A circulação da bolsa e a colecta dos fantasmas

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Em 01.12.2022 um Irmão formulou a seguinte questão:

Circunvolução esotérica

Ao cumprimentá-lo fraternalmente, recorro novamente ao Caro Irmão para tentar, digamos, “elucidar” uma situação ritualística que vivenciei.

Visitando uma Loja em outro Oriente, do mesmo Rito, constatei que os Irmãos M∴ de CCer∴ e Hosp∴ ao realizarem as suas circunvoluções respectivas, “passavam” pelas cadeiras vazias do Templo e agiam como se lá estivesse “sentado” alguém, oferecendo o “saco de colecta”; no final da Sessão questionei alguns Irmãos sobre tal “procedimento ritualístico” e fui informado que se trata da “parte esotérica da Loja”, pois ninguém pode garantir que não haja “algum Irmão ali sentado”.

No Ritual em uso actualmente no GORGS não há nada a respeito, na minha opinião, se me permite, é mais uma “invencionice” atrelada ao Rito.

Mas para dirimir a dúvida decidi recorrer ao Irmão.

Considerações

É meu Irmão, de facto morro e não vejo tudo. Na verdade, isso seria cómico se não fosse trágico para a nossa verdadeira ritualística, tão sofrida pelas invencionices e enxertos.

Agora, segundo alguns, graças à parte “esotérica da loja” (sic), fantasmas, almas de outro mundo, e outros do género também ingressam nos trabalhos maçónicos.

Nada contra às crenças de cada um, contudo a Maçonaria não é palco para proselitismos religiosos ou de crenças individuais. Nesse sentido, em respeito à crença de cada um, cada Maçom deve procurar expor e praticar a sua religiosidade, a sua fé e os seus credos nos espaços apropriados para tal, nunca nos templos maçónicos, onde professar a crença em Deus é o suficiente para que os membros da Sublime Instituição construam um mundo melhor para a humanidade.

Infelizmente, contudo, tem horas que alguns Irmãos parecem ter voltado às crendices da Idade Média (noite dos mil anos) e, ao invés de combater as trevas, a ignorância e a superstição, ao contrário, apregoam ideias que se ocultam nas sombras.

Ora, ora, ora… Isso é uma atitude imprópria para os canteiros da Maçonaria. A prova é que os nossos rituais não apregoam esses absurdos.

A propósito, para os “videntes” poderiam explicar-nos, por exemplo, como fazer a conferência das bolsas nesses casos. Afinal, os “fantasmas” materializam óbolos ou propostas e informações, ou essas contagens fazem parte dos costumes do além. Seria bom saber, nesse caso, se a Loja possui livro de presenças para Irmãos do “outro mundo”. Afinal, eles aparecem para votar nas deliberações da Loja?

Sem mais comentários… Lembrando Stanislaw Ponte Preta e o seu famoso FEBAPA (Festival de Besteiras que Assola o País), parece que a Maçonaria também acaba de ganhar o seu FEBEAMA (Festival de Besteiras que Assola a Maçonaria).

Pedro Juk, M∴ M∴ – Secretário Geral de Orientação Ritualística do Grande Oriente do Brasil

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6 thoughts on “A circulação da bolsa e a colecta dos fantasmas”

  1. Gilbert Ronald Lopes Florêncio

    Primeiramente, importante ressaltar que aquiesço com o articulista na quase totalidade de sua exposição. Todavia, há uma diminuta parte que ouso divergir e que diz respeito à assertiva de que a Idade Média foi uma Idade de trevas, com o predomínio da ignorância. Com o devido respeito, a História da Filosofia e mesmo das Ciências nos dá a saber algo bem diferente. Esse lugar comum, de afirmar poucas luzes no medievo, não resiste à leitura séria e detida das mais abalizadas obras que tratam desse período histórico, no qual, é bom que se diga, nasceram as Universidades que, até hoje, mantêm-se em funcionamento em esquemas bastante similares aos outrora praticados. Muitas vezes, tomar o todo pela parte é um equívoco dos grandes.

  2. Paudernei Carvalho

    Pessoas incapazes de entender algo tão básico não deveriam ter sido iniciadas.

  3. Lenira Engel

    Tenho a honra de pertencer a uma Ordem laica, embora eu mesma acredite na existência de um ser Supremo… Acho deveras estranho a prática deste ato, afinal a egrégora é criada pelo pensamento individual de cada Irmão ou Irmã presente! Sendo assim, considero de cunho particular se outros Irmãos do Oriente Eterno estão presente ou não. No meu entendimento, o ato de passar qualquer que seja as sacolas, completamente desnecessário! Tenho dito!

  4. Manoel Gambardella Jr

    Quando fui VM da minha Loja Mãe um Irmão propôs que convidássemos um profano (famoso médium espirita da nossa cidade) para comparecer a nossa Loja e, pasmem, conduzir em Sess.: Maç.: alguns IIr.: desencarnados para realizarmos um Trab.:. Oque deu de trabalho para faze-lo desistir não esta no gibi.

  5. Jean Tales Magalhães Sousa

    Sobre fantasmas na maçonaria, sem comentários, de fato nunca os vi. Porém vale uma reflexão sobre a egrégora da Loja, sobre os bons fluidos e boas vibrações que recebemos no Templo Sagrado, ou será que nada disso existe? Apenas impera o materialismo e o que enxergamos? Ainda nos limitamos a discutir somente sobre as alegorias. Será que podemos comentar e estudar tais questões?

  6. Sidney Lacé

    Com o devido respeito a crença de cada um, concordo que o Templo Maçônico não é o ambiente para a prática das nossas crendices, visto que, na abertura dos nossos trabalhos invocamos a ¨presença maior¨que é Deus!

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