Tolerância

Significado

Palavra proveniente do latim, “Tolerantia”, que por sua vez precede do “Tolero” e que significa suportar um peso ou a constância em suportar algo.

No dicionário da Língua Portuguesa, tem o seguinte significado: substantivo feminino: qualidade de tolerante; acto ou efeito de tolerar pequenas diferenças para mais ou para menos; capacidade de suportar circunstâncias menos favoráveis.

Temos ainda a palavra “Tolerante”, que significa: aquele que tolera; que desculpa, indulgente, que admite e respeita opiniões contrárias à sua.

Correlações

Muito próximo à palavra, “Tolerância”, temos a “Paciência”, que é a qualidade do paciente, coragem de enfrentar o adverso, perseverança tranquila.

Conforme cita, Rogério Lacal Cruz, o limite de tolerância tem por um lado a manutenção da individualidade e por outro a inclusão do indivíduo no seu meio, aceitando assim opiniões que podem ser adversas.

O que não pode é negar a alguém o direito de pensar livremente e agir conforme seus critérios, porque senão seria recusar-lhe a sua autenticidade e a integração dentro da humanidade que, pessoa livre, tem direito.

Exemplos de Tolerância

É uma palavra que tem um significado extenso, pois em tudo o que vemos ao nosso redor, está presente a tolerância, senão vejamos alguns exemplos:

  1. No trânsito: qual é a pessoa residente em uma cidade como a nossa, não tenha tido que usar o limite maior de sua tolerância?
  2. Na confecção de uma peça, existe a tolerância de erro, ou seja, até que ponto ela pode estar fora de padrão?
  3. Na estatística: está muito presente, pois é oscilante em relação a um padrão determinado, tanto acima, quanto abaixo.

Teríamos aqui mais e mais exemplos, mas o objectivo do trabalho não é este, então partiremos para a tolerância, que possa proporcionar uma melhora em nossas vidas.

Por que devemos ser tolerantes ?

A tolerância está muito ligada aos limites do suportável, da condição humana.

Carlos Gerbase, director de cinema, diz: “Se não houvesse tolerância, não haveria civilização, mas, se há tolerância em demasia, tudo fica exactamente como está”

Tolerar não significa absolutamente aceitar ou corroborar com erros, nem tolher os direitos individuais ou colectivos, e muito menos ultrapassar a moral e a ética.

O que deve ser procurado, é uma melhor aceitação do que está acontecendo, naquele determinado momento.  Deve estar implícita também a possibilidade do poder de redireccionar os faltosos ou culposos, a não incorrerem no mesmo erro.

Para exigirmos a tolerância, devemos primeiramente praticá-la, pois caso contrário, de nada serve.

Uma história de tolerância

Há uma passagem bastante interessante, que serve aqui como ilustração.

Uma determinada mãe, levou seu filho a Mahatma Gandhi, e solicitou-lhe que pedisse ao jovem, para que parasse de comer açúcar.

Gandhi então pediu muito gentilmente, que a mãe retornasse junto com o filho, em duas semanas.

Quando retornou, ele olhou fixamente no olhos do jovem e disse: “pare de comer açúcar”.

Agradecida, mas numa grande dúvida, ela questionou o porque destas duas semanas, se ele poderia ter dito naquele mesmo dia, quando ele respondeu: “duas semanas atrás, eu estava comendo açúcar”.

Tolerância na vida maçónica

A tolerância dentro da maçonaria, é o ponto de partida das concessões feitas para preservar as engrenagens da ordem, e que admite e respeita opiniões contrárias à sua.

Sendo assim, podemos afirmar que ela é uma das maiores virtudes, pois possibilita a convivência dentro da loja, de todas as tendências, de pensamento, de credos, fazendo com que se acate, ao padrão da individualidade, que existe dentro de cada ser humano.

Temos que ser tolerantes na busca da verdade e de soluções, para não provocar a discórdia, mesmo diante de actos isolados entre irmãos, quando de repente, algo foi externado vindo ferir a outro.

A sua prática é um tanto quanto complicada, porque é muito difícil mensurar os seus limites, que podemos aqui dividir em três etapas, ou seja:

  1. A tolerância propriamente dita;
  2. A aceitação;
  3. A transigência ou a indulgência.

É como se imaginar um grande círculo e dentro dele mais dois, sendo um maior e outro menor e determinado que este último seja a tolerância e que deve se evitar de todas as formas, a sua ultrapassagem.

Devemos procurar manter as nossas decisões, sempre dentro do círculo menor, pois assim estaremos evitando problemas pequenos, que poderão transformar-se em algo vultuoso.

Ainda quanto ao objectivo de não ultrapassar este círculo, há a necessidade em determinar uma intensidade dentro dele, para que tenhamos maior ou menor tolerância em cada caso.

Às vezes até a mudança de comportamento de um irmão, deve ser analisada e se possível debatida, pois deve se levar em consideração o comportamento anterior, porque se ele sempre agiu correctamente, até um determinado momento e começou a agir de maneira diferente daí para frente.

A vida não é medida pelas datas de aniversário, mas sim pela maneira de respirar, pois para cada encarnação, é determinado ao indivíduo, um certo número de respirações.

Se ele respirar rapidamente, a sua vida chegará ao fim rapidamente, por que ele não vai poder respirar mais vezes do que lhe foi determinado, ao passo que, se ele respirar devagar, compassadamente, ela terminará com bem mais vagar.

Com isto podemos concluir que devemos procurar respirar lentamente, pois assim haverá uma purificação da mente, ajudando a criar a tolerância, uma vez que, no intervalo de cada respiração, teremos condições de raciocinar melhor para a tomada de decisões.

Pouco adianta uma pessoa ser muito sábia, se não tiver a tolerância, porque ela estará resolvendo as situações com truculência e aí deixará de ser um sábio, ao passo que se ele reflectir e usar a tolerância, sua decisão será mais tranquila, firme e convicta do acerto.

Conclusão:

Quantas vezes já vimos, seja nos trabalhos em Loja ou fora dela, factos nos quais literalmente todos percebem algum tipo de injustiça ou erro de qualquer natureza. Então entra em cena aquela natural e enorme vontade de fazer justiça, de gritar, de apontar o erro, de criticar quem fez o algo errado ou de vingar de alguma forma.

As coisas não devem funcionar assim e não funcionam. Devemos nessa hora praticar a tolerância. Devemos nos conter e não tomar atitudes sem antes termos reflectido com muita sabedoria diante da situação. A tolerância nos faz ganhar tempo para pensar antes de agir impulsivamente. Vejam meus irmãos o que a tolerância faz na vida do homem sábio. Ela contribui para o homem não errar !

Sejamos tolerantes na busca da verdade e de soluções. Não provoquemos a discórdia e sim a paz entre os homens utilizando o recurso sábio e benemérito da Tolerância.

Texto de Autor Desconhecido

Bibliografia:

  • O Evangelho Segundo o Espiritismo – Alan Kardek
  • Diversos sites GOB e do GOSP
  • Aconteceu na maçonaria – Aécio Bruno
  • Revista : A verdade maçónica – tema Tolerância

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