5 – A escola é um espaço de formação, qual a relação da ALTERIDADE com a educação? Diz-se que a Maçonaria é uma escola. Qual, então, o papel da Maçonaria na construção da ALTERIDADE?
A escola é o espaço onde encontramos as maiores adversidades, é o campo propício para o exercício da alteridade. A educação tem a responsabilidade de promover a formação do ser humano. E como executar tal tarefa frente os diferentes credos, raças, orientação política, sexual e multiplicando tudo isso pelas emoções e pelos mais diversos sentimentos.
A escola tradicional está perdendo o espaço frente a essas diversidades. A escola tem o desafio de conceber um novo modo de educar. Conceber a educação a partir da qual as pessoas sejam colocadas em primeiro lugar, capazes de relações aquecidas pelo respeito, responsabilidade e justiça diante do outro. O senso de alteridade toca e qualifica o senso de diversidade e pluralidade. Os processos educativos devem ser enfrentados sob os desafios da alteridade. As acções pedagógicas devem ser orientadas pela tolerância respeitosa e vigilante, pela aceitação dos modos de pensar e ser, sem atribuir valores comuns. A escola é o espaço propício para um bom exercício de alteridade, nela encontramos os componentes das diversidades, muitos “eus”, assim as mais diferentes consciências, egos, individualidades, enfim diversas personalidades. E para enfrentar o estado de ser o outro que é diferente, cabe a escola promover as relações baseadas no diálogo e na valorização das diferenças.
A Maçonaria, também sendo uma escola enfrenta os mesmos desafios das escolas formais. As Lojas maçónicas não estão imunes das diversidades. Os seus obreiros são seres humanos das mais diversas origens e como tal as diversidades ali são encontradas. A Maçonaria tem os meios suficientes para estimular os seus obreiros a exercerem a alteridade. A tolerância é a principal ferramenta para o Maçom conviver, quer no meio maçónico quer no mundo profano.
A lapidação trabalhada em Loja na moldura de um carácter de rectidão do Maçom prepara-o para as adversidades encontradas no conjunto dos seus Irmão e no mundo profano e assim o Maçom jamais pode ter duas “caras”, uma na relação com os seus Irmãos e outra no mundo profano e para que alcance o êxito de um bom Maçom, este deve sempre se colocar na posição do outro, exercendo assim a mais pura alteridade.
6 – Tente relacionar estes conceitos (IRMANDADE, EGRÉGORA, ALTERIDADE e COLECTIVIDADE) entre si e com o nosso convívio em Loja, ensinando-nos o que de mais importante devemos fazer para manter a amizade e a união do grupo.
Na tentativa de relacionar os conceitos de irmandade, egrégora, alteridade e colectividade entre si e com o nosso convívio em Loja, extraindo de cada conceito o que é mais importante para mantermos a amizade e a união do grupo, faz-se necessária a individualização de cada conceito.
Irmandade
Girardi na sua obra ao falar sobre Irmãos, traz-nos diversos significados acerca do termo, senão vejamos: “designa o homem que, e, relação à outra pessoa, tem os mesmos pais, ou somente o mesmo pai ou a mesma mãe. Membro de confraria ou correligionário. Amigo inseparável. Membro da Maçonaria. O termo é algumas vezes aplicados aos amigos. Por causa da descendência de todos os homens de Adão e Eva, qualquer homem pode chamar o outro de Irmão, de acordo com algumas passagens bíblicas (Gen 9,5; Mt 5,22; Hebr. 2,11)”.
Inexiste tratamento mais afectuoso que o de Irmão, maçonicamente, já que o Poema Regius, do ano de 1390, o mais antigo que se conhece, recomenda o tratamento de “caro Irmão” entre os maçons.
Na Maçonaria a fraternidade harmoniza os seres através da parte espiritual; diz-se que são Irmãos porque provem da mesma iniciação; morrem na Câmara das Reflexões para nascerem produzidos ou procriados através do germe filosófico que transformam integralmente a criatura, reflectindo-se no comportamento posterior. A essência da fraternidade é o amor; Sendo a Maçonaria uma grande família universal, os homens filiados a ela são Irmãos.”
Surge de uma identidade iniciática, ou seja, todos recebemos a luz da mesma forma, ou renascemos da mesma forma, morrendo como profano e renascendo Maçom.
“Irmandade é um substantivo feminino que define, entre outros significados, a relação de parentesco entre Irmãos. A palavra irmandade também está fortemente relacionada com o conceito de fraternidade, ou seja, a comunhão e boa relação entre as pessoas que desenvolvem sentimentos afectuosos entre si, como se fossem Irmãos ou membros de uma mesma família. Uma irmandade não precisa estar necessariamente relacionada com a religião ou doutrinas do tipo, podendo ser apenas um grupo de pessoas que se reúnem em prol de um mesmo objectivo, com determinado nível de confiança entre os membros. Normalmente, as irmandades são conhecidas por possuir um carácter comunitário. ”
O sentimento de irmandade sentido entre os maçons, é a força que os une de forma incondicional, independente da sua idade, das suas origens, da sua classe social, profissão, ou potencial económico.
O facto dos Maçons se considerarem Irmãos evita, ou pelo menos deveria evitar que certos detalhes ou divergências, causem divisões ou brigas, que certamente ocorreriam caso ocorressem no mundo profano, principalmente em questões controversas como a política e a religião.
Cada um respeita e faz por respeitar as ideias e convicções do seu semelhante, mesmo que adversas ou contrárias às suas ideias pessoais.
A própria Maçonaria Regular no seio das suas sessões proíbe a discussão de temas onde a política partidária ou o proselitismo religioso sejam por demais evidentes.
No entanto e importa ressalvar que, mesmo apesar de se considerarem Irmãos, infelizmente nem sempre as coisas decorrem às “mil maravilhas”, pois se até nas “melhores famílias” existem desavenças, a Maçonaria também não é imune a tal.
Por mais que se tentem dar todos bem, por vezes o ego de alguns se sobrepõe ao sentido de fraternidade e ao espírito de corpo que abordei anteriormente, e quando isso acontece, na maioria das vezes acontece uma separação, uma divisão, que não trará nada de bom para ninguém. Porque uns rumarão a “novas paragens” com as dificuldades que se sabem existir quando se tenta recomeçar do zero, e os que ficam, acabam por ter de “limpar os cacos” e prosseguir no seu labor constante, de forma perseverante e altruísta.”
“A Maçonaria não reconhece qualquer distinção entre raças, crenças, condições financeira ou social entre os seus obreiros. Há séculos vem a Sublime Instituição oferecendo a oportunidade aos homens de se encontrarem e colherem os frutos do prazer de conviver sempre em paz, em união e concórdia, como amigos desinteressados, dentro de um espírito colectivo voltado à prática do bem, guiados por rígidos princípios morais, sem desavenças e dissensões.
Os membros da nossa Ordem aprendem a destruir a ignorância em si mesmos e nos outros; a ser corajosos contra as suas próprias fraquezas, lutar contra os seus próprios vícios e também contra a injustiça”
Egrégora
Quanto à Egrégora, Girardi consagra que é: termo inspirado no ocultismo, onde significa a consciência colectiva de um grupo, mas dotada de personalidade. É uma entidade viva, não uma abstracção. Admite-se como sendo as entidades que se formam devido à força de pensamento. Quanto mais forte a corrente de pensamento, tanto mais rápida a formação das egrégoras. Estas podem ser boas ou más, dependendo dos pensamentos emitidos.
A egrégora, é algo que se sente, é a energia do local e do momento que pode tanto fazer bem, facto que ocorre quando os Irmãos estão em harmonia e imbuídos do mesmo espírito positivo e de cooperação, quanto fazer mal, quando os Irmãos não respeitam os espaços e posições contrários, ou tentam impor algo aos Irmãos.
“A egrégora é uma entidade momentânea; subsiste enquanto o grupo está reunido; é formado pelas partículas espirituais de cada Maçom presente.”
Aqui cabe destacar que apesar da egrégora ser momentânea e subsistir apenas enquanto os Irmãos estão reunidos, os reflexos, ou melhor, os efeitos desta egrégora permanecem por um bom tempo com cada Irmão que ajudou a formar de certa forma a egrégora e participou da sessão.
Tal facto pode ser observado, quando o Irmão está passando por tribulações na sua vida profana, se sentindo pesado, e após participar de uma sessão harmoniosa e com egrégora boa, acaba por se sentir renovado e transformado, capaz inclusive de encontrar melhores formas de resolver e remover os obstáculos anteriores.
Por isso a importância da participação do maior número de Irmãos possível nas sessões e principalmente que estejam de espírito desarmado, com pensamentos positivos e boas energias, para que a egrégora alcançada seja a melhor possível, pois o seu retorno também será maravilhoso, haja vista que cada Irmão contribui com uma partícula espiritual da egrégora formada, no entanto recebe a contrapartida do todo que se forma, renovando e purificando o seu ser.
“Os mais sensitivos percebem esta entidade; ela mantém-se silenciosa, mas actua de imediato em cada Maçom presente, dando-lhe assistência espiritual de que necessita, manipulando as permutas de Maçom para Maçom, construindo assim a fraternidade. Os cépticos não aceitam esta entidade, porém o Maçom espiritualizado deve procurar os seus efeitos e esforçar-se para visualizar a sua egrégora” .
Ainda quanto a egrégora, extraímos interessante conceito junto ao site Wikipédia, senão vejamos: “Egrégora, ou egrégora (do grego egrêgorein, “velar, vigiar”), é como se denomina a força espiritual criada a partir da soma de energias colectivas (mentais, emocionais) fruto da congregação de duas ou mais pessoas. O termo pode também ser descrito como sendo um campo de energias extrafísicas criadas no plano astral a partir da energia emitida por um grupo de pessoas através dos seus padrões vibracionais.”
De acordo com o conceito de egrégora a energia individual de cada membro do grupo é somada, para formar uma nova energia, agora colectiva, tornando-se esta uma energia autónoma, muito mais poderosa. Não se trata de mero somatório das energias individuais se trata da união potencializada das energias individuais.
Daí a necessidade de todos os entes formadores da egrégora, estarem imbuídos do mesmo sentimento de harmonia e união, para que o resultado final seja uma força capaz de remover todos os obstáculos, capaz de transformar e melhorar cada indivíduo que empenha as suas intenções naquele conjunto, e a partir daí gerar força para transformar o mundo individual.
A partir da egrégora formada, transformamos o nosso eu interior, e somos capazes de influenciar e porque não, mudar todo o meio ao nosso redor.
A egrégora é uma energia capaz de transformar. Transformar o individuo, e melhor transformar o mundo. No caso da Maçonaria, a força é ainda maior, pois teoricamente temos o conhecimento que os profanos não tem, e se usarmos e aplicarmos estes conhecimentos efectivamente e estivermos irmanados em bons pensamentos, em bons fluídos, podemos mudar o mundo ao nosso redor.
Não vamos perder tempo e desperdiçar energia com pensamentos ruins, com energias negativas, com ódio, cultivando e fomentando diferenças entre nós meus Irmãos. E não me refiro somente as sessões no templo, mas também aos grupos de WhatsApp, aos jantares, e tantos outros momentos em que estamos reunidos.
Vamos formar sempre a boa egrégora. Lembrando que egrégora se forma com dois ou mais indivíduos.
Alteridade
Sinceramente o termo alteridade não fazia parte do meu vocabulário, apesar de praticar, ainda que de forma um pouco mais superficial a alteridade.
Tendemos a ter alteridade com aqueles que mais nos agradam, com aqueles com quem temos mais empatia. Se simpatizo mais com determinada pessoa, tenho uma maior tendência a praticar a alteridade, e por outro lado, se não simpatizo tanto, a tendência é ter alteridade zero.
Mas o que é alteridade?
Um dos conceitos obtidos é: “Alteridade é um substantivo feminino que expressa a qualidade ou estado do que é outro ou do que é diferente. É um termo abordado pela filosofia e pela antropologia.
Um dos princípios fundamentais da alteridade é que o homem na sua vertente social tem uma relação de interacção e dependência com o outro. Por este motivo, o “eu” na sua forma individual só pode existir através de um contacto com o “outro”.
Quando é possível verificar a alteridade, uma cultura não tem como objectivo a extinção de uma outra. Isto porque a alteridade implica que um indivíduo seja capaz de se colocar no lugar do outro, numa relação baseada no diálogo e valorização das diferenças existentes.
No âmbito da Filosofia, alteridade é o contrário de identidade. Apresentada por Platão (no Sofista) como um dos cinco “géneros supremos”, ele recusa a identificação do ser como identidade e vê um atributo do ser na multiplicidade das Ideias, entre as quais existe a relação de alteridade recíproca.
A Antropologia é conhecida como a ciência da alteridade, porque tem como objectivo o estudo do Homem na sua plenitude e dos fenómenos que o envolvem.”
Praticar a alteridade é praticar também a tolerância, pois podemos dizer também que a tolerância, significa aceitar uma opinião ou um posicionamento de um terceiro diferente da própria ideia ou do conceito pessoal em relação a algo, mas não significa, no entanto, concordar com este pensamento diferente. É aceitar que existe uma outra ideia sobre algo e admitir que esta ideia pode existir de forma concomitante a sua ideia. É não querer impor o seu pensamento a outrem, mas ao contrário, admitir que existem outras formas de pensar sobre as mais variadas coisas e situações da vida.
O exercício da tolerância, permite uma reflexão sobre a nossa própria noção de determinada coisa, permitindo inclusive em diversas situações reconhecer que o próprio ponto de vista não é o mais adequado e por fim acatando o novo pensamento. Devemos permitir-nos ouvir, lembrando aqui do trabalho já apresentado e debatido em Loja, “A arte de ouvir”. Cabe aqui também a citação de um ditado conhecido: “ninguém é dono da verdade”, ou seja, o nosso pensamento ou entendimento sobre algo, sempre deve permitir entendimento em contrário.
Desta forma a alteridade está ligada ao princípio da tolerância, utilizado pela Maçonaria.
“Alteridade é ser capaz de apreender o outro na plenitude da sua dignidade, dos seus direitos e, sobretudo da sua diferença. Quanto menos alteridade existe nas relações pessoais e sociais, mais conflitos ocorrem. A nossa tendência é colonizar o outro, ou partir do princípio de que eu sei e ensino para ele. Ele não sabe. Eu sei melhor e sei mais do que ele. As concepções éticas da sociedade muitas vezes são forjadas por um processo social onde o capital, um bem finito, tem mais prioridade do que os bens infinitos (dignidade, ética, liberdade, paz, etc.). A sociedade está perdendo a vida interior, e entrando noutra anomalia, a hipertrofia do olhar e a atrofia do escutar. Estamos perdendo a experiência do silêncio e a perda da possibilidade do encontro consigo mesmo.”
De acordo com Consultora Laura Widal, alteridade “é ocupar um lugar próximo dessa pessoa e entender o contexto e a visão dela, com um nível de profundidade menor que o da empatia. Isto faz com que se consiga respeitar a diferença e aceitar o outro e entender como eu posso ajustar o meu comportamento para criar um ambiente inclusivo em que eu consiga me relacionar e trabalhar com pessoas que pensam, sentem e vêem as coisas de uma forma diferente da minha.”
Alteridade é ter a consciência do próximo. Saber que o próximo existe. Se colocar no lugar dele. Cito uma passagem bíblica: Lembrai-vos dos presos, como se tivésseis presos com eles, e dos maltratados como sendo-o vós mesmos também no corpo (Hebreus13:3).
Alteridade é se colocar no lugar do outro, escutá-lo, tendo ciência que somos diferentes e que estas diferenças nos fazem crescer.
Madre Tereza de Calcutá, dizia que “as pessoas boas merecem o nosso amor, as pessoas ruins precisam dele” e isto tem total relação e é um belíssimo exemplo de alteridade.
Alteridade é diferente de identidade, pois no segundo caso pertencem ao mesmo grupo (nós) e no primeiro caso pertencem ao outro grupo, ou seja, é diferente (eles). Aprendendo a respeitar os hábitos, costumes e ideias diferentes, exercitando a alteridade, compreendemos melhor a diversidade.
Colectividade
Primeiramente na tentativa de conceituar colectividade, encontramos que se trata da: “Natureza do que é colectivo, do que contém, abrange ou pertence a várias pessoas ou coisas: a colectividade é a essência da sociedade. É o conjunto de seres que constituem o corpo colectivo, partilhando os mesmos hábitos, costumes e interesses: as colectividades não procedem como os indivíduos.”
“Aristóteles aponta para o facto de haver na natureza humana uma tendência a viver em sociedade e que ao realizar esta inclinação o homem realiza o seu próprio bem. Quer dizer, se vivemos em sociedade é porque esta é a finalidade do ser humano.
O facto de tender naturalmente à vida colectiva mostra que o homem é um ser carente. Carente de alguma coisa que o leve a desejar e carente de alguém que o leve a se associar. A carência aponta para a incompletude humana. O homem tem sempre necessidade de um outro semelhante a ele e tão imperfeito quanto ele. Ele se associa para alcançar uma vida perfeita e auto-suficiente. O homem tende à vida em sociedade porque nela, e somente nela, se torna plenamente humano. Esta lição de Aristóteles abre-nos o caminho para outra: se nós somos seres naturalmente inclinados para a vida em sociedade e se esta vida é a melhor vida possível, então ninguém pode dispensar-se da tarefa de pensar a colectividade. ”
A relação entre Irmandade, Egrégora, Alteridade, Colectividade
o convívio em Loja e como a utilização destes preceitos podem melhorar a amizade e a união do grupo: Após conceituar um a um os elementos na forma supra descrita, resta relaciona-los entre si. Algumas frases e pensamentos de pronto surgem:
Através do amor sincero e fraternal que permeia o coração do verdadeiro Maçom, o mesmo pode e deve sempre se dispor a ouvir o seu Irmão com calma e atenção, procurando entender o seu ponto de vista sobre os mais variados assuntos, entendendo as suas aflições e o contexto no qual a atitude ou pensamento do Irmão foi concebido, admitindo que a ideia do outro possa ser contrária à sua e que na verdade nenhuma das ideias, ainda que opostas, precisam prevalecer.
A ideia é ouvir e reflectir a ideia oposta exposta pelo Irmão, por mais absurda que as vezes possa parecer, sem fazer julgamentos, e entender que apesar de um grupo com os mesmos objectivos (entre os quais cito como principais o eterno e continuo trabalho de lapidação da pedra bruta interior visando a evolução espiritual e a melhora como ser humano e a busca incessante pelo conhecimento) na verdade dentro da unidade de uma Loja maçónica sempre haverá diversidade, sob os mais diversos aspectos (idade, cultura, riqueza, gostos, hábitos, pensamentos, etc.).
Que as ideias ainda que opostas podem coexistir e isto não pode de forma alguma afectar a egrégora do grupo, seja em Loja, quando ela é muito forte e mais palpável, seja em outros locais ou de outras formas (como no WhatsApp por exemplo).
Devemos entender que praticando a alteridade e ao menos ouvindo o ponto de vista do Irmão, estaremos sempre nos aprimorando e nos lapidando, seja, por agregar algo ao nosso ponto de vista (ainda que contrário), seja por aprender a respeitar e entender que somos diferentes e pensando diferente, mesmo sendo iguais e tendo objectivos em comum.
Aprendendo a ouvir com atenção e respeito a opinião do Irmão, estamos praticando a alteridade, e se todos praticarem a alteridade de forma simultânea, poderão haver ideias contrárias, mas estas ideias contrárias não serão capazes de macular a egrégora em Loja, pois cada qual expõe o seu pensamento e respeita o pensamento do outro, não necessariamente impondo o seu ou acatando o outro, mas entendendo que ambos podem subsistir e esta diversidade com o respeito mútuo, mantém e eleva a força e o grau de benefícios da egrégora criada, ajudando a tornar a Loja cada vez mais forte e coesa, mesmo com a diversidade de pessoas ou opiniões, e sendo mais fortes como grupo, teremos mais força para fomentar a construção de um mundo melhor.
Considero extremamente prejudicial ao grupo algumas discussões e rótulos utilizados em grupo de WhatsApp por exemplo. Entendo que muitas coisas são ditas em tom de brincadeira, no entanto, outras não são.
Ser Maçom, não é praticar os princípios somente dentro do templo e durante a sessão, temos que ter conduta maçónica dentro e fora do templo, mas quando vemos algumas imposições de ideias, as vezes acho que fora do templo não somos tão Irmãos quanto deveríamos. Estejam certos de que as disputas e discussões que travamos externamente, também prejudicam a egrégora.
Para exercer a liberdade de pensamento é necessário reconhecer o direito dos demais de terem pensamentos divergentes dos nossos, sob pena de não atendermos a um dos objectivos do Maçom, qual seja, vencer as paixões. Desta forma, podemos dizer que para a evolução do Maçom, o exercício continuo da tolerância e da alteridade é medida que se impõe, sob pena de não evolução. E aqui cumpre destacar que não se trata apenas de tolerância dentro da Loja a qual pertence o Maçom, mas também a tolerância, no trabalho, no trânsito, em família, com os amigos, e em toda e qualquer actividade na qual esteja envolvido o Irmão.
Este comentário tem apenas o escopo de gerar uma reflexão em cada um de nós, e de forma alguma pretende exercer qualquer tipo de censura ou puxão de orelha em alguém. Apenas pretende destacar que temos todas as ferramentas nas nossas próprias mãos para evoluirmos em conjunto, reduzir as nossas distâncias e formar um grupo mais coeso de Irmãos, respeitando a diversidade e cultivando o amor fraternal.
Temos que ter sempre em mente que o colectivo deve prevalecer em detrimento do individual, por isso é de suma importância a prática continua da alteridade entre nós, meus Irmãos.
7 – Associe estes conceitos com a frase que em Mateus (18:20) é atribuída a Jesus: “Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles”.
O artigo de Frei Beto sobre este tema representa muito bem o entendimento deste versículo:
“É ser capaz de apreender o outro na plenitude da sua dignidade, dos seus direitos e, sobretudo, da sua diferença. Quanto menos alteridade existe nas relações pessoais e sociais, mais conflitos ocorrem. A nossa tendência é colonizar o outro, ou partir do princípio de que eu sei e ensino para ele. Ele não sabe. Eu sei melhor e sei mais do que ele.
Quem, na cultura ocidental, melhor enfatizou a radical dignidade de cada ser humano, inclusive a sacralidade, foi Jesus. O sujeito pode ser paralítico, cego, imbecil, inútil, pecador, mas ele é templo vivo de Deus, é imagem e semelhança de Deus. Isso é uma herança da tradição hebraica. Todo ser humano, dentro da perspectiva judaica ou cristã, é dotado de dignidade pelo simples facto de ser vivo. Não só o ser humano, todo o Universo. Paulo, na Epístola aos Romanos, assinala: “Toda a Criação geme em dores de parto por sua redenção”. Dentro deste quadro, o desafio que se coloca para nós é como transformar essas cinco instituições pilares da sociedade em que vivemos: família, escola, Estado (o espaço do poder público, da administração pública), Igreja (os espaços religiosos) e trabalho. Como torná-los comunidades de resgate da cidadania e de exercício da alteridade democrática? O desafio é transformar essas instituições naquilo que elas deveriam ser sempre: comunidades. E comunidades de alteridade.
Aqui entra a perspectiva da generosidade. Só existe generosidade na medida em que percebo o outro como outro e a diferença do outro em relação a mim. Então sou capaz de entrar em relação com ele pela única via possível – porque, se tirar essa via, caio no colonialismo, vou querer ser como ele ou que ele seja como sou – a via do amor, se quisermos usar uma expressão evangélica; a via do respeito, se quisermos usar uma expressão ética; a via do reconhecimento dos seus direitos, se quisermos usar uma expressão jurídica; a via do resgate do realce da sua dignidade como ser humano, se quisermos usar uma expressão moral. Ou seja, isso supõe a via mais curta da comunicação humana, que é o diálogo e a capacidade de entender o outro a partir da sua experiência de vida e da sua interioridade.”
Rodrigo Gomes, M∴ M∴ (CIM: 299.301),
Luiz Rossa, M∴ M∴ (CIM: 299.300) e
Édison Santana, M∴ M∴ (CIM: 281.596)
(ARBLS Palmeira da Paz nº 2121 – Oriente de Blumenau – GOB – GOB/Santa Catarina)
Questões colocadas pelo Irmão M∴ M∴ Walter Roque Teixeira
Bibliografia
- http://www.scielo.br/pdf/pe/v17n1/v17n1a14.pdf
- https://www.todoestudo.com.br/historia/conceito-de-alteridade
- https://www.dicio.com.br/coletividade/
- https://www.tribunapr.com.br/noticias/aristoteles-por-que-vivemos-coletivamente/
- https://www.youtube.com/watch?v=QhvHLllhrFg
- https://www.passeidireto.com/arquivo/37967180/antropologia-como-ciencia-da–alteridade
- https://www.contioutra.com/antropologia-a-ciencia-da-alteridade/
- https://www.youtube.com/watch?v=wXF4xO2EE98
- https://pt.wikipedia.org/wiki/Egr%C3%A9gora#cite_note-1
- https://a-partir-pedra.blogspot.com/2016/07/a-irmandade-maconica.html
- https://www.revistauniversomaconico.com.br/curiosidades/a-origem-da-palavra-irmao/
- GIRARDI, João Ivo. Do meio-dia à meia-noite – Vade-mécum maçónico. 2008. 2ª. Ed. Nova Letra Gráfica e Editora Ltda.

- Maçonaria – A maquete de Deus
- A Maçonaria é essencial?
- Relações internacionais e regularidade maçónica – um património inestimável
- O Homem e o seu Caminho
- Uma “família” que integra uma “família” maior

