Perseverança – um valor e uma atitude maçónicos

Já alguma vez quiseram alguma coisa de uma forma tão intensa que os levou a trabalhar dia e noite para a conseguir obter? Não? Então não sabem o que é perseverança. Perseverança é acreditar que vamos conseguir, mesmo quando as probabilidades estão contra. Os grandes feitos podem normalmente ser atribuídos, não aos que eram particularmente brilhantes ou talentosos, mas aos que persistiram e acreditaram, mantendo a tenacidade de quem sabe que vai conseguir.

Todos sofremos reveses de algum tipo, sejam grandes ou pequenos. É natural que assim seja. Para superar obstáculos e obter sucesso, é necessário trabalhar sempre mais. Quando se trata de sucesso, algumas pessoas parecem ter sorte, mas quando aprofundamos, concluímos que essas pessoas são exímias em ajudar a sorte através de perseverança e determinação. É preciso acreditar no poder do espírito humano, mas esse poder tem de vir de dentro e não de fora.

Calvin Coolidge, o 30º Presidente dos Estados Unidos dizia:

Nada no mundo pode substituir a persistência (perseverança). Talento não; nada é mais comum do que homens mal sucedidos, com talento. Ser um génio também não; o génio não recompensado é quase um provérbio. Educação também não; o mundo está cheio de pessoas educadas, abandonadas. Perseverança e determinação, sozinhas, são omnipotentes. O slogan “Press On” resolveu e sempre resolverá os problemas da raça humana“.

Esta é uma qualidade normalmente muito apreciada, embora possa, se levada ao extremo, passar a ser uma fonte de problemas, transformando-se em teimosia, e é pouco definida a linha que separa uma da outra.

No que concerne à Maçonaria, pode ser analisada segundo dois vectores: a perseverança da Ordem através dos tempos e a perseverança do Maçom, no seu trabalho contínuo de evolução e melhoria pessoais.

Comecemos pela primeira: a perseverança da Ordem

Quem analisa detalhadamente a percurso da Ordem Maçónica através dos tempos, não pode deixar de concluir que tem excesso de episódios de perseguições, incompreensões, utilização por terceiros, etc. Vejam-se alguns exemplos:

  • A atitude que a Igreja Católica sempre teve de antagonismo perante a Maçonaria e os Maçons, também partilhada por outras religiões.
  • A atitude de quase todos os regimes totalitários, que sempre viram na Maçonaria uma ameaça.
  • A atitude de D. Pedro I, renegando e perseguindo a Maçonaria, após ter sido Grão-Mestre e ter sido ajudado na independência do Brasil e a obter o título de Imperador.
  • A utilização que a comunicação social faz da Maçonaria, como tema que vende, normalmente recorrendo a notícias que pretendem tirar partido do alarme social.

Tudo isto é atestatório da perseverança que a Ordem tem mantido através dos templos, passando fases de maior ou menor abertura, maior ou menor discrição e até fases de total clandestinidade. Contudo, sempre que foi necessário e possível a Maçonaria retomou força e vigor e voltou à sua tarefa de construção de uma sociedade melhor, através do melhoramento individual dos seus membros, que se espera que actuem como cristalizadores sobre os que os rodeiam.

Talvez o caminho mais fácil, tivesse sido parar, desistir… e contudo, 300 anos depois, aqui estamos e aqui continuaremos, com força e vigor. Se isto não é perseverar, então não sei o que será.

Mas a Ordem é constituída por Maçons e importa que analisemos este vector, pois daí vem tudo.

Se olharmos para o trabalho de transformar fisicamente uma pedra em bruto numa pedra cúbica, envolve conhecimento, rigor e perseverança. O trabalho de transformação da pedra bruta interior em pedra cúbica envolve o mesmo, ao qual se junta a humildade. Um aprendiz que inicia o seu trabalho de melhoramento necessita claramente destes quatro factores, que a seguir se analisam:

  • Necessita de conhecimento e isso passa por reconhecer o que tem e o que não tem.
  • Necessita de rigor. Não adianta tentar progredir se estiver a correr o risco de o estar a fazer na direcção errada ou na forma errada. É fácil ir por atalhos e com isso comprometer todo o processo.
  • Necessita de humildade. O processo passa por permanentemente visualizar onde estamos e onde queremos chegar e se não tivermos a humildade / frontalidade que nos leve a sermos rigorosos e exigentes connosco próprios, é fácil pensamos que estamos muito mais adiante no caminho e/ou que a meta está muito mais próxima.
  • Finalmente, a perseverança. O caminho que cada Maçom tem de percorrer não é fácil, a progressão não é fácil e sabermos onde estamos também não. Com tantos imponderáveis, facilmente se deriva, ou para facilitismo ou para a derrota. É aqui que a perseverança tem um papel fundamental: manter-nos no caminho e manter-nos a caminhar, por mais obstáculos que o caminho tenha.

Termino com uma frase:

Existem homens que lutam um dia e são bons; existem outros que lutam um ano e são melhores; existem aqueles que lutam vários anos e são muito bons; porém, existem os que lutam toda a vida – estes são os imprescindíveis

Bertold Brecht

António Jorge

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