Porque os Maçons chamam Deus de Grande Arquitecto do Universo

God

No princípio Deus criou o céu e a terra. A terra, porém, estava informe e vazia, e as trevas cobriam as faces do abismo; E o Espírito de Deus movia-se sobre as águas”.

Génesis, 1; 2,3

Ele era chamado a “Existência Negativa”,
Que estava sozinho no espaço atemporal;
Por isso tornou-se “ Existência Positiva”,
Gerando para si mesmo u’a parte material.

É bem possível que o Big-Bang dos ateus,
Que o cientista diz que vê no telescópio,
Na verdade seja o momento em que Deus,
Está se tornando o obstetra de si próprio.

Essa visão é meio estranha, eu reconheço;
Mas dessa forma soluciona-se o problema
Que é pensar para este mundo o Começo.

Para quem achar tudo muito controverso.
Fica a pergunta que me inspira este tema:
O que era Deus antes de ser o Universo?

O Conceito universal de divindade

A ideia da existência de Deus é um conceito universal, apriorístico e fundamental que a mente humana precisou desenvolver para justificar a sua própria existência. Sem este conceito o homem seria um ser-meio, sem perspectiva de origem e finalidade, guiado unicamente pelas leis do próprio sentido. Se assim fosse, ficaria perdido por meio do niilismo de uma existência sem propósito, que só se justificaria pelo nível de prazer que conseguisse obter em cada acção que realizasse.

A tentativa de encontrar uma unidade morfológica para o conceito de Deus é uma preocupação que já vem dos primórdios da nossa história. Vários doutrinadores já intentaram essa façanha. Zaratustra procurou integrar esse conceito na sua doutrina dualista, que via na divindade Marduc / Aura Mazda a imagem da luz (o bem) e em Arimã a imagem das trevas (o mal); Lao Tsé e os sábios chineses da antiguidade desenvolveram a mesma ideia no conceito do Tao, o Sem Nome, princípio único, incriado, que se equilibra na acção de duas forças contrárias, o positivo e o negativo (Yin / Yang); Na Índia dos brâmanes este conceito fundia-se em Bhraman, o Espírito de Deus, a não essência que congregava em si todas as formas universais.

A visão bíblica de Deus

Mas foram os hebreus que melhor sintetizaram esse princípio na ideia do Deus único, universal e inominado, princípio e fim de todas as coisas. Com os hebreus, o conceito de Deus, que parecia uma abstracção só possível à mente dos chamados filósofos, ou aos “iniciados”, tornou-se uma ideia de fácil absorção, acessível à mente do homem comum, pois ele agora não precisava explicá-lo nem entendê-lo, mas apenas honrá-lo através de uma linguagem feita de ritos e comportamentos que podiam ser praticados e observados por qualquer pessoa. A crença hebraica, ao mesmo tempo que espiritualizou o conceito de Deus, também o humanizou, pois abriu ao homem a possibilidade de representá-lo através de uma figura humana, que era mais fácil de respeitar e amar do que uma força da natureza, um animal, um astro, como nas antigas crenças babilónicas e egípcias, ou uma mera ideia abstracta que a mente não conseguia definir, como queriam os pitagóricos e os atomistas, os primeiros com as suas místicas concepções, fundamentadas na geometria e na numerologia e os segundos com sua visão panteísta da criação universal.

A figura que os hebreus atribuíam ao seu deus era a dos seus próprios patriarcas, símbolos da ordem, do respeito e da hierarquia que sustentava a sua sociedade e representava o poder. Por isso é que o deus hebreu sempre aparece nos textos bíblicos como uma espécie de patriarca austero e inflexível, que ao mesmo tempo em que ama sem reservas os seus filhos, também os castiga impiedosamente quando estes se rebelam contra a ordem posta. Esta é a ideia que vem explícita na tradução literal da Bíblia, e que foi plantada na cabeça do homem simples, que via a divindade como um ancião de barbas brancas, sentado no seu trono dourado, orientando e julgando a sua criação [1].

A ideia de que Deus não devia ser representado por nenhuma forma conhecida na terra parece ter sido uma inspiração de Moisés, ou de quem se passou por ele na redacção dos livros da Torá. Não se percebe, nos textos do Génesis, cuja finalidade é historiar os antecedentes históricos do povo de Israel, qualquer disposição nesse sentido. Aliás, a ideia que ali se expressa, a respeito da divindade adorada pelos ancestrais dos israelitas, é a de que se trata de um deus particular, que dividia o panteão das divindades palestinas com outras deidades dos povos da região. Os israelitas anteriores a Moisés não tinham a pretensão de que o seu deus fosse um deus universal e estivesse acima de todos os demais. Ele era apenas a divindade que servia ao povo de Israel, e a sua aparência era a de um ser humano, já que, segundo era a crença oficial dos israelitas, Deus tinha feito o homem à sua imagem e semelhança. As interpretações posteriores dos rabinos israelitas, no entanto, sustentam que a espiritualidade do conceito de Deus já estava presente entre os antigos israelitas, e que Ele, em pessoa, nunca apareceu para ninguém, mas sim, que quando tais aparições ocorriam, era através dos seus emissários, os anjos, e não de Deus mesmo. Foi assim que ele se manifestou a Abrão no Vale de Mambré e a Lot, em Sodoma. Nos demais casos, supõe-se que a comunicação de Deus com os seus eleitos era feita somente na forma auditiva (somente a voz de Deus era ouvida) e nunca visual. Desta forma, também, a Bíblia sugere que Deus se comunicava com os antigos patriarcas, pois em nenhuma das suas manifestações se anuncia que Ele apareceu visualmente a alguém, mas apenas que ele “falou” com tais personagens.

Embora nenhum texto bíblico informe que algum personagem tenha “visto” uma imagem de Deus, também não consta de qualquer texto que existisse uma proibição de dizer o seu nome ou representá-lo de alguma forma, pois que segundo se informa em Génesis 2:8, Ele falava como um homem e “passeava pelo Paraíso, na hora da brisa, depois do meio– dia”.

A visão de um deus informe, impessoal e inominado parecia muito complexa para ser divulgada a um povo simples e pouco letrado, como eram os antigos israelitas. Assim, cristalizou-se a ideia de que Deus era semelhante a um patriarca que cuidava da sua família, defendendo-a quando ela estava em perigo, premiando os filhos que ficavam “na linha” e castigando aqueles que dela saíam. E neste sentido desenvolve-se toda a história fática do povo de Israel, como sendo a saga de uma família lutando para criar, impor e conservar um conjunto de tradições e uma crença, num ambiente hostil que tenta, a todo o custo, destruí-la. Esta era a ideia que o próprio Jesus usava para ilustrar o seu pensamento a respeito de Deus. Ele descrevia-o às vezes como um pai, às vezes como um fazendeiro, um senhor de terras, enfim como alguém que estava no topo da hierarquia social e familiar, enfim, sempre como um chefe de clã. A diferença era o facto de que o Deus de Jesus não era um patriarca austero, rígido e iracundo como o do Antigo Testamento, mas sim uma entidade cujo julgamento se orientava pelo amor que Ele sentia pela sua família.

A visão mística dos cabalistas

A figura patriarcal de Deus era uma visão exterior que os sábios de Israel comunicavam ao povo. Internamente porém, para aqueles que se especializavam na teologia da sua religião, outros conceitos, de extrema subtileza espiritual, foram desenvolvidos. Estes conceitos, que são aqueles expressos nos chamados comentários rabínicos, mostram uma visão completamente diferente da Divindade, que neles aparece na sua forma mais abstracta. Esta visão está presente, fundamentalmente, na doutrina desenvolvida pela tradição da Cabala [2].

Para a Cabala, Deus é uma ideia arquetípica, comum a todos os povos e pessoas. Ele existe independente do facto de acreditarmos nele ou não.

Aliás, não existe crença na não existência de Deus, mas sim, ausência de conceito sobre o que, ou quem Ele é. Isso quer dizer que o ateísmo, assim chamada a proposta filosófica que nega a existência de Deus, não significa que os seus cultores acreditem que Deus não existe, mas sim que eles não têm nenhuma ideia a respeito dele. Justifica-se essa assertiva pelo facto de que a nossa mente, que trabalha com comando binário, não pode negar nada a priori, sem antes admitir a possibilidade da existência do objecto negado. Assim, para dizer que Deus não existe, a nossa mente precisa primeiro admitir a possibilidade da sua existência [3].

O mundo é uma realidade sensível, observável e detectável por todos os nossos sentidos. Se ele está aqui é porque alguém o iniciou. Não existe consequência sem causa, o que quer dizer que tudo que existe tem uma causa de existir. Foi para superar a dificuldade que a mente humana sempre teve para pensar o começo do universo e a pré-existência da força que o criou, que os cabalistas desenvolveram o conceito da Existência Negativa.

Existência Positiva e Existência Negativa

Existência Negativa” e “Existência Positiva” são termos utilizados pelos cultores da Cabala mística para designar Deus “antes” e “depois” de fazer o mundo. Neste sistema, Deus (Ein Sof, ou Ayn Sof, (אין סוף em hebraico), é visto como uma forma de “energia” que em dado momento expandiu-se para fora de si mesmo, tornando-se o universo material (Ain Sof Aur), que na Cabala significa Luz Ilimitada, ou seja o universo que saiu da primeira manifestação positiva de Deus no mundo da matéria. Esta visão mística do nascimento do universo, definida no Livro do Mistério Oculto (SeferHaDziniuta), diz que “antes que o equilíbrio de consolidasse, o semblante não tinha semblante[4]. Aqui está inserta a estranha ideia de que antes de fazer o mundo, ou seja, antes de Deus se manifestar como existência no mundo das realidades sensíveis, Ele já existia como uma potência, que embora não manifesta, já continha todos os atributos do universo manifestado. Ele era uma “existência negativa”, na qual a mente humana não pode penetrar justamente porque ela só pode conceber um plano de existência positiva, onde as acções podem ser identificadas e as suas causas recenseadas.

Agora, como capturar uma realidade que está além da nossa capacidade de mentalização? Sabemos que ela existe porque as suas manifestações emanam para o plano da realidade sensível e é causa de fenómenos observáveis e mensuráveis. Quem sabe o que é a electricidade, por exemplo? Sabemos como ela se manifesta, como actua e até já aprendemos a usá-la para as nossas finalidades, mas o que ela é, nenhum cientista, ou filósofo, até agora, ousou definir [5].

“Antes que o equilíbrio se manifestasse, o semblante não tinha semblante” é uma forma metafórica de explicar aquilo que a nossa linguagem não consegue articular num discurso lógico. Então recorre à metáfora, ou ao símbolo para dizer que Deus já existia antes de existir. Ou seja, antes que o universo adquirisse uma forma, Ele era uma presença sem forma, sem nome, impossível de ser pensado pela mente humana. Ou como diz Rosenroth “ o universo inteiro é a vestimenta da Divindade: Ele não apenas contém tudo, mas também Ele mesmo é tudo e existe em tudo” [6].

Outra visão desta realidade pode ser posta em forma de símbolo. Os cultores da Cabala mística dizem que “Deus é pressão”, e que a sua manifestação no mundo das realidades fenoménicas tem a forma de um círculo cujo centro está em toda a parte e cuja circunferência está em parte alguma. Sabemos que todo círculo tem um centro e uma circunferência. O centro é o ponto de onde ele emana e a circunferência uma corda que o limita. Dizer que o centro do círculo está em toda a parte e que a sua circunferência está em parte alguma é falar de um espaço que não começa em ponto algum e não acaba em lugar nenhum, uma dimensão sem início nem fim. Ou como diz MacGregor Mathers, “ O oceano sem limites da luz negativa não procede de um centro, pois não o possui. Ao contrário, é esta luz negativa que concentra um centro, a qual é a primeira das sefiroths, manifestas, Kether, a Coroa[7].

Assim, esta ideia da divindade supre a necessidade que a mente humana tem de situar um início para o universo e imaginar, não um fim para ele, mas uma finalidade. Destarte, a dimensão da Existência Negativa é um momento anterior a qualquer manifestação da Divindade no terreno das realidades positivas, ou seja, um estado latente de potência concentrada em si mesma, que em dado momento cedeu à “pressão” interna da sua própria potencialidade e “gerou a si mesmo”. Figurativamente, o Big Bang seria o “parto de Deus”, o qual, simbolicamente poderia ser representado por um ponto dentro do círculo, como o faz Madame Blavatsky na sua cosmogonia da criação [8].

Visão panteísta da Divindade

Esta visão da Cabala sobre as origens do universo encontra correspondência nas ideias dos filósofos panteístas e também nos cultores da teosofia e na cosmogonia védica, para quem, no início “Vixinu-Xiva estava em plena latência, prenhe de todas as suas vidas futuras”. Nessa concepção, o poeta descreve o momento em que Deus se manifesta no território das realidades positivas, figurando-o através da relação masculino-feminino, representado pelos deuses Vixinu-Xiva, que na tradição vedanta, são os responsáveis pelo surgimento do universo físico.

Na filosofia chinesa do taoísmo também iremos encontrar um conceito análogo. No verso primeiro do Tao Te King, livro básico dessa antiga filosofia, Lao Tsé, escreve: “ Uma via que pode ser traçada não é a Via Eterna, o Tao. Um nome que pode ser pronunciado, não é o Nome Eterno. Sem Nome está na origem do Céu e da Terra. Com Nome é a mãe dos dez mil seres. Assim, um Não-desejo eterno exprime a sua essência, e por meio de um desejo eterno manifesta um limite. Ambos os estados coexistem inseparáveis e diferem apenas no nome. Pensados juntos, Mistério. Mistérios dos mistérios, É o Portal de todas as essências[9].

O Sem Nome é o Tao, princípio activo que deu origem ao universo. Com Nome é o universo material que resultou da manifestação desse princípio. Os dez mil seres são a humanidade na sua totalidade. Em todas estas concepções cosmológicas o “espírito” de Deus é pura energia e a sua manifestação no mundo das realidades sensíveis se dá em forma de luz. Luz é o princípio básico de tudo que existe no universo.

Este é um ponto que todos os sábios da antiguidade concordam e a ciência moderna não refuta: o mundo é feito de energia que se condensa em massa quando esta é acelerada na velocidade da luz. Daí a equação de Einstein, enunciando a equivalência massa-energia, conhecida como teoria da relatividade: e=mc²

A visão maçónica do conceito

Em analogia ao conceito bíblico de criação, poderíamos dizer que o Big Bang dos cientistas equivale ao momento em que Deus “separou a luz das trevas”, ou seja, o momento em que o Grande Arquitecto do Universo “pensou” o universo, na tradição maçónica.

Esta é a base da formidável arquitectura universal que a inteligência dos sábios rabinos de Israel concebeu e que a sensibilidade dos espíritos que não se contentam em viver no estreito território que a linguagem lógica nos obriga a permanecer, adoptou. Entre estes estão os maçons espiritualistas, que vêem na sua Arte muito mais do uma mera prática social, derivada de uma tradição que incorpora ideias de mística concepção.

O conceito de que Deus é o Grande Arquitecto do Universo tem sido empregado em muitos sistemas de pensamento e o cristianismo místico o tem adoptado em várias das suas manifestações. Ilustrações de Deus como o arquitecto do universo podem ser encontradas nas nossas Bíblias desde os primeiros séculos da Idade Média e tem sido regularmente empregues pelos doutrinadores cristãos de todas as tendências.

São Tomás de Aquino, um dos mais respeitados filósofos da Igreja Católica, sustentou a existência de um Grande Arquitecto do Universo, que seria a Primeira Causa de todas as coisas. Por seu turno, João Calvino, um dos mais influentes divulgadores da Reforma Protestante, também se refere a Deus como sendo o Arquitecto do Universo, pois o seu trabalho de construção do universo material, o cosmo, e do universo espiritual (a humanidade na sua história moral) assemelha-se à construção de um grande edifício [10].

Na Maçonaria, o termo Grande Arquitecto do Universo é uma metáfora que, na sua origem, foi inspirada em tradições cultivadas pelos antigos construtores medievais. Era um termo aplicado À divindade pelos maçons operativos, construtores de catedrais e grandes obras públicas, que viam em Deus o autor dos planos estruturais do edifício cósmico e por analogia, da humanidade. Nesse sentido, o mundo físico e o mundo espiritual eram construídos a partir de uma estratégia desenvolvida por Deus, que como se fosse um arquitecto, pensava os planos do universo e os seus mestres (os anjos) e os pedreiros (os homens) construíam-no.

Esta era uma ideia extraída da interpretação cabalística da Bíblia, pois a Cabala vê o universo como se ele fosse um edifício sendo construído em dez etapas de manifestação da potência divina, que é simbolizada na chamada Árvore da Vida, ou Árvore Sefirótica, símbolo de extraordinário conteúdo esotérico, que se presta às mais diversas analogias e ilações, unindo a mística das antigas religiões do oriente com as modernas descobertas da física atómica [11].

A partir das especulações cabalísticas, o termo “Grande Arquitecto do Universo” também foi apropriado pelos filósofos cristãos gnósticos. Para estes, o criador do universo, chamado de Demiurgo, “gera” um casal real (Cristo e Sofia), a partir do qual a sabedoria (gnosis) é trazida para o mundo. Através da actuação desse “casal cósmico”, nascem os “eons” (anjos, para uns, pensamentos para outros) que orientam os homens nas suas acções. Constrói-se assim, o mundo e o homem, com Deus (ou o Demiurgo) traçando os planos e os seus agentes trabalhando para os executar [12]. Assim, o Grande Arquitecto do Universo, que os maçons, na sua linguagem simbólica, abreviam para GADU, é o termo utilizado para representar Deus no seu trabalho de arquitectura cósmica. Os anjos são os seus mestres supervisores e os homens os seus pedreiros. Fecha-se, desta forma, o círculo místico que explica a forma maçónica de pensar um começo do universo e abre-se, para todos os temas do seu catecismo, uma justificativa do porque a Arte Real os trata desse modo.

O GADU, portanto, é um símbolo, pois somente através desta ferramenta linguística a nossa mente pode conceber realidades que estão fora do alcance da sua razão lógica. Qualquer coisa, para ser entendida, precisa ter um começo. Deus é o começo. Não satisfaz ao Maçom pensar nele como um ancião de barbas brancas, semelhante a um velho patriarca bíblico, que procura criar e manter a sua família confinada às tradições de um clã. Nem comunga a Maçonaria com a visão – por muitos chamada de científica – que vê a Divindade orientando um processo de criação que se assemelha ao trabalho de um pecuarista seleccionando crias para melhorar a sua espécie, como é a visão daqueles que ainda se orientam pelas teses de Darwin [13]. Ao contrário, a ideia aqui, é a de que fomos postos na terra como funcionários de Deus, construindo alguma coisa que Ele arquitectou. Esta é uma visão que encontra paralelo na chamada filosofia estruturalista, desenvolvida pelo extraordinário pensador católico Teilhard de Chardin, que vê o mundo sendo construído em etapas, disposto em estruturas que sustentam umas às outras, obedecendo a uma ordem lógica e perfeitamente planeada, como se fosse um plano urdido por uma Mente universal [14].

É neste plano que os maçons se inserem como pedreiros da obra universal e é por isso que o chamam de O Grande Arquitecto do Universo.

João Anatolino Rodrigues

Notas

[1] Esta era a ideia que a Igreja medieval passava ao povo. Ela transparece nas pinturas que representam a Divindade, e até Michelangelo a adoptou na sua representação da Criação nos frescos que cobrem o tecto da Capela Sistina.

[2] Diz-se que a Torah, ou seja, os livros que compõem o chamado Pentateuco foram transmitidos a Moisés de duas formas: uma forma oral e outra escrita. A escrita é a consta da Bíblia; a oral é a que foi desenvolvida pelos comentários rabínicos (as mishnás) constante dos Talmudes. A Cabala é uma parte desses comentários, que desenvolve um sistema moral e cosmogónico para explicar a realidade universal e a presença e a acção de Deus nesse processo.

[3] Em psicologia esta característica da nossa mente chama-se assertividade. Significa que eu “não posso não fazer uma coisa”, sem antes saber como é fazê-la. Exemplo. Para eu saber o que é ruim, preciso ter uma ideia do que é bom. Para eu dizer que algo é escuro, tenho que saber o que é claro. Para eu “não comer” doce, preciso primeiro pensar em comer.

[4] Knorr Von Rosenroth-Kabballá Revelada-Madras, 2004.

[5] Uma das mais bizarras definições da energia contida no núcleo do átomo é aquela que diz que o eléctron é ” uma torção do nada negativamente carregado.” Afirmação paradoxal, mas perfeitamente possível no mundo da física atómica. Esta definição, citada por Pawels e Bergier (O Despertar dos Mágicos, pág. 204) foi proposta pelo físico León Brillouin e utilizada por Robert Andrew Mullikan, que ganhou o Prémio Nobel pelas suas descobertas na área da física nuclear.

[6] A Kabballá Revelada, op. Citado, pg. 66. Este conceito da Divindade também é agasalhado na Baghavad Guita, que define Brhaman como “o tudo que no nada está contido”.

[7] Citado por Dion Fortune- Cabala Mística, pág. 36

[8] Helena F. Blavatsky- Síntese da Doutrina Secreta- Ed. Pensamento, SP, sd.

[9] Lao Tsé- Tao Te King- tradução de Marcos Marinho dos Santos-Attar Editorial- são Paulo 1995

[10] Institutos da Religião Cristã , 1536. Edição Barsa.

[11] A este respeito veja-se a nossa obra Mestres do Universo, Biblioteca 24×7- São Paulo, 2010

[11] Alexandrian- História da Filosofia Oculta- São Paulo, Ed. Martins Fontes, 1983

[13] Charles Robert Darwin (1809-1882), autor da tese que sustenta a origem e a evolução das espécies por meio da selecção natural.

[14] CHARDIN, Pierrre Teilhard de. O Fenómeno Humano, São Paulo, Cultrix, 1968

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One thought on “Porque os Maçons chamam Deus de Grande Arquitecto do Universo

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    Parabéns a todos envolvidos pelas divulgações, sou grato pelo aprendizado cada dia q passa se tornando uma pessoa melhor.abracos

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