Transformação de pedra bruta em pedra cúbica

1. Introdução

Nesta loja justa e perfeita, onde os presentes foram reconhecidos companheiros maçons, com todos sintonizados dentro de um mesmo e idêntico plano, onde a maior presença é a do G∴A∴D∴U∴, faremos inicialmente alguns comentários sobre um tópico do nosso grau actual, para posteriormente desenvolver o tema que nos foi proposto para o aumento de nosso salário.

Lembramos a todos os IIr∴ que a maçonaria é estudo, um contínuo aperfeiçoamento do homem para atingir a verdadeira sabedoria, pelos degraus da tolerância, do amor fraternal, do espírito de pesquisa e perseverança, tendo a mente livre de preconceitos (resumidamente pode-se dizer que O maçon é um livre pensador, de acordo com palavras do meu padrinho, o V∴M∴).

O sentimento de solidariedade, que nasce da sincera e íntima comunhão entre os irmãos, deve ser a constante preocupação do maçon e, em particular do companheiro. Ressalta-se que se a liberdade é o ideal do aprendiz, que aspira a luz, a igualdade é o do companheiro, para que possa consolidar os seus sentimentos de fraternidade.

Às qualidades e aspirações do aprendiz, deve o companheiro acrescentar a capacidade de realizar praticamente, em actividades construtivas, o conhecimento adquirido. Cabe ressaltar e reafirmar que o simbolismo é a alma e a vida da Maçonaria. Se a tarefa do aprendiz foi desbastar a pedra bruta com o

  • O Malhete (vontade na aplicação) e
  • O cinzel (discernimento na Investigação – Julgamento)

a incumbência do companheiro será a de polir esta pedra com o auxílio:

  • Do Compasso (medida ou circunspecção na pesquisa).
  • Do Esquadro (rectidão na acção),
  • Do Prumo (profundeza na observação).
  • Do Nível (emprego correcto do conhecimento),
  • Da Régua (precisão na execução),
  • Da Alavanca (poder da vontade) para torná-la cúbica.

O aprendiz disciplinou o descontrolado corpo físico com a energia da sua vontade, enquanto que o companheiro disciplinará as suas emoções através dos conhecimentos bem medidos, equilibrados e correctos, aprendendo a imprimir curvas e nuances, aprendendo a geometrizar a sua psique e a sua natureza emocional.

Assim, fará o seu cubo perfeito, apto a ser empregado no erguer do templo constituído por uma humanidade, a mais perfeita possível. O cubo é o único sólido que juntado a si mesmo indefinidamente, preenche todo o espaço.

A pedra cúbica simboliza tudo aquilo que o companheiro realizou; a fase final do trabalho neste grau. Lembra-se que no 2º grau, procura-se conhecer o homem como ser útil a sociedade, buscando colocá-lo ao serviço da humanidade para semear bem-estar através do Trabalho, da Ciência e da Virtude. Levantar templos à virtude é uma das mais belas tarefas do maçon e, em particular do companheiro maçon. Erguer pedra por pedra um edifício, adorná-lo, consagrá-lo ao G∴A∴D∴U∴, transformá-lo num templo é o seu maior virtuosismo! Cavar masmorras é soterrar, em lugar profundo, a negação, o pessimismo, o desinteresse, o egoísmo, enfim os aspectos contrários à nossa evolução. A influencia da letra G é uma constante na vida do maçon; mencionam-se algumas considerações, logo a seguir.

  • Ressalta-se, também que o companheiro é chamado a pôr em acção sua energia vital, que extrai dos conhecimentos que possui sobre a sua própria existência, obedecendo as leis que regem a geometria(G).
  • Dentro da maçonaria, a forca da gravidade(G) é o amor fraternal.
  • O maçon sente-se atraído à sua loja e frequenta-a com satisfação; é a força da gravidade(G) do edifício maçónico.

Finalmente, ressalta-se que simbolicamente, são necessário 5 anos de dedicação, estudo e perseverança para que a maturidade seja atingida; logo o número 5 tem especial significado dentro do Grau. Os 5 sentidos do homem, a estrela de 5 pontas, as 5 viagens, os 5 degraus do trono, …etc.

Neste trabalho, discute-se o tema que é relacionado nas cinco viagens exigidas na cerimónia de elevação ao grau de companheiro maçon. Viagens estas que foram efectuadas afim de que possamos obter uma sólida instrução no campo moral, social, intelectual e espiritual. Elas serviram de utensílios precisos para a transformação da pedra bruta em cúbica, talhada de acordo com as exigências da arte.

A seguir, explora-se a temática sugerida, com algum detalhe.

2. Transformação de pedra bruta em pedra cúbica de acordo com as exigências da Arte Real

Ressalta-se que a Pedra cúbica, mercê do trabalho do Companheiro, transforma-se; o homem é sempre o mesmo; nada se lhe soma ou diminui, apenas deduzem-se dele, os valores ocultos; assim passará por uma transformação. As arestas retiradas da Pedra cúbica são simbólicas, pois a Pedra da Loja Maçónica, permanece inalterável.

Simbolicamente, o companheiro já não tem nenhuma aresta que possa desvalorizar a sua personalidade e apresenta-se como pedra polida; a pedra bruta, informe, passa a ser uma figura geométrica perfeita: o cubo. O companheiro recebe na sua trajectória, desde a sua iniciação para a aprendizagem, até os últimos instantes em que é Companheiro, o instrumento necessário para o trabalho na pedra.

A princípio o Maço e o Cinzel, a Régua e o Compasso, depois, a Alavanca; e, finalmente, o Esquadro. São instrumentos rudimentares; evidentemente, ninguém poderá trabalhar na pedra com a finalidade de burilá-la e poli-la apenas com estes instrumentos, considerando que a régua, o compasso e o esquadro são instrumentos para a medição; e a alavanca apenas um auxílio para remover a pedra.

A lição que se retira dos elementos dados aos maçons dos primeiros e segundo graus faz-nos compreender que o trabalho é mais mental que físico. A seguir, discutem-se, os instrumentos anunciados acima:

  • Quais são os instrumentos mais importantes, dentre os anunciados?

Evidentemente são os de medida; porém devemos trabalhar com um conjunto de instrumentos para cada grau conquistado; novos instrumentos são acrescentados, até que o maçon adquira o conhecimento do manejo de todos os elementos que são proporcionados para vencer.

  • Significados do maço e o cinzel:

Comenta-se que, como instrumentos destinados a desbastar a pedra bruta, mostram-nos como devemos corrigir os nossos defeitos, tomando-se resoluções sábias (Cinzel) que uma determinação enérgica (Maço) põe em execução.

  • Relação existente entre a régua e o compasso:

A régua permite traçar linhas rectas que podem prolongar-se até ao infinito, simbolizando o direito inflexível, a lei moral, no que ela tem de mais rigorosa e imutável. A este absoluto, opõe-se o círculo da relatividade, cujo raio se mede pelo afastamento das pernas do compasso. Tendo-se em conta de que os nossos meios de realização são limitados, devemos traçar os nossos programas de trabalho, tendo em conta não só a ideia do abstracto, que nos incumbe seguir (Régua), como a realidade concreta (Compasso) com os quais estamos habituados.

A linha traçada deverá ser sempre recta, sem interrupções; não confundamos o traçado através da Régua, com o traçado por meio do Esquadro. Como sabemos, ambos os instrumentos, referenciados logo acima, traçam rectas, porém com o esquadro, sabemos distinguir imediatamente uma linha vertical de outra horizontal.

A Recta representa o direito, inflexível e as leis morais, que sempre são caminhos rectos, definidos e conhecidos. Uma conduta recta significa, um comportamento dentro dos limites traçados pelo direito que representa o conjunto de todas as leis.

  • O compasso limita o nosso percurso;
  • O limite é necessário, porque não convém ao maçon conduzir o seu conhecimento além do que pode absorver;
  • O nosso traçado é limitado pelo círculo; estamos presos a limites por nós mesmos traçados, eis que nossa pesquisa e estudo são conscientes;
  • Devemos ter a consciência da nossa ignorância; como disse o filosofo Sócrates, nos seus inúmeros ensinamentos: “Conhecer-se a si mesmo”, que significa conhecer o próprio grau da sua própria ignorância. O caminho traçado pela recta é infinito, portanto, abstracto.

A limitação do círculo dá-nos a realidade concreta; paulatinamente, chegado o tempo, este círculo abre-se, e a nossa mente poderá abranger outros planos.

  • Sobre a Alavanca:

Ao falar da alavanca alude-se ao poder irresistível de uma vontade inflexível, quando inteligentemente aplicada. A forca de vontade tem sido privilégio de poucos; os vencedores podem ter tido origem humilde; berço paupérrimo; porém, a persistência, a perseverança, a insistência, a força da sua mente, a necessidade de vitória, constituem elementos escassos nos indivíduos.

Dentro das lojas maçónicas, cultiva-se uma técnica de vida que conduz, justamente, ao exercício da força de vontade. Dentro de uma loja, através dos exercícios feitos, o maçon, através da sua inteligência, robustece a sua força mental, e realiza o seu ideal. Inteligência, esta, que pode ser compreendida, como participação da Suprema inteligência, entre nós.

  • Porque a régua se deve juntar à alavanca?

Porque a vontade só é invencível quando posta a serviço do Direito Absoluto, a força de vontade por si só, sendo fruto de um trabalho disciplinado, obviamente, será empregada à luz das leis morais, sociais e divinas.

  • Qual a importância do esquadro?

Ele permite controlar o corte das pedras que deve ser extremamente regular para se ajustarem, com exactidão, entre si.

Assim, simbolicamente, o Esquadro determina as condições de solidariedade; emblema da Sabedoria ensina-nos que a Perfeição consiste, para o individuo, na justeza com que se coloca na sociedade. Ressalta-se que os instrumentos, acima discutidos, são considerados na sua acção produtiva; são símbolos em dinâmica. A instrução diz que o esquadro permite controlar o corte das pedras.

Há, portanto, um seccionamento da pedra que se apresenta já isenta de crostas; trata-se de utilizar a pedra já preparada na construção do edifício maçónico; em ultima análise é a multiplicação de si próprio; é a produção, a colheita na seara que levou tanto tempo no amaino da terra, no plantio da semente e na colheita.

As pedras devem ser perfeitamente regulares para se ajustarem um às outras; desaparece aqui, a individualidade, pois cada obreiro junta as suas pedras já elaboradas, une-as às dos seus irmãos, e todos se põem a edificar. Assim, as condições de solidariedade, do conjunto, são determinadas pelo Esquadro.

3. Comentários

Estando a transformação em Pedra cúbica completada, não mais haverá preocupações para que o companheiro faça sua próxima e última viagem simbólica, sem instrumentos de trabalho.

Cabe-lhe, desde então, concentrar-se e observar, tornando-se acessível aos clarões intelectuais que devem iluminar progressivamente o seu entendimento. Concluindo o trabalho, o companheiro maçon, descansa e, ao mesmo tempo, deixa de lado, os seis instrumentos recebidos.

Como Pedra Cúbica, possui o auto-polimento, suficiente para refletir os clarões recebidos do G∴A∴D∴U∴ – clarões que iluminam ao mesmo tempo, o seu entendimento e o entendimento do seu próximo.

Finalmente, temos de mencionar que a Pedra Bruta representa o homem grosseiro e ignorante, susceptível, porem de ser educado e instruído e a Pedra cúbica figura o iniciado livre de erros e de preconceitos, que adquiriu os conhecimentos necessários para participar utilmente na grande obra de construção universal.

4. Conclusões

O simbolismo das duas pedras que existem no interior das lojas maçónicas é importante e a mensagem que elas trazem é importante. As pedras brutas que se encontram no mundo profano não conseguem emparelhar-se de maneira firme e duradoura porque as suas pontas, as suas arestas e as suas cavidades dificilmente conseguirão adaptar-se.

As pedras cúbicas existentes na maçonaria justapõem-se e adaptam-se de forma mais perfeita formando uma sólida muralha contra os vícios e servindo de apoio contra as agruras que nos assolam a todos.

M. Balthazar

5. Referências de suporte:

  • Ritual do 2º Grau-Companheiro, GOB.
  • Boucher, J. – A simbólica Maçónica, Editora Pensamento, SP, 1979.
  • Charlier, R.J. – Pequeno Ensaio de Simbólica Maçónica, Edições Futuro, SP, 1964.
  • Carvalho, A. – Companheiro Maçon. Editora e gráfica Cotação, 1992.
  • Adoum, J. – Esta é a Maçonaria 2. Comissão divulgadora das obras do autor.
  • McNally L.J. M. – Companheiro. Trolha, 2005.
  • Camino R. – Simbolismo do Segundo grau. Madras, 1998.
  • Cortez J. R. C. – Fundamentos da Maçonaria. Madras, 2001.
  • Castro, B.B. – Templo Maçónico e seu Simbolismo, Editora Aurora, 1977

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