Anno Domini, Anno Mundi, Anno Lucis e outros

O sistema de numeração dos anos terá sido inventado por Dionysius Exiguus por volta de 525 AD. Ele fixou o ponto Anno Domini, que é usado para numerar os anos, que no Calendário Gregoriano,  quer no Calendário Juliano. O sistema foi criado, não para datar qualquer evento histórico, mas para gerir a Lista de Páscoas. Na altura, os anos do calendário juliano eram identificados usando os nomes dos cônsules que ocupavam o cargo em cada ano – ele mesmo declarou que o “ano presente” era “o consulado de Probus Junior [Flavius Probus]”, que ele também declarou ser 525 anos, “desde a encarnação [nascimento] de nosso Senhor Jesus Cristo”. Não se sabe como terá chegado até este número.

O Calendário Anno Domini tornou-se dominante na Europa Ocidental somente depois de ter sido usada pelo Venerável Bede para datar os eventos na sua História Eclesiástica do Povo Inglês, concluída em 731. O imperador francês Carlos Magno tornou-a popular na Europa Continental. Algumas partes da Europa não usaram o sistema Anno Domini até o século XV. Por exemplo, Portugal usou um sistema diferente chamado “a era espanhola” até 1422.

O calendário Gregoriano foi padronizado pelo papa Gregório XIII em 1582, embora o mundo ocidental não católico tenha levado mais de 200 anos até decidir seguir a proposta do papa. Desde 1776, que a maior parte do mundo se tem regido pelo mesmo calendário, sendo de referir que a Grécia e a Rússia só o adoptaram depois da Primeira Guerra Mundial. Como a Europa Ocidental e a América mudaram para o calendário gregoriano em meados do século XVII, são atribuídas idades nem sempre coerentes a algumas das figuras notáveis do período; por exemplo, George Washington, que nasceu antes da mudança. Dada a confusão, eles mesmos, nem sempre foram claros em relação à sua idade exacta.

Em 1658, o bispo Irlandês James Ussher, pensou ter determinado a data exacta da criação do Mundo por Deus. Recorrendo aos relatos bíblicos, conjuntamente com uma comparação das histórias do Médio Oriente, a genealogia Hebraica e outros eventos conhecidos na altura, ele determinou que a Terra teria sido criada no Domingo, 23 de Outubro de 4004 a.C.

Mais ou menos na mesma época, John Lightfoot, vice-reitor da Universidade de Cambridge, esclareceu que a Criação teria realmente acontecido por volta das 9h da manhã.

Ussher decidiu chamar ao seu calendário Anno Mundi, o “Ano do Mundo”. Os cálculos de Ussher e Lightfoot, quer da data, quer da hora exactas da Criação foram pacificamente aceites como um facto pela maioria das organizações Cristãs. Como consequência disso, a partir de 1701, as novas edições da Bíblia King James afirmaram isso claramente numa introdução adicional que não fazia parte do texto bíblico, mas poderia muito bem ter feito, se se tiver em consideração a sua aceitação. Até ao momento em que as teorias evolucionistas de Charles Darwin foram popularmente aceites, muitos cristãos (e não só) estavam firmemente convencidos de que a Terra não tinha mais de 6000 anos de idade.

Dada a aceitação do calendário proposto por Ussher e o facto de ter sido quase contemporânea do nascimento da Maçonaria moderna em 1717, os maçons começaram a datar os documentos usando 4004 a.C. como o seu ano de início. Como 4004 era um número não muito fácil de recordar e de fazer a transposição do Calendário Gregoriano, os maçons decidiram adoptar como ano “original”, 4000 e não 4004; assim, 1717 tornou-se 5717, e 2019 é 6018. Os Maçons decidiram chamar-lhe Anno Lucis, ou A.L., que significa “Ano da Luz” em latim. Esta designação relaciona-se com a passagem de Génesis: “E Deus disse: “Haja luz”; e houve luz””. Isto foi feito para dar a Fraternidade uma aura mais antiga e solene. Os documentos datados com o ano de 5717 em vez de 1717 pareciam mais respeitáveis e confiáveis do que os emitidos naquele ano. Ainda hoje é possível encontrar duas datas em muito do que se relaciona com a Maçonaria – A.D. (Anno Dominis) ou A.L. (Anno Lucis).

Mas não ficamos por aqui.

Os maçons do Arco Real iniciam as suas datas no ano 530 a.C., quando o Segundo Templo foi comemorado por Zorobabel – Anno Inventionis (A.I.), que significa “No ano da Descoberta”, é o termo usado nos documentos dos Capítulos. O seu uso implica adicionar 530 à data actual, ou seja, o ano de 2018, passa a A.I. 2548.

Os maçons Crípticos, datam os seus documentos a partir do ano em que o templo original de Salomão foi concluído e os “segredos” foram depositados nos seus cofres. É designado por Anno Depositionis (A.D.) que significa “No ano do depósito”. Adiciona 1000 ao ano corrente, transformando 2018 em 3018 A.D..

Os Cavaleiros Templários começam o seu calendário com a formação da ordem original em Jerusalém em 1118 A.D.. O Anno Ordinis (A.O.) que significa “No ano da Ordem, deduz 1118 ao ano actual, transformando 2018 em A.O. 900.

Finalmente, o Rito Escocês Antigo e Aceite (R∴E∴A∴A∴) decidiu seguir a ideia de numeração baseada na Criação que a Maçonaria moderna adoptou, excepto pelo uso da cronologia hebraica de que Ussher originalmente se tinha desviado. Eles consideraram que arredondar os números era incorrecto. O calendário Hebraico difere do calendário Gregoriano, nomeadamente em alguns meses que versão hebraica têm 29 dias e outros 30 dias. A designação Anno Mundi (A.M.) de Ussher é também as usada na datação do R∴E∴A∴A∴, que acrescenta 3760 ao ano corrente. O ano de 2018 torna-se portanto, A.M. 5778.

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