A coluna “B”

Introdução

Definição profana – Coluna é um substantivo feminino. Na Arquitectura temos que coluna é um Pilar cilíndrico que sustenta abóbadas, entablamentos, etc., serve de ornamento em edifícios e consta de três partes: base (ou pedestal), fuste e capitel.

  • Base ou pedestal – É Tudo quanto serve de fundamento, apoio ou sustentáculo, parte inferior onde alguma coisa repousa ou se apoia.
  • Fuste – É a parte principal de uma coluna, entre o capitel e a base.
  • Capitel – É o coroamento esculturado do fuste duma coluna, o remate superior.

Origem bíblica das colunas

As colunas simbólicas B e J localizadas na porta dos templos maçónicos são parecidas com as que Hiran colocou na entrada do templo de Salomão segundo consta na Bíblia Sagrada (I Reis, 7 13-22), o qual pela beleza e profundidade passamos a ler:

“Salomão mandou chamar Hiran, de Tiro, filho de uma viúva da tribo de Neftali, cujo pai era natural de Tiro. Hiran trabalhava o bronze, e era dotado de grande habilidade, talento e inteligência para fazer qualquer trabalho de bronze. Apresentou-se ao rei Salomão e executou toda a obra. Fundiu duas colunas de bronze, cada uma com nove metros de altura e seis de circunferência. Fez dois capitéis de bronze fundido, cada um com dois metros e meio de altura, e os colocou no alto das colunas. Para enfeitar os capitéis, fez dois entrançados em forma de corrente, um para cada capitel. Depois fez as romãs; havia duas fileiras de romãs em torno de cada trançado, para cobrir os trançados que ficavam no alto das colunas. Fez o mesmo com o segundo capitel. Os capitéis, no alto das colunas que estavam no vestíbulo, tinham forma de flor de lis, medindo dois metros.

Além disso, estes capitéis, no alto das duas colunas, no centro que ficava por trás dos trançados, estavam enfeitadas de romãs, colocados em filas de duzentas ao redor de cada capitel. De seguida, Hiram ergueu as colunas diante do vestíbulo do santuário: ergueu a coluna do lado direito e lhe deu o nome de Firme; depois levantou a coluna do lado esquerdo e deu-lhe o nome de Forte. E assim terminou o trabalho das colunas”.

Maçonicamente uma coluna é:

A Coluna é um Pilar cilíndrico que serve de ornamento e sustentáculo da abóbada de uma Loja. Significa também o lugar onde os Maçons se localizam em Loja.

Colunas Salomónicas – São assim denominadas as colunas B e J situadas junto à porta de entrada do Templo. Nos graus superiores do R∴ E∴ A∴ A∴ são denominadas colunas solsticiais. A coluna “J”, que quer dizer Jakim, está localizada à direita da entrada do Templo, e sob a responsabilidade do Segundo Vigilante, também chamada de coluna da beleza, coluna do sul onde ficam os Companheiros.

O tema central – “a coluna B”

A Coluna “B” que é chamada Booz ou Boaz, está localizada a esquerda da entrada do templo e sob a responsabilidade do Primeiro Vigilante, também chamada de coluna da sabedoria, coluna do norte, que é o local onde ficam os Aprendizes. BOOZ ou BOAZ é o nome dado a uma das colunas que sustentam o Tempo de Salomão. É uma palavra hebraica que significa “na força”. Em Maçonaria, a coluna B é aquela junto à qual, no R∴ E∴ A∴ A∴ os aprendizes recebem o seu salário.

Da apostila de Grau 1 – Aprendiz, elaborado pelo Ir∴ António Carlos Gama colhemos a seguinte informação:

…uma das partes, talvez a de maior importância sob o ponto de vista simbólico: O Capitel. Ali, segundo a Bíblia, no Templo de Salomão, havia duzentos romãs em cada coluna. Entre os semitas, as romãs tinham um significado místico. Eram símbolo de fecundidade, abundância e vida. De facto, as romãs abertas, de grãos semelhantes, bem apertados, podem representar além da fecundidade, a solidariedade dos homens entre si. Maçonicamente, simbolizam a multiplicação e a união”.

Este aprendiz pode afirmar com convicção que tem sentido no seio desta loja a união que estes grãos de romã simbolizam. No final do cerimonial de iniciação o Ir∴ M∴ de CCer∴, obedecendo à determinação do VEN∴ convida o recém iniciado a assinar o livro de presenças e depois a se sentar no topo da Col∴ do Norte, ou seja da Coluna B, que é destinada aos Aprendizes. Neste momento o iniciado ocupa o seu primeiro lugar dentro da Sub∴ Ord∴ Maçon∴, pois acabou de receber o 1° grau, o Grau de Aprendiz.

Como Aprendiz o Maçon vai começar a aprender a trabalhar maçonicamente pelo tempo necessário à aprendizagem dos primeiros ensinamentos da Arte Real, este tempo simbolicamente é de 5 anos, no entanto efectivamente este tempo é de 1 ano. Neste interstício tendo o Aprendiz desempenhado a contento o seu trabalho será agraciado, simbolicamente, com um aumento de salário que lhe permitirá passar para o grau seguinte.

A Arte Real que é a arte da arquitectura e da construção dão fulcro à nomenclatura e a simbologia maçónicas. Os termos simbólicos resistem ao tempo e vigoram até aos nossos dias. Actualmente a Arte Real já não está associada à construção de catedrais, monumentos arquitectónicos e edifícios em pedra e cal.

A Arte Real hoje ensina-nos a crescermos interiormente a crescermos como pessoa, a sermos fermento na massa, a sermos o trigo que ira sufocar o joio. Devemos construir um templo dentro do nosso corpo e nele venerarmos o G∴ A∴ D∴ U∴. Neste templo ,o Mac∴ deve praticar a sua crença e fazê-la transbordar externamente, pois agindo assim estará a trabalhar a pedra bruta. O iniciado ao se sentar pela primeira vez no topo da coluna do Norte, que é a coluna dos Aprendizes, já teve contacto com o ar, o fogo e a água e já recebeu a L∴ e ela só lhe trará toda a sua utilidade se o Aprendiz estiver desprendido de vaidades e ambições profanas.

Ao Aprendiz é dado o maço, o cinzel e o avental instrumentos necessários para que se dedique ao trabalho de aparar as arestas da pedra bruta. O maço e o cinzel são instrumentos do seu ofício, já o avental é símbolo do seu grau, o emblema do trabalho, a primeira insígnia do Mac∴. Sem o avental o Mac∴ jamais poderá entrar em Loj∴.

O Aprendiz deve ter consciência de que a Arte Real lhe proporciona os conhecimentos necessários para que a sua consciência e o seu coração que são a sua pedra bruta sejam aparados até o ponto de eliminarem o orgulho, a cobiça, a inveja o desamor e outros vícios e se torne um coração virtuoso e humilde e assim agindo estará a cavar masmorras ao vício e erguendo templos à virtude.

A Sublime Ordem exige aos seus Membros, nomeadamente ao Aprendiz, muito estudo e trabalho, pois só desta forma ele poderá aprender os ensinamentos por ela propostos e assim caminhar na vida maçónica, cumprindo o seu dever para com os irmãos, para com a Ord∴ e por consequência lógica cumprir fielmente as suas obrigações com a sua família, e com a sociedade de um modo geral.

Meus Irmãos permitam-me, neste momento, dirigir mais enfaticamente aos Apr∴ o seguinte trecho do livro denominado “Da Coluna B” de Jaime Barreiros:

“Na sua consciência, quando pensar a sós consigo mesmo e com Deus, deverá sentir que nunca se tornará num instrumento de tirania, não apoiará a usurpação nem será apologista, da injustiça, nem do desrespeito às leis que garantem a Liberdade, que saberá combater os seus erros e vícios, emancipar-se dos preconceitos e viver com honra, de maneira sábia e virtuosa.

Só então poderá deixar o maço e o cinzel para empunhar o esquadro e a régua e passar da perpendicular ao nível para que obtenha o aumento de salário que merece passando ao Gr de Comp e consequentemente a trabalhar na Ped Pol no interior do Temp∴, preparar as ferramentas para depois passar a receber o seu salário na Col J”

Permitam-me agora, meus irmãos a ousadia de dirigir-me a todos vós com as palavras do Evangelho de Lucas, 5, 4, onde Jesus Cristo se dirige a Pedro e diz: “Avancem para as águas mais profundas e lancem as redes para a pesca”.

Irmãos, se agirmos assim, estaremos na busca da perfeição que sabemos ser, inatingível, inalcançável, mas que deve ser sempre perseguida.

Gilmar António dos Santos Apr∴ – Loja Estrela do Rio Claro – 2004

Referências Bibliográficas

  • A Bíblia Sagrada – Edição Pastoral
  • Da Coluna “B” Jaime D.M. Barreiros livro 22 Biblioteca Loja Estrela do Rio Claro)
  • Dicionário Ilustrado de Maçonaria – Sebastião Dobel dos Santos (livro 245 Biblioteca Loja Estrela do Rio Claro)
  • Apostila Grau 1 – Aprendiz – Antonio Carlos Gama
  • lojasmaconicas.com.br – Artigo BOAZ ou BOOZ – Hélio Américo Mendes
  • Dicionário da Língua Portuguesa – Aurélio Buarque de Holanda
  • As Colunas do Templo – Trabalho Ir∴ Apr∴ Eli Antonio Scatolin Ritual – R.E.A.A. – 1º Grau – Aprendiz

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