Zoroastro

No curso das instruções do Grau de Aprendiz, questiona-se a origem do período de trabalho (do meio-dia à meia-noite), ao que o Ritual nos esclarece ser uma homenagem a um dos instituidores dos Mistérios: Zoroastro (Nome grego do filósofo persa Zarathustra).

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Fig. 1 – O Faravahar (ou Ferohar), representação da alma humana antes do nascimento e depois da morte, é um dos símbolos do zoroastrismo. A criatura alada simboliza a verdade do ser humano, a sua grandeza e potencial. A coroa sendo a sua autonomia, as asas as possibilidades infinitas e o círculo a perfeição que traz em si.

O principal documento que nos permite conhecer a vida e o pensamento religioso de Zoroastro são os Gathas, dezassete hinos compostos pelo próprio Zoroastro e que constituem a parte mais importante do Avesta ou livro sagrado do zoroastrismo. A linguagem dos Gathas assemelha-se à que é usada no Rig Veda (“Veda dos Hinos” – o primeiro dos quatro livros sagrados do hinduísmo), o que situaria Zaratustra entre 1500-1200 a.C. e não no século VI a.C. Vivia na Idade do Bronze, numa sociedade dominada por uma aristocracia guerreira.

Os Gathas revelam também um pensamento dualista, sobretudo no plano ético, entendido como uma livre escolha entre o bem e o mal. Posteriormente, o dualismo torna-se cosmológico, entendido como uma batalha no mundo entre forças benignas e forças maléficas.

“Desde muito cedo, Zoroastro já mostrava uma sabedoria fora do comum. Aos 15 anos de idade, já realizava valiosas obras religiosas. Era muito conhecido e respeitado pela grande bondade para com os pobres e animais e pelo sistema religioso-filosófico que criou. Os seus sacerdotes, os magi ou magos, dedicavam o culto a ele, eram vegetarianos, reencarnacionistas e conheciam muito bem a Astrologia (a palavra mago significa sábio). Tudo leva a crer que Zoroastro reformula o Mazdeísmo, a antiga religião da época. Possuía uma visão positiva e alegre do mundo.”

As reformas de Zoroastro não podem ser entendidas fora do seu contexto social. A sociedade dividia-se em três classes: a dos chefes e sacerdotes, a dos guerreiros e a dos criadores de gado. Esta estrutura reflectia na religião, e determinadas deidades (daivas) estavam associadas a cada uma das classes. Ao que parece, os ahuras (senhores), que incluíam Mitra e Varuna, só tinham relação com a primeira classe. Os servos, mercadores, pastores e camponeses eram considerados insignificantes demais para serem mencionados nas crónicas, embora tivessem os seus próprios deuses.

O Zoroastrismo prescreve a fé num deus único, AhuraMazda (divindade suprema), a quem se credita o papel de criador e guia absoluto do universo. Desta divindade suprema emanam seis espíritos, os Amesha Spenta (Imortais Sagrados), ilustrados na Tabela 01, que auxiliam Ahura-Mazda na realização dos seus desígnios. Juntos, Ahura-Mazda e esses entes travam luta permanente contra o princípio do mal, Angra Mainyu (ou Ahriman), representado na Figura 2, por sua vez acompanhado de entidades demoníacas, o mau pensamento, a mentira, a rebelião, o mau governo, a doença e a morte.

Nome Significado
Ahura-Mazda (ou Ormzud) Divindade suprema – criador e guia absoluto do universo
Ameshas Spenta (Imortais Sagrados)

Vohu-Mano

Espírito do bem
Asa-Vahista Rectidão suprema
Khsathra Varya Governo Ideal
Spenta Armaiti Piedade Sagrada
Haurvatat Perfeição
Ameretat Imortalidade

Tabela 1 – Suprema divindade do Zoroastrismo e os seus deuses

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Fig. 2 – Duas representações de Ahriman – Figura leonina alada

Segundo Zoroastro, a escolha entre o bem e o mal está nas mãos do homem e todo o universo conspira a seu favor se a escolha é o bem. No entanto, a escolha pelo mau princípio traz isolamento e angústia.

Mandamentos do Zoroastrismo:

  • Falar a verdade;
  • Cumprir o prometido;
  • Manter-se livre de dívidas;
  • Agir como gostaria que agissem com você;

No período do Pré-Zoroastrismo, Mitra (Sol), associada com o supremo Ahura-Mazda, era um deus de 1ª grandeza.  Zoroastro, um líder francamente monoteísta, fez com que Ahura-Mazda absorvesse as virtudes representativas de todos os seus imortais sagrados, diminuindo a importância de Mitra, o que veio a provocar o seu assassinato pelos adoradores de Mitra no templo do fogo de Balkh.

Após a morte de Zoroastro a religião mitraica renasceu com todo o vigor.

No mito de Mitra, no dia 25 de Dezembro (coincidência?) celebra-se a vinda da Nova Luz mas esta é uma outra estória que, pela sua importância, merece uma abordagem exclusiva, impraticável para o escopo deste trabalho.

Uma grande parte dos conceitos encontrados tanto no antigo como no novo testamento origina-se directamente do Zoroastrismo. Outras também o fizeram mas o Zoroastrismo é a única que permanece viva até hoje. Citando um exemplo:

“A História da Génese foi uma adaptação feita por Moisés, como todas do seu livro, da lenda do Zend-Avesta, quando os persas andaram pela mesopotâmia, 2.300 anos antes daquele legislador, cujas doutrinas deixaram raízes aqui e ali. Eis a lenda, segundo Marius Fontane, na sua obra Historie Universelle, uma parte extraída do Bundedesh, na última parte do Avesta.

“Ormzud, o deus bom, colocou na Terra o primeiro homem e a primeira mulher, Meshia e Meshiahé, destinados a morrer como todos os seres criados. Prometeu-lhes constante felicidade neste mundo, com a condição de o adorarem como sendo o autor de todos os bens. Durante muito tempo, o casal conformou-se com isto, e as suas palavras, pensamentos e acções eram puros e executavam santamente a vontade de Ormzud quando se aproximavam um do outro. Mas, um dia, o deus do mal, Arimã, apareceu-lhes sob a pele de uma serpente, a sua forma habitual; enganou-os, pela habilidade das suas palavras, e fez-se adorar por eles, como sendo o princípio de tudo quanto era bom: desde então, as suas almas foram condenadas ao inferno até a ressurreição. A vida tornou-se-lhes cheia de penas e sofrimentos; tiveram frio, fome e sede, e, aproveitando-se dos seus tormentos, um demónio veio e trouxe-lhes uma fruta, sobre a qual eles se atiraram sedentos. Foi a segunda fraqueza, em consequência da qual os seus males dobraram. Sobre cem prazeres anteriores só lhes restou um. Caminhando, então, de tentação em tentação, de queda em queda, joguetes dos demónios e da matéria, só conseguindo prover a existência à força de improvisações e de fadigas, eles esqueceram-se de se unir durante 50 anos, e Meshia só concebeu após esse lapso de tempo”.

Outra referência que não se pode omitir é com relação aos supostos “três reis magos” da tradicional história Cristã, vejamos:

“Os magos também tinham a lenda do chefe da sua religião: prodígios tinham anunciado o seu nascimento. Ele foi exposto a perigos desde a sua infância e obrigado a fugir para a Pérsia, como Cristo no Egipto; ele foi perseguido como Cristo por um rei inimigo que queria livrar-se dele. Um anjo o transportou ao Céu, de onde ele trouxe o livro da sua lei. Como Cristo, foi tentado pelo Diabo, que lhe fez magníficas promessas para convencê-lo a se submeter a ele. Foi caluniado e perseguido pelos sacerdotes, como Cristo pelos fariseus. Ele opôs-lhes milagres para confirmar a sua missão divina e os dogmas contidos no seu livro. Sentimos facilmente com esse paralelo que os autores da lenda de Cristo, que fazem chegar os magos até ao seu berço, conduzidos pela famosa estrela que se dizia ter sido prevista por Zoroastro, chefe da sua religião, não deixaram de introduzir nessa lenda muitos traços que pertencem ao chefe da religião dos persas, da qual o Cristianismo é apenas um ramo, e com a qual ele tem a maior conformidade, como podemos observar na religião de Mitra ou do Sol Mitra, a grande divindade dos persas.”

Citando outras inúmeras e impressionantes semelhanças, o Zoroastrismo antecipa alguns conceitos:

  • A crença numa criação do mundo a partir do nada;
  • O zoroastrismo prescreve que a alma abandona o corpo em 3 dias, originando a versão do novo testamento para a ressurreição de Cristo
    ocorrida no terceiro dia da sua morte;
  • A crença num paraíso primordial;
  • Orar varias vezes por dia. A prescrição de 5 orações por dia dos
    muçulmanos é uma condensação desta pratica com o rito funerário dos
    mazdeístas que consiste em orar face ao cadáver 5 vezes por dia;
  • A crença num casal humano primordial (Mashya e Mashyanag são o adão e Eva iranianos);
  • A crença no dilúvio;
  • O zoroastrismo é uma religião revelada. Um homem é escolhido para
    receber a revelação divina assim como Moisés, Jesus, Maomé,
    Buda e Krishna;
  • A ideia bíblica dos sete arcanjos, antecipada por aquela dos sete amesha Spentas (Imortais generosos);
  • A ideia dos anjos da guarda ;
  • A ideia do “Messias” nascido de uma virgem fecundada por uma emanação divina;
  • O uso do sudreh branco e o kusti similarmente a cerimónia
    muçulmana de postectomia [1] ritual;
  • Zoroastro como Cristo retirou–se para a solidão. Cristo 40 dias no
    deserto e Zoroastro 7 anos na montanha;
  • Zoroastro foi perseguido pelo clero ou classe sacerdotal e ameaçado
    de morte sendo obrigado a fugir para as montanhas. Assim como Cristo o
    foi, tendo sido executado por instancias deste mesmo clero cioso da sua
    autoridade e poder;
  • A ideia da separação entre a alma e o corpo na 1ª manhã após três noites post-mortem espelhada na ressurreição de Jesus na aurora do 4º dia após a sua morte;
  • A ideia de purgatório, inferno, imortalidade da alma e juízo final;
  • A ideia de ressurreição dos mortos;
  • A Cerimónia do baptismo similar à do cristianismo;
  • A ideia cristã de uma entidade maléfica que escolheu ser má, como fez Angra Mainyu;
  • A semelhança do encontro Jesus/Satã com o encontro Zarathustra/ Angra Mainyu no Avesta;

Segundo Richard C. Zaehner (em “The Dawn and Twilight of Zoroastrianism”, Londres, 1961, p.171), “uma pessoa sente-se tentada a dizer que tudo o que era vital na mensagem de Zarathustra foi assimilado pelo Cristianismo através dos exilados judeus”. O facto é que várias seitas zoroastrianas (incluindo-se aí o Mitraísmo) observam a confissão dos pecados, a penitência e a absolvição, ceias cerimoniais com pão e vinho, observância do dia 25 de Dezembro como dia de nascimento divino, o título “pai” para designar um sacerdote e muitas outras semelhanças.

Relatos clássicos como os de Plínio, Porfírio e do bizantino Suídas (séc. X) – que retratam Zoroastro como instrutor de Pitágoras na filosofia, astrologia, alquimia, teurgia [2] e magia, e ligaram-no a Platão em termos das ideias, da concepção da alma e da cosmologia – juntamente com os “Oráculos Caldeus” e a literatura atribuída a Hermes, contribuíram para criar a imagem de Zaratustra, que viria a ter grande força no Renascimento. No afresco da “Escola de Atenas” (1510-11), (Figura 3), Rafael Sánzio pôs Zoroastro ao lado de Ptolomeu, este segurando um globo terrestre e aquele, uma esfera celeste (Fig. 4). Ptolomeu de Alexandria viveu no segundo século da nossa era, e foi autor do tratado Síntese Matemática, mais conhecido como Almajesto. Esta célebre obra, escrita em treze volumes, trata de trigonometria e astronomia.

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Fig. 3 – Afresco “A Escola de Atenas” – A esquerda, Pitágoras; ao Centro, Platão e Aristóteles; e à direita: Ptolomeu, de costas e de frente para Zoroastro e Euclides, utilizando um compasso.

No detalhe da Figura 4 podemos ver as duas esferas que vieram a compor a ornamentação das colunas B:. e J:..

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Fig. 4 – Zoroastro em detalhe do afresco “A Escola de Atenas”, segurando uma esfera celeste.

Considerações finais

Meus Irmãos, os ensinamentos velados por alegorias e simbologias na nossa Ordem trazem, na sua essência, um tesouro infinito não só para alimento do nosso arcabouço cultural mas também da nossa alma e para a aquisição da sabedoria para trilhar esta vida de forma digna, justa e o mais próximo que conseguirmos chegar da perfeição.

E, como tantas outros tesouros ocultos, não é por acaso que a Maçonaria homenageia esta figura lendária.

O seu carácter místico e revelador lançaram sobre os seus contemporâneos uma nova forma de pensar a espiritualidade e, de forma pioneira, influenciou inúmeras culturas e credos. Sendo os seus sinais visíveis até hoje em diversas liturgias.

Em nosso entender muito ainda há para se explorar na simbologia dos seus ensinamentos e, a exemplo do trabalho do Maçom, muitas faces polidas e reluzentes podem surgir do burilamento desta pedra.

Mario Cristino Bandim Vasconcelos

Notas

[1] Intervenção cirúrgica que consiste em retirar excesso de prepúcio; circuncisão.

[2] Substantivo feminino. (1.Espécie de magia baseada em relações com os espíritos celestes; 2.Arte de fazer milagres; 3.Filos. No neoplatonismo, arte de fazer descer Deus à alma para criar um estado de êxtase.

Bibliografia

[1] – Fernandes, Edrisi de Araújo. AS ORIGENS DO ZARATUSTRA NIETZSHEANO: O ESPELHO DE ZARATUSTRA, A CORRECÇÃO DO “MAIS FATAL DOS ERROS” E A SUPERAÇÃO DA “MORTE DE DEUS”, UFRN, Natal, 2003, Dissertação de Mestrado.

[2]  –  COSTA, Wagner Veneziani. MAÇONARIA, ESCOLA DE MISTÉRIOS – A ANTIGA TRADIÇÃO E OS SEUS SÍMBOLOS. São Paulo: Madras, 2006.

[3] – Pesquisas na Internet :http://avesta.org/; www.wikipedia.org e outros

Apêndice

Contexto Histórico-Cultural

A época aqueménida

Entre a morte de Zaratustra e a ascensão do Império Aqueménida no século VI a.C. pouco se sabe sobre o zoroastrismo, a não ser que se difundiu por todo o planalto iraniano.

Em 549 a.C. Ciro II derrota Astíages, rei dos Medos, e funda o Império Persa, que unia sob o mesmo ceptro os Medos e os Persas. A dinastia à qual pertencia, os Aqueménidas, adoptou o zoroastrismo como religião oficial do império, mas foi tolerante em relação às religiões dos povos que nele vivem. A primeira diáspora inicia-se em 586 a.C., quando o imperador babilónico Nabucodonosor II (605 a.C.-562 a.C.) invade Jerusalém e deporta os judeus para a Babilónia. Apesar da libertação de Jerusalém pelo imperador persa Ciro II (590/580 a.C.-529 a.C.), em 539 a.C., apenas parte dos judeus retorna ao território. A maioria opta por permanecer na Babilónia e alguns migram para vários países do Oriente. Provavelmente o primeiro rei persa que reconheceu oficialmente esta religião foi Dario I, como mostra uma placa de ouro na qual o rei se proclama devoto de Ahura Mazda.

Os Medos possuíam uma casta ou tribo sacerdotal, conhecida como os Magi, que adoptaram a religião de Zaratustra, não sem introduzir alterações na mensagem original e incorporando antigas concepções religiosas. Os Magi originais eram a casta sacerdotal da Pérsia Sassânida, além de químicos e astrólogos. Os seus trajes consistiam num manto escuro decorado com astros chapéu alto, triangular e pontudo, e as suas demonstrações públicas envolviam o uso de substâncias químicas para geração de fumaça que causavam grande impressão entre o povo; observadores europeus trouxeram a sua imagem para o folclore do ocidente. Casavam dentro do seu grupo e expunham os corpos dos mortos às aves de rapina, nas chamadas “Torres do Silêncio” duas práticas que viriam a ser adoptadas pelos zoroastrianos. Os sacerdotes recuperam os antigos sacrifícios e o uso do haoma. Os Amesha Spentas, inicialmente abstractos no pensamento de Zaratustra, foram personalizados e antigas divindades passaram a ser adoradas. Entre estas divindades (yazatas) estavam o Sol, a Lua, Tishtrya (deus da chuva), Vayu (o vento), Anahita (deusa das águas) e Mitra. Na Bíblia, os magos se traduzem como homens sábios. O termo também se tornou familiar com os magos que visitaram o menino Jesus no Evangelho de Mateus, capítulo II. Acredita-se terem sido sacerdotes zoroastrianos.

Foram também erigidos grandes templos e altares de fogo ao ar livre. Artaxerxes II (404-358 a.C.) chegou mesmo a ordenar a construção de templos em honra de Anahita nas principais cidades do império. Durante este período foi também criado o calendário zoroastriano e desenvolveu-se o conceito do Saoshyant, segundo o qual um descendente de Zarastustra, nascido de uma virgem, viria para salvar o mundo.

Escatologia

Escatologia individual

A escatologia individual do zoroastrismo afirma que três dias após a morte a alma chega à Ponte Cinvat. A alma de cada pessoa percepciona então a materialização dos seus actos (daena): uma alma que praticou boas acções vê uma bela virgem de quinze anos, enquanto que a alma de uma pessoa má vê uma megera.

Cada alma será julgada pelos deuses Mithra, Sraosha e Rashnu. As almas boas poderão atravessar a ponte, enquanto que as más serão lançadas para o inferno; as almas praticaram uma quantidade idêntica de boas e más acções são enviadas para o Hamestagan, uma espécie de purgatório.

As almas elevam-se ao céu através de três etapas, as estrelas, a Lua e o Sol, que correspondem, respectivamente, aos bons pensamentos, boas palavras e boas acções. O destino final é o Anagra Raosha, o reino das luzes infinitas.

Rituais

O zoroastrismo não determina que os membros devam realizar um número obrigatório de orações por dia. Os zoroastrianos podem decidir quando e onde desejam orar. A maioria dos zoroastrianos reza várias vezes por dia, invocando a grandeza de Ahura Mazda. As orações são feitas perante uma chama de fogo.

O Navjote (ou Sedreh-Pushi como é conhecido entre os zoroastrianos do Irão) é uma cerimónia de iniciação obrigatória destinada às crianças zoroastrianas que deve acontecer entre os sete e os quinze anos de idade. É importante que a criança já conheça as principais orações da religião.

Antes da cerimónia começar a criança toma uma banho ritual de purificação (Naahn). Durante a cerimónia, conduzida pelo mobed e na qual estão presentes familiares e amigos, a criança recebe o sudreh (ou sedra, uma veste branca de algodão) e o kusti (um cordão feito de lã) que ata na sua cintura. A partir deste momento o zoroastriano deve usar sempre o sudreh e o kusti.

Práticas funerárias

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Fig. 4 – Uma torre do silêncio em ruínas

Os zoroastrianos acreditam que o corpo humano é puro e não algo que deva ser rejeitado. Quando uma pessoa morre o seu espírito deixa o corpo num prazo de três dias e o seu cadáver é impuro. Uma vez que a natureza é uma criação divina marcada pela pureza não se deve poluí-la com um cadáver.

Na prática esta crença implicou que os cadáveres dos zoroastrianos não fossem enterrados, mas colocados ao ar livre para serem devorados por aves de rapina, em estruturas conhecidas como Torres do silêncio (dokhma)

Após a morte um cão é trazido perante o cadáver, num ritual que se repete cinco vezes por dia. No quarto onde se encontra o cadáver arde uma pira de fogo ou velas durante três dias. Durante este tempo os vivos evitam o consumo de carne.

Os participantes no funeral vestem-se todos de branco, procurando-se evitar o contacto directo com o defunto. O cadáver (sem roupa) é então depositado numa torre do silêncio. Depois das aves terem consumido a carne, os ossos são deixados ao sol durante algum tempo para secarem.

Por motivos vários (relacionados por exemplo com a diminuição da população de aves de rapina ou com a ilegalidade desta tradição em alguns países) esta prática tem sido abandonada entre zoroastrianos residentes em países ocidentais e até mesmo no Irão e Índia, optando-se pela cremação.

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One thought on “Zoroastro

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    Irmao Aonde entra de meio dia a meia noite?!

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