A palavra perdida

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palavras, silêncio

“O grau 18º Grau de Rosa Cruz ensina 3 coisas – a unidade, a imutabilidade e a bondade de Deus; a imortalidade da Alma; e a derrota final e extinção do mal, erro e sofrimento por um Redentor ou Messias ainda por vir, se não tiver já aparecido. Substitui os três pilares do antigo Templo por outros três: (em Deus, no género humano e no próprio homem) Esperança (na vitória sobre o mal, no progresso da humanidade e num futuro) e Caridade (aliviando as necessidades e tolerando os erros e as faltas dos outros). Apenas é sábio quem julga os outros com caridade; apenas é forte quem tem esperança; e não há beleza como uma fé firme em Deus, nos nossos companheiros e em nós próprios.”

A expressão palavra perdida aparece nos rituais do Terceiro grau, onde também se fala da perda dos verdadeiros segredos do Mestre Maçom.

  • P: Porque fazes esta viagem?
  • R: Para encontrar o que foi perdido.
  • P: O que foi Perdido?
  • R: A palavra do Mestre.
  • P: Como foi perdida a palavra?
  • R: Pela morte do nosso respeitável mestre Hiram.

Um homem morre, recusando-se a entregar uma senha trivial para receber o salário, conhecida por todos os mestres, e um segredo que ele detinha, também desaparece. O segredo não é, portanto, a senha.

Então, é um conhecimento que só ele possui?

É uma parte de uma palavra a ser pronunciada com outras para torná-la completa e eficiente?

A palavra de Hiram seria outra coisa diferente daquela de um só homem? 

Não nos esqueçamos que a palavra Hiram traz, em si msma, mistérios e entre suas muitas traduções do hebraico, ela também pode ser lida omo HaReM que significa a coisa escondida.

O saber pessoal

Qual seria este saber?

Hiram foi enviado pelo rei de Tiro a Salomão pelo seu conhecimento tão especial quanto aqueles que possuía Bezalel, o construtor da Arca da aliança do deserto: ele era hábil para trabalhar em ouro, prata, bronze e ferro, pedra e madeira, em estofamentos pintados de púrpura e azul, tecidos de linho fino e de carmesim, e todos os tipos de esculturas e objetos de arte que lhe dão para executar. É graças a três virtudes que o primeiro templo foi construído por Bezalel porque está escrito em Exodo 31,3: “Eu [Deus] o enchi com o espírito de Elohim em sabedoria, em inteligência e em saber” virtudes que são encontrados em Hiram em I Reis 7, 14 “cheio de sabedoria, inteligência e conhecimento.

O conhecimento compartilhado

E se a “palavra” era um conjunto de elementos divididos entre vários detentores cuja ignorância de um único levaria à ineficiência de todos? Um pedaço de código, em suma, um pedaço de símbolo!

Na lenda, na verdade, três pessoas formam um triângulo: Salomão, o rei de Tiro e Hiram, os três Grãos-Mestres, a cada um designada uma função específica e indispensável na construção do Templo. Diz a lenda que o rei Salomão, Hiram Abiff, o rei de Tiro (1 Reis: 7:13), e Hiram Abi, da tribo de Dan (reuniram-se para elaborar os planos de construção do Templo; Salomão concebeu, Hiram de Tiro forneceu os meios e Hiram realizou o trabalho. Nós aprendemos que o grande conhecimento devia ser guardado por três pessoas até à conclusão do Templo. A palavra ter-lhes ia sido confiada em três partes. Cada membro da tríade seria guardião da palavra sagrada ou de uma fração dela. Era necessária a presença dos “três primeiros Grão-Mestres”, de modo que a ausência ou desaparecimento de um deles tornava essa comunicação impossível, e isso também, necessariamente, pois são necessários três lados para formar um triângulo. Isto significa que cada membro do triângulo constitui a ponta de uma figura dotada de um centro comum. Este centro é o ponto de convergência de três sensibilidades: mágica, espiritual e racional que eles encarnam. Este centro é, portanto, a essência do homem e da natureza, ou seja, a essência da vida que se traduz concretamente em força vital ou energia vital.

Como é que, sabendo que a palavra só poderia ser passada através da reunião de 3(Rei Salomão, rei Hiram de Tiro e Hiram), como é que nenhum deles tinha pensado em passar seu conhecimento a um discípulo para que a cadeia não se quebrasse em caso de desaparecimento? Eles acreditavam serem imortais? Os estudiosos de rituais assemelham a pronúncia do Tetragrama à da “palavra perdida”. Ela devia ser um trissílabo. A sílaba é realmente o elemento indecomponível da palavra falada, mesmo se ele é escrito naturalmente em quatro letras. Com efeito, quatro (4) se refere aqui ao aspecto “substancial” da palavra e 3 ao seu aspecto “essencial”. Note-se também que a própria palavra substituída, na sua pronúncia ritual, em suas várias formas, é sempre composta de três sílabas que são enunciadas separadamente. Considerando-se que entre os hebreus, o Sumo Sacerdote, o Cohen Gadol, era o único detentor da pronúncia recta dictia e total da palavra sagrada que ele cantava uma vez por ano no Santo dos Santos, o que poderia significar que a palavra não foi perdida e se Salomão a substituiu é porque ele pensava que seu mestre de obra havia cedido à pressão de seus agressores revelando-a: era preciso, portanto, alterar a palavra.

Neste mesmo sentido, nota-se que durante a destruição do Templo de Jerusalém e a dispersão do povo judeu, a verdadeira pronúncia do nome tetragramático foi perdida; houve de fato um nome substituído, o de Adonai, mas ele nunca foi considerado como o equivalente real daquele que não se sabia mais pronunciar. Com efeito, a transmissão regular da pronúncia exata do principal nome divino, designado como ha-Shem ou o Nome por excelência, estava essencialmente ligada à continuação do sacerdócio cujas funções só poderiam ser exercidas no Templo de Jerusalém; seria ele o centro espiritual da tradição que se perdeu? Os mistérios de sociedades iniciáticas da antiguidade perpetuavam as tradições antigas da humanidade e os novos conhecimentos de organismos científicos para elevar acima de seus semelhantes, iniciados considerados aptos a fazer dela uso útil para todos. Este ensinamento era lhes dado pela palavra de boca à orelha depois de assumido o compromisso por um juramento ameaçador de não a transmitir a outros iniciados, a não ser na mesma forma e condições. Conta-se que eles eram donos de segredos científicos formidáveis ​​e benéficos, cuja alta moral impunha respeito, mas eram provavelmente desviados da sua ação benéfica, para serem transformados em um mau propósito. As iniciações foram interrompidas; os iniciados se extinguiram, levando com eles na morte os segredos que lhes foram confiados. Os segredos dos ritos iniciáticos para a entronização dos faraós, verdadeiros mistérios da linha real do Egito foram perdidos para sempre com a morte do rei Sekenenrê Taâ que morreu sem ter revelado o seu inimigo que os queria arrancar dele.

O que pode ser a palavra perdida para um Maçom de hoje?

As observações que temos vindo fazer mostram que a palavra perdida seria um saber, ou uma pronúncia, ou um conhecimento espiritual ou mágico, ou, ainda, o traço da passagem de uma tradição para outra. A palavra perdida do Maçom parece ser um pouco diferente. Não podemos cometer o erro dos maus companheiros que acreditavam que o segredo do mestre maçom tinha sua origem na comunicação de um saber; Para o maçon dos nossos dias tudo se coloca no plano do conhecimento: do Ser e do Espírito.

No exoterismo judaico, a palavra que veio substituir o Tetragrama que não se sabe mais pronunciar é outro nome divino, Adonai, que se forma igualmente por quatro letras, mas que é considerado menos essencial; há ali algo que implica que se está resignando a uma perda considerada irreparável, e que se procura remediar somente, na medida em que as condições atuais ainda permitem. Na iniciação maçónica, ao contrário, a “palavra substituída” é uma questão que abre a possibilidade de encontrar a “palavra perdida”, de modo a restaurar o estado antes da perda. A palavra perdida destaca a necessidade de uma nova percepção e uma nova linguagem relativa à noção de essência e de presença além da forma. Ela não deve ser entendida como unicamente uma perda na transmissão, mas como o início de um aprendizado de outros elementos de línguas. Devemos questionar-nos sobre como encontrar esta palavra ou como substituí-la por outra de igual poder.

As instruções dos graus referem-se às viagens que o iniciando tem que fazer, a exemplo dos três Mestres, para encontrar a Palavra Sagrada. Simbolicamente. Para o maçom essas viagens equivalem a uma descida dentro de si mesmo, a fim de libertar a luz que existe dentro dele. Aqui temos novamente a evocação, tão cara aos gnósticos e aos alquimistas, da necessidade de encontrar “dentro de si mesmo” aquela energia que faz o homem integrar-se à divindade.

Pois outra coisa não é a Palavra Perdida. O Inefável Nome de Deus é o princípio que liberta o espírito de suas amarras materiais e o torna livre para galgar as alturas e penetrar no reino da luz. Essa tradição frequenta a mística de todas as religiões do mundo, desde o Budismo tibetano até á Cabala, que a desenvolve através da metafísica dos números e suas relações com a divindade.

Diz a lenda que com a perda do verdadeiro significado, a Palavra foi substituída pelas iniciais IHVH que, depois de pronunciada, é coberta com três Palavras Sagradas, três sinais e três palavras de passe; somente após o cumprimento desse ritual se chega ao Nome Inefável.

De acordo com a tradição maçónica, os cinco primeiros iniciados no grau de Cavaleiro do Real Arco foram os próprios reis Salomão e Hiram, rei de Tiro, e os três Mestres que descobriram o templo sagrado de Enoque. Um juramento de não pronunciar o Verdadeiro Nome de Deus em vão foi feito pelos mestres recém-eleitos, juramento esse que se repete na elevação em um dos graus do REAA.

Diz ainda a lenda, que mais tarde outros Mestres foram admitidos no grau, até o número de vinte e sete, sendo a cada um deles distribuído um posto. Outros Mestres, que tentaram obter o grau sem o devido merecimento receberam o justo castigo, sendo executados e sepultados no subterrâneo onde a pedra gravada com o Nome Inefável foi originalmente depositada.

A prece final de encerramento dos trabalhos do grau nos dá bem a significação do conteúdo iniciático da lenda.

Poderoso Soberano Grande Arquiteto do Universo. Vós que penetrais no mais recôndito dos nossos corações, acercai-vos de nós para que melhor possamos adorá-lo cheios de vosso santo Amor. Guiando-nos pelos caminhos da virtude e afastando-nos da senda do vicio e da impiedade. Possa o selo misterioso imprimir em nossas inteligências e em nossos corações o verdadeiro conhecimento de vossa essência e Poder Inefável, e assim, como temos conservada a recordação de Vosso Santo Nome, conservar também em nós o fogo sagrado de vosso santo temor, princípio de toda sabedoria e grande profundidade de nosso ser. Permiti que todos os nossos pensamentos se consagrem á grande obra de nossa perfeição, como recompensa merecida de nossos trabalhos e que a União e a Caridade estejam sempre presentes em nossas Assembleias, para podermos oferecer uma perfeita semelhança com a morada de vossos escolhidos, que gozam do vosso reino para sempre. Fortalecendo-nos com vossa Luz, para que possamos nos separar do mal e caminhar para o bem. Que todos os nossos passos sejam para o proveito da nossa aspiração, e que um grato perfume se desprenda no Altar de nossos corações e suba até vós. Ó Jeová, nosso Deus! Bendito sejais, Senhor. Fazei com que prospere a obra feita pelas nossas mãos, e que sendo vossa Justiça o nosso guia, possamos encontrá-la ao término da nossa vida. Ámen”.

Na câmara, onde os Cavaleiros Rosacruzes fazem seus trabalhos, há vários objetos e ornamentos para que se possam processar os rituais capitulares do Grau 18. Um deles é uma cruz ansata, com as letras I.N.R.I., alternadamente, em branco e preto, ao lado de um compasso e um esquadro, sobre uma mesinha triangular colocada entre o altar e a entrada do Oriente.

A sigla I. N. R. I. é usada como identificação entre os Cavaleiros Rosacruzes, e vem da própria iniciação do Grau com uma antiga máxima hermética Igne Natura Renovatur Integra!(O fogo renova a natureza inteira!). Ela aparece, também, quando o Cavaleiro é interpelado sobre a Verdade e ele responde que “a viu em Judeia, Nazaré, Rafael e Judá”.

O I. N. R. I. de pronto nos leva a pensar em Jesus crucificado, em cuja cruz, sobre a sua cabeça, havia essa inscrição, querendo dizer: “Eis aqui o Rei dos Judeus!”.

O Grau do Cavaleiro Rosacruz reflete, pois, a descida sobre nós de profunda tristeza e trevas. Quando em desespero, nós podemos nos dirigir a duas grandes forças motivadoras para nos salvar: a Razão e a Fé. A Razão trata daquilo que pode ser demonstrado, o que é tangível: a Fé vem de dentro de nós, o intangível. Isso é expressado pela Cruz e a Rosa. A Cruz tem sido um símbolo sagrado desde os primórdios da Humanidade: a Rosa significa a ressurreição. Daí um dos símbolos do Grau 18 ser uma Cruz encimada por uma Rosa. A flor da Rosa possui, também, a tripla conotação de Amor, Segredo e Fragrância, ao passo que a Cruz comporta, também, o triplo significado de Auto-sacrifício, Imortalidade e Santidade. Quando se tomam em conjunto esses dois emblemas, como sempre o estão no nome Rosa-Cruz, indicam o Amor do Auto-sacrificio, o Segredo da imortalidade e a doce Fragrância de uma vida santa.

Como se vê, o Grau 18 tem muito a ver com Jesus, apesar de não haver restrição alguma sobre sua aplicação àqueles que não pertencem á fé Cristã. Ao centrado: Trata-se de um Grau de tolerância, convidando os homens de todas as crenças para encontrarem o enriquecimento espiritual.

M. Chaudiére

Fontes

  • Moral e Dogma de Albert Pike
  • Recanto da Letras, Catarino

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