Contemplando o Nível

No mês passado, o irmão R. J. Budler colocou um Desafio Maçónico na página do Facebook da Grand Lodge of Illinois. Nele, desafiou todos a escolher uma ferramenta de trabalho específica para ponderar o significado e tentar aplicar nas nossas vidas por um mês e depois partilhar os nossos pensamentos e resultados. O Venerável Mestre da Loja Olive Branch, nº 38, depois de saber deste desafio, pediu que cada um de nós fizesse este exercício e relatasse os resultados à loja. Eu escolhi o Nível. Aqui estão minhas reflexões sobre o simbolismo do nível e (Publicado em freemason.pt)como o tentei aplicar à minha vida.

Quando o nível nos é apresentado como uma ferramenta de trabalho, no segundo grau, somos informados de que é um instrumento usado pelos pedreiros operativos para comprovar horizontais e que nos lembra como pedreiros especulativos que, “Estamos a viajar no nível do tempo, para aquele país ainda não descoberto, do qual nenhum viajante retorna”. Esta não é a primeira vez que ouvimos falar dele. Se estivéssemos a prestar atenção, no final do primeiro grau, aprendemos que os maçons se devem “encontrar no nível”. Acho que os simbolismos do nível nestas duas instâncias sugerem que o nível tem algo significativo para nos ensinar sobre a vida e a morte.

Primeiro, qualquer pessoa familiarizada com as obras de William Shakespeare reconhece a frase “aquele país não descoberto, de cujo coração nenhum viajante retorna” de Hamlet, onde uma das suas interpretações é que significa morte. A partir disto, somos lembrados de que todos nós vamos morrer. Nós todos temos o mesmo destino; somos todos iguais neste aspecto. Textos do ritual que usamos nas nossas cerimónias públicas confirmam isso. No nosso ritual fúnebre somos encarregues de aprender, “a partir do nível, igualdade”. Também meditamos nesta passagem: “Quais são todas as externalidades da dignidade humana, o poder da riqueza ou os encantos da beleza quando a natureza já a afectou? apenas dívida? Vejamos a vida despojada dos seus ornamentos e exposta na sua fraqueza natural, e vemos a vaidade de todas as coisas terrenas, excepto aquelas que levam ao crescimento e à perfeição do carácter individual.

No túmulo todas as falácias são detectadas, todos os níveis são nivelados, todas as distinções são eliminadas. Aqui, o ceptro do príncipe e do mendigo jazem lado a lado”. Também aprendemos quando o 1º Vig∴, na sua instalação, assume o nível como a jóia da sua função, que “chegará a hora – e o mais sábio não saberá dentro de quanto tempo – quando toda a distinção, excepto a da bondade, cessar, e a Morte, o grande nivelador da grandeza humana, nos irá reduzir ao mesmo estado”. Todos somos, de facto, iguais na Morte.

Mas o que é que o nível nos ensina sobre a vida? Novamente do ritual de instalação do 1º Vig∴, “O nível demonstra que somos descendentes do mesmo rebanho, participamos da mesma natureza e compartilhamos a mesma esperança; e, embora sejam necessárias distinções entre os homens para preservar a hierarquia, nenhuma eminência da posição nos deve fazer esquecer que somos irmãos; pois aquele que é colocado no raio inferior da roda da Fortuna deve ter direito ao nosso respeito”. Reconhecendo que somos todos iguais na Morte, devemos também reconhecer que somos igualmente iguais na Vida. Este reconhecimento deverá mudar a maneira como vivemos. Deverá mudar a forma como nos tratamos.

Está intimamente interligado com a Justiça, não no sentido de retribuição por um mal feito, mas em tratar um ao outro com isso mesmo, “apenas devido, sem distinção“. Devemos amar-nos uns aos outros; devemos servir-nos uns aos outros. Devemo-nos tratar uns aos outros, melhor do que merecemos – todos, não apenas a pessoa que você gosta, não apenas a pessoa com quem você concorda, não apenas a pessoa que o trata bem, mas todos. Pois, como (Publicado em freemason.pt)somos iguais na morte, somos iguais na vida. Todos nós somos dotados dessa centelha divina; com uma alma; com aquela, “parte imortal que sobrevive à sepultura e tem afinidade próxima com aquela Inteligência Suprema que permeia e anima toda a natureza, e que nunca, nunca, nunca pode morrer”.

Sou levado a recordar-me de uma cena na palestra na próxima Festa do Cordeiro Pascal retratada pelo Rito Escocês. Na noite da Última Ceia, os discípulos de Cristo discutiram sobre qual deles era o maior. Assim como muitas vezes somos – como muitas vezes sou -, eles estavam preocupados com questões de ego e paixões que não têm importância. Jesus respondeu dando-lhes uma lição de sacrifício e humildade ao lavar os pés. É por este tipo de humildade, este tipo de sacrifício, este tipo de abnegação que o nível nos desafia a lutar. Estas são as coisas em que pensei enquanto contemplava o nível este mês. Essas são as coisas que tentei lembrar e aplicar às minhas interacções com os meus semelhantes.

Brian L. Pettice

Tradução de António Jorge

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2 Comentários em “Contemplando o Nível

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    A.’.Ir.’., parabéns!
    Cada dia mais através dos trabalhos dos IIr.’. é que consigo enriquecer meus conhecimentos.
    S.’.F.’.U.’.
    Ir.’. Nabôr Or.’.BHte.MG
    Loja Mestre Marca Príncipe de Gales # 10
    UNILOJA

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    Prezados Irmãos, parabéns pelo extraordinário trabalhos , que muito engrandece o nosso conhecimento .

    Grande abraço.
    Irmão Devaldo. Oriente de Gravatá .Pe
    Loja Fraternidade União Gravataense n.3555
    Grande Oriente de Pernambuco

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