolizado é formado por um esquadro justo, ou seja, um esquadro cujo ângulo, no ápice, tem 90º e representa a igualdade social, base do direito natural. Lembra-nos ele que é preciso considerar todas as coisas com igual serenidade.

O MALHO simboliza a vontade, a energia e a decisão necessárias para vencer e superar obstáculos. Não é uma massa metálica, pesada e bruta, pois a vontade não deve ser nem obstinação, nem teimosia. A vontade deve ser, simplesmente, firme e perseverante. Como o homem não pode agir directamente sobre a matéria, o Cinzel serve, então, de intermediário.

Além disto, o Malho age de forma descontínua, simbolizando que o esforço não pode ser perseguido sem interrupção e, também, que uma pressão contínua sobre o Cinzel tirar-lhe-ia a precisão.

O CINZEL representa o intelecto, o conhecimento e o discernimento indispensáveis para descobrir as protuberâncias ou falhas da personalidade. Juntamente com o Malho, é utilizado pelo Aprendiz para desbastar a Pedra Bruta e, para tanto, deve ser frequentemente amolado, ou seja, o Aprendiz deve rever sempre os conhecimentos adquiridos.

A PRANCHA DE TRAÇAR é um rectângulo sobre o qual são indicados os esquemas que constituem a chave do alfabeto maçónico. É nela que o mestre estabelece os seus planos.

No seu simbolismo a Maçonaria chama o papel sobre o qual se escreve de Prancha de Traçar e substitui o verbo escrever pela expressão traçar uma prancha.

Embora a Prancha de Traçar esteja relacionada ao Grau de Mestre, o Aprendiz não pode ignorar o seu uso e deve exercitar-se, mesmo que desastradamente, a esboçar aí as suas ideias, motivo pelo qual esse símbolo já figura no Painel do Aprendiz.

A CORDA DE SETE NÓS que circunda o Painel do Aprendiz simboliza a Cadeia de União, a união fraternal que liga de modo indissolúvel todos os Maçons do Globo, sem distinções nem condições. Este entrelaçado representa, também, o segredo que deve rodear os nossos augustos mistérios.

Concluímos, então, que o Painel do Aprendiz, através dos símbolos que contém, ensina os princípios fundamentais que devem nortear a vida do Maçon, desde a sua iniciação — momento em que o profano simbolicamente atravessa a porta baixa e estreita — e sem os quais o Iniciado jamais atingirá a perfeição.

Adaptado de autor desconhecido

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Um Comentário em “O Painel do Grau de Aprendiz

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    E espetacular e extraordinaria a historia e o segredo real da maconaria.
    Um Abraco

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