Aplicação moral e operativa da doutrina simbólica do Grau de Aprendiz (I)

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Trabalho do Aprendiz

Desbastar a pedra bruta, aproximando-a numa forma em relação ao seu destino: eis aqui, a tarefa ou trabalho simbólico ao qual se deve dedicar todo o Aprendiz para chegar a ser o Obreiro que domina inteiramente a sua Arte.

Neste trabalho simbólico, o Aprendiz é ao mesmo, tempo obreiro, matéria-prima e instrumento. Ele mesmo é a pedra bruta, representativa do seu actual e ainda muito imperfeito desenvolvimento, à qual e ainda mui imperfeito desenvolvimento, à qual tem de converter numa forma ou perfeição interior, que se encontra em estado latente dentro desta imperfeição evidente, de modo que possa tomar e ocupar o lugar que lhe corresponde, de acordo com o Plano, no edifício ao qual está destinada.

Uma vez que a Perfeição, é infinita, e no seu estado absoluto inacessível, somente podemos esperar conseguirmos aproximarmo-nos da perfeição ideal que nos é dado conceber no estado ou etapa de progresso em que actualmente nos encontramos. O nosso progresso desenvolve-se, pois, através de graus sucessivos de perfeição relativa, e o próprio reconhecimento da nossa imperfeição por um lado (a pedra bruta), e o de um ideal que desejamos, pelo outro, são as primeiras condições indispensáveis para que possa existir um tal esforço ou trabalho.

O próprio trabalho consiste em despojar a pedra das suas asperezas, pondo primeiro em evidência as faces ocultas no estado de rudeza natural da pedra; depois rectificar essas faces, alisando-as e tirando todas aquelas protuberâncias que a afastam de uma forma harmoniosa com aquela que é preciso obter.

É importante notar que não se trata de aproximar a pedra da forma de determinado modelo exterior, se bem que isto possa servir de motivação e inspiração, o importante é que o modelo ou perfeição ideal tem de ser procurado dentro da própria pedra, de cujo foro íntimo há de ser manifestada ou extraída a própria forma a qual cada pedra idealmente pertence. Ou seja, abandonando a metáfora, trata-se reconhecer e manifestar a perfeição inata do Ser Íntimo, da Ideia Divina que habita em cada um de nós, cuja expressão relativa e progressiva é o objecto constante da existência.

Os instrumentos e a obra

Este trabalho na pedra, que também historicamente é o primeiro trabalho humano requer para a sua perfeição três instrumentos característicos, que são o malho, o cinzel e o esquadro. Este último serve de medida afim de assegurar-nos que a obra mais especificamente activa dos dois primeiros esteja de acordo com as normas ou critérios ideais universalmente reconhecidos e aceitos; aqueles são os meios complementares com os quais a perfeição concebida ou reconhecida fazer-se-á efectiva.

O esquadro representa fundamentalmente a faculdade do juízo que nos permite comprovar a rectidão ou a sua falta, ou seja a forma octogonal das seis faces que tratamos de lapidar, assim como a das suas arestas e dos oito ângulos triedros nos quais elas se unem, como o objectivo de fazer com que a pedra se torne rectangular, como deve ser toda pedra destinada a formar parte de um edifício.

É por intermédio do esquadro que os nossos esforços para realizar o ideal ao qual nos propusemos podem ser constantemente comprovados e rectificados. Isto é feito de maneira que estejam realmente encaminhados na direcção do ideal, conforme é demonstrado pela simbólica marcha do Aprendiz, que ensina a cuidadosa aplicação desse valioso instrumento sobre cada passo e em cada etapa da nossa existência diária.

Desta forma, o malho e o cinzel, como instrumentos propriamente activos, representam exactamente os esforços que, por meio da Vontade e da Inteligência, temos de fazer para nos aproximarmos da realização efectiva desses Ideais, que representam e expressam a perfeição latente do nosso Ser Espiritual. O malho, que utiliza a força da gravidade da nossa natureza subconsciente, dos nossos instintos, hábitos e tendências, é pois, representativo da Vontade, que constitui a primeira condição de todo progresso e é ao mesmo tempo o meio indispensável para realizá-lo.

Temos de querer antes de poder realizar, assim como para realizar e poder realizar, sendo a Vontade a força primeira da qual podem se considerar originárias todas as demais forças, e portanto aquela que a todas pode dominar, atrair e dirigir.

Devemos entretanto, precaver-nos dos excessos aos quais nos poderão conduzir o culto exagerado da faculdade volitiva, uma vez que os resultados desta Força soberana entre todas as forças cósmicas podem também ser destrutivos, quando essa força não for aplicada e dirigida construtivamente por meio do discernimento necessário à sua manifestação mais harmónica, de acordo com a Unidade de tudo o que existe. Pois assim, como o malho utilizado sem o auxílio do cinzel, instrumento que concentra e dirige a força daquele em harmonia com os propósitos da obra, poderá facilmente destruir a pedra em vez de aproximá-la da forma ideal da sua finalidade assim igualmente a Vontade que não é acompanhada do claro discernimento da Verdade não pode nunca manifestar os seus efeitos mais subtis, benéficos e duradouros.

O propósito inteligente que deve dirigir a acção da vontade é aquilo que é representado exactamente pelo cinzel, como instrumento que complementa o malho na Obra Maçónica. Esta faculdade que determina a linha de acção do nosso potencial volitivo não é menos importante uma vez que da sua justa aplicação, iluminada pela Sabedoria que é manifestada como discernimento e visão geral, dependem inteiramente a qualidade e a bondade intrínsecas do resultado: ou uma formosa obra de arte sobre a qual se concentra a admiração dos séculos, ou então a obra tosca e mal formada que revela uma imaginação enferma e um discernimento ainda rudimentar.

Para que a acção combinada de ambos os instrumentos seja realmente Maçónica, isto é, útil e benéfica para o propósito da evolução individual e cósmica, ela deve ser constantemente comprovada e dirigida pelo Esquadro da Lei ou norma de rectidão, cujo ângulo recto representa a rectidão da nossa visão, que nos coloca em harmonia com todos os nossos semelhantes fazendo-nos progredir rectamente na Senda do Bem.

Esta actividade eminentemente directora do Esquadro, que representa e expressa a Sabedoria, faz dele o símbolo mais apropriado do Venerável Mestre, assim como o malho, emblema da Força, pode ser atribuído ao 1° Vigilante, e o cinzel, produtor da Beleza, ao Segundo. Assim como a actividade combinada dos três instrumentos é indispensável à obra Maçónica, da mesma forma a cooperação mais completa das três luzes da Loja e indispensável para que esta possa desenvolver um trabalho realmente fecundo.

Ideal

Os dois Vigilantes representam também, respectivamente, o nível e o prumo. Este último principalmente diz respeito ao Aprendiz, ao demonstrar a direcção vertical dos seus esforços e das suas aspirações, para realizar o que há de mais elevado no seu ser e nas suas potencialidades latentes.

Este esforço, em sentido oposto à gravidade dos instintos, é o que caracteriza o Maçom no seu desejo de aperfeiçoamento. A sua mira deve, pois, dirigir-se constantemente ao Ideal mais elevado da sua alma, para o realizar em cada pensamento, palavra e acção.

Assim, como a planta cresce e progride por meio dos seus esforços verticais, também, nós ao fixarmos o nosso olhar no Ideal que nos revela a verdadeira luz, cresceremos na sua direcção e chegaremos a encarná-lo, avançando na senda do nosso progresso individual.

Este é o uso que devemos fazer do prumo para erigir o simbólico Templo à Glória do Grande Arquitecto, do qual procedem as nossas mais elevadas aspirações: o Templo que construímos ou erguemos no nosso interior com a nossa própria vida, a actividade construtora que age em nós de acordo com os planos da Inteligência Criadora ou Princípio Evolutivo do Universo, com a qual temos o privilégio de cooperar conscientemente com nosso entendimento e boa vontade.

O Templo e a pedra cúbica são uma mesma coisa: o Ideal que devemos realizar individualmente na nossa vida esforçando-nos para superar os nossos defeitos e debilidades, vencer e dominar os nossos vícios, instintos e paixões, que são as asperezas da pedra bruta que representa o nosso estado de imperfeição.

O aperfeiçoamento de si mesmo: heis aqui a parte essencial e fundamental da Obra do Aprendiz. Um aperfeiçoamento que consiste em educar, ou seja eduzir: exteriorizar e manifestar à Luz, as gloriosas possibilidades da nossa Individualidade, despojando-nos dos defeitos, erros, vícios e ilusões da personalidade, a máscara que esconde a nossa verdadeira natureza.

Caminhar e esforçar-se para a Luz, buscar a Verdade e estabelecer no seu domínio o Reinado da Virtude, libertar-se progressivamente de todas as sombras que escurecem e impedem a manifestação desta Luz Interior que deve brilhar sempre, mais clara e firmemente esclarecendo e destruindo toda treva, é, em síntese, a nobre tarefa de todo verdadeiro Maçom.

Uma vez que tenhamos aberto os olhos a este superior estado de consciência e que a tenhamos directamente reconhecido, esta Luz que esta em nós, manifestar-se-á naturalmente ao nosso redor a vida toda, assim como nos nossos pensamentos, palavras e acções.

Pensamento, palavra e acção

Pensar, falar e agir, conforme melhor for possível, de acordo, com os nossos mais íntimos ideais e profundas convicções, é um trinómio que directamente nos diz respeito em cada momento da nossa existência diária.

Pensar bem é pensar rectamente, de acordo com o esquadro do Juízo, orientando toda a nossa actividade mental para aquilo que em si for bom, belo e verdadeiro. O pensamento recto é pensamento positivo e construtivo, assentado sobre as funções invioláveis da Verdade e do Bem: os pensamentos inarmónicos que descansam sobre a ilusão devem ser afastados da mente, assim como foi feito simbolicamente por Jesus com os profanadores do Templo.

Este esquadro deve apoiar-se, conforme é indicado pelo sinal do Aprendiz, sobre a garganta, para medir todas as nossas palavras, em conformidade com os nossos ideais e sentimentos mais elevados, rechaçando todas aquelas que não estiverem de acordo com essa medida, de forma que elas nunca se façam porta vozes das nossas tendências mais baixas e negativas, dos nossos erros e juízos superficiais, dos nossos ressentimentos e paixões mesquinhas, ou do domínio que a ilusão pode ainda ter sobre nós. Devemos assim mesmo, evitar toda crítica que não seja realmente construtiva, e sobre tudo não seja realmente construtiva, e sobre tudo não nos permitir nenhuma expressão que não seja inspirada por uma verdadeira benevolência.

O domínio das palavras é mais fácil que dos pensamentos, e na medida da sinceridade individual, tende a produzi-lo. Mas, este último é, naturalmente, o mais importante, uma vez que as nossas palavras não podem expressar a não ser aquilo que “está no nosso coração”. Desta forma à selecção das palavras deverá seguir a dos pensamentos, conforme é indicado, como veremos, pelo sinal de Companheiro.

Da mesma maneira, conforme dominemos as nossas palavras e pensamentos, será possível dominarmos também as nossas acções. Assim chegaremos ao terceiro ponto: agir bem, ou seja, acertadamente, ao nível das leis morais de equidade e justiça que governam as relações harmónicas entre os homens, e em aprumo com os nossos próprios princípios, ideais e aspirações. Este é pois, o sinal com o qual se dá universalmente a conhecer e reconhecer o Maçom.

Assim é como se deve usar o esquadro, horizontalmente, para medir as nossas palavras, e verticalmente, para corrigir os pensamentos, e como nossas acções devem, por meio do nível e do prumo, estar igualmente em harmonia com estes e com aquelas.

O toque

Também, o toque tem um sentido profundo, do facto que passa desapercebido à maioria dos maçons, uma vez que significa, de uma maneira geral, a capacidade de reconhecer a qualidade real que se esconde sob a aparência exterior de uma pessoa, e portanto, implica num grau de discernimento proporcional ao grau de compreensão que individualmente alcançamos.

Enquanto o homem profano ao conhecimento da Verdade (conhecimento que é conseguido por meio da iniciação) baseia os seus juízos e as suas apreciações em considerações puramente exteriores, o iniciado esforça-se em ver tudo à Luz do Real e julgar de uma forma bem diferente por ter adquirido, a faculdade de ver as qualidades reais, íntimas e profundas das coisas num grau proporcional à sua iniciação.

Em vez de ficar na superfície, na máscara, que constitui a personalidade, ou seja a parte mais superficial e ilusória do homem, esforça-se por ver a sua individualidade, ou a expressão individualizada do Princípio Divino em si mesmo, que constitui o seu Espírito, o Homem-Real, Eterno e Imortal.

As batidas são os toques simbólicos com os quais a qualidade do Maçom vibrará em resposta natural e de forma espontânea manifestando-se como tal. Este reconhecimento prepara para o abraço fraternal através do qual é comunicada a Palavra, ou seja o Verbo e o Ideal mais elevado que está presente nos seus corações que escondem zelosamente para o mundo profano da crítica e da malevolência, as “más ervas” que sufocariam e impediriam o crescimento desses preciosos germes espirituais.

Cada golpe é um esforço para penetrar sob a pele, ou seja debaixo da ilusão da aparência, até encontrar o Ser Real; é a busca individual, para descobrir o Mistério Final dentro de si mesmo e de todas as coisas nas três etapas que representam as palavras evangélicas: Buscai e achareis, pedi e vos será dado, batei e vos será aberto, referindo-se à Verdade, à Luz e à Porta do Templo.

Assim, pois, o toque manifesta e reconhece a qualidade do iniciado nos Mistérios da Construção, que se desenvolvem no indivíduo e em todo o Universo. E expressa também, como consequência natural, a solicitude fraternal que o iniciado manifestará em todas as suas relações com os seus semelhantes, e particularmente com os seus irmãos.

A palavra

Assim como o toque mostra que o Maçom deve esforçar-se por penetrar na essência profunda das coisas em vez de ficar na superfície, a palavra mostra o seu acto de fé e a atitude interior da sua consciência.

A palavra Sagrada que o Aprendiz obtém como prémio final dos seus esforços, depois de se ter submetido às provas de iniciação, longe de ser uma palavra sem sentido, possui um significado profundo cuja compreensão e aplicação vale o esforço que foi empreendido para consegui-la. É uma palavra que é dada secretamente para que permaneça no segredo da consciência, e o aprendiz dela faça o uso fecundo que demonstra a sua compensação.

A Palavra Sagrada significa: Na Força, e é, portanto o implícito reconhecimento (consequência da iluminação recebida, como resultado dos seus esforços nas viagens do Ocidente ao Oriente) de que a Força Verdadeira e Real não reside no mundo da aparência nem nas coisas materiais, mas no Mundo Transcendente no qual reside o Princípio Imanente de tudo.

Este reconhecimento, quando for efectivo e profundo convencimento da alma, deve produzir uma mudança completa na atitude do ser: o iniciado diferenciar-se-á assim do profano, e em vez de pôr, como este, a sua confiança nas coisas e meios exteriores, pô-la-á unicamente no princípio da Vida, que é o Princípio do Bem, cuja presença e omnipotência terá reconhecido dentro do seu próprio ser.

O conhecimento e o uso da Palavra Sagrada é, pois, a base da verdadeira liberdade e independência: cessando de depender por completo das coisas externas e do capricho dos homens, o iniciado liberta-se das considerações materiais, que prendem a todos os que ainda não sabem onde se encontram a Força e o Verdadeiro Poder e que assim são geralmente escravos destas coisas.

Deste modo aprende o iniciado a não dobrar nunca o joelho ante os homens, elevados que sejam os seus postos e os cargos que possam ocupar na sociedade, tornando-se igual aos reis ao tratar a todos os homens sem orgulho nem arrogância, e igualmente sem medo e sem temor, ou seja, simplesmente como irmãos.

Mas, sabe dobrá-lo ante o Eterno, reconhecendo-o como a única Realidade e o único poder, tirando como Moisés, ante a sarça ardente, os sapatos da ignorância e presunção, e humilhando diante Dele as asperezas da sua personalidade, para poder receber a Sua Luz e tornar-se receptivo à Sua Influência, em íntima comunhão, no místico segredo da alma.

O Primeiro Mandamento

A Palavra Sagrada do Aprendiz possui um significado análogo ao Primeiro Mandamento: Eu sou o Senhor teu Deus: não terás outro Deus diante de mim. Aqui também vemos o implícito reconhecimento de uma só Realidade, a Realidade Espiritual de tudo; de um só Princípio, Poder e Força: o Princípio da vida, que é o Princípio do Bem e o Poder e a Força que Nele unicamente residem.

A segunda parte do mandamento mostra como neste reconhecimento devemos encontrar o poder soberano que nos assiste e nos faz triunfar sobre toda ilusão ou crença no poder ou na força da coisas exteriores. A confiança deve ser depositada única e exclusivamente no Real, naquela Realidade da qual adquirimos (como resultado da iniciação) a consciência e o contacto interior, que é portanto, o nosso “Pai ou Senhor”, e não nos falsos deuses das considerações triviais aos quais tributam a sua adoração à maioria dos homens.

Este Princípio que vive em nós é o nosso Deus, ou seja, a Luz que nos conduziu para fora do Egipto, a ilusão dos sentidos, o país das trevas e da escravidão. O Êxodo de Israel é pois, uma pitoresca imagem da iniciação, do êxodo individual do povo eleito dos iniciados, fora do falsos deuses, ou seja, as ilusões dos sentidos, para chegar à Terra Prometida da liberdade e da independência.

A Primeira Coluna

A Palavra Sagrada do Aprendiz é também o nome da primeira das duas colunas que se encontram à entrada do simbólico Templo erigido pela iniciação: o Templo da Verdade e da Virtude.

Isto quer dizer que o seu reconhecimento é o Princípio Básico (ou coluna) que pode nos conduzir a atravessar a Porta daquele Templo: sem este reconhecimento nunca poderemos esperar nele entrar; a sua porta permanecerá fechada até que reconheçamos essas duas colunas, das quais unicamente a primeira diz respeito ao grau de Aprendiz.

Esta coluna próxima à qual o Aprendiz recebe o seu salário é pois a Coluna da Fé, coluna que ele mesmo deve erigir em si dela fazendo um ponto de apoio. E um princípio do qual nunca deve se separar, nos seus pensamentos, palavras e acções, sob cuja condição poderá actuar de uma maneira sempre segura e construtiva em todas as circunstâncias da sua vida.

De tudo quanto já temos dito percebe-se com toda a clareza e importância da Palavra e da interpretação do seu significado, por ser a inteligência e o uso desta Palavra o que verdadeiramente faz o iniciado e o Maçom. Esta Palavra pode e deve ser aplicada indistintamente em todas as condições da existência, estando nela o Poder de libertar-nos do mal e estabelecer-nos no Bem.

Se, portanto, aprendemos a permanecer fiéis, a esta Palavra ou de temor cessará de nos dominar e de Ter poder sobre nós: se a Força está Nele (que é a Realidade e o Princípio do Bem), toda aparência do mal é só uma ilusão que tem poder sobre nós enquanto a nossa mente reconhece esta ilusão como “realidade”, mas que desaparece tão logo paramos de lhe dar no nosso foro íntimo realidade e poder.

O temor é pois, a única corrente que nos prende ao mal e pode dar-lhe domínio sobre nós: se cessamos de temer o mal e, com plena e profunda convicção da nossa consciência, lhe negamos uma verdadeira existência e realidade, fugirá de nós como fogem as trevas ao aparecer a luz. Isto explica como Daniel, verdadeiro iniciado e fiel à Palavra, pode estar perfeitamente tranquilo no meio dos leões famintos, e como estes não lhe causaram dano algum.

Esta coluna de Fé absoluta no Princípio ou Realidade cuja existência e omnipotência reconhecem em si mesmo, é aquela que o Iniciado deve levantar no seu interior para que lhe sirva de base para apoiar todos os seus esforços, tanto de baluarte como de defesa em qualquer circunstância ou perigo.

Maxell Egens

(Continua na Parte II)

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