Longe de se tratar apenas do desconhecimento generalizado, a Ignorância é o pior mal que aflige a sociedade humana. Não se trata apenas da falta de cultura geral, mas do mau uso que se faz do conhecimento existente. O ignorante oprime e subjuga o próximo na sua busca pelo poder, ao ganho fácil e desonesto ou baseado na força física e no ardil, provoca baderna, guerra, desmando e desmoraliza toda a sociedade; é um bruto.
Já o homem sábio e espiritualizado prima pela busca do respeito a si próprio e pratica o amor fraterno. Mesmo que a maioria não o mereça, é tolerante até o limite da sua capacidade individual. A sabedoria não é a erudição; é um conjunto harmonioso de conhecimentos e disposição mental. Além de ser estudioso, de se aperfeiçoar permanentemente, o homem de perspicácia age e fala em conformidade com a razão e a moral, com prudência e experiência de vida, é sensato, equilibrado, sensível, moderado, sereno, amigo do progresso, sujeito a mudanças, evita o confronto pela força física, luta pela verdade, justiça e união dos povos, visa a intensificação da luz da visão interior, fomenta a promoção do crescimento do bem e da perfeição e promove o autoconhecimento. Ao entrar na posse das noções equilibradas dos direitos e deveres de cidadão e ser humano, e, ao se educar permanente, liberta-se, pois só uma pessoa livre pode promover acções que ajudam a sociedade a quebrar os grilhões da escravidão do sistema dos embrutecidos.
Infelizmente, tanto o fanatismo político como o religioso promove as maiores arbitrariedades. Supostamente por ordem da divindade o fanatismo religioso é uma espécie de anomalia mental que contamina as pessoas e perverte a razão. A história tem muitos relatos de quão horrorosa pode ser uma sociedade dominada pela superstição, falsidade e loucura fundamentalista. Também os fanáticos políticos, movidos pela cobiça e o poder, muitos males causam a sociedade. Miríades de homens e mulheres de valor foram calados ao longo da história humana pelos extremismos político e religioso.
A Maçonaria, orientada pelo Grande Arquitecto do Universo, sem ufano, tem a pretensão de promover a educação necessária para melhorar o ser humano, combater o fanatismo e promover a solidariedade como recurso para eliminar os males da vida dos seus obreiros e da sociedade em geral. A associação de Maçons não consta de uma protecção incondicional recíproca, mas é fundamentada em valores e condições razoáveis. A melhor protecção dos seus membros vem da educação que ela promove, e deste desenvolvimento pessoal e do relacionamento interpessoal florescem amizades, vínculos de perfeita união, tão fortes que fazem da ordem um local onde o amor fraterno é usado para moldar espíritos e intelectos para se tornarem pessoas de valor na sociedade em que vivem.
E assim, educando a pessoa, esta pelo exemplo, conquista outras pessoas no meio em que vive, tornando a vida da sociedade global mais fácil de ser vivida.
Que o Grande Arquitecto do Universo abençoe a todos nós!
Charles Evaldo Boller
Bibliografia
- TZU O MILITAR CHINÊS, Sun, A Arte da Guerra, tradução: Ana Aguiar Cotrim, ISBN 85-336-1684-8, primeira edição, Livraria Martins Fontes Editora Ltda., 336 páginas, São Paulo, 2002;
- EBRAM, José, A Alma Maçónica, ISBN 85-7374-649-1, primeira edição, Madras Editora Ltda., 94 páginas, São Paulo, 2003;
- NALLY, Luis Javier Miranda MC, A Ética no Caos ou Aprendendo com o Caos, ISBN 978-85-7252-271-7, primeira edição, Editora Maçónica a Trolha Ltda., 176 páginas, Londrina, 2009;
- PUSCH, Jaime, ABC do Aprendiz, segunda edição, 146 páginas, Tubarão Santa Catarina, 1982.

- Humanismo e maçonaria
- O que queres que eu faça? A pergunta maçónica
- A liberdade na interpretação da simbologia maçónica
- Como é a sua Maçonaria? Como é a sua Loja?


Parábola: “O Cego e o Sábio”
Havia, em uma aldeia distante, dois homens que seguiam caminhos opostos na vida. O primeiro, um cego de nascença, não se esforçava em aprender ou entender o que acontecia ao seu redor. Confiava apenas nas palavras dos outros, especialmente daqueles que lhe ofereciam poder fácil e glórias rápidas. Assim, o cego andava em círculos, tateando o chão, sempre tropeçando nas mesmas pedras. Ele não via o que havia à sua frente, mas acreditava que conhecia o caminho, pois outros o guiavam com promessas e mentiras. Este homem se tornara um tirano em sua cegueira, dominando os que podiam ver, com falsas promessas e força bruta.
O segundo homem era um sábio que havia passado sua vida em busca do autoconhecimento e da sabedoria. Ele sabia que, embora não fosse perfeito, estava em constante aprendizado. Com sua luz interior, guiava os que se perdiam no caminho da ignorância, não com imposições, mas com paciência e exemplo. Ele ensinava que a verdadeira força não vinha da opressão ou do fanatismo, mas da compreensão e da união. O sábio caminhava com os pés firmes no chão, sempre atento às pedras que poderiam fazê-lo tropeçar, mas também pronto para ensinar aos outros como evitá-las.
Um dia, os caminhos do cego e do sábio se cruzaram. O cego, com sua arrogância, riu-se do sábio, chamando-o de fraco por não dominar os outros. O sábio, por sua vez, olhou para o cego com compaixão e respondeu: “Você pode ser cego dos olhos, mas pior é ser cego da mente e do coração. A verdadeira luz não vem de fora, mas de dentro. E enquanto você não aprender isso, tropeçará sempre, destruindo a si mesmo e os que o seguem.”
O cego, irritado com a resposta, insistiu em seu caminho de dominação. Porém, enquanto o sábio florescia em harmonia com os outros, o cego, cada vez mais preso em sua ignorância, acabou sozinho, rodeado apenas por escombros de suas próprias escolhas.
Parecer sobre o Texto
O texto que você escreveu explora a distinção essencial entre ignorância e sabedoria. A ignorância não é simplesmente a falta de conhecimento, mas o mau uso ou a negação daquilo que já se sabe, levando à opressão, ao fanatismo e à desordem. O ignorante, seja movido pela ganância, pelo desejo de poder ou pela cegueira espiritual, oprime, subverte e destrói. O fanatismo é uma forma extrema dessa ignorância, pois distorce tanto o pensamento racional quanto os sentimentos espirituais, conduzindo a horrores históricos que testemunhamos repetidamente ao longo dos séculos.
Por outro lado, a sabedoria, como o texto destaca, é um estado de equilíbrio entre conhecimento, moralidade e experiência de vida. O sábio não é necessariamente erudito, mas é aquele que busca o autoconhecimento, a justiça e a harmonia com o próximo. A sabedoria envolve uma luta constante pela verdade, evitando a violência e promovendo o progresso espiritual e social. Este é o ideal maçônico mencionado no texto, onde a educação é vista como o meio para combater a ignorância e o fanatismo, cultivando virtudes como a fraternidade e a solidariedade.
A verdadeira mudança social, como afirma o texto, não vem da imposição de força, mas do exemplo de vidas virtuosas, que atraem e transformam outras pela influência positiva.
O texto é uma reflexão profunda sobre como o fanatismo e a ignorância são as maiores ameaças à paz e ao progresso da humanidade, e como a sabedoria, cultivada pelo autoconhecimento e pela educação, pode libertar o ser humano dos grilhões da opressão.