Arquitectos de Dionísio

Partilhe este Artigo:

Templo de Dionísio
Templo de Dionísio

Oficialmente a Maçonaria surgiu em 1717 na Inglaterra e logo se espalhou pelo mundo inglês colonizado. No entanto, esta data refere-se à Maçonaria Moderna.

Diferentes fontes de pesquisa citam que por volta de 4 mil anos antes de Cristo, quando o mestre-construtor Hiram Abiff (vindo de Tiro) ergueu um templo para o rei Salomão, já havia o ideal Maçom entre os operários. Conta-se também que Hiram Abiff era membro de uma antiga sociedade, a Artífices de Dionísio, na qual usavam sinais e senhas secretas e se dedicavam a ajudar os pobres. Ele deve ter se sentido em casa, pois entre os pedreiros havia membros de outra sociedade conhecida sua: a dos Jónios. Todos que vieram trabalhar no Templo de Salomão sabiam usar a Geometria Sagrada. [1]

Findo o trabalho no templo, os Artífices de Dionísio passaram a denominar Filhos de Salomão e adoptaram o selo (estrela de seis pontas ou dois triângulos sobrepostos) como insígnia (que depois virou o esquadro e o compasso sobrepostos). Os que ficaram em Israel fundaram uma corporação de artesãos chamada Cassidens – que mais tarde se tornariam os Essénios. [1]

Em 300 a.C., havia os Arquitectos de Dionísio, que eram uma associação de homens de ciência que se distinguiam não somente pelo seu saber como porque eles se reconheciam por toques e sinais. [2].

“Os Dionisíacos da Ásia Menor foram, sem dúvida, uma associação de arquitectos e engenheiros, que tinham o privilégio exclusivo de construir templos, estádios e teatros, sob a tutela misteriosa de Baco. Eram diferenciados dos habitantes não iniciados ou profanos pela ciência que possuíam, e por muitos sinais particulares e símbolos pelos quais eles reconheceram um ao outro.”. [3]

Lawrie, cujas elaboradas pesquisas sobre este assunto não deixa mais nada a desvelar, situa a chegada dos dionisíacos na Ásia Menor contemporânea à migração jónica, quando “os habitantes de Ática, queixando-se da escassez do seu território e esterilidade do solo, foram em busca de assentamentos mais extensos e férteis. Sendo acompanhados por um número de habitantes de províncias vizinhas, eles navegaram para a Ásia Menor, expulsaram os habitantes originais, apoderaram-se das posições mais desejadas, e se uniram sob o nome de Jónia, porque o maior número de refugiados era nativo daquela província grega” [0]. Com certo conhecimento das artes da escultura e arquitectura, nas quais os gregos já tinham realizado algum progresso, os emigrantes trouxeram para os seus novos assentamentos também os seus costumes religiosos, e introduziram na Ásia os mistérios de Atena e Dionísio muito antes de terem sido corrompidos pela licenciosidade da pátria-mãe. [3]

Esta sociedade especulativa e operativa, era especulativa no esoterismo e nas lições teológicas que eram ministradas nas suas iniciações e era operante nos trabalhos de seus membros como arquitectos, foi marcada por muitas peculiaridades que a assemelham intimamente à instituição da Maçonaria actual. Na prática da caridade, os mais abastados eram obrigados a mitigar as necessidades e contribuir para o suporte dos irmãos mais pobres. Eles foram divididos, para as conveniências de trabalho e vantagens de gerência, em corpos menores, que, como as Lojas Maçónicas, foram dirigidos por dignidades e oficiais. Eles empregaram nos seus rituais religiosos muitos das execuções da Maçonaria Operativa, e usavam como os maçons, uma linguagem universal e modos convencionais de reconhecimento pelos quais um irmão reconhecia o outro tanto discretamente como abertamente, e serviam para unir todo grupo onde quer que se dispersassem, numa fraternidade comum. [4]

Nestes rituais místicos, o neófito era encetado a representar simbolicamente e de forma dramática, os eventos relacionados com a morte da divindade de quem os Mistérios herdaram o nome. Depois de uma série de cerimónias preparatórias, destinadas a evocar toda a sua coragem e força, o afanismo ou morte mística de Dionísio era desvelado nas cerimónias, os clamores e lamentos dos iniciados com o confinamento ou enterro do candidato numa paragem, sólio, ou caixão, constituía a primeira parte da cerimónia iniciática. Em seguida, começava a busca de Réia [5] pelos restos de Dionísio, que estavam depositados em meio a cenários de maior confusão e tumulto, até que, finalmente, a busca fosse bem-sucedida. O luto era transformado em alegria, a luz alcançava as trevas, e o candidato era investido com o conhecimento da doutrina secreta dos Mistérios, da crença na existência de uma Divindade e de um estado futuro de recompensas e punições. [6]

Alguns historiadores têm reivindicado uma ligação directa entre os Collegia Fabrorum e a Maçonaria citando a organização conhecida no mundo romano como Colégio dos Artífices de Dionísio. Supostamente, esta organização teria sido uma herdeira dos antigos construtores, que desde a construção do Templo de Salomão continuavam preservando os segredos místicos da arte de construir. [7]

Cabe citar aqui a teoria proposta por Robert F. Gould na sua História da Maçonaria (Londres, 1727). Segundo esre autor os Collegia Fabrorum entraram nas Ilhas Britânicas através dos exércitos romanos, que deles necessitavam para construir e reconstruir as cidades que foram destruídas na guerra de conquista. Quando os romanos foram, enfim, expulsos da ilha, essa instituição tipicamente romana foi recepcionada por seus sucessores anglo-saxões na forma de guildas formadas pelos profissionais dos mais variados serviços, entre eles, o mais importante, os pedreiros profissionais. Esta teoria tem vários seguidores entre os historiadores maçons e apresenta uma certa lógica confirmada pela História da civilização nas Ilhas Britânicas. Todavia, há bem pouca documentação que a confirme. [8]

Evidentemente, a existência dos Collegia Fabrorum não explica, por si só a origem da Maçonaria, como também os Antigos Mistérios, nem as guildas dos antigos construtores medievais. Todas estas organizações e manifestações culturais constituem ligações que podem ser estabelecidas com maior ou menor grau de certeza, porém nenhuma delas pode ser efectivamente eleita como a legítima antecessora da nossa Ordem. A verdade é que a Maçonaria, como todo arquétipo que habita no inconsciente colectivo da humanidade, não tem, como os demais institutos que moldam o espírito humano, uma fonte única de referência. [9]

Alexandre Fortes, 33º – CIM 285969 – ARLS Cícero Veloso n° 4543 – GOB-PI

Fontes e Referências

[0] Lawrie, History of Freemasonry, p. 27.

[1] SOUZA, José Everaldo Andrade. As Origens e a história da Maçonaria. In https://silo.tips/download/as-origens-e-a-historia-da-maonaria-parte-i

[2] https://www.freemason.pt/cron-mac1/

[3] Esta linguagem é citada por Robison (Provas de uma conspiração, p. 20, Lond. Edição. 1.797. In http://pedraoculta.blogspot.com/2013/11/o-mito-sobre-predra-o-hiram-do-extase.html

[4] Há evidências abundantes, entre os autores antigos, da existência de sinais e senhas nos Mistérios. Assim, Apuleio na sua Apologia, diz: “Si qui forte adest eorundem Solemnium mihi particeps, signum dato”, etc, ou seja, “Se alguém passa a ser iniciado nos mesmos ritos que eu fui, e se ele irá me der o sinal, ele deverá então ter a liberdade para ouvir, o que eu preservo com muito cuidado”. Plauto também alude a este uso, quando, nas suas “Miles Gloriosus”, acto iv. sc. 2, ele faz Milphidippa dizer a Pyrgopolonices, “Cedo signum, si harunc Baccharum es”, ou seja, ” Dê o sinal se você é um dessas Bacantes”, ou iniciados nos Mistérios de Baco. Clemente de Alexandria conceitua esses modos de reconhecimento σωθηματα, como se fossem um meio de segurança. Apuleio usa memoracula noutra narrativa, possivelmente para denotar senhas, quando ele diz: “sanctissimè sacrorum signa et memoracula custodire”, o que se pode traduzir, “mais escrupulosamente no sentido de preservar os sinais e senhas dos ritos sagrados”. In http://pedraoculta.blogspot.com/2013/11/o-mito-sobre-predra-o-hiram-do-extase.html

[5] Divindade grega que era considerada a Mãe das Divindades Olímpicas e avó de Dionísio, em Cibela na Frígia, esta titã purificou e o ensinou os ritos de iniciação ao herói-deus. In http://pedraoculta.blogspot.com/2013/11/o-mito-sobre-predra-o-hiram-do-extase.html

[6] O Barão de Sainte Croix fornece uma breve visão das cerimônias: “Dans ces mystères on employoit, pour remplir l’âme des assistans d’une sainte horreur, les mêmes moyens qu’à Eleusis. L’apparition de fantômes et de divers objets propres à effrayer, sembloit disposer les esprits à la crédulité. Ils en avoient sans doute besoin, pour ajouter foi à toutes les explications des mystagogues: elles rouloient sur le massacre de Bacchus par les Titans,” &c.–Recherches sur les Mystères du Paganisme, tom. ii. sect. vii. art. iii. p. 89. In http://pedraoculta.blogspot.com/2013/11/o-mito-sobre-predra-o-hiram-do-extase.html

[7] Hipótese defendida pelo Irmão da Costa – History of the Dionysian Artificers – Ensaio – Loja The Montana Mason – November. 1921. In https://www.recantodasletras.com.br/ensaios/5127894

[8] Um desses raros documentos é a constituição do lendário Rei Athelstan, da Inglaterra, que século X, outorgou aos profissionais de construção do país um estatuto regulando essa profissão. In https://www.recantodasletras.com.br/ensaios/5127894

[9] https://www.recantodasletras.com.br/ensaios/5127894

Artigos relacionados


Partilhe este Artigo:

2 thoughts on “Arquitectos de Dionísio”

  1. Edvaldo Silva dos Santos

    Muito interessante este trabalho,
    Direciona pessoas iguais a mim, alimenta nossa vontade de pesquisa, além de fornecer algum alicerce ,para q não só obtenhamos fontes ,de conspiradores e achistas

Leave a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *


Scroll to Top