A historia de Casanova e a Maçonaria

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Giacomo Girolamo Casanova (1725 - 1798)
Giacomo Girolamo Casanova (1725 – 1798)

O livro intitulado “Conspiração Casanova”, de Jacques Ravenne e Eric Giacometti, trata-se de um suspense policial, narra uma estória que se passa nos tempos actuais, envolvendo e entrelaçando com factos do passado.

Não é intenção, relatar a estória do livro, mas um facto que chama a atenção, refere-se de um personagem do livro, que a maioria já ouviu falar, trata-se de “Casanova”.

Quem foi Casanova?

Giacomo Girolamo Casanova (simplesmente Casanova), nasceu em Veneza, Itália, em 2 de Abril de 1725 e morreu em Duchcov, Reino da Boémia, hoje República Tcheca,  em 4 de Junho de 1798.

Filho de Gaetano Giuseppe Casanova e de Zanetta Farussi, ambos actores de teatro, desde cedo, foi entregue aos cuidados da avó materna,  tendo em vista que, os pais, viajavam constantemente com a companhia de teatro.

Na adolescência, residiu na casa de um abade enquanto estudava direito na universidade, também aprendeu filosofia, matemática, música e medicina. Tentou seguir a vida eclesiástica e depois a militar, porém em ambas, ele não se adaptou.

Mas a vida reservou-lhe outros destinos. Casanova gozou os seus plenos setenta e três anos apaixonantes, marcados, sobretudo pelas suas aventuras amorosas, jogatina e festas.

Foi perseguido e preso em Veneza, 26 de Julho de 1755, sendo condenado a cinco anos de prisão, sob a acusação de levar uma vida dissoluta (libertina), de possuir e divulgar livros proibidos e de fazer propaganda anti-religiosa.

Na madrugada do dia 1 de Novembro de 1756, conseguiu fugir da prisão e foi viver na cidade de Munique, na Alemanha, em seguida, passou a morar em diversos países, entre eles: França, Suíça, Itália, Inglaterra, Bélgica e Espanha. Como lembranças, ele deixava para traz, amantes, dívidas de jogo, amigos e inimigos.

Entretanto nesse período, teve o privilégio  conhecer e conviver como muitos personagens relevantes da sua época, para citar alguns: Rousseau, Voltaire, Diderot, D’Alembert e outros nomes expoentes da cultura europeia.

Pelo lado cultural e intelectual, escreveu 42 livros, traduziu “Ilíada” de Homero do grego para o italiano e deixou um romance de ficção em cinco volumes; além disto, era um profundo conhecedor de filologia, teologia, matemática, física e música, tendo sido até violinista profissional.

Regressou, a Veneza, dezoito anos mais tarde, em 1774, com a incumbência de escrever relatórios secretos para a Inquisição de Veneza, “ entregando” as pessoas em que ele frequentava, com as suas longas noites de jogatina e festas, nos seus tempos de juventude.

Em 1785, já com idade avançada, foi nomeado bibliotecário do Conde de Waldstein-Wartenberg, em Duchcov, na Boémia, permanecendo no cargo até o fim da sua vida.

Dedicou os seus últimos anos à escrita de um romance, Isocameron e especialmente, à redacção das suas memórias, História da minha vida,

O outro lado da vida de Casanova

Este homem, por diversas vezes retratado no cinema, em séries de TVs e na literatura, sempre foi e é apresentado, por uma aura mágica que envolve toda a sua vida de debochado, libertino, escroque, jogador inveterado e conquistador empedernido, que percorria as grandes Salões das cortes e os bordéis das cidades, por onde passava; coleccionando mulheres, de todos os tipos, das meretrizes do mais baixo nível, às senhoras e senhoritas da nobreza e da burguesia europeia.

Pois bem, ele tinha outro lado da vida, pouco conhecido, ele era Maçom. Para Alguns historiadores maçónicos, este homem oportunista, que só viveu para o ócio, a libertinagem e à custa dos outros, usava a Maçonaria para “abrir as portas” nos mais altos círculos das sociedades europeias daquela época.

Entretanto, outros afirmam que, Casanova, levava Maçonaria muito a sério. Ele foi iniciado na Franco-Maçonaria, em Lyon, França, em 1750. Esse é um facto desconhecido, por muitos e pouco explorado da sua identidade esotérica.

Casanova, dedicou a sua vida aos estudos do ocultismo e dos mistérios, frequentou as antigas escolas de alquimia e cabala. Casanova desvendou os segredos da Alquimia e completou o Magnum Opus – a Grande Obra – descobrindo o segredo da Pedra Filosofal, tal como fez, o seu companheiro de estudos, Saint-Germain.

A Maçonaria do século XVIII, da qual fizeram parte Casanova e outros personagens ilustres, era um tanto diferente do que temos hoje, principalmente em questão de práticas. A Fraternidade, a Espiritualidade e a busca pelos mistérios eram parte da rotina maçónica.

A mensagem de Casanova era como um aviso aos que desejam entrar na Maçonaria e aos que lá permanecem e sentem que existe algo faltando no âmbito espiritual. Somente aqueles que ingressarão e os Maçons ainda dispostos a mudar essas condições, conseguirão restaurar o espírito da Franco-Maçonaria nas suas Lojas. Aqueles que se desejam dedicar a Magnum Opus revelada através da Arte Real ensinada pelos rituais da Maçonaria.

Como Casanova via a Maçonaria?

Alguns trechos de como Casanova via a Maçonaria:

Foi em Lyon que um respeitável indivíduo, que conheci na casa de M. de Rochebaron, obteve para mim o favor de ser iniciado na sublime ordem da Franco-Maçonaria. Eu cheguei em Paris um simples Aprendiz; poucos meses depois da minha chegada eu tornei-me Companheiro e Mestre; o último é certamente o maior grau da Franco Maçonaria, todos os demais graus que iniciei depois são apenas invenções agradáveis, que, além de simbólicos, nada acrescentam à dignidade do Mestre”.

Ninguém nesse mundo pode obter conhecimento de tudo, mas todo homem que se sente dotado de faculdades e consegue perceber a extensão da sua força moral, deve esforçar-se para obter a maior quantidade possível de conhecimento. Um jovem bem-aventurado que deseja viajar e conhecer não só o mundo, mas também o que é chamado de boa sociedade, que não se quer encontrar, em certas circunstâncias, inferior aos seus iguais, e evita a sua participação em prazeres mundanos, deve iniciar-se no que é chamado de Maçonaria mesmo que seja somente para conhecer superficialmente o que é a Franco-Maçonaria”.

É uma instituição de caridade, que em certos tempos e em certos lugares, foi pretexto para criminosos agirem contra a ordem pública, mas existe algo abaixo do céu que não foi deturpado? Não vimos os Jesuítas, abaixo das vestes da santa religião, impulsionar a mão com a adaga cujos reis deveriam ser assassinados?”

“Todos os homens de importância, eu refiro-me aqueles cuja existência social é destacada pela inteligência e mérito, pela aprendizagem ou pela prosperidade, possam ser (e muitos destes são) Maçons. É possível supor que tais significados no qual os iniciados, fazendo a lei de nunca falar entre si sobre política, ou de religião, ou de governos, conversem somente emblemas de moral triunfante? (…)”

“Mistério é a essência da natureza do homem, e tudo que se apresente para a humanidade abaixo de uma aparência misteriosa, sempre existirá a curiosidade e será investigado, mesmo quando os homens estão certos que os véus nada cobrem além de um código cifrado”.

“Sobre tudo, eu gostaria de advertir os jovens bem-aventurados que desejam viajar (buscar o conhecimento) a se tornarem Maçons; mas gostaria de adverti-los para serem cuidadosos em escolher uma Loja, porque, embora a má companhia não possa influenciar enquanto dentro de uma Loja, o candidato deve-se guardar contra conhecimentos ruins”.

Segredo da Maçonaria segundo Casanova

“Aqueles que se tornam Maçons apenas para uma questão de descobrir o segredo da Ordem, correm o grande risco de envelhecerem encobertos de sombra, ou sob a colher de pedreiro, sem nunca descobrir os propósitos da Ordem. Porém há um segredo, mas é tão inviolável que este nunca foi confidenciado ou murmurado para ninguém. Aqueles que param a sua jornada na crosta externa imaginam que o segredo consiste em palavras passe, sinais e toques ou que o principal segredo será encontrado somente ao alcançar o grau mais alto“.

“Este é um ponto de vista equivocado: o homem que advinha o segredo da Maçonaria, e para sabê-lo você precisa adivinhá-lo, alcança esse ponto somente por um longo comparecimento em Lojas, através do profundo raciocínio, comparações e deduções. Esse homem não confiaria o segredo nem ao seu melhor amigo da Maçonaria, porque ele está ciente de que se o seu amigo não descobriu, ele não poderia fazer nenhum uso deste após ter sido sussurrado no seu ouvido. Não, eles mantem a sua paz, e o segredo será, portanto sempre um segredo”.

“Tudo feito em Loja precisa ser um segredo; mas aqueles que inescrupulosamente revelaram o que foi feito em Loja, são incapazes de revelar o que é realmente essencial; eles não têm o conhecimento do segredo, e se soubessem, eles certamente não teriam revelado o mistério das cerimonias”.

Elson Levi Eustaquio Pinto M∴ M∴ – Loja Cláudio das Neves – Uberlândia – MG

Fontes

  • Livro
    • Conspiração Casanova, de Jacques Ravenne e Eric Giacometti
  • Artigos
    • Franco Maçonaria por Giacomo Casanova, de Hamal,
    • O Segredo da Maçonaria Segundo Casanova, de Marcelo Ferreira Bianchini,
    • Vários outros artigos

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