O templo maçónico e os seus símbolos

Daremos inicio a estas reflexões sobre o Simbolismo do Templo, analisando previamente alguns conceitos, muitas vezes mal interpretados pelos que pertencem a esta Augusta Ordem. Refiro-me aos termos LOJA e TEMPLO.

Vamos analisar brevemente ambos os termos, desde os pontos de vista EXOTÉRICO e ESOTÉRICO.

Loja Maçónica

A – Exotérico

É o conjunto de pessoas que integram a família maçónica. Tal como a Igreja, que é simplesmente a congregação dos seus fiéis; a Loja não é um LUGAR FÍSICO, sendo a associação ou somatório daquelas pessoas que realizam o trabalho maçónico, quer dizer, a intenção de continuar o caminho que empreenderam no momento da sua Iniciação Maçónica. A única forma – portanto – de alcançar a verdadeira iniciação, pois é inegável que a cerimónia dedicada a este propósito, está constituída somente por uma série de símbolos que se oferecem ao Recipiendário, para que ele, com o trabalho tenaz e ininterrupto, alcance a Iniciação Real.

B – Esotérico

A Loja é a congregação do exército de virtudes que se unem e se dispõem na luta contra os instintos, os vícios e as paixões que a escravizam e lhe roubaram o seu reino.

Templo Maçónico

A-Exotérico

É o edifício, a estrutura física, na qual se reúnem os maçons para avançar na senda até a perfeição.

B – Esotérico

Desde este ponto de vista, podemos assinalar que o Templo Maçónico é o Corpo Humano, onde mora o SER, a Essência Infinita, o Espírito de Deus. É chamado de Templo porque não é outra coisa que o santuário que utiliza a Divindade (o homem é a chispa divina com os mesmos atributos do Criador) para manifestar-se neste universo físico.

Diferenças entre loja e templo

Do ponto de vista EXOTÉRICO existe uma diferença palpável, pois uma coisa é o conjunto de irmãos que se congregam para crescer em sabedoria e virtude, e outra, muito diferente, é o lugar onde se reúnem.

Todavia, quando observamos as coisas sob o ponto de vista que está mais além das aparências (ESOTÉRICO), damo-nos conta que não existem diferenças, pois assim como lá em cima, é em baixo, ou seja, que tanto as pessoas que se reúnem como as paredes do Templo, no qual trabalham, não são outra coisa que ENERGIA CONSCIENTE E INTELIGENTE. Todo este universo é uma, e exclusivamente esta, Energia que mantém cada coisa exactamente no lugar em que deve estar. Cada Ser Humano cria o seu próprio universo e o segue criando até o dia em que decide partir, para logo voltar a criar outro universo novo, na medida das suas necessidades espirituais.

O que contém uma loja e o que contém o templo maçónico?

A Loja sendo a congregação dos irmãos, que não são outra coisa que pequenos universos, contêm todas as virtudes e todas as boas intenções dos seus membros na sua luta para alcançar a Maestria sobre si mesmos. Ela é, então, o somatório das Luzes de todos e de cada um dos seus membros. Também na Loja se encontram simbolizadas todas as manifestações do universo físico que, observadas desde o ponto de vista esotérico, só reflectem a imensidão espiritual que se encontra no interior do Ser Humano.

O Templo, por sua parte, está pleno de Símbolos e Alegorias que servem para recordar aos Irmãos a sua origem celestial (por dar-lhe um nome) e que dentro do seu próprio corpo há tantas estrelas, ou mais, das que se encontram espargidas no espaço infinito.

A estes Símbolos dedicaremos alguns minutos da nossa exposição, não sem antes deixar bem assente – bem claro – que a palavra Templo implica o conceito de SAGRADO. Um Templo pode situar-se fora de nós mesmos ou pode encontrar-se na nossa interioridade, ficando sempre invariável esta condição de SAGRADO.

O Templo Maçónico – Os seus Espaços Físicos

O Templo Maçónico (Exotérico), geralmente é constituído por uma série de espaços entre os quais podemos destacar os seguintes:

– O Quarto (Câmara) de Reflexões

Câmara de Reflexões

Representa o planeta Terra no qual nascemos, morre mos e encontramos o repouso eterno. O Q∴ Ir∴ Pedro Barboza de la Torre, Grande Inspector Geral da Ordem, numa das suas importantes obras, manifesta que este simboliza, em primeiro lugar, a Matéria que é a base dos seres e que se oferece aos sentidos em diferentes estados. Representa, também, o centro da terra e a matriz da mãe, onde o novo ser se forma e se prepara para nascer. Ali morre o homem para os vícios e as paixões e nasce para praticar a virtude, a sabedoria e o bem.

– Salão de Banquetes

Local destinado à celebração de reuniões do tipo social.

– Câmara de Mestre ou Câmara do Meio

Lugar onde os Mestres Maçons realizam os seus trabalhos.

– Sala dos Passos Perdidos

Lugar onde se concentram os Irmãos antes de entrar no Templo propriamente dito ou lugar de trabalho (Câmara). É o lugar onde devem ser recebidos os Visitantes antes de serem anunciados. É ali e não dentro do Templo onde se assina o Livro de Presença e a Prancha Convocatória ou de Citação. Também é ali onde os Irmãos devem colocar os Aventais, Colares e demais condecorações.

– Átrio

É a linha, ou espaço físico, que separa o mundo profano do sagrado, pois é neste lugar que os maçons se recolhem e se concentram, antes de entrar no Templo. É, segundo Juan Carlos Daza, no Dicionário da Franco-Maçonaria, o “umbral do Templo e simboliza o espaço de trânsito e de união, que separa o exterior do interior, e é onde se espera, em recolhimento, para ser acolhido ou introduzido”.

Para Lorenzo Frau Abrines – para citar outro autor -, é o espaço ou sala que se acha diante da entrada ou porta do Templo onde se celebram os trabalhos. Alguns autores o chamam Parvis, que segundo eles, é a peça que precede ao Templo.

– Templo ou Câmara – Os seus Símbolos

O Templo é um lugar fechado onde se realizam os trabalhos maçónicos no grau de Aprendiz, e que tem a forma de um paralelogramo ou quadrado oblongo, estendido do Oriente ao Ocidente, quer dizer, em direcção à Luz; a sua largura é de Norte ao Sul, a sua profundidade é da Superfície ao Centro da Terra e a sua altura do Zénite ao Nadir, porque a Maçonaria é, simplesmente, Universal e o Mundo é uma Loja.

O Templo não tem janelas, por quanto não deve receber luz de fora, senão que, exclusivamente, de dentro, e só uma porta de entrada localizada no ocidente, pois o homem entre e sai deste mundo por uma só porta.

O Templo Maçónico, diz-nos Juan Carlos Daza, “é a matriz, é o Athanor hermético, onde renasce a vida espiritual mediante a correcta utilização dos símbolos e das ciências, os quais operam como portadores de uma mensagem que nos regenera, quanto mais interiorizamos a sua significação espiritual e operam com utensílios ou ferramentas para edificar o nosso templo interior, o qual vive dentro da dialéctica d o movimento do mundo, da sua criação e da sua destruição”.

Por sua parte, Orlando Solano Barcenas, faz uma interessante descrição na sua obra “A Loja Universal”: “O Templo maçónico não é a simples delimitação arquitectónica de um espaço qualquer, senão a consagração simbólica de um espaço considerado sagrado”.

Por sagrado não deve entender-se religioso. A respeitabilidade do templo ou a sua sacralidade fazem com que este lugar participe de uma série de valores culturais, éticos e simbólicos que o convertem no reflexo de uma cosmovisão própria do pensamento maçónico…”.

O Templo – antes que procedamos a entrar nele – “como lugar respeitável permanece separado do nível da experiência corrente, banal ou quotidiana. Noutros termos, permanece separado do profano e das indiscrições do mundo exterior”. Dentro do Templo, logicamente, não se deve fumar, comer nem beber e sempre há que se penetrar nele com as insígnias do grau devidamente colocadas, em silêncio e respeito, evitando todo o tipo de conversação, por quanto é um lugar destino ao trabalho interior.

A respeito, o Dr. Serge Raynaud de la Ferhere, no Livro Negro da Franco- Maçonaria, destaca que “frequentemente o Templo não corresponde senão que a um simples nome, em vez de possuir todas as suas qualidades; com efeito o Santuário deve estar glorificado da presença do G∴ A∴ D∴ U∴ e, por tanto, não é só o ritual parafraseado o necessário, senão que um ambiente muito especial”.

Como assinalamos antes, o Templo Maçónico só tem um lugar para ingressar, de maneira que vamos agora penetrar nele e, para isto, falemos em primeiro lugar da Porta, que como o seu nome o indica é o lugar de entrada ou de saída de todo o aposento fechado ou, também, o elemento arquitectónico que facilita a passagem entre duas áreas separadas por algum tipo de fecho. Do ponto de vista maçónico é a abertura que comunica dois mundos, é dizer o mundo profano e o mundo sagrado.

Juan Carlos Daza: “A porta da Loja é, por si mesma, um Templo; as suas duas colunas e a arquitrave representam o ternário e o elemento fundamental de toda a construção”. Este mesmo autor manifesta que “na cerimónia de iniciação, o recipiendário trespassa a primeira porta, ao ser despojado dos metais… Esta porta é muito baixa, não como sinal de humildade, senão que para assinalar a dificuldade da passagem a uma nova vida, como a chança que vem ao mundo e começa a aprender a andar avançando primeiro de gatinhas”. Jorge Adoum, em “As Chaves do Reino Interno”: “A porta do Templo é a primeira estância da iniciação interna; para aprender os mistérios do espírito, deve-se entrar no Templo interior onde estão ocultos tesouros”.

Orlando Solano Barcenas, em “A Loja Universal”: “A sua forma, a sua situação e a sua orientação, traduzem uma série de escolhas de valores espirituais e culturais que, no seu simbolismo, servem para diferenciar o espaço sagrado do Templo Maçónico”. “Fixa a direita e a esquerda do Templo, direcções simbólicas que traduzem a base do triângulo que fixa a hierarquia da Oficina. Representa a aurora, porque no seu umbral, participa também da sacralidade ao separar e definir o interno território sagrado, vedado aos intrusos, aos profanos”.

No Templo de Salomão, segundo está estabelecido no Primeiro Livro de Reis, tal como na maioria dos templos ou antigos santuários, cujas características eram similares, havia um Pórtico ou Ulam de 20 côvados de largura, por 10 de comprimento e 30 de altura, além do Lugar Santo ou Heijal ou, ainda, Hekal e o Sancto Sanctorum ou Debir.

Diante do Pórtico havia duas grandes colunas de bronze, ou revestidas dele, que constituíam a Porta do Templo, que não tinham razão estrutural alguma e cuja intenção era estritamente simbólica.

Da análise destes conceitos e os de muitos outros autores, como Edgar Perramon, no “Breve Manual Maçónico”, que expressa que “A entrada estavam duas colunas, B (a força) e J (a beleza) sobre as quais se encontravam o

Universo e uma Romã ligeiramente aberta como símbolo da maturidade”. Raymond Capt, no “Templo do Rei Salomão”; em “Meus Três Passos”, de Pedro Camacho Roncai; e também Jorge Adoum, em “O Aprendiz e os seus Mistérios”, referem que “entre ambas as colunas se achava a porta do Templo”. Alee Melor, na sua obra “A Encruzilhada da Maçonaria”, Tomo II, diz que “A porta da Loja se achava no Ocidente, quer dizer, frente ao Oriente, entre duas Colunas, com capitéis ornados de lírios e coroados de maças e romãs simbolizando a família”; poderíamos então considerar que a Porta do Templo Maçónico está constituída pelas duas Colunas (B e J) e que o espaço entre a porta física e estas duas colunas poderia ser o Átrio. Todavia, outra consideração poder-nos-ia levar a pensar que as duas colunas sejam colocadas uma a cada lado da porta.

Colunas

No Templo Maçónico encontramos as colunas sob diversas formas. Todavia, hoje daremos maior ênfase às duas colunas que, como antes expressamos, constituem a Porta do Templo, é dizer as colunas B e J. Estas são construídas de bronze ou imitação deste metal, de Ordem Coríntia, sobre cujos capitéis se encontram romãs entreabertas e lírios e, sobre cada uma das colunas uma esfera, a primeira terrestre, para simbolizar a matéria, o inferior, e a outra celeste, para representar o espírito, ou seja, o superior. Na primeira, ou seja, a B, se localiza a terrestre e no capitel da outra – J – a esfera celeste. Estas colunas demarcam o local de trabalho dos Aprendizes e dos Companheiros e recordam as colunas que adornavam a entrada do Templo de Salomão, em Jerusalém.

De acordo com estudos realizados se estima que estas colunas, como antes de indicou, eram totalmente ocas e, na sua parte posterior, para que não fossem observadas desde a entrada do Templo, tinham 3 (três) pequenas portas, uma sobre a outra, que serviam como caixas para os arquivos, para guardar o Livro da Lei e outros documentos.

Estas colunas, segundo Aldo Lavagnini: “representam os dois princípios complementares, humanizados nos nossos dois olhos, qualidade manifesta em quase todos os nossos órgãos, nos lados direito e esquerdo do nosso organismo e nos dois sexos que integram a espécie humana e se reflectem em todos os reinos da vida e da natureza”.

W. Leadbeater: “estas duas colunas estão colocadas à entrada do Templo, porquanto por ela havia de passar quem, procedente do mundo profano da vida ordinária, entrava no mundo superior da Loja e, sob este aspecto, simbolizavam o vencer, na natureza inferior, da turbulência das emoções pessoais e a velocidade da mente concreta”.

Serge Raymond de la Ferhere, no seu “Livro Negro da Franco-Maçonaria”: “Estas duas colunas correspondem, ademais, ao Phallus Ideal (Princípio Criador) e a Cteis Formal (Princípio Chado); a inserção do Phallus vertical na Cteis horizontal forma o staurus dos Gnósticos e, ainda, a nossa Cruz Filosófica. É o homem e a mulher; o Princípio e o Verbo, o activo e o passivo, a unidade (J) e o binário (B) ou, também, o Ying (Unidade) e o Yang (Binário).

Jorge Adoum: “Estas duas colunas do Templo da Sabedoria, que é o homem, são o símbolo do aspecto dual de toda a nossa experiência no mundo terrestre. É a dualidade dos nossos órgãos. São os dois lados – direito e esquerdo – do nosso corpo; são os dois sexos; são os dois princípios – positivo e negativo – que integram o homem; são, por fim, Actividade, Inércia-Espírito, Matéria- Essência, Substância-Enxofre e Sal representados no Quarto (Câmara) das Reflexões”.

Finalmente, para referirmos as colunas B e J, é importante destacar como resultado das investigações e estudos arqueológicos do Templo de Salomão, que estas não cumpriam nenhuma função na estrutura, além de decorativa e eminentemente simbólica, constituindo-se na verdadeira Porta do Templo. Esta circunstância faz-nos pensar, então, que as doze colunas chamadas Zodiacais, porque sobre elas se situam os signos do Zodíaco, devem estar localizadas, seis a cada lado do Templo, sem incluir, todavia, o Oriente. Destas doze colunas poder-se-ia assinalar muitos conceitos, aos quais os estudiosos da matéria têm dedicado muitas páginas, todavia o tempo não o permite hoje, de maneira que só deixaremos como matéria de investigação, que estas simbolizam as doze pedras brancas com as quais Moisés circunscreveu o terreno sagrado ao pé do Monte Sinai, para colocação da Arca da Aliança.

O Dr. Jorge Adoum, em “As Chaves do Reino Interno”, escreve a respeito:

Assim como as doze colunas da Loja indicam os doze signos do Zodíaco, dentro do corpo físico se acham doze partes, doze faculdades que estão influenciadas por aqueles signos e que estão repartidos ao redor do Sol espiritual do homem. O ano tem doze meses, Jacob teve doze filhos, Jesus doze discípulos e o homem como contraparte da Lei cósmica tem doze faculdades do espírito nele. Durante o ano o Sol Pai visita os seus doze filhos, no Zodíaco, o Sol Cristo no homem também vivifica durante o ano as doze faculdades, representadas pelos doze filhos de Jacob ou discípulos de Jesus… as doze colunas representam as doze faculdades do Espírito, colocadas no corpo físico do homem”.

Também são colunas os bancos localizados ao Norte e ao Sul do Templo, onde se situam os membros das Lojas quando realizam os seus trabalhos e recebem o nome de Colunas do Templo.

A Coluna da Harmonia, que não deve faltar nos Templos Maçónicos, cuja origem corresponde à época do reinado de Luís XV, para referir-se ao conjunto de instrumentos que harmonizava as cerimónias. Hoje, nos nossos dias, se refere ao dispositivo de reprodução musical que é utilizado para a execução de música apropriada, especialmente durante a execução das cerimónias rituais. Finalmente, assinalamos as Três Grandes Colunas que sustentam o Templo Maçónico, chamadas de Sabedoria, Força e Beleza. Também chamadas Colunas de Ordem. A primeira, Sabedoria, corresponde ao Venerável Mestre, ou seja, a inteligência criadora que concebe e manifesta interiormente o plano do G∴ A∴ D∴ U∴ , representada pela Deusa Minerva; a Força, que corresponde ao Primeiro Vigilante, é a força volitiva que trata de realizar o que a primeira concebe, representada por Hércules e a Beleza, consignada ao Segundo Vigilante e representada por Vénus. Estas três faculdades também as encontramos dentro do mesmo homem, segundo nos diz Jorge Adoum. Recebem, também, o nome de Colunas Morais. A Sabedoria, ou pensamento que a dirige; a Força, ou Energia Moral que a executa e a Beleza, ou Harmonia das forças mentais.

Estas Colunas, e tudo quanto encontramos no Templo Maçónico, descansam sobre um ladrilhado ou Pavimento Mosaico, como um tabuleiro de Xadrez, com múltiplos significados, entre os quais hoje destacamos, somente, o aspecto positivo e o negativo que tudo tem na vida; também a diversidade de raças, classes, religiões, nacionalidades que podem ser aceitos nos Templos. Há quem o interprete como as Virtudes ou como a alma pura do iniciado, representada pela cor branca e as paixões e vícios que acompanham o profano, pela cor negra. Também a quem nos indique que os quadrados brancos e negros entre si representam o contraste de posições sociais, ideias políticas e crenças religiosas dos maçons, os quais, apesar da diversidade de critérios de cada um, podem viver na mais absoluta harmonia dentro da Ordem.

O Piso

Concluímos sobre o piso do Templo Maçónico, assinalando que este conjunto harmónico de mosaicos brancos e pretos ensina-nos que não existem desigualdades entre os seres humanos, sem importar a origem, pois, em todos os lugares, o homem sempre será o mesmo e sem divisões de nenhuma ordem.

O Teto

O Templo está coberto por uma Abóbada ou Cúpula, decorada com imagens celestes com a finalidade de representar as constelações, sobre uma cor azul celeste, mais clara no Oriente do que no Ocidente. Juan Carlos Daza, expressa que esta Abóbada Celeste nos indica que “o Céu (Princípio Activo ou masculino) complementa a Terra (passiva e feminina) e da sua união surge o homem (filho do céu e da terra) ou o embrião do imortal (simbolismo alquímico)”.

Pedra Bruta

Pedra bruta

Colocada ao pé da Coluna do Norte, ou coluna B, esta pedra manifesta-nos o estado de ignorância que tem o homem como consequência dos vícios e das paixões. O Maçon, desde o momento da sua Iniciação, tem como labor fundamental poli-la com o malho da constância e com o cinzel da vontade, para transformá-la em Pedra Cúbica ou polida.

Aldo Lavagnini, no “Manual do Aprendiz”: “Neste trabalho simbólico (polir a pedra bruta), o Aprendiz é, a um só tempo, obreiro, matéria prima e instrumento”.

Federico Landaeta, no livro “Maçonaria Dinâmica”: “Deixemos de actuar inconscientemente, despertemos a realidade Maçónica, ponhamos mãos à obra e talhemos esta pedra bruta tão valiosa. Cumpramos a nossa obrigação primordial: deixemos as cadeias que os vícios e os convencionalismos nos impõem e submetamos, sem piedade, estes tiranos que nos escravizam e nos subjugam, impedindo-nos de talhar a pedra. Que possamos talhá-la habilmente para que a Luz possa ser reflectida em todo o seu esplendor”.

Serge Raynaud de la Ferhere: “A pedra bruta não deve ser nada mais que um seixo abandonado á entrada do Templo, nem tampouco um símbolo ao qual apenas se concede uma ligeira alusão: é necessário TRABALHÁ-LA”.

A Pedra Bruta é, em definitivo, a mais autêntica representação simbólica da personalidade e do carácter do homem quando este se encontra no estado de imperfeição, quer dizer de vícios e paixões e, ao mesmo tempo, carregado de ignorância.

Não deve faltar em nenhum Templo Maçónico, pois recorda-nos que somos Aprendizes e que só com o trabalho, o estudo e com a prática das virtudes, poderemos alcançar uma educação exemplar e purificar os nossos corações no levantar do nosso templo espiritual.

Mar de Bronze

Alguns passos mais adiante da Pedra Bruta, deparamo-nos com o Mar de Bronze, que simboliza a grande pia de bronze que se encontrava no Átrio do Templo de Salomão, no lado esquerdo.

Alguns autores assinalam que a colocação dos bois com os quatro pontos cardeais (sustentação do Mar de Bronze), possivelmente indicava que os sacerdotes deviam lavar as mãos todos os dias neta pia, durante as quatro estações do ano, como um símbolo da necessária purificação diária do seu respectivo ser espiritual.

No Ritual e Catecismo da Grande Loja da República da Venezuela, encontramos que, numa das viagens simbólicas, especificamente na Segunda Viagem, o Recipiendário é conduzido ao Mar de Bronze, onde são submersas as suas mãos três vezes. Concluída a viagem, o Venerável Mestre dirá: “Haveis recebido uma tríplice ablução, para purificar vosso corpo, assim com a virtude deve purificar vossa alma, representando, ademais, vossa vitória sobre o terceiro elemento: a Água”. Este acto deve ser considerado, precisamente, como um símbolo da necessária purificação diária do seu respectivo ser espiritual.

Diego Rodríguez Mahno, no livro “Os Mestres Construtores”: “O recipiente simboliza a matriz onde se gera a vida que surge da água. Os doze bois que o sustentam, as forças cósmicas actuando num mundo da manifestação material, representadas pelos doze signos do zodíaco, relacionados com as Tribos de Israel, dirigidas no Leste, por Judá (o leão), ao Sul, por Ruben (o homem), a Oeste por Ephrain (o boi) e ao Norte por Dan (a águia), assinalando os quatro pontos cardeais e os elementos”.

Max Heindel, em “Iniciação Antiga e Moderna”: “O Mar de Bronze, é o símbolo da santificação e da consagração da vida para o serviço”. Mais adiante expressa: “Tal como o Espírito Santo descendo sobre Jesus quando saiu da água baptismal da consagração, assim também o Maçon místico que se banha no Mar de Bronz e, começa a ouvir, debilmente, a voz do Senhor dentro do seu próprio coração, ensinando-lhe os segredos da Arte que deve usar para benefício dos seus semelhantes”.

Para concluir este aspecto, vou permitir-me citar uma parte do trabalho apresentado pelo Ir∴ Joseph Tuza Lukas, e publicado na Revista Maçónica da Venezuela: “Só um néscio seria capaz de considerar-se limpo de manchas durante a cerimónia de Iniciação, purificado de todos os seus vícios e paixões, defeitos e pecados porque umedeceu as pontas dos seus dedos… Um espírito libertino e dissoluto por natureza, jamais será limpo, nem purificado por nenhuma água, se o mesmo não for capaz de purificar o seu espírito, lustrar o seu coração nas águas da bondade e purificar-se nas águas das fontes da misericórdia e da clemência”.

Paredes

Falámos sobre o piso e o tecto e agora vamos referir-nos, de maneira muito breve, às suas Paredes. O Ritual diz-nos que “as paredes devem estar revestidas ou atapetadas com a cor vermelha. Porquê esta cor?

A cor vermelha refere-se ao fogo que era o símbolo da regeneração e da purificação das almas. É também afecto, caridade e entusiasmo pela beneficência.

Diz-se, também, que esta cor representa o ardor e o zelo que devem animar aqueles que possuem a parte suprema da Maçonaria e é a cor que adquirem o ferro e outros metais quando são submetidos a temperaturas muito elevadas. Juan Carlos Daza, no “Dicionário da Franco-Maçonaria”: “Em Maçonaria a cor vermelha é a cor do fogo e signo da afeição, caridade, filantropia e do conhecimento. Simboliza a inteligência, o rigor e a glória. É a cor da coluna B (conhecimento) e da coluna da Força (poder, potência), da fita que orla o Avental do Mestre (sabedoria), das paredes do Templo das Lojas Simbólicas (recinto sagrado).

Altar dos Juramentos

Avancemos agora até o centro do Templo e ali encontrar-nos-emos com o primeiro dos Altares. O Altar dos Juramentos, chamado também ARA, que consiste numa pequena mesa ou coluna de forma triangular, elevada sobre três pequenas plataformas, cujas faces olham para o Ocidente, o Sul e o Norte, respectivamente. Sobre o Ara ou Altar deve colocar-se um coxim de forma triangular, estofado na cor vermelha, ricamente adornado com franjas de cor vermelha.

Sobre este coxim coloca-se o Volume Sagrado da Lei (Bíblia), um Esquadro e um Compasso que, como sabemos, constituem as Três Grandes Luzes da Maçonaria. Além disto, coloca-se a Constituição Maçónica da Grande Loja e uma Espada Flamígera debaixo da Bíblia , apontando para o Oriente.

O Altar é semelhante, segundo muitos dos autores investigados, ao Tabernáculo do Povo Hebreu e, também, aos altares egípcios e romanos, pela forma da sua construção. Representa a verdade que todo o Maçon deve descobrir pela perseverança, o estudo e a constância da prática de todas as virtudes. Ao redor deste Altar encontramos três pequenas Colunas (Sabedoria, Força e Beleza), dispostas em forma de Esquadro, sobre as quais se colocam Círios, que permanecerão acesos durante os trabalhos na Loja (estrelas). Estas três Luzes que ardem, simbolizam a Ciência, a Virtude e a Fraternidade.

O Dr. Pedro Barboza de la Torre, justifica a forma triangular do Altar porquanto “parece mais simbólica, porque é o rodapé de uma coluna triangular truncada, símbolo de uma vida interrompida pela morte. O homem é uma tríade e pertence, simultaneamente. Ao reino biológico, ao psicológico e ao social. O Ara é, além disso, símbolo da tumba, para a qual caminha o homem. Entre Colunas, o Maçon representa o homem que nasce, mas este homem marcha até à Ara. Tudo está relacionado com o tempo em que deve trabalhar. Com efeito, o Aprendiz trabalha desde o Meio-Dia (quando vê a Luz, entre Colunas) até a Meia-Noite (quando morre). Se é Maçon desde o dia em que recebe a Luz, até o dia em que se apaga nele a vida e morre”.

O Altar ou Ara constitui o lugar mais importante e mais sagrado do Templo Maçónico, pois à sua frente realizam-se os actos mais solenes, tais como juramentos, consagrações, afiliações e outros sendo imprescindível para todo o trabalho em Loja. Nele o Candidato deposita durante a sua iniciação as suas paixões e os seus vícios como uma oferenda e sacrifício à deidade e oferece os seus pensamentos de um coração puro, como o incenso mais justo para o G∴ A∴ D∴ U∴.

É a imagem do desconhecido, do espírito, do misterioso e dá-nos a imagem de uma tumba.

Os outros dois altares a que se referem alguns autores, como partes do Templo Maçónico são: o Altar das Abluções, conhecido também com Mar de Bronze, do qual fizemos antes referência, e o Altar dos Perfumes onde se queimam incenso (geralmente localizado no Sul, próximo do Segundo Vigilante.

Cadeia de União

Cadeia de União

A maioria dos autores que estudam o Simbolismo do Templo chama de Cadeia de União a que se localiza na parte superior do Templo e chamam-na, simplesmente, Cadeia. Outros a chamam de Cadeia da Fraternidade, deixando o termo Cadeia de União para aquela que efectuam os membros das Lojas, no final das Sessões ou em Rituais de Pompas Fúnebres.

Em todo o caso, convém ressaltar, nesta ocasião, que no interior do Templo Maçónico, na sua parte superior, rodeando as paredes do mesmo, encontra-se pendurada ou pintada uma cadeia de elos ou, no seu lugar, uma corda com nós que se abrem no Ocidente, no centro, sobre a porta de entrada.

Esta Cadeia representa os maçons esparsos sobre a superfície da terra e a união entre cada um destes; manifesta-nos, além disto, que a solidariedade maçónica jamais deve romper-se.

O cordão é uma alegoria da Elíptica que recorre a terra, no seu movimento de translação para produzir as quatro estações do ano. Os doze nós correspondem, também, às doze colunas que, excepto no Oriente, rodeiam o recinto da Loja; há quem os denomina de laços de amor que terminam em duas borlas que caem sobre as esferas que sustentam as duas colunas de entrada do Templo.

Aldo Lavagnini, diz no “Manual de Aprendiz”: “Debaixo do tecto, desde a porta ocidental, onde terminam os seus dois extremos, esta é a mística Cadeia de União, entrelaçada em doze nós laterais e descansando sobre os capitéis de doze colunas distribuídas assim: seis no lado Norte e seis no Sul, simbolizando os seis signos ascendentes e os seis signos descendentes do zodíaco”. O que parece um erro é que a Cadeia permaneça unida ou fechada em todo o comprimento e largura, dadas as múltiplas explicações que se encontram na bibliografia existente para referir-se a este símbolo, especialmente a que nos indica que o sector aberto no Ocidente, sobre a Porta do Templo, simboliza que por ali podem integrar-se novos Irmãos, cuja intenção seja a de fazer maior e mais forte a Cadeia Universal.

Em relação à Cadeia de União, é interessante destacar que, quando esta se realiza ao final das Reuniões, está a conseguir-se, segundo o manifesta Juan Carlos Daza, “uma importante união encadeada e fraterna de todas as forças vivas presentes na Loja que, desta maneira, estabelecem uma comunicação subtil e espiritual entre as suas respectivas individualidades, servindo isto de suporte à manifestação da influência sagrada”. Também este autor manifesta o seguinte: “Para que a Cadeia de União seja efectiva, deve assinalar-se uma finalidade a mesma, para que o Venerável Mestre, por si ou solicitando a outro irmão, proponha uma dedicação sobre a qual se concentrem todos os que a compõem. Este é o ponto material desde o qual se canalizam as vontades que, ao tender para um fim comum, se somam e projectam até os planos subtis”.

Esta é uma boa prática que as Lojas deveriam seguir, porquanto se trata de uma viva alegoria do formoso símbolo que representa a fraternidade, a solidariedade e a união de todos os maçons do mundo.

Francisco Ariza expressa que “ao mesmo tempo, no rito da Cadeia de União, concentra-se a entidade colectiva constituída por todos os antepassados que realmente participaram da Tradição e o seu conhecimento, e dos que se diz que moram no Oriente Eterno…”.

Percorremos o Templo desde a sua Porta, quer dizer desde as suas Coluna B e J, às quais dedicámos alguns minutos, revimos alguns conceitos gerais de alguns dos seus símbolos básicos, tais como a Pedra Bruta, o Ladrilhado ou Pavimento Mosaico, a Abóbada Celeste, as diversas Colunas, o Altar dos Juramentos ou Ara, a Cadeia e a Cadeia de União, o Altar dos Perfumes, o Altar das Abluções ou Mar de Bronze, e a cor das paredes.

Chegamos agora, através de Três Degraus, ao Oriente, que é o espaço constituído entre o início dos degraus e a parede oposta ao Ocidente. A origem dos Três Degraus a encontramos no Egipto, pois nos seus Templos, era indispensável ascender através de três degraus, para alcançar a entrada ou chegar aos altares destas edificações, ao ponto em que podemos afirmar que não existe um local onde se encontre um objecto sagrado que não tenha três degraus para poder chegar até eles.

Para alguns autores, estes Três Degraus simbolizam a Força, a Beleza e a Pureza, porquanto o Maçon deve ser Forte, não só desde o ponto de vista físico, senão também no seu aspecto Moral, para poder dominar com êxito, os obstáculos que vá encontrando no transcorrer da sua vida. Deve o Maçon amar a Beleza, em qualquer das suas manifestações, porquanto no Belo, se manifesta tudo quanto seja nobre, sublime e grande. E, finalmente, simboliza a Pureza, porquanto a actuação de todos os membros da Ordem deve estar sustentada pela pureza das suas acções, das suas palavras e dos seus pensamentos.

Para outros representa a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade, pois o Maçon deve amar a Liberdade sobre todas as coisas, porquanto constitui a mais importante aspiração humana. O Maçon deve, além disto, velar pela mais absoluta igualdade entre os homens, não reconhecendo entre eles outra diferença que o talento e as virtudes. Um homem iniciado nos Augustos Mistérios da Franco-Maçonaria deve ser, também, um extraordinário propulsor da Fraternidade, muito especialmente com os seus irmãos, filhos de uma mesma mãe, a natureza.

A. Gallatin Mackey, diz: “Os três degraus representam, exotericamente, as três etapas ou fases da vida – juventude, virilidade e velhice – ou seja, os três degraus de progresso através dos mistérios da vida”.

Oriente

É o lado oposto a Porta, localizado sobre o nível do piso do Templo. Encontra-se separado do resto do Templo por uma balaustrada ou beirada que se levanta de ambos os lados e se acede como já antes mencionado, por meio de três degraus. É o lugar de trabalho do Venerável Mestre, no seu Trono, dispostos sobre dois degraus, em cujos lados se encontram o Sol e a Lua. O Oriente é a fonte da Sabedoria, motivo pelo qual os maçons marcham até ele, em busca do conhecimento.

J. M. Ragón, diz: “A palavra Oriente, empregada para designar o lugar em que se encontra o Venerável Mestre e os Irmãos Dignitários da Ordem , anuncia o local de onde surge a Luz Física que nos ilumina, para cuja luz dirige constantemente o homem o olhar considerando-a como origem de todas as existências… recorda-nos que os mistérios da sabedoria vieram dos povos orientais, dos quais procedem todos os conhecimentos”.

O Venerável Mestre situa-se no seu Trono, disposto sobre dois degraus. Por trás do Trono, na parte superior e sobre a parede, encontra-se o Dossel, com franjas e adornos de ouro e, sobre este, um triângulo dourado com um olho dentro de um círculo, simbolizando a excelência da Criação, a perfeição divina que não tem começo nem fim, representando a universalidade do G∴ A∴ D∴ U∴ . Em alguns casos, este triângulo resplandecente ou Delta, leva inscrito no seu centro, em caracteres hebraicos, a palavra I.O.D., cujo significado é DEUS, ou seja, o nome de JEHOVÁ.

O Dossel tem a forma de um quadrado oblongo, coberto por uma espécie de tecto sem-circular, do qual pende, em ambos os lados, uma peça de seda simetricamente colocada.

Juan Carlos Daza, diz: “O Dossel é símbolo de protecção para aquele que se situa sob ele, e por isto, tradicionalmente, era colocado sobre os tronos dos Reis, Papas e Imperadores. Representa a dignidade do que é centro de radiação e do mundo. Se é rectangular simboliza o reino terreno, se é circular o reino sagrado”.

O Delta ou Triângulo Resplandecente, antes referido, nos sugere a trindade do homem feita a imagem do Criador. Cada um dos seus lados nos manifesta o mistério da Unidade, da Dualidade e da Trindade, quer dizer, o verdadeiro Mistério da Origem de todas as coisas e de todos os seres. Desde o Triângulo que forma o Delta propriamente dito, irradiam nos seus três lados grupos de raios que terminam numa coroa de nuvens. Estes raios simbolizam a força expansiva do Ser Interno, que desde o ponto central no homem se estende e enche o espaço infinito. A coroa de nuvens indica a força cristalizada, ou a matéria interna e invisível e se condensa com o movimento de contracção (Jorge Adoum).

Chegamos ao fim desta exposição depois de ter percorrido e revisto alguns dos Símbolos Fundamentais do Templo Maçónico, todavia, convém recordar o que o ilustre Irmão Luís Umbert Santos escreveu: “O Simbolismo, é alma e vida da Franco-Maçonaria, nasceu nela, é o germe do qual brotou a árvore Maçónica e o que ainda a nutre a anima. Despojar a Franco-Maçonaria do Simbolismo (Símbolos e Alegorias) como sonhou alguma vez algum iludido possuído pela febre modernista, seria tirar-lhe a alma e o corpo, e reduzi-la a uma massa inerte de matéria, só capaz de uma rápida decomposição”. Permitam-me concluir a nossa exposição de hoje, destacando que, em definitivo, o Templo é um lugar de convivência, no qual os homens se conhecem, se descobrem e se percebe o mundo mais além das doutrinas, das religiões ou das crenças. Um lugar que deve ser respeitado em toda a circunstância e momento, máxime quando nele se realizem trabalhos de Loja.

Tradução de José Carlos Michel Bonato

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