Uma igreja do Tennessee queimou os livros de Harry Potter por serem Maçónicos

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Livros de Harry Potter
Livros de Harry Potter

Um pastor protestante no Tennessee liderou uma queima de livros em massa para livrar o mundo das sagas de Harry Potter e Crepúsculo. “Nós sempre comungamos nas noites de quarta-feira, mas o Senhor ordenou-me especificamente para não o fazer esta noite. Não vou partilhar o pão com as bruxas, estão a ouvir-me? Não vou partilhar o pão com os demónios, não vou partilhar o pão com os maçons“, dramatizou diante da sua congregação durante o culto religioso antes de iniciar a queima massiva de livros, transmitida por duas plataformas de streaming. O pastor Greg Locke é conhecido por não permitir que as crianças estudem matemática, porque a “álgebra” é de origem muçulmana ou por afirmar a falsidade da pandemia. Numa das suas postagens nas redes sociais ligadas à queima, explicou que “qualquer coisa ligada a uma Loja Maçónica precisa de ser destruída”.

A queima pública de livros é uma prática antiga, ligada ao fanatismo político ou religioso. No século III, Diocleciano ordenou a queima de livros alquímicos; no século IV, Constantino fez o mesmo com os escritos de Ário; e, no século V, Teodósio organizou uma queima pública massiva de todos os escritos contrários ao cristianismo oficial. No século XIII, Luís IX da França ordenou a queima de vinte e quatro carroças carregadas de cópias do Talmud e, no século XV, por ordem do Cardeal Cisneros, foram queimados os manuscritos nasridas da madrassa de Granada. No século XVI, os códices maias foram queimados por ordem do padre Diego de Landa. Já no século XX, a Falange Espanhola organizou várias queimas de livros, como a da biblioteca particular de Casares Quiroga. Mas, sem dúvida, a queima de livros mais emblemática da história foi a realizada em 1933 pelos nazistas em Berlim, num acto presidido pelo ministro da Propaganda Joseph Goebbels que reuniu mais de 40.000 pessoas.

Quem sabe as obras que se perderam para sempre nas fogueiras históricas do fanatismo. Na última, não muito: com 400 milhões de cópias vendidas, a saga Harry Potter é considerada a terceira mais lida da história; Crepúsculo, com 40 milhões, o sétimo. Magicamente, como a fénix, os livros de JK Rowling e Stephenie Meyer renascerão das cinzas ineficazes do Tennessee em milhões de prateleiras.

Fonte

Tradução de António Jorge, M∴ M∴, membro de:

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