A Música é a arte de produzir e combinara acordes usando todos os elementos sonoros – instrumentos, ritmos, sonoridades, tons, melodias, harmonias, etc., produzindo melodias agradáveis ao ouvido, exercendo um papel mediador entre o intelectual e o espiritual. Daí a sua importância nas cerimónias rituais, dada a sua capacidade de promover emoções.
Em muitas religiões e tribos, acredita-se que os sons e a música possuem um profundo efeito psicofísico, capaz de curar ou lesionar corpos humanos. Exemplo disso é a religião Hindu, que atribui diferentes tons a cada Mantra que, repetidamente proferidos, lhes permitem obter um estado de espírito concentrador e consequentemente o melhor acesso para a meditação. O uso dos harmónicos como sons sagrados podem ser encontrados nas tradições Xamânicas e Místicas, particularmente no Budismo tibetano e cantos mongóis. Nestes casos os cantores desenvolveram a habilidade de criar harmónicos vocais múltiplos, também chamados polifónicos, cantando duas ou mais notas simultaneamente. Estes sons foram usados por cantores como meio de invocar deidades e forças diferentes de energia para equilibrar os 7 (sete) chakras existentes no corpo humano.
Na Maçonaria, a música simboliza a harmonia do mundo, e especialmente entre os maçons. É através da beleza dos sons e da harmonia dos ritmos que se alcança a sabedoria do silêncio. A própria arte de fazer música é, à semelhança da Maçonaria, uma construção de carácter iniciático. Os elementos que as compõem são as notas, pedras talhadas a partir das pedras brutas que são os sons.
Os 3 (três) pilares necessários à talha da pedra são os mesmos que necessita a composição musical: a Força, onde reside a sua densidade, a Beleza, na sua altura e a Sabedoria, no seu tempo ou longitude.
Por outro lado, as pedras justas e perfeitas da construção musical devem ser montadas, segundo um conjunto de regras universais organizadas por 3 (três) etapas:
- O silêncio, vazio existente imediatamente antes da manifestação artística, é o estado de aprendizagem;
- O som, a manifestação sonora, como o despertar do Maçom;
- A melodia, a organização do som por parte do Maçom
Outra analogia entre Maçonaria e a Música reside nas etapas de formação dos músicos e dos maçons:
- O aprendiz: Aprende a descodificar alguns símbolos e sinais tal e qual o estudante de música começa por aprender o solfejo. Para iniciar a sua formação precisa de um mestre, para o guiar constantemente nas suas primeiras lições.
- O companheiro: Ganha desenvoltura na interpretação dos sinais e símbolos aprendidos, tal como o músico nesta etapa ganha desenvoltura no domínio do seu instrumento musical. Existe um grande trabalho de autoformação e de estudo da história e dos diferentes estilos dos grandes mestres, e colabora com os outros companheiros no canto e no trabalho conjunto. Na vida de um músico, nesta altura, ele começa a ter aulas de canto para se acostumar à diferença entre os vários sons, aprendendo a agrupá-los numa melodia.
- O mestre: Terá de trabalhar para conseguir a sua interpretação pessoal, para que seja possível a transmissão da sua obra. Trabalha na solidão, mas necessita de ter aprendizes para formar, e com isso se dotar das capacidades necessárias para alcáçar a verdadeira mestria, encerrando o ciclo.
Em loja, a música está a cargo da coluna da harmonia, designação que data de meados do séc. XVIII, no final do reinado de Luís XV, e referia-se então ao conjunto de instrumentos que tocavam nas cerimónias, normalmente constituído por clarinetes, oboés, fagotes e um tambor.
Pouco depois, a constante disputa entre as lojas para contar com os melhores e mais virtuosos instrumentistas, fez com que se admitissem músicos nas mesmas que, isentos de quotização, compunham e executavam obras para as diferentes cerimónias maçónicas.
A grande maioria das composições maçónicas é da autoria do Irmão Wolfgang Amadeus Mozart, que foi iniciado na loja Beneficência a 14 de Dezembro de 1784, estreando a sua cantata “A ti, alma do Universo”, cuja aria é um hino ao sol e à luz , e que é utilizada na cerimónia de solstício de Verão, e também encaixa na cerimónia de iniciação, quando o aprendiz, após terminar as viagens simbólicas, recebe a luz.
Em suma, concluo que o funcionamento de uma R∴ L∴ é bastante similar ao de uma orquestra. Muitas vezes; à semelhança do que ocorre numa orquestra, não tocamos todos no mesmo tom ou algumas notas são falhadas na execução da peça, e isso é sinal que todo o músico, à semelhança de todo o Maçom, ao longo da sua vida, tem sempre espaço para corrigir as suas falhas e imperfeições, porque à meia-noite em ponto, o que importa é que os I∴ que compõem a assembleia, deram o seu contributo intelectual tal e qual como o músico contribui com o resultado do trabalho de estudo do seu instrumento musical, sob a batuta da sabedoria do nosso V∴ M∴, auxiliado pelos II∴ Vig∴, chefes de naipe da orquestra, que zelam para que, nas respectivas colunas, os trabalhos decorram de forma justa e perfeita.
F. M.

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Esse artigo enriqueceu muito meu trabalho de elevação, que é justamente sobre a Harmonia.