Humanismo maçónico

A imagem mais tradicional da acção da Maçonaria sobre o homem é aquela em que vemos o próprio homem se esculpindo e surgindo de um bloco de pedra.

Talvez, o Irmão não se dê conta, mas esta imagem é exactamente uma contraposição ao Teocentrismo Medieval, que apregoava serem a origem, a acção e o destino de tudo e de todos, fundamentados apenas em dogmas religiosos. Em oposição a esta doutrina surge o Antropocentrismo apresentando a supremacia do homem, dotado de inteligência e discernimento como ferramentas adequadas para gerar o bem, manter o que é bom e garantir um futuro de felicidade.

O nosso foco não é tratarmos de teísmo, deísmo, agnóstico ou ateísmo e muito menos ter um pensamento anticlerical. A nossa herança Iluminista coloca-nos como agentes de transformação social “… tornar feliz a humanidade …” e sob o ponto de vista material, devemos estar no “centro do universo”.

Ao Maçom cabem posturas éticas e razão, que lhe darão respeitabilidade e credibilidade para cumprir o seu papel de construtor social. A Maçonaria, como filosofia moral, integrou para seu, o corpo do Humanismo secular que “é a corrente filosófica que tem como doutrina a razão humana, a justiça social e ética. O humanismo é uma postura ética, cultural, filosófica e artística surgida no século XV, na Europa, que enfatiza a importância dos próprios seres humanos como fonte de formação de valores”.

São sete os principais pontos de intersecção entre a Maçonaria e o Humanismo:

  1. O homem é o responsável directo pelos seus actos e consequências. Não credita ao sobrenatural as consequências dos vícios ou a falta de virtude. (malho e cinzel)
  2. O homem é dotado de meios para chegar à solução de um problema por evidências claras, aceitáveis e precisas; e usa, permanentemente, a razão. (régua e prumo)
  3. A moralidade e a ética dos actos não devem ser fundamentadas em preceitos religiosos, mas na honestidade, no amor e no respeito. (esquadro e nível)
  4. Como unidade base da sociedade, o homem procura a sua realização pessoal e nela insere o compartilhamento e a acção da sua evolução. (alavanca e trolha)
  5. Não há crenças com verdades absolutas. Os dogmas restringem as transformações naturais do homem e da sociedade. (compasso e transferidor)
  6. Na observação de pontos de vista divergentes, o homem equaliza as circunstâncias que o envolvem para a transformação necessária a evolução. (lápis e cordel)
  7. O desenvolvimento da sensibilidade, seja no campo das artes ou das questões sociais, amplia a percepção da sua torpeza e traz-lhe inspiração para aparar arestas e reconhecer o sublime em ângulos harmónicos (pedra bruta e pedra cúbica)

“O conhecimento humanista produz ideias. As ideias produzem sonhos. Os sonhos transformam a sociedade”

Augusto Cury

Sérgio Quirino

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