Uma vez ou outra deparo-me com situações no dia a dia embaraçosas. No outro dia, numa padaria, perguntei à balconista que me atendeu muito bem por sinal qual o motivo de alguns concidadãos não estarem observando o disposto no protocolo de controle a COVID 19 naquele estabelecimento! Ao se prontificar para responder, subitamente veio o dono que tratou de fazer um relato mínimo sobre o indagado e desconversar. E eu entendi. Atrapalho perguntando! A minha venda nos olhos “desceu” quando eu notei a sádica tentativa de tornar não consensual algo amplamente notório e seguro. Confesso que me decepcionei com a frieza. Frieza essa que nós sabemos e conhecemos nos nossos estudos. Reparei no cingir das pálpebras dos olhos o desconforto e a ganância propriamente dita estampada.
No ambiente profano somos confrontados com a infidelidade das boas práticas e secretamente pessoas em condições menores de força são submetidas a intolerância. Quanta ignorância salta aos olhos daqueles que ainda são afectos aos desejos mais mundanos. No exemplo anterior não me deixei dominar pelo autoritarismo e pus-me a tranquilizar aquele ser veladamente arrogante, atendo-me aos protocolos de saúde e reiterando-o como um bom cidadão e consumidor. A balconista de costas lavava alguns copos e mais tarde me confessou ter perdido uma irmã pela doença. Parece drama. Mas não é. Facto. Calada e resignada ouviu em silêncio toda a minha explanação sobre o protocolo discorrido aquele profano proprietário de um estabelecimento que talvez se esqueça de que a sua colaboradora não teve a doença, mas sentiu o efeito colateral dela. “Vaidade, tudo é vaidade”.
Cada Irmão interpreta o ensinamento e o prática diariamente dentro obviamente da sua realidade. Somos instruídos sempre a buscar o conhecimento dentro da impessoalidade e capacidade intelectual activa de cada um. A filantropia pelo menos a mim relembra a todo o momento que somos todos iguais. E assim sendo temos que ter sempre compaixão um com o outro. Isso traduz na vida a melhor prática que sirva a todos. Eis que a humanidade sofre com os desejos individuais dos poderosos e totalitários.
A cultura da lei de Gerson no Brasil ainda se estabelece como prática fiadora dos cegos profanos. Lidamos com atitudes corriqueiras que deliberadamente afrontam a verdadeira noção de cidadania e moral. A SOBRIEDADE nas lições devem ser guardadas para que o Maçom ao se lapidar, meça com clareza o tamanho das suas acções e gire o compasso na busca da fiel justiça a que deve apetecer o coração do obreiro. A sombra que acompanha a venda nos olhos e obstrui enxergar a luz da razão precisa ser afastada pelo irmão que ainda está preso as amarras da ignorância e que não se abstém de um passivo de aberrações morais passadas profanas para obter o novo, a transformação, a sobriedade mental que a busca por ensinamentos maçónicos traz.
Qualquer que seja o obstáculo a transpor no inventário moral ao lapidar a pedra bruta devemos ater-nos à nossa razão e não à nossa paixão. No exemplo acima o proprietário antes do facto era tido por mim como uma pessoa digna e de total confiança. Percebi que a paixão pela nossa amizade não poderia ser maior do que a razão frente a algo maior. Confesso que a decepção foi sentida. Mas o alívio de ter construído um pilar de força e estabilidade durante todo este tempo de estudo me possibilitou sabedoria para transpor com firmeza aquela situação. O olho que tudo vê me permitiu enxergar tamanha aberração. O GADU permite-nos o dom diário da vida. Saber reconhecê-lo e praticar de forma justa esse dom cabe a cada irmão na busca pelos estudos e conhecimento. Assim podemos ser melhores. Assim podemos tornar melhor o universo ao nosso redor.
Aroldo Lopes de Paula Valácio – M:. M:.

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Excelente texto!
Infelizmente no meio maçônico esse comportamento “profano” não é muito diferente. A força do social e do econômico é terrível e Hiran sucumbe diariamente.