As sete circunstâncias de Aristóteles e o planeamento de uma Loja maçónica

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O Pensador da Porta do Inferno (Museu Rodin, Paris), planeamento
O Pensador da Porta do Inferno (Museu Rodin, Paris)

Quão importante é, para o sucesso prospectivo de uma Loja maçónica, além das inúmeras virtudes e qualidades nos recursos humanos e materiais disponíveis, o PLANEAMENTO, DISCUSSÃO E APROVAÇÃO DEMOCRÁTICA DE ACÇÕES E A TRANSPARÊNCIA DE INFORMAÇÕES.

As Sete Circunstâncias na obra Ética a Nicómaco, de Aristóteles, são em latim as perguntas:

Quis, Quid, Quando, Ubi, Cur, Quem da modum e Quibus adminiculis.

Estas perguntas podem ser livremente traduzidas para: Quem, O quê, Quando, Onde, Porquê, Como e Por que meios.

Na língua inglesa, da mesma forma, é tratado como Os Cinco W (5W, também conhecido como 5W1H, 5W2H, e 5W-2H-1R) – é um acrónimo em inglês que representa as principais perguntas que devem ser feitas e respondidas ao investigar e relatar um facto ou situação:

  • Who? (Quem?)
  • What? (O quê?)
  • Where? (Onde?)
  • When? (Quando?)
  • Why? (Porquê?)

Perguntas adicionais incluem:

  • How? (Como?)
  • How Much? (Quanto?)
  • Results? (Resultados?)

A ferramenta 5W2H ganhou destaque no contexto da indústria japonesa, especialmente na Toyota, durante a década de 1950. Ela é uma metodologia que visa facilitar o planeamento e a execução de projectos, respondendo a sete perguntas essenciais: O quê? Porquê? Quem? Quando? Onde? Como? E Quanto?

Algumas destas perguntas são consideradas perguntas abertas, porque não podem ser respondidas de forma simples, com apenas um sim ou não, ou fornecendo exactamente uma resposta restrita simples, exigindo que a pessoa que responde use o seu conhecimento e seja mais abrangente. É aplicável a várias actividades profissionais, como o jornalismo, a análise de sistemas, o sector de eventos, a administração, as vendas, o marketing, sistema pedagógico de organização e, também deva ser aplicado à Loja maçónica. etc. (https://pt.wikipedia.org/wiki/5W).

Numa Loja maçónica (ou no mundo não-maçónico em lei civil, chamada de associação), a priori, deve ter em mente e em escopo que o seu planeamento estratégico não deva ser considerado tão somente um plano, mas, sim, um processo com diversas actividades que precisam ser desenvolvidas de forma planeada, contínua e permanente; que não seja simplesmente uma tarefa dos seus planeadores, mas, sim, de todos os actores envolvidos e comprometidos com o processo (pelas Colunas) e; que não seja uma mera declaração de intenções, mas, sim, um portfólio de objectivos e metas factíveis e alcançáveis a serem perseguidos com constância e coerência de propósito e que seja a expressão pensada, pactuada e legitimada da vontade colectiva, pois do contrário não atingirá o sucesso desejado.

É preciso, a princípio, pensar colectivamente e definir a Filosofia da Loja, e isso a partir das reflexões filosóficas dos seus Valores, Missão e Visão:

  • Valores (“Como devemos ser?”): conjunto de crenças ou princípios que devem reger os seus comportamentos na Loja.
  • Missão (“Por que existimos?”): objectivo fundamental de uma Loja. A sua finalidade última.
  • Visão (“Para onde vamos?”): estado futuro desejado e alinhado com os objectivos da Loja.

A partir daí, é preciso pensar colectivamente e de forma exequível sobre:

  • “Qual é o nosso desafio?”;
  • “Quais serão efectivamente as nossas acções?”;
  • “Quais os métodos ou ferramentas utilizadas para averiguação dos nossos processos e resultados?”;
  • “Temos um plano estratégico da nossa Loja?”;
  • “Temos um cronograma com as previsões das ocorrências da nossa Loja e os seus responsáveis?”;
  • “Temos Agenda?”;
  • “Temos uma periódica e regular prestação de contas apresentada e total transparência na nossa Loja?”

Acreditamos que, basicamente, uma Loja Maçónica deva ter também uma grande preocupação e uma máxima dedicação com tudo, mas sobretudo, ao sentir deste articulista, apoiada num tripé em instâncias prioritárias: 1°) Recursos Humanos da Loja – (Seu maior património) – Mantença, formação e renovação do Quadro; 2°) Recursos Financeiros/Materiais – (Higidez financeira, sem a qual não partirá nem chegará a lugar algum) – Entradas e Saídas; Receita e Despesas da Loja, a sua saúde financeira e, 3°) Propósitos ou Missões de cada Loja – (A que a Loja se concentra) – Filantropia, Liturgia maçónica, Filosofia, Estudos e pesquisas, etc.. (Uma Loja sem propósitos estará fadada, certamente, a uma replicação de gestos ritualísticos e golpes de malhete sem a sua completude). E, se por uma hipótese, a bem da verdade, uma dessas bases não forem realmente consistentes, sobretudo a primeira e a segunda, fatalmente acontecerão dificuldades ou problemas que abaterão incisivamente as Colunas e engendrarão grandes desafios para a Loja resolver…

Um outro aspecto considerado relevante, ao analisar deste articulista, é sobre a questão das receitas na administração financeira de uma Loja maçónica… (Sem recursos financeiros não se vai a lugar nenhum e toda instituição precisa de dinheiro – é uma máxima). Portanto, a Loja deve reflectir: “Como arrecadamos?”; “Como sobrevivemos e vivemos financeiramente?”. As fontes ou origens financeiras da maioria maciça das Lojas maçónicas é proveniente da contribuição exclusiva dos próprios obreiros, sejam pelas obrigações mensais ou pelas suas doações, sem qualquer outra forma alternativa de receita.

Seria, talvez, também de bom alvitre pensar sobre formas alternativas de receitas além de contribuições ou eventos maçónicos. Mas, dir-se-ia: “- A Maçonaria, as suas Lojas, não têm fins lucrativos.” – Exactamente isso! e assim deve ser. Todavia, talvez haja uma certa confusão reinante sobre este facto de “fins lucrativos” e outras formas de arrecadação passiva financeiramente, sem fins lucrativos, para a destinação de receita da Loja. Como exemplificativamente, reflectindo: “Temos casas, prédios, veículos ou outros empreendimentos similares para fins de aluguel ou locação; temos livros ou outras produções com fins de arrecadação financeira para as nossas Lojas, com os recursos apurados depositados em conta bancária da pessoa jurídica da Loja, (não extinguindo as colectas de pecúnias e de caridade pelos Obreiros da Loja)?” – Creio ser ainda um tema muito sensível e passivo de muitas reflexões pelas Lojas maçónicas e seus estatutos, em conformidade harmoniosa com os códigos legais normativos das suas Obediências…

Portanto, enquanto não efectivamente se consolidarem, na práxis, as sete circunstâncias de Aristóteles e a partir daí ter-se e cumprir-se um planeamento estratégico de Loja maçónica, muito dificilmente, ao ver deste articulista, as Lojas maçónicas terão os seus objectivos alcançados com eficiente êxito, sobretudo aquelas Lojas que, eventualmente, passarem por dificuldades de ordem administrativa/financeira.

Por fim, suscita-se uma reflexão:

“Temos e seguimos, real e efectivamente, um planeamento estratégico administrativo produzido e praticado nas nossas Lojas maçónicas?”.

Alexandre Fortes, 33º – CIM 285969 – ARLS Cícero Veloso n° 4543 – GOB-PI

Bibliografia

  • Aristóteles. Ética a Nicómaco. Tradução de António de Castro Caeiro. São Paulo: Atlas Editora, 2009.
  • CHIAVENATO, I. Administração – Teoria, Processo e Prática, 1ª ed., São Paulo, Ed. McGraw-Hill, 1985, pp. 161-176.
  • COSTA, Eliezer Arantes da Costa., “Gestão Estratégica”. São Paulo: Saraiva, 2002.
  • DRUCKER, P. Administração: Tarefas, Responsabilidades e Práticas, São Paulo, Ed. Pioneira, 1975, vol. 1.
  • HELDMAN, kim., “Gerência de Projectos”. Rio de Janeiro: Campus, 2005.
  • JURAN, J.M. Planeamento para a qualidade. São Paulo: Pioneira, 1992.
  • KAPLAN, Robert S., NORTON, David P. “A estratégia em Acção: Balanced Scorecard”. Rio de Janeiro: Campus, 1997.
  • KAPLAN, Robert S., NORTON, David P. “Organização orientada para a estratégia”. Rio de Janeiro: Campus, 2001.
  • REBOUÇAS, Djalma de Pinho., “Planeamento Estratégico: Conceitos metodologia práticas”. São Paulo: Atlas, 2001.
  • TAVARES, Mauro Calixta., “Gestão Estratégica”. São Paulo: Atlas, 2000.

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