Abóbada celeste da Loja

O Ritual do Grau de aprendiz Maçom da Muito Respeitável Grande Loja do Paraná verte que “o tecto do templo, de forma abobadada, é pintado e representa o firmamento, cuja tonalidade, azul-clara no oriente, vai gradativamente escurecendo em direcção ao ocidente, entremeado de nuvens. O Sol, com raios dourados, aparece um pouco à frente do trono. Sobre o altar do primeiro vigilante, encontra-se a Lua prateada, em quarto crescente, sobre o altar do segundo vigilante uma estrela branca de cinco pontas“. Fornece detalhes de cada constelação e estrelas num total de trinta e cinco figuras. Cada elemento deste céu tem o seu significado particular e é exaustivamente tratado em livros e rituais do Rito Escocês Antigo e Aceito. Inicialmente utilizado para demonstrar o interesse pela astronomia dos maçons antigos; para o Maçom moderno, o seu simbolismo ficou restrito à definição do tamanho do templo espiritual que é erigido por ocasião da abertura dos trabalhos, mesmo que cada elemento tenha explicada a sua presença de diversas formas. Referindo-se a tamanho físico do templo e conforme o Ritual acima citado, “… O seu comprimento é do oriente ao ocidente; a sua largura, do norte ao sul, a sua profundidade, da superfície ao centro da Terra, e a sua altura, da Terra ao céu“. E continua: “A loja é representada deste modo, numa vasta extensão para simbolizar a universalidade da instituição e para mostrar que a Caridade do Maçom não tem limites, a não ser os ditados pela prudência“.

A abobada decorada com corpos celestes simboliza a abertura que a consciência do espírito do homem deve tomar para alcançar o absoluto das suas aspirações transcendentais. O céu decorado não está limitado ao circunscrito pelos astros ali representados, mas tende a um finito plausível, limitado apenas pelo alcance da imaginação de cada um. Para o Maçom na sua busca pela plenitude do espírito, este céu é como se fosse a união do espírito mundial que eleva a mente dele na sua crença num Ser Supremo, o conceito de um Grande Arquitecto do Universo.

O Maçom não discute este Ser Supremo porque é aquilo que a nenhum ser vivente e mortal é possível definir; se existem tentativas, estas são vãs e conduzem apenas a discussões vazias e especulações infindas que só conduzem a disputas e separações. Este céu é símbolo da transcendência de cada um à sua maneira e daquilo que lhe é sagrado e poderoso. A transcendência é colocada acima, para o alto, porque é onde normalmente o homem, desde os primórdios da sua história, se dirige em busca da sua espiritualidade, entretanto, ao longo do tempo, e do crescimento do Maçom, ele descobre que aquele céu sobre a sua cabeça tem um equivalente no seu interior; é o reconhecimento de um Universo interior, o macrocosmo, de que é composto o seu corpo físico à semelhança do Universo representado pelos desenhos; ao contemplar o céu pela ilustração da abóbada pintada no tecto do templo, em verdade o Maçom está olhando para dentro de si próprio.

Esta abobada celeste atende às necessidades básicas de introspecção; sejam deístas ou teístas, até o ateísta a usa no seu materialismo para reconhecer a sua insignificância frente ao Universo; a absoluta maioria dos maçons tem nesta representação a dimensão do transcendental, de como ela é finita, e por isso não a consideram a representação total do homem, mas uma parte importante, sem a qual o homem é um ser incompleto. É dada para cada um a possibilidade de imaginar o cosmos, cujo significado original é colocar ordem em algo, de colocar beleza naquilo que cada um considera importante para a sua construção interna e transcendental. É o local das coisas elevadas, aquilo que o iniciado busca em lugares baixos para que lhe seja possível encontrar coisas insignificantes em lugares altos.

Charles Evaldo Boller

Bibliografia

  • ANTISERI, Dario; REALE, Giovanni, História da Filosofia, Antiguidade e Idade Média, Volume 1, ISBN 85-349-0114-7, primeira edição, Paulus, 670 páginas, São Paulo, 1990;
  • GUIMARÃES, João Francisco, Maçonaria, A Filosofia do Conhecimento, ISBN 85-7374-565-7, primeira edição, Madras Editora Ltda., 308 páginas, São Paulo, 2003;
  • LOCKE, John, Ensaio Acerca do Entendimento Humano, tradução: Anoar Aiex, ISBN 85-13-01239-4, primeira edição, Editora Nova Cultural Ltda., 320 páginas, São Paulo, 2005;
  • Paraná, Grande loja do, Ritual do Grau de Aprendiz Maçom do Rito Escocês Antigo e Aceito, terceira edição, Grande loja do Paraná, 98 páginas, Curitiba, 2001;
  • RODRIGUES, Raimundo, Templo de Salomão, As Origens Históricas do Templo de Salomão e Outras Histórias Interessantes, ISBN 85-7252-203-4, primeira edição, Editora Maçónica a Trolha Ltda., 184 páginas, Londrina, 2005.

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Um Comentário em “Abóbada celeste da Loja

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    Caro lr.’. Minha duvida quanto as colunas solstíciais como elas devem ser , com romãs globo terrestre e celeste não existe uma uniformidade para tal?

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