A Maçonaria: caminho para a virtude

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As religiões existentes no mundo têm em geral  como missão principal preparar o homem  para o encontro com Deus, após a sua morte física no meio  terreno.

Por não se conceber a Maçonaria como uma  religião, mas sim como uma organização de homens livres,  tem-se que ela visa a disseminar a virtude no âmbito da  sociedade em geral.

No meu caso, fiquei profundamente tocado após o  contacto directo com irmãos membros da Maçonaria, principalmente pelo facto de eu que tive uma vida profundamente ligada à religião católica, aos dogmas do catolicismo, com uma formação ligada à teologia ensinada nas cátedras da Universidade Gregoriana de Roma, na Itália. Eis que me deparo com uma organização formada por homens livres, que buscam a prática da virtude.

Recordo-me que os meus primeiros contactos com a Maçonaria advieram da minha posse em Arcoverde como vigário da Paróquia de Nossa Senhora do Livramento, em Janeiro de 1968, por meio do então Bispo Diocesano da época, Dom Severino Mariano de Aguiar, que tinha um bom entrosamento com os irmãos que formavam a Loja Maçónica de Arcoverde naquela época.

No seio da sociedade actual, seja por razões de desconhecimento ou até mesmo de má fé, há um sentimento negativo contra a Maçonaria. Os princípios maçónicos são por demais incentivadores da prática das virtudes no seio da sociedade hodierna. A vivência da virtude tem que ser actual, tem que ser construída enquanto somos caminhantes e construtores de uma nova sociedade, uma vez que é por meio da vivência das virtudes, em meio à sociedade, que construiremos um novo ambiente social.

O que a Maçonaria prega sobre a virtude é, justamente, o reconhecimento de que deve ser estimulada no interior da pessoa humana uma força para disseminar o bem, entendido no mais amplo sentido da palavra. É uma confraria formada por homens livres e de bons costumes, que busca uma afirmação de atitudes no ser humano que se coadune com a vida que se leva no meio social.

Atitudes maçónicas nada mais são do que tentativas de se unir a vida que você leva às atitudes concretas tomadas durante o caminhar que empreendemos neste mundo. De pouco adianta proferir palavras e mais palavras sem que as mesmas encontrem respaldo na vida quotidiana que você leva. Ser virtuoso, cultivar a virtude, ou melhor, as virtudes, colocar-se em sintonia com tudo que a Maçonaria apregoa. E fazer com que a pessoa que pertence à comunidade maçónica procure envolver-se nos destinos últimos da ordem.

Ser virtuoso, segundo os ensinamentos da confraria maçónica, é sempre tentar cumprir o dever para com a sociedade humana em que estamos inseridos e para com a família, inexistindo qualquer interesse de cunho pessoal. Em síntese, a virtude é face ao dever que devemos cumprir, a força motriz que deve embalar o ser humano em direcção ao cumprimento do dever. A maior virtude que o homem é chamado a cultivar intensamente, sobretudo sendo ele um irmão inscrito na ordem, está resumido assim:

  • Respeito a Deus chamado de Grande Arquitecto do Universo;
  • Amor ao próximo como a si mesmo;
  • Dedicação extrema à família, pois esta é a célula “mater” da comunidade, da sociedade.

Os latinos cultivavam uma máxima que era atribuída ao filósofo grego Aristóteles que assim dizia: “VIRTUS IN MEDIO“. A virtude está no meio. O pensamento filosófico dos gregos e dos latinos primavam pela objectividade das suas posições face às acções dos homens da época, quando se tentava construir um corpo de doutrinas, em que as colocações extremadas eram abandonadas, dando-se ênfase às posições medianas ou moderadas. A filosofia abraçada pela família maçónica, no mundo inteiro, prima por uma posição clara, objectiva, onde os valores sociais, políticos e religiosos são defendidos e apregoados em meio à sociedade moderna.

A Maçonaria utiliza-se da ética Aristotélica, segundo a qual a felicidade é um processo de busca constante da virtude, que é o desenvolvimento das faculdades naturais e deve sempre obedecer à lei do meio termo, do equilíbrio: VIRTUS IN MEDIO EST.

E se valendo da ética Aristotélica chega-se à ética dos VALORES, que são uma marca da busca maçónica dos verdadeiros valores que permeiam a sociedade humana: justiça, caridade, temperança, família, pátria, liberdade, fraternidade e igualdade.

Padre Osvaldo Bezerra de Oliveira – Loja 20 de Abril;  membro efectivo da Academia Maçónica de Ciências, Letras e Artes da COMAB.

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