Ética hedonista ou utilitarista versus prática maçónica

Importa desde logo referir que o homem vive em sociedade, e convive com outros homens, e que por esse facto o Maçom, também vive em sociedade no mundo profano. Assim, neste pressuposto, se a ética é o julgamento do carácter moral de uma determinada pessoa, o comportamento ético será aquele que é considerado bom.

Contudo, neste contexto, e a título de exemplo sobre a bondade, os antigos diziam que, “o que é bom para a leoa, não é bom para a gazela. E, o que é bom para a gazela, fatalmente, não será bom para a leoa”.

Portanto, também caberá aqui obrigatoriamente reflectir e responder às seguintes questões:

  1. Será este pressuposto um dilema ético típico com contornos inalcançáveis?
  2. Será esta, a questão central da Moral e da Ética?
  3. Tratando-se de questões fáceis de serem formuladas, serão difíceis de serem respondidas ou impossíveis?
  4. Será que, a não existir nenhuma possibilidade de enraizar a ética no absoluto, todas as reflexões serão inúteis e a lógica neste contexto não existirá?

Posto isto, ressalta em primeiro lugar a problemática de como se deve agir perante os outros?

Assim, visando ainda algum aprofundamento neste contexto, e elencando-o ao mesmo e práticas maçónicas, impõe-se ainda, tecer algumas questões e considerações. Tais como:

  • A ética, numa visão hedonista, que perila a formulação de uma moral elementar, prática, e conformada ao espírito utilitário. Moral essa, dominada pela ideia de que a verdadeira realização da vida humana repousa no prazer.
  • Neste contexto só resta ao indivíduo ocupar- se com a vida presente, procurando fazer com que ela se torne na vida mais agradável possível, através de um único caminho; o da procura do bem maior da existência, ou seja, do prazer considerado como o bem primitivo e inato.
  • Assim sendo, nesta concepção, o homem é compelido naturalmente a procurar o prazer sensível, isto é, a ausência de qualquer perturbação que possa causar uma sensação penosa. Sendo o mais alto grau o que proporciona à alma serenidade constante. Pois o estado de calma e de sereno repouso esvazia a alma de qualquer inquietação e insaciedade.
  • Por outro lado, numa visão Epicurista, os prazeres distinguem-se em três categorias:
    1. Os naturais e necessários, isto é, os que estão ligados à conservação da vida do indivíduo.
    2. Os naturais, mas não necessários: aqueles que devem ser usados com moderação, porque o indivíduo pode viver sem eles.
    3. Os não naturais e nem necessários: ou seja, os que são provenientes das falsas opiniões dos homens e que estão associadas à ambição desmedida, individual.
  • Já numa outra visão, como a de Jeremy Bentham, esta problemática é focalizada sob o prisma do utilitarismo. Ou seja, o prazer e utilidade são vinculados como termos essenciais que proporcionam ao indivíduo a maior felicidade possível, e em que a natureza colocou o homem sob o domínio de duas soberanias, a do prazer e a da dor.
  • Assim, o homem estará sempre compelido a procurar o máximo de prazer, pelo motivo de que não existe outro bem maior que este. Em que a “utilidade” é a propriedade que indica a possibilidade de aumentar o prazer, para diminuir a dor.

Justificando-se desta forma, que a sua acção, pode ou deve moralmente ser praticada.

  • Neste contexto, a moral avalia o prazer segundo as circunstâncias que o seguem através da intensidade, da duração, da certeza ou da incerteza, da proximidade no tempo ou da longinquidade, da fecundidade e da pureza.
  • Neste espírito hedonista utilitário, a moral converte-se em obtenção de lucros. Torna-se uma questão de aritmética, ou seja, a soma vantajosa de prazeres.
  • Com respeito aos interesses da pessoa individual, se o balanço for favorável ao prazer, este indicará a tendência boa do acto no seu conjunto, se for favorável à dor, indicará a tendência má do acto no seu conjunto.
  • Esta contabilidade moral estrita, visiona a vida como um negócio a ser desfrutado de molde a ser o mais lucrativo possível.
  • Por isso, não pode ser tomada no sentido egoísta, não pode ser percebida como o que seja benéfico e útil apenas para atender aos interesses individuais.
  • Se se tiver em consideração única e exclusivamente o bem individual pessoal, ser-se-á levado a uma posição egoísta. Porém, se se praticar acções que levem, sempre, em consideração o bem dos outros, sem se abrir mão do nosso próprio bem, estar-se-á a agir moralmente do ponto de vista do utilitarismo.

Concluindo

  1. Que o princípio da ética utilitarista preconiza que se deve fazer o maior quantum possível de bem em relação ao mal
  2. Que neste contexto ético, subsistirá sempre o dilema de se ter de optar entre o maior bem para um menor número de pessoas, ou menor bem para um maior número de pessoas.
  3. Que em teoria, a única forma capaz de contornar e ou eventualmente solucionar o dilema que se coloca, seria a do estabelecimento das circunstâncias em que a norma ou normas seriam aplicadas.
  4. Que por outro lado, nos diz a prática, que verdadeiramente não se consegue estabelecer todas as circunstâncias para todas as normas, ou até mesmo para uma só que seja.
  5. Que cada indivíduo é uma ilha com necessidades e desejos únicos e próprios.
  6. Que cada indivíduo no limite será capaz de negociar calculadamente o valor do objecto, incluindo o valor das relações pessoais.

Por tudo isto, o que nos dita a experiência, é que o conflito de interesses individuais tem sido a constante e sempre presente variável geradora de dilemas.

Isto porque:

O relativismo cultural leva, em última instância, à não discussão em ética, porque tudo o que está para além dos limites de uma dada sociedade, são coisas de outras sociedades, e como tal têm de ser aceites;

O subjectivismo conduz à mesma situação, embora não a nível colectivo, mas a nível individual. Quando a referência são os “eus” deste mundo, os assuntos da ética são perspectivados em função desses “eus”, e o que está no âmbito da ética, está em função do “eu”.

A razão parece ser a última e derradeira referência. Não aquela noção de razão que apenasadmite as ideias e considera a realidade uma espécie de materialização dessas ideias, mas a razão enquanto processo contínuo, permanente e natural do entendimento humano, na sua multitude de facetas e aspectos.

Por fim, só na articulação prudente e harmónica dos factores, altruísmo, humanismo e tolerância, como pedra de toque e cimento agregador, é que verdadeiramente se criará um novo paradigma ético da conduta individual e na sociedade, visando neutralizar e até a anular os dilemas que lhes subjazem.

Reflictamos em tudo isto meus Irmãos

A. R. Silva

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Um Comentário em “Ética hedonista ou utilitarista versus prática maçónica

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    Muito bem pontuado no artigo sobre os que distingue as três categoria dos prazeres

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