A história do Hanukkah

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Fiquei surpreso ao ver que, quando fiz uma pesquisa no blog, só tínhamos um artigo que fazia referência ao Hanukkah. Na tentativa de corrigir isto, decidi partilhar a história da celebração do Hanukkah. Acredito que se relaciona com a Maçonaria porque envolve a história do Segundo Templo.

Em 175 a.C. Antíoco IV torna-se o governante do Império Selêucida. Este império começou em 323 a.C., com a morte de Alexandre, o Grande. Seleuco I Nicator, um dos generais de Alexandre, tornou-se o líder de um império muito grande e culturalmente diverso, embora a principal influência cultural fosse grega, e expandiu o território e estabeleceu a sua dinastia. O filho de Seleuco, Antíoco I, juntamente com o seu filho Antíoco II, lutou contra o imperador egípcio Ptolomeu II, bem como contra os celtas, que ameaçavam as suas fronteiras. Antíoco III, filho de Antíoco II, expandiu o império para incluir partes da Judeia e da Síria (que faziam parte do Império Ptolemaico).

No final do reinado de Antíoco III, ele tinha perdido a Grécia para o Império Romano na batalha das Termópilas em 191 a.C. (não confundir com a posição dos 300 espartanos contra os persas que ocorreu em 480 a.C.) e derrotas subsequentes contra o exército e a marinha romanos, levaram-no a perder a Ásia Menor e ser forçado a pedir a paz. Como resultado do Tratado de Apamea, Antíoco III foi forçado a abandonar todo o seu império ao norte e oeste das montanhas Taurus, pagar tributo a Roma e ter membros da sua família como reféns políticos. Consequentemente, com o declínio do seu poder militar, as províncias periféricas da seu império começaram a reafirmar a sua independência. Antíoco III montou uma nova expedição militar em Luristan (que agora faz parte do Irão), onde foi morto durante a pilhagem de um templo em 187 a.C..

Após a morte de Antíoco III, o seu filho, Seleuco IV Filopator, tornou-se o governante do império selêucida. O seu irmão Antíoco IV foi feito refém em Roma como parte do Tratado de Apamea. Antíoco IV foi libertado mais tarde por troca com o seu sobrinho e herdeiro do império, Demetrius I Soter. Após o assassinato do seu irmão em 175 a.C., Antíoco, por meio de manobras políticas, usurpou o trono e tornou-se o governante do Império Selêucida. Enquanto o seu pai, Antíoco III, era amigável com o povo judeu, Antíoco IV não o era. Na época, Jerusalém fazia parte do império Ptolomeu. Em 168 a.C., Antíoco IV atacou o Império e conquistou Jerusalém. Na tentativa de unir o seu império sob costumes e religiões helenísticas, ele substituiu o Sumo Sacerdote do Templo por um aliado político, Josué, que mudou o seu nome para o nome helénico: Jasão.

Jasão encorajou a prática da cultura helenística no templo, incluindo a construção de um ginásio, onde os homens se exercitavam nus; bem como usar os fundos do templo para ajudar no esforço de guerra de Antíoco IV. As coisas pioraram quando o mensageiro de Jasão para Antíoco IV, Menelau, que carregava os fundos do templo, convenceu Antíoco IV a substituir Jasão por ele, prometendo a Antíoco IV um aumento dos fundos do Templo. Enquanto ele estava fora, Menelau nomeou o seu irmão, Lisímaco, como Sumo Sacerdote. Lisímaco roubou vários artefactos religiosos do Templo, o que levou a tumultos da população Judaica.

Como resultado do conflito, Antíoco IV proibiu a prática do judaísmo, incluindo a circuncisão, o estudo da Torah e a kashrut (a obediência às leis dietéticas judaicas). Mandou erguer um altar para Zeus no Templo, despojou-o dos restantes objectos sagrados e ordenou o sacrifício de porcos (um animal não kosher) no Templo.

Em 167 a.C., depois de o altar a Zeus ter sido erguido, de acordo com os Livros dos Macabeus, um grupo de oficiais helenísticos enviados por Antíoco IV veio até Matatias, que era um popular líder judeu. Os oficiais ofereceram-lhe benefícios políticos para continuar a profanar o Templo com mais sacrifícios a Zeus. Matatias recusou e, na confusão que se seguiu, matou um colaborador judeu e um dos enviados do imperador. Fugiu então para as montanhas com os seus amigos e os seus cinco filhos (João, Simão, Eleazar, Jónatas e Judah).

Nos três anos seguintes, Matatias e os seus filhos lideraram uma série de batalhas contra o exército selêucida. No início, efectuaram principalmente acções de guerrilha, mas com o tempo, começaram a organizar um verdadeiro exército e fizeram alianças estratégicas com Esparta e depois com Roma. Judah, um dos filhos de Matatias, recebeu o nome de Yehuda HaMakabi ou Macabeu, que significa “O Martelo”, uma referência à sua habilidade para destruir os seus inimigos. Em 164 a.C., os Macabeus retomaram Jerusalém e o Templo.

Quando os Macabeus e os seus seguidores retomaram o Templo, reinstituíram a lei judaica e purificaram o Templo. Um novo altar foi construído e novos vasos sagrados foram feitos. Uma das formas mais importantes de re-dedicar o Templo foi o acendimento da Menorah, ou candelabro de sete braços, que deveria permanecer aceso a noite toda, todas as noites. O óleo comum não poderia ser usado para este fim, pois de acordo com a lei talmúdica, apenas o óleo purificado, abençoado e devidamente selado poderia ser usado. Apenas um frasco deste óleo permaneceu no Templo. Os judeus acenderam a Menorah, sabendo que só tinham óleo suficiente para manter a lamparina acesa por uma única noite. De acordo com o Primeiro Livro dos Macabeus, o óleo queimou milagrosamente por oito noites inteiras até que um novo suprimento de óleo sagrado pudesse ser entregue. Este milagre levou à criação do Hanukkah de oito dias ou “festival das luzes”.

Os estudiosos modernos acreditam que, em vez de lutar contra o Império Selêucida, os Macabeus e os seus seguidores estavam a lutar contra os judeus helenizados. Eles acreditam que Antíoco IV estava a intervir numa guerra civil judaica ao lado dos helenistas, que tinham sido um grupo maioritário e uma força no império selêucida.

Aos nossos irmãos judeus, Chag sameach!

Darin A. Lahners

Tradução de António Jorge, M∴ M∴, membro de:

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