A presente peça de arquitectura – Uma Visão do Grau de Aprendiz – é decorrência de determinação do Ven∴ Irm∴ Orlando Ferreira de Sousa, da Loja Maçónica Benfeitora da Ordem “Acácia Teresinense nº 1234”, GOB, Oriente de Teresina, Pl, para que fosse ministrada aos AApr∴ informações gerais acerca do primeiro Grau Simbólico da Maçonaria.
A tarefa não é fácil. Obter uma visão de um Grau em Maçonaria, uma sociedade universalista e ecléctica, é uma tarefa difícil. Mas, vejamos o que poderemos apresentar como tal.
Em primeiro lugar ,é necessário que tenhamos uma ideia do que seja o Aprendiz e o que precisa aprender nesse interstício. Em segundo, procurar uma visão do Grau, haja vista, que segundo o nosso entendimento, não deverá estar adstrita aos aspectos Iniciáticos, Litúrgicos e Esotéricos do Grau. Deve abranger muito mais.
Para que se tenha, pelo menos uma ideia geral sobre o Grau de Aprendiz, desenvolveremos o nosso trabalho dentro dos seguintes enfoques: histórico, iniciático, simbólico, esotérico, educativo, litúrgico, ritualístico, administrativo, ocultista, religioso e filosófico.
Cremos que assim poderemos ter uma visão geral do Grau e, via de consequência, traçar o nosso plano de trabalho para as instruções necessárias aos Aprendizes Maçons.
O que é um aprendiz?
O nosso primeiro grande questionamento é saber o que é um Aprendiz em Maçonaria. Vem em nosso socorro o mais abalizado escritor maçónico nacional, Irm∴ Nicola Aslan, no seu Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e Simbologia, vol. I págs. 118 e 119.
Diz-nos o Irm∴ Aslan que “no Simbolismo Maçónico, o Grau de Aprendiz representa o homem na sua primeira infância e nos primeiros séculos da civilização. O Aprendiz deve estudar as leis, os usos e os costumes da Instituição, trabalhando simbolicamente, no desbaste da Pedra Bruta, o que faz desde o meio-dia até a meia-noite.”
“Os Trabalhos, no Grau de Aprendiz, têm por objectivo demonstrar ao novo Iniciado a escravidão em que vive, despertando no seu coração o sentimento da sua própria dignidade, e incentivando-o no estudo da Verdade. O Aprendiz tem por objectivo lutar contra os inimigos naturais do homem, as paixões; contra os hipócritas, os perjuros, os fanáticos e os ambiciosos, os que especulam com a ignorância e o obscurantismo, combatendo-os com vigor para que a luz vença as trevas, para que a honra derrote a perfídia e a verdade triunfe do erro. E este o simbolismo do Aprendiz, que passa das trevas para a Luz.
Mais adiante, ao citar o Irm∴ L. Cousscau, diz que: a Aprendizagem é um período de meditação e de silêncio.
O Aprendiz não pode tomar a palavra a menos que seja convidado pelo Ven∴. O Sinal de Ordem há de lhe lembrar que deve dominar a exteriorização dos seus pensamentos.”
“Durante este período, o Aprendiz tem a revelação do que é a obra da Maçonaria e aprende que para ser ao mesmo tempo digno e capaz de nela trabalhar, precisa libertar o seu espírito e purificar o seu coração.”
“Para poder alcançar o segundo Grau, é preciso desbastar a “pedra bruta” que o personifica, isto é, deve progressivamente desfazer-se de todos os maus costumes, de todos os prejuízos, de todos os defeitos, de todas as paixões que agitam o mundo profano. Simbolicamente, para este Trabalho, entregam-se duas ferramentas: o Cinzel, que, tirando as asperezas, equivale à faculdade de apreciar com rectidão; o Malho, que, arrastando a decisão, afasta do espírito que o estorvava, falseando-o.”
“Por outro lado, o Avental lembra-lhe as obrigações. O uso proíbe de entrar em Loja sem dele estar revestido. Esta regra faz-lhe sentir que, momentaneamente, deve renunciar aos hábitos profanos. O Maçom que dele está ornado não é mais o que era antes. Quando toma a palavra, estando à ordem, exprime ele a sua opinião com calma, em termos comedidos, calculados para não ferir a ninguém, mesmo quando estaria tentado a se enfadar na defesa de ideias que lhe são caras.”
Dentro desta óptica, apercebemo-nos da importância do Grau de Aprendiz e da responsabilidade que temos, como Mestre, de tornar possível a aprendizagem do Aprendiz.
O Irm∴ Aslan, no trabalho anteriormente citado dá-nos algumas pistas acerca deste Grau:
- representa o homem na primeira infância;
- a civilização nos primeiros séculos;
- estudar as leis, usos e costumes da instituição;
- desbastar a Pedra Bruta, cujo Símbolo é o próprio Aprendiz significando que deverá, neste período, tornar-se um Maçom dentro dos aspectos do simbolismo, do esoterismo, da liturgia e da filosofia maçónica. A sua Iniciação litúrgica o tornou capaz de adentrar o Templo Maçónico e, nele, absorver as verdades e os ensinamentos que o seu conteúdo simbólico e iniciático proporciona;
- trabalhar do meio-dia à meia-noite;
- lutar contra as paixões, a hipocrisia, os perjuros, os fanáticos, os ambiciosos, os que especulam com o obscurantismo e a ignorância;
- o período de Aprendiz é um período de meditação e silêncio;
- o Avental lembra ao Aprendiz as suas obrigações.
Dentro desta amplitude, a visão do Grau de Aprendiz Maçom é muito grande, embora não tenha vislumbrado ainda todo o Grau, o que nos parece impossível de fazer, pelo menos no sentido de pôr no papel todo o seu significado, posto que existem ensinamentos que somente a linguagem velada dos Símbolos torna o Iniciado liturgicamente em verdadeiro Iniciado e que essa aprendizagem é individual e onde o Mestre é, em verdade, o próprio Iniciado.
Daí a nossa responsabilidade para com o Aprendiz. Já dizíamos no nosso livro: INSTRUÇÕES PARA LOJA DE APRENDIZ na pág. 65-6, que as ESPERANÇAS DO APRENDIZ ao adentrar ao Templo é o de que “… todas as juras, todas as promessas sejam transformadas em realidade, na sua novel vida maçónica. (…) e que “ quando procurar um Irm∴, espera encontrar a si mesmo, pois está certo de que ele será o seu outro Eu, como o seu Eu deverá ser o Eu do que está sendo procurado”.
Em busca de uma visão do Grau de Aprendiz
Feita esta pequena digressão, vejamos agora o nosso Trabalho propriamente dito que é uma busca de uma visão do Grau de Aprendiz Maçom.
Uma primeira abordagem ensina-nos que uma visão do Grau de Aprendiz Maçom é aquela que permite ao Iniciado liturgicamente na Cerimónia de Iniciação tornar-se Iniciado Real, isto é, obter a Iniciação Real que somente ele pode fazê-lo; também, deverá permitir que o Aprendiz se possa aperceber que a Maçonaria é uma instituição ecléctica e universalista e que o Maçom é um cidadão do mundo sem deixar de ser patriota.
Além destes ensinamentos que podem ser transmitidos pelas palavras, existem aqueles que somente o exemplo de vida – Maçónica e profana – podem oferecer ao novo membro da Ordem uma perspectiva de como é, de facto, a organização para a qual entrou e quão diferente se apresenta de outras instituições às quais pertence.
Uma visão histórica do Grau de Aprendiz
O Grau de Aprendiz não é privilégio somente da Maçonaria. Ele existe em todas as sociedades iniciáticas, em todas as instituições, mesmo as profanas, com outras denominações, mas sempre com o mesmo objectivo que é fazer com que o Neófito tome conhecimento das finalidades, usos e costumes da organização à qual pertence.
O nosso Nicola Aslan, no mesmo Dicionário Enciclopédico, diz-nos que Aprendiz “denominação do primeiro Grau da Maçonaria Simbólica Universal. Este Grau é admitido em todos os sistemas e Ritos. O nome foi tirado da Maçonaria Operativa, na qual o Aprendiz ocupava o Grau mais inferior da escala entre os operários. A Maçonaria Especulativa adoptou os usos e costumes, regulamentos e instrumentos das antigas corporações, fraternidades ou guildas operárias de construtores a fim dc estabelecer o seu próprio sistema de organização e de moralidade.” (pág. 118 vol. I).
Como sabemos, a Maçonaria Especulativa quando adopta como uma das suas definições a que a conceitua como iniciática, simbólica, educativa, progressista, filosófica, tendo por divisa a Liberdade, Igualdade e Fraternidade, proclamando a prevalência do espírito sobre a matéria, proporciona aos seus membros uma ampla aprendizagem, independentemente do seu Grau e qualidade.
O nosso Maçonólogo Pe. Professor da Universidade de Zaragoza, Irm∴ José Antônio Ferrer Benimeli, em artigo denominado RITOS Y GRADOS EN LA MASONERÍA, às páginas 17 a 28, da Revista “EXPOSICIÓN 1718 / LA MASONERÍA ESPAÑOLA / 1939, 2- Edição, 1991, Alicante, gentilmente oferecida pelo General Irm∴ Morivalde Calvet Fagundes, Presidente da Academia Brasileira Maçónica de Letras, diz-nos que “Aprendiz – Es el primer grado de la Francmasonería. El “período de ensayo” en las antiguas corporaciones duraba varios años, y sólo después de haber hecho sus pruebas era agregado o incorporado …Los útiles que la Masonería le confía son la regla de 24 pulgadas, em mallete y el cincel. Cada uno de estos útiles comporta una utilidad constructiva propria, pero la Masonería moderna al no construir ya edificios materiales, le aplica un segundo sentido, que es esotérico. Cada útil tiene una significación moral que le es explicada en el Rito de la “presentación de los útiles”, (pág. 20)
Por último, para não nos alongarmos mais, “Aprendiz – título do 1º Grau de todos os Ritos Maçónicos. O Aprendiz, à maneira dos antigos ofícios mecânicos, é o estagiário, o que começa a aprender, a ser instruído no mister…” diz-nos na página 86, A.H. de Oliveira Marques no seu DICIONÁRIO DE MAÇONARIA PORTUGUESA, Vol. I, Editora Delta, Lisboa, 1986.
Estes pontos evidenciam a parte histórica do Grau de Aprendiz. Originário das antigas corporações, tem na Maçonaria actual, um sentido educativo e moral de relevância, posto que em Maçonaria não se aprende apenas o ritualismo, o simbolismo, a liturgia, o esoterismo, aprende-se, sobretudo, a ser ecléctico, a ser universalista, a ter uma perspectiva de fraternidade que ultrapassa a de Irm∴ consanguíneo.
Carvalho Neves

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General Irmão é o máximo!!!!