O Ritual, os Símbolos e as Palavras

Venerável Mestre, Queridos Irmãos em todos os Graus e Qualidades: venho partilhar convosco algumas impressões, sobre o Ritual, os Símbolos e as Palavras.

Quadro de Loja de Aprendiz, Rito de Adopção, Séc. XVIII

Os trabalhos em Loja geram-se numa matriz espiritual propícia ao pensamento luminoso, à descoberta do que está nas sombras, à unificação do disperso, por outras palavras, abrindo o trajecto para a progressão iniciática.

Num ambiente em que as chamas ardem sobre as três Colunas, em que um magnetismo envolto em música sublime flui das colunas J e B, impulsionando um movimento vital, de Oriente para Ocidente, os Irmãos Maçons deslizam sobre a dualidade da Natureza, representada pelo pavimento mosaico. Centrados nos símbolos desenhados no quadro da Loja, imperceptivelmente vão abrindo o compasso, traçando e recriando a espiral da matriz universal.

Nesse éter, as palavras dos Irmãos nascem, sonoras e inspiradoras como se da superfície das águas soassem, saídas daquele limbo que simultaneamente separa e liga os elementos. Tocando no âmago dos nossos corações, a musicalidade dessas palavras acompanha e modula o nosso caminho.

Queridos Irmãos, uma das definições do Homo Sapiens é a de um Ser que cria para si próprio um caminho espiritual motivado pela busca do Sentido da Vida, isto é, procurando qual é o seu lugar no Universo. As representações plásticas da movimentação humana, dos caçadores e migrantes, africanos e de outras latitudes, ilustram este aflito caminhar. Cada comunidade criou a sua cosmogonia, que servia de suporte narrativo a essa procura de “sentido”.

De modo diverso e inovador, como que expandindo o Homem de Vitrúvio em todas as direcções do pentagrama, os maçons traçam essa busca orientados por um peculiar método, o Ritual, que os guia na descoberta e rectificação da sua natureza.

O Ritual e a linguagem utilizados na Maçonaria não são compostos apenas por lendas, mitos, metáforas e alegorias. Sabedoria, Força e Beleza unidas geram a energia motriz da Luz e a ela conduzem. Aquilo que estas forças motrizes operam no nosso pensamento e coração geram um novo Ser.

As palavras maçónicas são um veículo de significados simbólicos; são simbólicas e operativas pela ressonância e  exercem um efeito transformador na mente dos maçons. Metodicamente repetidas, na penumbra do Templo de Salomão, são proferidas solenemente e recebidas pelo Silêncio atento e fecundo. As palavras e fórmulas, à medida que se repetem, ouvidas em mágico recolhimento, vão refazendo os ciclos espiralados do Ritual.

O Ritual não é pois uma narrativa fechada. A linguagem simbólica faz parte da metáfora maçónica, bem diferente das narrativas ficcionais: os seus significados são atribuídos pela interpretação individual de cada obreiro. O símbolo só adquire poder material quando lhe atribuímos um significado. Cada Maçon recria cada símbolo, dando-lhe um significado pessoal.

Concluindo, o ritual Maçónico é um método, através do qual a metáfora da construção opera na nossa mente. O Templo Interior que construímos transforma-nos e transformados, transformamos. Isto é real, pois assim o sinto.

Não se trata porém de reflectirmos o brilho solar, mas de permitirmos que a sua Luz penetre no nosso interior e de lá renasça, fulgurante!

No entanto, que nos não baste pensar que pertencemos a uma elite. Quando a Maçonaria entra no coração de um Maçon, assume-se a consequente condição de responsabilidade. Responsabilidade pela construção de uma Humanidade digna desse nome.

Continuemos pois, Queridos Irmãos Obreiros, fora do Templo a obra que no seu interior começamos, prossigamos propugnando, na sociedade e no mundo dos homens, a nossa consigna de Liberdade, Igualdade, Fraternidade!

Disse.

Texto original escrito por Mozart (Nome Simbólico)

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