Democracia e Maçonaria

democraciaANTES de me tornar Maçom, asseguravam-me muitas vezes que a Maçonaria não tinha nada a ver com religião, mas eu não posso concordar com essa afirmação, pois parece-me que tem muito a ver com religião. É claro que não se trata especificamente de credos ortodoxos, mas os próprios aspectos vitais da religião estão envolvidos, entrelaçados e entrelaçados em tudo isto. Um homem deve ter convicções religiosas, que passam pelos seus símbolos sagrados, caso contrário ele será um hipócrita sem consciência. Nenhum homem que seja moralmente impermeável, pode ser um verdadeiro Maçom.

Seguidamente: – Já que “Nós nos encontramos no Nível e nos separamos no Quadrado“, parece-me que a grande Fraternidade Maçónica tem diante de si uma missão sublime neste momento particular no conflito de ideias no mundo. Numa época como esta, não é difícil para um homem falar em alguma fase da vida; No entanto, é uma tarefa difícil, numa época tão complexa, examinar o campo da vida, pesar as várias forças do progresso, comparar os ideais organizadores e chegar a uma generalização precisa da verdade. Ainda assim, acredito que pessoas conscientes concordarão que o facto social relevante dos nossos dias é a democratização da vida.

A história da raça revela uma tendência constante para a Aristocracia. A Aristocracia sempre termina na opressão dos fracos. Nas fases cruas da corrida, vemos o homem forte pela força bruta assumir a liderança do seu clã e acenar com o bastão grande. Pelo mesmo motivo, mais tarde, torna-se um soldado e com seu exército conquista os seus companheiros, ascendendo através da luta até um trono. Esta é a aristocracia da força. Esta vantagem é passada para a sua descendência e, portanto, temos a ideia do “Direito Divino dos Reis” e todos os seus resultados perniciosos. Esta é a aristocracia da hereditariedade. Mais tarde, à medida que os homens formam ideias maiores de cultura, temos o nascimento da Aristocracia da Cultura e da Aprendizagem. Aqui os homens sentem que, por terem engolido um currículo universitário de paganismo clássico, são elevados acima dos outros e não é consistente com a aprendizagem, suportar os encargos da sociedade. Finalmente, como o génio criativo produziu riqueza, surge uma Aristocracia da Riqueza, cuja classe insiste no seu direito de saquear o publico e indignar a decência “dentro da lei” ou, apesar disso, reclamar imunidade da punição devida aos criminosos sociais.

Agora, contra a filosofia da Aristocracia, dos poucos privilegiados contra os muitos desprotegidos, do egoísmo contra o bem público, temos esta insurreição moderna das massas, o desdobramento de uma nova democracia. Olhem para a Arte. Houve um tempo em que os pintores, na sua maior parte, pensavam apenas na beleza e na beleza da natureza; agora encontram beleza em toda a parte, em alguma paisagem sem graça, em algum prado com as suas cenas pastorais ou uma cabana de um camponês com os pais num fim de Primavera.

Tudo isto é suficiente para inspirar o génio do pintor moderno. Mais uma vez, olhe também para o campo da literatura. Em tempos, o poema era inspirado pelo luxo ocioso da corte e dedicado a alguma rainha voluptuosa. Hoje, somos inspirados por pessoas de carne e osso todos os dias que podemos conhecer, amar e servir. Estamos a aprender a “viver numa casa ao lado da estrada e a convivermos”. Olhe então para a ficção. Antigamente, os heróis ou heroínas deviam sempre, no final, vir a pertencer à Aristocracia. Agora, em vez de príncipes disfarçados e cavaleiros mascarados e uma interminável procissão de impossíveis, temos uma nova imagem moral a ser desenhada nos livros modernos em que os heróis e heroínas são encontrados entre os homens, que sufocam na forja ou mulheres que ficam atrás de balcões.

Estamos a encontrar as fontes de uma nova vida para ajudar as pessoas que lutam com a fome numa bandeja de pão vazia. Esta mesma tendência pode ser vista na educação. O dia em que o homem instruído era definido como o homem que tinha engolido todos os deuses e deusas pagãos foi-se, como devia. Estamos a aprender que a educação não é encher as pessoas com os escombros de eras, mas despertar os potenciais da personalidade e fazer do homem, um homem livre no  mundo para criar alguma utilidade. A nova educação está a culminar  n’O Reino do Comuns. Estamos a descobrir que todo homem e mulher tem neles elementos da grandeza, que devem ser desenvolvidos ao máximo na individualidade. Esta individualidade está a encontrar a sua forma de imortalidade através do serviço social e assim:

As acções comuns dos dias comuns, tocam sinos muito longe“.

Corremos sempre o risco de nos agarrarmos às folhas já caídas da verdade e perdermos de vista o organismo vital que procura um novo motivador. Este mal é o que eu chamo de apendicite social e na frase clássica deve “ser cortado”, caso contrário, colocamos em risco todo o corpo social. Nesta nova democracia, este reino do lugar comum, todos nós podemos ter uma participação. Não destrói a individualidade, mas cria-a. O altruísmo é a lei da vida e produz o máximo de personalidade. Ele apela a todos os homens a viver para o bem público. Ele entroniza cada homem como seu próprio sacerdote, profeta e rei. Qualquer religião, política ou economia, que dê o destino das pessoas às mãos de poucos, é perigosa e deve ser combatida. O homem emancipado da escravidão do egoísmo deve defender a emancipação de todos.

Agora amigos, à luz destes ideais, parece-me que a nossa Fraternidade, baseada nos  seus próprios ideais de igualdade, pode ser um poderoso factor para superar estes males antigos e entronizar o povo. Com o respeito pela história e um uso adequado das antigas fundações, devemos construir uma estrutura de “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, que verdadeiramente abençoará o mundo. É esta visão que me emociona; é esta esperança que me faz juntar o meu pequeno pedaço ao teu para que nos moldemos com verdadeiras horizontais e ergamos com perpendiculares correctas o Templo da Vida. Se este é o espírito que anima a nossa irmandade, desempenharemos bem a nossa parte neste drama da vida.

H. R. Best

Tradução de António Jorge

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Um Comentário em “Democracia e Maçonaria

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    a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade, se usadas por todos, teriamos um mundo bem melhor, pois assim fariamos a vontade de nosso Pai, igualdade para todos

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