Formação – A Câmara de Reflexão

 

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Como todos sabem, nós, maçons, no dia da nossa recepção na Ordem, passamos por uma série crescente de eventos durante a cerimónia de Iniciação, que têm por finalidade excitar a nossa imaginação e sentidos predispondo-os para a recepção de conhecimentos não acessíveis ao comum dos homens. Para tanto, é necessário que o nosso ser interior seja preparado adequadamente para poder entrar em contacto com outro nível de realidade. O primeiro passo desta preparação é ser introduzido na Câmara das Reflexões.

A Câmara, com o seu isolamento, obscuridade e negras paredes, cercada de emblemas representativos da morte, permite, a quem nela adentra uma pausa silenciosa no tumulto da vida e, meditando sobre os símbolos ali expostos, dar-se conta da finitude da vida e como são sem sentido as vaidades e as paixões humanas. É por esta razão que se encontram, nas suas paredes, inscrições destinadas a pôr à prova do postulante a sua firmeza de propósitos e a vontade de progredir, que têm de ser seladas num testamento.

Ao ingressar neste recinto, o candidato é despojado dos metais que porta consigo e que o Irmão Experto recolhe cuidadosamente. Representa ao postulante o retorno ao seu estado de pureza original – a nudez adâmica – despojando-se voluntariamente de todas aquelas aquisições que lhe foram úteis para chegar até ao seu estado actual, mas que constituem outros tantos obstáculos para o seu progresso interior.

É o cessar de depositar a sua confiança e cobiça nos valores puramente exteriores do mundo, para poder encontrar em si mesmo, realizar e tornar efectivos os verdadeiros valores, que são os morais e espirituais. É o cessar de aceitar passivamente as falsas crenças e as opiniões exteriores, com o objectivo de abrir o seu próprio caminho para a verdade.

Isto não significa, absolutamente, que deva abrir mão de tudo o que lhe pertence e adquiriu como resultado dos seus esforços e prémio do seu trabalho, mas, unicamente, que deve deixar de dar a estas coisas a importância primária que pode torná-lo escravo ou servidor delas, e que deve pôr, sempre em primeiro lugar, sobre toda a consideração material ou utilitária, a fidelidade aos Princípios e às razões espirituais. Este despojamento tem por objectivo tornar-nos livres dos laços que, de outra forma, impediriam todo o nosso progresso futuro.

A entrega dos metais simboliza, assim, o despojo voluntário das qualidades inferiores, dos vícios e paixões, dos apegos materiais que turvam a pura Luz do Espírito. Isto é “ser livre e de bons costumes”. Como o Maçom deve aprender a pensar por si mesmo e, pelo seu esforço pessoal, ter a certeza de ter atingindo o conhecimento directo da Verdade, o despojamento terá que ser total e, portanto, deverá estender-se às crenças, superstições, preconceitos e prejulgados, tanto científicos, como filosóficos e religiosos, pois estes brilham com luz ilusória na inteligência e impede a visão da Luz Maior, a Realidade que sustenta o Universo e o constrói incessantemente.

Significado da Câmara

A Câmara de Reflexão, como o seu nome o indica, representa, antes de tudo, aquele estado de isolamento do mundo exterior que é necessário para a concentração ou reflexão íntima, com a qual nasce o pensamento independente e é encontrada a Verdade. Aquele mundo interior para o qual se devem dirigir os nossos esforços e as nossas análises para chegar, pela abstracção, a conhecer o mundo transcendente da Realidade. É o “gnosthi seautón” ou o “conhece-te a ti mesmo” dos iniciados gregos, como único meio directo e individual para poder chegar a conhecer o Grande Mistério que nos circunda e envolve o nosso próprio ser.

Autor desconhecido

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