Os Cavaleiros Templários, uma Maçonaria mística e cristã

Partilhe este Artigo:

Cavaleiros Templários

A Maçonaria anglo-saxã conhecia desde o século XVIII até os dias actuais, um grau muito popular entre os maçons. O seu nome é inequívoco, uma vez que se trata do “Knight Templar”, ou seja, o Cavaleiro Templário. Vemos, com frequência, muito rapidamente, apenas a versão anglo-americana dos graus Templários “continentais”. Mas, olhando mais atentamente, o Cavaleiro Templário apresenta características únicas e não tem qualquer equivalente real na tradição maçónica da Europa continental. Quanto ao seu carácter cristão – outras culturas, outros costumes!  – longe de ser percebido como uma exclusão, ele é geralmente vivido pelos maçons ingleses ou americanos como uma junção que reúne as  comunidades cujas lutas fratricidas marcaram profundamente a história britânica.

Na Grã-Bretanha, assim como nos Estados Unidos, “Knight Templar” – todo mundo diz “K. T.” – é certamente o alto grau cavalheiresco mais praticado pelos maçons. O documento mais antigo relacionado a ele  data de 28 de Agosto de 1769, quando William Davis “solicitou e recebeu tudo deve ter um Maçom do Real Arco […] ele foi recebido e constituído em quatro etapas, a de Excelente, Super Excelente, Real Arco e Cavaleiro Templário “. A cena passa-se em Boston, mas numa loja que tinha a sua patente da Grande Loja da Escócia e mantinha estreitas relações com a Irlanda. É também na Irlanda que se parecem encontrar as origens do Cavaleiro Templário; é ali, de qualquer maneira que descobrimos o maior número de evidências sobre isto no século XVIII. Nas suas origens, o “K. T.”, parece então situar-se no rastro dos “Antigos” e não se deve então surpreender-se com os seus fortes vínculos com o Real Arco, do qual ele é muitas vezes um complemento necessário. Assim como a maioria dos primeiros altos graus, o Cavaleiro Templário foi conferido pela primeira vez por lojas simbólicas – principalmente na Irlanda  – até o final do século XVIII e início do século XIX, quando são constituídos “Grandes-Priorados” ou “Grandes Campos” (Grandes Acampamentos) para o administrar. Na Inglaterra e na Escócia, até a década de 1840, um clima de relativa hostilidade em relação aos altos graus limitou a sua prática a umas poucas “Commanderies” ou “Preceptorias”. Ao contrário, na Irlanda e nos Estados Unidos, ele imediatamente teve grande sucesso. É preciso sempre ser Maçom do Real Arco  para ser recebido com K. T., mas a escala de graus pela qual o beneficiário deve passar varia um pouco de país para país. Nos Estados Unidos, ele é o topo de uma série de dez “graus secundários” e a pedra angular do “Rito de York”.

A simples leitura do ritual mostra toda a distância que separa o Cavaleiro Templário do Cavaleiro Kadosh e de outros graus templários continentais. Primeira surpresa, ele não faz qualquer referência ao trágico destino da Ordem do Templo e de Jacques de Molay, tão importante nos rituais continentais. O candidato é um peregrino em busca que, depois de uma longa e difícil jornada em direcção a Jerusalém para se recolher diante do Santo Sepulcro, encontra refúgio numa Commanderie, e ali é consagrado “soldado da cruz” e posteriormente sagrado Cavaleiro no seio da Ordem. Escusado será dizer que, a cerimónia acontece num ambiente muito religioso … o que, a propósito, não representa um problema no contexto da Maçonaria Anglo-saxã. É claro, os Cavaleiros Templários são considerados uma ordem maçónica cristã.

Discretas no ritual, a referências “Templárias” desenvolvem-se, pelo contrário,  abundantemente na iconografia que se constitui em torno do grau (decorações, certificados, patentes …). Nos Estados Unidos, ao final do século XIX, os Cavaleiros Templários até mesmo deram lugar a uma orgia de adereços neogóticos e neo-cavalheirescos que prenunciava claramente  Hollywood e que são, hoje, o deleite dos coleccionadores.

Eis aqui, em todo caso, um grau bem curioso, o de “Templário”.

Pierre Mollier – Autor e historiador

Tradução feita por José Filardo

Fonte

Publicado originalmente em

Artigos relacionados


Partilhe este Artigo:

1 thought on “Os Cavaleiros Templários, uma Maçonaria mística e cristã”

  1. José Faustino

    A Maçonaria não limita credos nem raças……
    Os cavaleiros templários levavam (impunham uma fé),só por aí talvez se possa pensar um pouco no Elo que não existe.
    Mas somos homens livres e de bons costumes,sem Arrogância e Tolerantes.
    Bem hajam

Leave a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *


Scroll to Top