O Miosótis e a Anti-Maçonaria na Alemanha nazi

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A maioria dos maçons e a Maçonaria como um todo estão particularmente atentos à nossa herança. Tanto o Mestre Maçom mais experiente quanto o Aprendiz mais recente podem apreciar as lições e os conhecimentos que estão disponíveis para nós através de um estudo cuidadoso. A nossa reverência pela sabedoria das artes e ciências liberais fornece-nos uma perspectiva única sobre os fundamentos arquitectónicos e as colunas do mundo construído, bem como um respeito saudável pelos números e letras matemáticos. Além disso, vemos, como outros não, a beleza interna do mundo natural, desde a grandeza do sol, das estrelas e da lua, até ao simbolismo sagrado e solene da mais modesta planta de acácia. Ser Maçom é possuir um presente especial, estar sempre em busca de significado, presente ou oculto, no mundo à nossa volta.

O “forget-me-not” (não me esqueças) é o nome informal da flor Myosotis, geralmente conhecida por ser pequena, com 5 pétalas azuis ou roxas. Historicamente, ocupa um lugar na poesia de Wadsworth e Thoreau, nas lendas medievais alemãs, na hagiografia cristã e na história política inglesa. Para os maçons, o miosótis é um símbolo que nos recorda a resiliência e a resistência, e o amor pela Fraternidade e pelos seus princípios, mesmo em situações de angústia e de perseguição.

Desde a sua criação em 1933, a Alemanha nazista enfatizou fortemente a propaganda e alcançou uma percepção pública positiva dos seus objectivos ideológicos. Isto incluía restrições legais, políticas e cívicas contra os oponentes do regime e de todos aqueles que foram vítimas da sua rígida ideologia racial e social. Juntamente com judeus, homossexuais, aqueles que vivem com deficiências físicas e mentais, católicos e testemunhas de Jeová, etc., os maçons foram alvos de processos criminais e exclusão da sociedade.

Isto foi alcançado de várias maneiras. A Enabling Act de 1933 permitiu um decreto governamental no ano seguinte que dissolveu oficialmente todas as Lojas Maçónicas no Terceiro Reich, confiscou as suas propriedades e formalmente proibiu os membros da Maçonaria de aderir ao Partido Nazista. Em 1934/35, o Ministério da Defesa determinou que soldados, oficiais e funcionários civis não poderiam ser membros de organizações maçónicas, e Hitler declarou uma vitória sobre o “judaísmo internacional”, no qual vinculava o anti-semitismo às teorias da conspiração sobre a Maçonaria. Os maçons eram considerados prisioneiros políticos dentro do sistema de campos de concentração alemães e, portanto, forçados a usar o emblema do triângulo vermelho invertido.

Reinhard Heydrich, o chefe da Sicherheitsdienst (SD), uma organização de informação encarregada de encontrar e neutralizar a resistência ao Partido Nazi através de detenções, deportações e assassinatos, e que integrava as SS, rotulou os maçons como “os inimigos mais implacáveis da raça alemã”. Mais tarde, exigiu que a Alemanha “arrancasse de todo alemão a” influência indirecta do espírito judaico ” … “um resíduo infeccioso judeu, liberal e maçónico que permanece no inconsciente de muitos, sobretudo no mundo académico e intelectual”. As SS tinham dois departamentos separados dedicados à procura de propriedades maçónicas e de maçons, um processo que continuaria durante a guerra e em países sob controle alemão directo ou indirecto. A França de Vichy declarou os maçons “inimigos do estado” e, na Itália fascista, Mussolini pronunciou-se contra as conspirações judaico-bolchevique-maçónicas.

A Anti-Maçonaria assumiu muitas formas sob o regime nazi, tanto individuais quanto colectivas, e com cariz oficial e/ou informal. As acusações mais populares foram conspiratórias e anti-semitas. Ou seja, a Maçonaria estava ligada a uma variedade de inimigos nazistas – comunismo, imprensa internacional e judeus. Isto foi divulgado através jornais e de literatura do Partido, em discursos políticos e através de eventos de doutrinação, como exposições em museus. A título de exemplo, foram montadas exibições simuladas de lojas com esqueletos em trajes maçónicos ao lado de símbolos judaicos ou colocando o esquadro e o compasso sobre ou ao lado de uma estrela de David de seis pontas. Retratos de maçons proeminentes foram exibidos ao lado de um pergaminho da Torah, e posters com o local de acções políticas radicais europeias exibiam um avental maçónico.

A associação livre entre os maçons sob controle nazista, era perigosa. Havia irmãos, no entanto, determinados a não desistir da sua identidade como maçons, mesmo nestas circunstâncias mais difíceis. Por exemplo, no campo de concentração e mais tarde prisão de Esterwegen, os presos políticos belgas formaram a Loja Liberté chérie (Amada Liberdade) e conduziram reuniões e rituais em segredo nos anos de 1943-1944.

Em 1926, a Grande Loja da Alemanha realizou a sua reunião anual em Bremen, no norte da Alemanha e decidiu adoptar um distintivo azul com miosótis como emblema, produzido por uma fábrica local. Por coincidência, a mesma fábrica foi solicitada para produzir um alfinete de lapela azul em Miosótis em 1938 pela Organização Nacional de Bem-Estar Social Socialista, para comemorar seu Winterhilfswerk, ou acção de Inverno de contribuição para caridade. O símbolo era um presente para os doadores. Assim, o miosótis azul, aparentemente um símbolo da política social nazista, tornou-se um símbolo da Maçonaria – um emblema clandestino de filiação.

Alex Lehning

Traduzido e adaptado por António Jorge

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