Conduta moral

A privacidade dos pensamentos e sentimentos são condições intangíveis e inerentes à individualidade, pois estão intimamente ligados ao perfil e ao carácter de cada um. Assim, para que possamos conquistar uma posição de equilíbrio, primeiro é preciso que procuremos trabalhar o nosso interior para que nos tornemos pessoas justas, perfeitas e de bons costumes e, segundo, aprender a respeitar a opinião dos outros, porque ninguém pode dizer-se dono da verdade, achando que esta ou aquela pessoa esteja certa ou errada na sua maneira de pensar e agir.

Sabemos que tudo o que é intangível, é aquilo que não se pode ver, sentir ou pegar, pois são características intrínsecas e intocáveis como, por exemplo, os pensamentos, os sentimentos, as percepções, a visão, a missão, etc., uma vez que são valores individuais que estão enraizados na essência do ser e, consequentemente, invisíveis aos nossos olhos. Portanto, não temos qualquer condição de medir a sua magnitude, diferentemente do que é tangível, que são características que se podem tocar, ver e medir, pois têm uma consistência física e palpável.

Todos nós temos o nosso livre arbítrio, ou seja, a livre escolha de decidir qual o melhor caminho que devemos seguir na nossa jornada evolutiva. Este livre arbítrio traduz-se na voz da consciência que é ouvida com base no nível de crescimento moral de cada um.

A essência da alma traduz-se na voz da consciência, pois é ela que nos dá um norte e está sempre a alertar-nos para o que devemos ou não fazer para não cairmos nas armadilhas dos vícios e das tentações a que somos submetidos no nosso dia a dia.

Já perceberam quantas vezes desprezamos conselhos valiosos que são ditados pela voz da nossa consciência e que por não serem ouvidos, impulsionam-nos a tomar decisões às vezes impensadas e que poderão trazer-nos consequências potencialmente negativas?

Todos nós sabemos que podemos perfeitamente interferir e mudar o rumo das coisas. Para tanto, precisamos de rever as nossas atitudes para que possamos conquistar dignamente o nosso espaço. De uma coisa podem estar certos: se as nossas atitudes e acções forem direccionadas para um sentimento puramente pessoal, corremos o risco de ferir a sensibilidade de alguém que reagirá contrário aos nossos interesses. Portanto, quando pensamos não no pessoal e sim no colectivo, estaremos a criar uma atmosfera propícia aos bons relacionamentos interpessoais.

Assim, nos relacionamentos interpessoais é fundamental que procuremos sempre dar ouvidos à voz da nossa consciência para que possamos evitar eventuais desvios de conduta, pois assim procedendo, estaremos a prevenir a disseminação de opiniões contrárias que poderão comprometer o ambiente da nossa convivência pessoal.

O conto que transcrevo a seguir (desconheço o autor), mostra-nos que somos livres para fazer as nossas escolhas e que, dependendo de como gerimos a nossa conduta moral, receberemos de volta os reflexos das nossas acções.

Certo dia um velho índio falava para o seu neto sobre o combate que acontece dentro das pessoas. Disse ele ao neto:

— A batalha é entre dois lobos que vivem dentro de cada um de nós. Um é mau, o que se traduz em raiva, inveja, ciúme, tristeza, desgosto, cobiça, arrogância, pena de si mesmo, sentimento de culpa, ressentimento, sentimento de inferioridade, mentira, falso orgulho, superioridade, ou seja, ausência da essência de Deus no coração.

– O outro lobo, pelo contrário, é bom e os seus sentimentos são de alegria, sentimento de fraternidade, de paz, esperança, serenidade, humildade, bondade, benevolência, empatia, generosidade, verdade, fé e confiança; enfim, este tem a presença de Deus no seu coração.

O neto ouviu atentamente e após pensar um pouco perguntou ao Avô:

— E qual é o lobo que vence?

E o velho índio sabiamente respondeu:

— Aquele que cada um escolhe alimentar!

Vejam que se trata de uma historia simples, porém, profunda na sua essência, pois mostra-nos de forma clara que as tentações são muitas e que para beneficiarmos dos bons fluidos precisamos constantemente de trabalhar o nosso interior, visando o desbastar contínuo das asperezas do carácter, filtrar os nossos pensamentos para que possamos assim agir de forma justa e perfeita para com as pessoas que convivemos e, deste modo, receber o merecido prémio das boas acções praticadas.

Uma coisa é certa, tudo o que nos acontece, seja de bom ou de mau, tem um sentido lógico, pois são as imagens reflectidas no espelho que cada um construiu para si.

Pensem nisto!

“Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos”
(Antoine de Saint-Exupéry)

Tomé Castro

Um Comentário em “Conduta moral

  • Essas leituras sempre esclarece muita coisa, muito bom…

    Reply

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *