A importância da Maçonaria para a Família

Desde os primórdios do mundo quando as pessoas se organizavam em grupos biológicos, até os dias actuais onde o individualismo impera nas sociedades em que vivemos, o conceito de família, as suas influências e impactos na sociedade modificaram-se bastante.

Até há pouco tempo atrás os papéis desempenhados pelos membros de uma família eram claramente delineados e perceptíveis: à mãe cabia a vida e a alimentação, ao pai o sustento e educação e aos irmãos a divisão fraterna do que se adquirisse.

E com este modelo de família, através dos tempos, a sociedade desenvolveu-se. Era o bastante para dar o conforto e o aconchego necessários ao crescimento dos filhos e direccioná-los para a vida de acordo com a visão de mundo do grupo familiar. O suficiente para aprender e transmitir valores como amizade, fraternidade e amor.

Apesar de toda esta formação, o mundo também mudou, e muito. As exigências modernas mudaram o foco da família para além dela. Hoje, numa sociedade competitiva como a nossa, o individualismo e a concorrência dominam tudo, fazendo com que os membros da família tenham de se adequar aos valores e elementos da sociedade em que vivem, como regra de sobrevivência, muitas vezes contrariando os seus próprios valores.

Aliem-se a isto as novas formatações de família: pais desconhecidos ou ausentes, mães que necessitam também de buscar o mercado de trabalho, filhos educados por terceiros, famílias desestruturadas por vícios diversos, e teremos então o verdadeiro retrato da sociedade actual: uma sociedade onde a família, no seu conceito estrito, está a dissolver-se, formada que está por personalidades temerosas e a falta de amor e de fraternidade impera.

Neste contexto é que a Maçonaria tem um papel importante na formação e principalmente na conservação dos laços familiares. Os seus sólidos valores contribuem fortemente para o fortalecimento dos valores da família.

A Maçonaria é na verdade uma fraternidade. Os seus princípios de liberdade, igualdade e fraternidade fortalecem a vida em colectividade e propiciam a redescoberta da família, aprimorando conceitos de ética, de convivência, os laços de amizade, respeito, enfim, tudo que é necessário para se viver bem, tanto num pequeno núcleo familiar quanto na sociedade em geral.

Mas talvez a maior contribuição da Maçonaria à família seja a forma como os seus integrantes são escolhidos nesta sociedade. Todos têm compromisso de se ajudarem uns aos outros, e o que é isto senão uma família? A Maçonaria acolhe, propicia a reflexão de temas capazes de modificar comportamentos e ampliar horizontes. Ao cultivar nas suas reuniões o dever de serem homens bons e melhores, bem como o aperfeiçoamento intelectual e das virtudes dos seus integrantes, também transfere para o Maçon, no papel de pai, essas mesmas qualidades. Antes de buscar o aperfeiçoamento da sociedade o Maçon busca o seu próprio aperfeiçoamento como homem, em todos os seus papéis.

A Maçonaria propicia assim uma evolução moral e intelectual dos seus integrantes, prestando culto a um ser criador, o Grande Arquitecto do Universo, independente de ideologia religiosa. Faz desta liberdade de escolha religiosa uma característica singular da sua sociedade, uma vez que agrupa ideários sem agrupar correntes, transferindo assim, para a família, a ideia de respeito e liberdade.

De uma certa forma, a Maçonaria dá aos Maçons os instrumentos necessários para que sejam bons pais, bons homens e bons cidadãos.

Além disto, a Maçonaria incentiva e cultiva a prática constante da beneficência, buscando uma sociedade mais humana e justa, e propiciando à família do Maçon a oportunidade de participar nestes projectos humanitários, desenvolvendo valores como amor ao próximo e afeição fraternal, reconhecendo em todos novos Irmãos.

Neste sentido o apoio dos Maçons às acções de iniciativa da família também é primordial para a consolidação desses valores e inserção de todos os membros numa só sociedade. Exemplos disto são as acções sociais e de filantropia que são desenvolvidas pelas Fraternidades Femininas, formadas pelas esposas dos Maçons, pelas “Filhas de Jó” [1] e pelos “DeMolays” [2], formadas por filhas e filhos dos Maçons, respectivamente. É a família que se une em torno de exemplos e boas acções, buscando melhorar as condições de vida dos nossos Irmãos.

E, como tudo na vida, é dando que se recebe. E é também com a prática diária da fraternidade que recebemos os inputs de amor, carinho, reconhecimento e respeito, que nos direccionam para novas acções.

As acções individuais, com certeza que acodem a alguém em algum lugar. Mas ninguém está sozinho. Assim, a sociedade dos Maçons, amparada pelas suas famílias, faz muito mais, por muito mais gente. Assim é, também, que a Maçonaria contribui muito para o fortalecimento da família, e a família, por sua vez, dá a solidez necessária ao caminhar dos Maçons. A via é sempre de duplo sentido, num “bate e volta” que só amplia os horizontes e possibilidades daqueles que viajam pela vida buscando a felicidade geral e a paz universal.

Adaptado de Silvânia Maria dos Santos R. Guimarães – Oriente de Juiz de Fora – MG

Bibliografia

  • Diversos sites disponíveis na internet Wikipédia
  • Revista Superinteressante
  • Textos da UNICAP – Universidade Católica de Pernambuco
  • Artigo publicado na Revista ATROLHA, nº 332 – Oriente de Londrina – PR

Notas

[1] As Filhas de Jó Internacional, ou apenas Filhas de Jó é uma Ordem sem fins lucrativos, discreta e de princípios fraternais, filosóficos e filantrópicos, apoiada pela Maçonaria e destinada a jovens do sexo feminino entre 10 e 20 anos (incompletos), visando o aperfeiçoamento do carácter, por meio do desenvolvimento moral e espiritual encontrados nas Sagradas Escrituras, da lealdade para com a bandeira do seu país, do amor filial e do serviço à comunidade.

A Ordem baseia-se nos ensinamentos Bíblicos sobre a vida de Jó e a sua paciência perante os desafios e provações pelos quais teve de passar.

O nome desta Instituição para maçónica refere-se às três filhas de Jó: Kézia (fé), Jemima (pureza) e Keren-Happuck (triunfo da fé), que são citadas na Bíblia como as “mulheres mais justas de toda a Terra”.

[2] A Ordem DeMolay é uma sociedade discreta criada por Frank Sherman Land a partir de princípios filosóficos, fraternais, iniciáticos e filantrópicos, para jovens do sexo masculino com idade compreendida entre os 12 e os 21 anos incompletos. A Ordem DeMolay é a maior entidade juvenil do mundo. É uma organização para maçónica fundada nos Estados Unidos, em 24 de Março de 1919, pelo maçom Frank Sherman Land patrocinada e apoiada pela Maçonaria oficialmente desde 1919, que na maioria dos casos cede espaço para as reuniões dos Capítulos DeMolays e Priorados ou conventos da Ordem da Cavalaria – denominações das células da organização.

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