Painel do Grau de Aprendiz no Rito Moderno

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Painel do Grau de Aprendiz no Rito Moderno

Quando nos deparamos com o Painel do Aprendiz, percebemos de imediato que se trata da representação ideal de uma loja maçónica, com todos os conhecimentos e instrumentos de trabalho que compõem o grau de aprendiz Maçom, que nos remetem aos tempos da Maçonaria Operativa e da construção dos grandes templos da humanidade, como o templo do rei Salomão.

Herdamos, desta forma, o antigo conhecimento dos nossos antepassados operativos através dos símbolos da sua ciência e da sua magnífica arte de construir, que hoje orientam a Maçonaria Especulativa e Filosófica.

Apesar de sermos hoje uma sociedade de livres pensadores em busca da virtude, da verdade e da perfeição, somos, acima de tudo, pedreiros e os símbolos que herdamos dos nossos antepassados ainda constituem o corpo e a alma da nossa ordem. Cada símbolo constante no Painel do Aprendiz tem um significado, muito mais eloquente que palavras, muito mais antigo que qualquer filosofia. Toda loja, portanto, é um templo como um todo e simbólica nos seus detalhes, fruto da observação da Natureza, que forneceu ao homem o modelo para os primeiros templos erigidos às divindades.

A organização do Templo de Salomão, os ornamentos simbólicos que representaram os seus principais adornos, tudo isto tinha por referência o Universo, assim como o era compreendido pelos mais altos iniciados da antiguidade.

Assim, o Painel do Aprendiz é a síntese esotérica, histórica e filosófica do primeiro grau. É o mistério que esteve escondido dos séculos e das gerações profanas, sendo o elo entre os três estados do tempo: o passado, representado pela lembrança dos nossos antepassados operativos e os seus conhecimentos científicos; o presente, pelo nosso trabalho árduo e diário para a construção de um edifício moral sólido e também para conciliar o conhecimento das gerações passadas com a geração actual nas nossas oficinas e, por fim, o futuro, representado pelos mais elevados ideais humanos que a maçonaria se propõe a guiar com os seus ensinamentos.

Todos os instrumentos de trabalho do aprendiz Maçom são ilustrações de instrumentos de transformação da Natureza e do meio-ambiente. Isto na sua abordagem absolutamente material e profana. Por outro lado, são elementos que através do estudo e da meditação nos levam às transformações morais e espirituais. Alguns, pela sua natureza, pedem, para seu desenvolvimento, a força; outros, mais precisos e delicados, requerem sabedoria e conhecimento para o seu correcto manuseio.

Entretanto, todos estes artefactos conduzem-nos, através do esforço e dedicação, à beleza e à perfeição, representando o homem que, na sua caminhada, saiu das cavernas escuras da sua natureza original, rude e grosseira, para habitar os templos iluminados, simétricos e harmónicos da eterna e sagrada Ciência Maçónica.

No período mais primitivo da maçonaria, nas reuniões das lojas, os símbolos do grau e o piso mosaico eram desenhados com giz ou carvão no chão da sala de reuniões que, de uma edificação simples ao lado da construção que a companhia dos maçons estivesse trabalhando, passou, com o tempo, para as cervejarias. Posteriormente este costume evoluiu para um tecido — por volta de 1730 — e depois para uma lona ou tapete, onde os símbolos eram pintados ou bordados, sendo este desenrolado para a reunião.

O Painel ou Tábua Delinear, encerra o resumo dos ensinamentos simbólicos do grau, nele estão registados todos os símbolos que, neste caso o aprendiz, deve estudar e compreender.

No princípio não houve uniformidade, cada Loja desenhava os símbolos a seu modo. A primeira tentativa de uniformidade foi produzida em 1808 por William Dight. Em 1821, John Harris, que também era desenhista, resolveu produzir novos painéis, baseando-se para tanto no trabalho de Dight, resultando no conjunto hoje utilizado.

O Rito Moderno adopta os painéis simbólicos do GOB em todos os graus do simbolismo, do primeiro ao terceiro. O painel deve ser colocado na frente do altar para indicar o grau em que a oficina está trabalhando durante a sessão. O Painel do grau de Aprendiz orienta o caminho a ser trilhado pelo Maçom para atingir, através do trabalho e da observação, o domínio de si mesmo.

Contendo o resumo dos principais ensinamentos da maçonaria perante o Grau de Aprendiz, o painel deste grau, segundo o Rito Moderno, é rígido e emoldurado, estando nele presentes os seguintes elementos:

  1. As jóias móveis, que são: o esquadro, símbolo do equilíbrio entre a vontade e a razão, a rectidão de carácter, equidade, dever e justiça; o compasso, símbolo da perfeição (instrumento impróprio para o aprendiz que está apenas desbastando a pedra bruta); o nível, símbolo da igualdade entre os homens e o prumo, representando a correcta orientação do crescimento intelectual.
  2. As jóias fixas, que são: a pedra bruta; a pedra polida e a prancheta que simbolizam, respectivamente, os aprendizes, os companheiros e os mestres. A pedra bruta representa as imperfeições do aprendiz que, desbastando-a, será capaz de transformá-la na obra-prima do primeiro grau, deixando-a cúbica e recebendo o seu primeiro aumento de salário ao ser elevado ao grau de companheiro. A prancheta está presente no painel para nos lembrar que devemos empenhar-nos na busca de conhecimentos elevados.
  3. O Sol e a Lua, símbolos da dualidade claro e escuro, bem e mal, certo e errado, etc. ressaltando-se que o lado escuro fica ao norte, onde ficam os aprendizes que ainda trabalham na penumbra. O Sol representa a luz, fonte da vida, sem a qual nada existiria, e também a luz da razão, do intelecto. A Lua representa o princípio feminino do universo, a constância e a regularidade.
  4. As estrelas simbolizando o passado e lembrando-nos de que precisamos conhecer bem a nossa história para que possamos pensar o futuro. A forma como estão dispersas no painel representa os muitos maçons que estão distribuídos pelo mundo e que é dever do Maçom levar a luz onde reinam as trevas
  5. O maço e o cinzel, os instrumentos simbólicos do aprendiz Maçom, localizados ao lado da coluna J, sendo que o primeiro representa a força necessária para executar qualquer trabalho, a força de vontade, a coragem para admitir que existam coisas em nós que precisam ser mudadas; o segundo representa a capacidade de enxergar aquilo que precisamos mudar, a nossa autocrítica que, apoiada pela força de vontade, fará com que consigamos o desbaste necessário da nossa personalidade bruta.
  6. As três janelas representando as aberturas para iluminação do templo, localizadas no Oriente, no Ocidente e na face Sul onde ficam o Venerável, o Primeiro Vigilante e o Segundo Vigilante, as luzes da loja. Vale lembrar que a maçonaria teve origem no hemisfério setentrional, onde as edificações não recebem luz na face norte.
  7. A corda de sete nós representando a corda de 81 nós que circunda o templo sendo que, os sete nós representam os sete anos necessários para formar um aprendiz na Maçonaria Operativa.
  8. Os três degraus “Maçonicamente, subindo são as dificuldades para a vitória das ideias, e o esforço que se despende para chegar à ‘Luz’; descendo é a facilidade com que podemos cair na imperfeição ou vício”. “Também podem representar os três anos de trabalho que eram necessários ao aprendiz na Maçonaria Especulativa para se tornar companheiro Maçom.”
  9. O pórtico, simbolizando a entrada do templo guarnecida pelas colunas J e B e tendo acima a letra grega delta.
  10. O delta, quarta letra do alfabeto grego usada pela sua forma triangular, figura considerada perfeita por ter lados e ângulos iguais e, principalmente pela sua estabilidade. Mecanicamente é a forma mais estável na construção de edifícios e outras estruturas.
  11. As colunas J e B que estão situadas logo na entrada do templo maçónico. A coluna com o J gravado, inicial da palavra sagrada. Jachin, que significa “Ele estabelecerá”, está posicionada à esquerda de quem entra ao lado do Segundo Vigilante, representando a coluna do norte, local onde se encontram os aprendizes, pois simbolicamente ali eles recebiam os seus salários. A coluna com o B gravado, inicial da palavra sagrada Boaz, que significa “na força”, está posicionada à direita, ao lado do Primeiro Vigilante, local onde se encontram os companheiros, pois simbolicamente nesta coluna eles recebiam os seus salários.
  12. As romãs dispostas sobre as colunas podem ter diversos significados, tais como a caridade, que contém tantas virtudes, assim como este fruto possui tantos grãos; a humildade, ao esconder, sob a sua casca, grãos tão suculentos; e, ainda, como representante da fecundidade, da geração e da riqueza. Significam, também, pelas suas divisões, os bens produzidos pelas estações e representam as Lojas e os Maçons espalhados pelo mundo.

João Carlos Teixeira

Referências

  • FAGGIAN, I∴ Danilo – Peça de Arquitectura: O Painel do Grau Aprendiz.
  • AFFEZZOLLI, I∴ Daniel – Peça de Arquitectura: O Painel do Grau Aprendiz.
  • PRIM, I∴ Peça de Arquitectura: O Painel do Grau Aprendiz.

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4 thoughts on “Painel do Grau de Aprendiz no Rito Moderno

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    Bom dia , só tenho agradecer por tal conhecimento .,( Magníficos )…

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    Prezados Membros do Grupo de Estudos,

    Parabéns, pelo trabalho desenvolvido neste site pois, tem me trazido muito conhecimento, e na medida do possível, tenho repassado através, da publicação diária de vocês.

    Apreciaria uma atenção por parte do grupo de estudos que contribuísse com o rito Adonhiramita pois, a falta de informações faz com que o rito em seja pouco divulgado e trabalhado pelas lojas em vista, disso, o grupo de estudos poderia contribuir publicando artigos que falem sobre o Rito Adonhiramita.
    Antecipadamente, agradeço a atenção e o entendimento do assunto.
    Abraço Fraternal a todos

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    Bom dia, alguns links das referencias não abrem.

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    Varias cuestiones Ese cuadro de Logia no es de Rito Moderno, al menos no responde a las directrices de los Modernos. otra cosa es que más allá de que Harris intentará unificar en sus realizaciones pintureras los cuadros de logia, tanto las que se fueron publicando a los largo del siglo XVII tiene directrices comunes y presencias muy contundentes y presentes. Por otro lado dicho tablero está alejado de directrices esotéricas, ya que los Modernos estaban alejados de tales cuestiones y mantuvieron a lo largo de siglos su rito alejado de esas tentaciones. UN TAF

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