A Alavanca

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A palavra Alavanca deriva da palavra latina levare, que corresponde ao início da acção de levantar alguma coisa, mas que, do ponto de vista metafórico, representa a força criadora do Homem.

Trata-se, com efeito, de um instrumento simples, formado por um corpo rígido, geralmente uma barra, que se apoia e pode girar em torno de um qualquer ponto fixo, dando-se a este ponto o nome de fulcro.

Curiosamente, a alavanca tem como princípio básico a possibilidade de se poder mover grandes cargas por meio de pequenas forças, sendo um dos apetrechos mais importantes e também mais antigos.

Consta que a Alavanca foi inventada por Arquimedes, matemático e inventor grego, nascido na cidade de Siracusa, na Ilha da Sicília. Em jovem, Arquimedes estudou em Alexandria, tendo-se destacado principalmente como inventor e matemático.

Presentemente, o princípio da Alavanca é aplicado em diferentes tipos de balanças, manivelas, tornos e engrenagens. Quando olhamos para uma tesoura ou um carrinho de jardim, não imaginamos que estes objectos simples do quotidiano possam basear-se também no princípio da Alavanca.

No seio da Maçonaria, encontrei a Alavanca aquando da terceira viagem de passagem a Companheiro. Nesta viagem, aquela que me traz precisamente aqui hoje, encetámos o estudo da Natureza através da Ciência, nela tendo recebido dois instrumentos: a Régua e a Alavanca. A Régua, que traça linhas directas, que poderão ser prolongadas até ao infinito, é o emblema inflexível da lei moral no que ela tem de imutável e rigoroso. Já a Alavanca representa a força do trabalho e a força de vontade, que nascem de uma inteligência colocada ao serviço da colectividade.

Voltando à simbologia, a Alavanca pode representar o desenvolvimento da nossa inteligência e da nossa compreensão para regular e dominar a inércia da matéria, levantando-a e movendo-a, para que ocupe o lugar que lhe está destinado na construção do Templo.

Neste contexto metafórico, o Companheiro vai buscar esta força ao ensino iniciático, que o ensinou a levantar os obstáculos, por mais difíceis e pesados que possam parecer. Todavia, esta força é sustentada pela rectidão e justeza da Régua. Podemos, desta forma, dizer que a força da Alavanca nunca será devidamente equilibrada sem a régua, pois esta tem a função de controlar e medir essa mesma força. Ambas as ferramentas da terceira viagem representam a Ciência e são fruto da sua evolução mas, simultaneamente, contribuem para essa mesma evolução.

Todavia, se a Ciência é uma das formas de conhecimento, ela é, indubitavelmente, entre todas, a mais valorizada, e por isso privilegiada. Socialmente, a Ciência impõe-se não tanto pelo que é, mas sobretudo pelo que faz e permite fazer, isto é, ela é socialmente reconhecida pelas suas consequências, bem visíveis no quotidiano do homem, permitindo-lhe agir eficazmente sobre as coisas, controlá-las e dominá-las.

Podemos efectivamente considerar a Alavanca como sendo o símbolo por excelência da inteligência humana, cujo ponto de apoio natural é o corpo físico sobre o qual a Alavanca actua para que este produza todas as acções necessárias à vida.

Assim, o pensamento sem a vontade e a vontade sem o pensamento são igualmente incapazes de gerar qualquer força. Para se ser eficaz, necessitamos de ser iluminados por um ideal, ser orientados por motivos mais elevados, mais nobres e desinteressados, a fim de que a cada um seja dado alcançar o que tem na mente e no coração, transformando- se desta forma a cada dia um melhor homem.

Se na primeira e segunda viagem, podemos ver que o Maçon desbastou a pedra bruta, criando a partir desta outras peças mais perfeitas e passíveis de se unirem, na terceira viagem, com a acção da régua e da Alavanca, as pedras já se podem unir, começando-se, assim, verdadeiramente a edificação do Templo. No entanto, tal só será possível em união fraterna, pois nenhuma pedra singular construirá, de forma alguma, um Templo plural. Reflectindo um pouco sobre a Alavanca, ela mostra-nos que não há peso ou dificuldade alguma que não possa ser removida. Deste modo, perante um problema, mediante a Alavanca, a solução tornar-se-á mais fácil de encontrar. Se é um ponto que sustenta a Alavanca, suportando todo o peso do obstáculo, podemos afirmar que esta é uma parte extremamente importante desta ferramenta.

A presente reflexão leva-me a pensar que, na Maçonaria, cada irmão constitui um “ponto de apoio”, e unidos representamos a Alavanca e a sua força. Assim, torna-se necessário aprender a usar este poder que a Maçonaria propicia. Esta é, sem dúvida, uma enorme responsabilidade, um legado que nos tem sido transmitido por outros Homens que antes de nós têm vindo a construir o seu Templo, e que para nós têm constituído um exemplo.

É por isso necessário sermos resistentes aos vícios, aos dogmas que escravizam o Homem e tenazes nos desafios que nos surgem diariamente, perante os quais é imprescindível de exercer a flexibilidade na prática contínua da Tolerância.

“Dêem-me um ponto de apoio e uma Alavanca e moverei a Terra”

Arquimedes

R. Antunes

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One thought on “A Alavanca

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    Fiquei sabendo que Arquimedes nasceu na Sisilia! Pensei que foce Atenas!

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